« Em 1815, um dos mais abastados mercadores de pannos da rua das Flores na cidade do Porto, era o senhor Antonio José da Silva. E a 23 d'agosto, do mesmo anno, o negociante da rua das Flores que mais suava, e bufava afflicto com a calma, era o mesmo senhor Antonio José da Silva. O senhor Antonio, como os seus caixeiros o chamavam, tinha razão para suar. As bochechas balofas e tremulas, dilatadas pelo calor do estio, ressumavam-lhe um succo oleoso, que descia em rêgos pelos tres rofêgos da barba, e vinha adherir a camisa ás duas grandes esponjas, que formavam os seios cabelludos do nosso amigo attribulado.
O senhor Silva inquieto, e resfollegando como um hippopótamo, passeava no seu escriptorio. O seu traje era muito simples: andava de cuecas, e alpercatas de estôpa com sola de cortiça. Este vestido, com quanto singelissimo, e o primeiro talvez que se seguiu ao que trajou Adão no Paraizo, dava-lhe ares d'um sátyro voluptuosamente gordo.
O negociante representava cincoenta e cinco annos, bem conservados. No ôlho direito tinha muita vida; o esquerdo, porém, n'esta occasião tinha um tersolho, e inflammado, de mais a mais, pelo calor.»Camillo Castello Branco, A filha do Arcediago, 3.ª ed., Porto, Cruz Coutinho, 1868, p. 7.
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Cartaz adaptado da C.M. duma póvoa de ortofónicos (com tersolhos).
(Revisto às 11h00.)
Não andará Camilo às voltas na campa com tal desaforo? A desvergonha não tem limites; é preciso um fungicida para uma limpeza profunda, esse é que é essa!
ResponderEliminarCumprs
Sei lá!
ResponderEliminarElle escrevia de sua maneira. Os da 1.ª República reviraram-lhe até o nome. Outros a seguir revolveram-lhe os textos e vê-se não fica por aqui. Deve ser alguma doença modernaça; hiperactividade...
Se ler eu Dickens em inglês, é igual da primeira à última edição. Se o ler em português deve aparecer de tudo, até «pénis»...
Cumpts.
Quanto a Camilo:
ResponderEliminarEssa rapaziada é mesmo assim: tocar de mudar tudo, sem nexo nem fundamento nem objectivo; é a mudança pela mudança e pronto um destes dias vamos ter que comprar um qualquer dicionário de tupi/Português para conseguir ler a nata das letras portuguesas; que vacuidade!
Quanto a essa pobre alma, quiçá emigrante em terras de S.M. e que à falta de pratos para lavar no restaurante, se deitou a “tradutora”:
Sabe que fiquei sem fala? Isto não me deveria acontecer, mas, acontece, pronto!
É, seguramente, desta massa (bruta) que é feito esse “escol” cultural dos acorditas; que raio de mediocridade!
Cumpts
Ainda: essa criaturinha deve ter futuro assegurado a traduzir as obras de Camilo para acordês.
ResponderEliminarNão há qualquer motivo fonético para escrever "machado". "Maxado" está muito bem. Tão bem como "coleção".
ResponderEliminarA menos que o Maxado seja de Nave Haver ou de Badamalos e ainda se pronuncie 'Matchado', naturalmente.
ResponderEliminarCumpts.
O Camillo deve de estar a rogar pragas a este infeliz do Maxado ... E olhe que o Amigo dá-me a boa ideia de tratar dos apelidos da cambada mixordesa .
ResponderEliminarAbraço.
Não tem porque o vocabulário de Camillo era vastíssimo e consulta a dicionários não há-de ser com ela.
ResponderEliminarCumpts.
Camilo havia de se rir como nunca.
ResponderEliminarCumpts.
Essa (sua) do 'Maxado' foi muito bem achada:)
ResponderEliminarOs acordistas estão contìnuamente a querer "dar-nos música" ao evidenciarem uma (falsa) progressão qualitativa da língua portuguesa alterando-lhe - trata-se de um crime de lesa-pátria - a ortografia e a fonética. Isto mais parece um salsifré (para ser branda no designativo) caso não se tratasse de uma matéria de tão graves consequências.
Maria
:) Grato.
ResponderEliminarSe o raio do homem for basco, escreve-se "tx", donde continuo a achar que maxado é mesmo o que melhor lhe acenta (por que não, também?).
ResponderEliminarViva a cacografia dos biltres!
Cumpts