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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Santo André

 O arco de Santo André, ao cimo da calçada do mesmo santo, tirado da Calçada da Graça. O arco formatava enformava uma das não sei quantas portas da cêrca fernandina: a porta de Santo André, pois bem. Sôbre a porta percebemos-lhe o passadiço da guarda, na muralha que seguia caminho da Graça, donde tornava em direcção ao Tejo por S. Vicente.
 Foi demolido em 1913 para dar passagem ao progresso.


Calçada de Santo André
Arco de Santo André, Lisboa, [1898-1904].
A.F.C.M.L., Fundo antigo, FAN000902.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

E no governo, andam surdos ou são apenas burrinhos?

« Quando a sociedade moderna toma as suas decisões de consumo através de motores de busca, 'websites', redes sociais e recomendações 'online', é essencial estar presente mas também ser relevante, em particular no seu próprio país.
  Desde a implementação no novo (des)acordo ortográfico que muitas empresas e marcas 'online' em Portugal sentem uma quebra significativa nas visitas ao seu 'site' e no volume de negócios daí proveniente.»

New Media Consulting, 27/XI/2012.



Armazéns da Matinha, Lisboa, [s.d.].
A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel...

Adenda:
 Relembra-me muito bem o prezado leitor J.P.G. dum seu escrito de antecipação ao problema: -- «Googlar passará, caso o dito aborto se torne obrigatório, a devolver à cabeça apenas resultados em “brasileiro” – isto é, de sites e de blogs brasileiros...» -- O seu artigo é já de Abril de 2008 -- Abril de 2008 -- e, no que escrevia, antecipava com argúcia o que só agora os da New Media Consulting deram em descobrir.  Merece leitura o dito  artigo porque além de antecipar o problema, corrobora-o com exemplos do reflexo de largo espectro desta patranha ortográfica na economia.
 Num tempo em que a nossa vida política como nação é redutoramente posta em termos de Economia, unicamente de Economia -- e sabemos de o próprio Malaca ter  proclamado formalmente o aborto tortográfico como político, logo económico -- vemos mais claramente assim a parte que nos cabe neste negócio. E isto é mesmo assim e não pode deixar de ser assim porque os do governo, cá, ou são surdos ou são mesmo estúpidos. Tudo no pressuposto, claro, de não serem afinal meros marcianos disfarçados...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Gaveto da Guerra junqueiro (Alameda, n.º 70)


« No gaveto da Av. Guerra Junqueiro o prédio do café Pão de Açúcar (que chegou a ter duas frentes e hoje só tem uma). Não sei se foram as duas frentes do café que lhe mutilaram a fachada do r/c no lado da Guerra Junqueiro. Mas aprecie-o o benévolo leitor aqui como era no princípio, com uma harmoniosa fachada e cércea de seis andares, e compare com aquilo que lá temos hoje, num ocre manhoso e enxertado de mais dois pisos. Não deixe de reparar, caso lá passe, na extravagante altura das varandas do 7.º andar (o 1.º do enxerto). Há-de reparar se o que lá está lhe parece bem (Os primórdios da Alameda, 14/V/2010).»




Fotografia: Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa, [s.d.]; estúdio de Mário Novais, in Bibliotheca de Arte da F.C.G..

Av. Almirante Reis, 188

001.jpg

Este blogo tem-se hoje em tal conta que se já cita a si. Isto ou falta de assunto, ao fim de oito anos...


« Na esquina em frente (Av. Almirante Reis, 188 e Alameda, 68), um edifício de quatro pisos que admito ser dos primeiros a ter sido construído na Alameda, por volta de 1939 ou 40 (ou até antes). Lembro-me bem dele, devoluto, já no fim dos anos 80. Ter só quatro andares há-de ter servido bem à desdita que nos calha hoje de vermos um grande mamarracho no seu lugar.
  O que se lhe segue (Alameda, 66), em estilo Português Suave [por acaso não; é modernista] e com uma cércea da mesma altura, nem me lembro nunca de o lá ter visto. Não deve ter chegado ao meu tempo. Só conheci o que lá vejo hoje, típico dos anos 70, banalíssimo, sem encanto (Os primórdios da Alameda, 14/V/2010).»





(Fotografia: Alameda de Dom Afonso Henriques, Lisboa, [s.d.]; estúdio de Mário Novais, in Bibliotheca de Arte da F.C.G..)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Ex-Terreiro do Paço

 Soou-me que há agora para ali uma boîte. Na ala nascente ou no torreão desse lado, não sei bem. Nem percebi cá muito bem se o ministério das Finanças cavou dali para dar espaço à boite ou se arranjou maneira de lá caber com ela. Tanto faz. Ainda assim procurei na rede o que de facto para ali resolveram parir. E achei -- acha-se tudo na rede. Chama-se portuguesmente Lust Lisbon e lá vem escrito, ainda em melhor português:


 Inaugurou[-se] no mês passado um novo spot dedicado à noite lisboeta [...] o Lust Lisbon abarca dois pisos, numa área total de 600 metros quadrados e oferece um conjunto de serviços e produtos premium em ambiente exclusivo.


 A notícia parece que é de Julho, afinal. E eu ando pouco informado destas coisas da moda, como vedes. Mas tiro de lá que deve ser muito fashion este spot dedicado -- não aos lisboetas, notai -- mas à noite lisboeta.
 Parece-me que sim, a noite precisava de algo assim, premium. As imagens garridas que mostram o tal Lust também me parecem que sim, que são de ambiente... exclusivo? -- É assim que lhe chamam?!...
 Pois a imagem que vos deixo é old fashion. Mas o modo de o dizer é moderno, valha-me isso a vossa indulgência.

Panorâmica do Terreiro do Paço; Lisboa (J. Benoliel, ante 1940)
Panorâmica do Terreiro do Paço, Lisboa, [193...].
Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Bárbaros, judeus e mouros

Moço judeu marroquino (Photo Flandrin, s.d.)


« A raça hebraica existia na Peninsula antes da invasão de Tarik e Musa; existia nesta região, como em toda a parte onde o christianismo se tornara dominador, opprimida e aviltada; mas em paiz nenhum a legislação, quer romana, quer barbara, fôra inspirada por tendências tão perseguidoras e de tão profunda malevolencia contra os israelitas, como nesta provincia da Europa durante os últimos tempos do domínio dos godos. O código wisigothico, onde se acham compiladas as leis dos diversos reinados ácerca dos judeus, é nessa parte um modelo de feroz intolerância. As resoluções dos concilios de Toledo, colligidas em grande numero naquelle codigo, tendem a reduzi-los ao christianismo por todos os meios, sem todavia os fundir na população hispano-gothica, ou a extermina-los judicialmente pelo ferro e pelo fogo, o que fez dizer a um escriptor celebre, senão com absoluta exacção, ao menos com agudeza, que as maximas e os principios da inquisição estavam escriptas no codigo dos wisigodos, e que os frades se tinham limitado a compilar as resoluções dos bispos contra os judeus. As particularidades dessa legislação, e até que ponto durava a sua influencia no berço da monarchia, aprecia-lo-hemos no devido logar. Na epocha da conquista mussulmana ella tinha produzido o seu effeito. O desejo de sacudir o duro jugo em que viviam lançou os judeus no partido mussulmano. Já no reinado de Egica (687 a 701) elles trabalhavam por induzir os sarracenos a invadirem a Hespanha, empenho em que os ajudavam os seus correligionarios d'Africa, ácerca dos quaes os chefes do islam haviam seguido o systema invariavel de deixar a liberdade do culto aos povos que submettiam. Descoberta a conspiração, a raça hebraica fora reduzida á escravidão, privada dos bens, e obrigada a abandonar os proprios filhos á catechese christan. Estas providencias, severas até a barbaridade, produziram o que sempre produzem as compressões violentas. Quando circumstancias favoraveis trouxeram a realisação dos desejos da raça proscripta, os invasores mussulmanos encontraram nella ardentes e leaes alliados. Compunha-se o exercito de Tarik em grande parte de judeus bereberes, que pouco antes haviam abraçado o islamismo, talvez simuladamente e com o unico intuito de virem salvar seus irmãos. Era mais um motivo para ligar estes indissoluvelmente aos conquistadores. Assim vemos que, em regra, os sarracenos, para não desfalcarem as diminutas forças com que avassallaram a Peninsula, entregavam a guarda e defensão das cidades que submettiam a guarnições hebreas, o que não só prova quanto os judeus contribuiram para assegurar o dominio mussulmano, mas também quanto avultavam em numero no meio da população.»


Alexandre Herculano, Historia de Portugal, T. III, 2.ª ed., Viuva Bertrand & Filhos, [Lisboa], 1853, pp. 208-209.


Moura judia de Marrocos, s.d. (Greg, Flickr)




(Fotografias: Mocinho judeu marroquino, Photo Flandrin, s.d., in e-Bay; Moura judia de Marrocos, por Greg, in Flickr.)

domingo, 18 de novembro de 2012

Prosseguindo nas cantorias

 Agora com um pèzinho de dança.



Fred Astaire e Rita Hayworth, The Shorty George
(William Seiter, Nunca Estiveste tão Linda, Columbia, 1942)

Enquanto se não dorme


The Corrs, Only When I Sleep
(Yokohama, 1998)

sábado, 17 de novembro de 2012

Haveis ultimamente sabido do letreiro na recepção da Casa dos Patudos?



De: [Fulano de tal]
Enviada: sexta-feira, 5 de Outubro de 2012 09:30
Para: 'presidente[arroba]cm-alpiarca.pt'
Cc: 'assembleiamunicipal[arroba]cm-alpiarca.pt'; 'museudospatudos[arroba]cm-alpiarca.pt'
Assunto: O LETREIRO NA RECEPÇÃO DA CASA DOS PATUDOS




Exmo. Sr. Presidente da C. M. de Alpiarça,



 Peço licença de tomar um nadinha do seu tempo com um assunto que cuide talvez menor, mas que tem a sua importância.


 Visitei ontem a Casa dos Patudos. Fui de Lisboa nesse propósito, pois a não conhecia. Fui recebido com uma indecorosa «agressão». O letreiro que aponta a recepção tem um ofensivo erro de português: «RECEÇÃO» (lê-se, obviamente, «recessão»). Reclamei dele aos funcionários e, depois, ao Sr. Director da Casa. São pessoas atenciosas que me ouviram a reclamação e os argumentos. E justificaram-se com o designado «Acordo Ortográfico» e com ordens da Câmara.


 Há-de perdoar-me, Sr. Presidente, espantar-me de que a Exm.ª Câmara de Alpiarça enverede por um descaminho que é propagandeado aos sete ventos nas TV (sem direito nenhum de resposta ou contraditório) fazendo crer aos incautos cidadãos num ilegítimo facto consumado. A verdade que as televisões omitem é que o designado «Acordo Ortográfico» não é lei em Portugal. Uma Câmara Municipal não é o comum dos cidadãos, tem outros meios de sopesar as leis, deve agir sem precipitação e sem devastar o património legado. – Refiro-me ao idioma, mas não só.. – Ora o designado «Acordo Ortográfico» não está em vigor. A ortografia do português rege-se pelo Decreto 35 228 de 8 de Dezembro de 1945, com as alterações do D.L. 32/73 de 2 de Fevereiro. São, estas, as leis da República plenamente em vigor.


 O designado «Acordo Ortográfico» é um tratado internacional. Malogrado pelo voluntarioso II Protocolo Modificativo nos termos da Convenção de Viena (art. 10.º – interdição de alterar o texto; e n.º 4 do art. 24.º -- obrigação das cláusulas de entrada em vigor logo desde a adopção do texto – ; cf. J. Faria Costa e F. Ferreira de Almeida, «O chamado ‘novo acordo ortográfico’: um descaso político e jurídico», D.N., 13/2/12). Nulo que é, não vigora na ordem jurídica internacional. Não tem, assim, como suster-se na nacional. A menos que emanasse de lei da Assembleia ou de decreto do Governo. Tal não é o caso. – E no caso o que vemos? – Vemos as duas resoluções (R.A.R 35/2008, de 29 de Julho e R.C.M 8/2011 de 11 de Janeiro) alcatruzando o designado «Acordo Ortográfico» ilegitimamente como que com força de lei, fazendo tábua rasa das verdadeiras leis em vigor. Um verdadeiro descaso jurídico, para não dizer pior...


 Foi isto que, pese embora mais sucintamente, pude explicar às pessoas que me gentilmente receberam na Casa dos Patudos ontem à tarde, pois que se dispuseram a ouvir-mo por breves minutos. E só por ele me deram razão, não deixando, por fim, de se admirar por no caso do pseudovocábulo do letreiro à entrada não haver com certeza visitante brasileiro que o haja de enetender. O brasileiro pronuncia audivelmente o «p» de «recepção» e, concomitantemente, escreve-o. Ora se nem tal extravagância – «RECEÇÃO» – consta do Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, um dos fautores do designado «Acordo Ortográfico», com grande probabilidade nem brasileiros instruídos reconhecerão a pseudografia «RECEÇÃO», em havendo de visitar a Casa dos Patudos. Mais depressa hão-de confundi-lo com a famigerada «recessão» que nos assola, em escrita mal amanhada. «RECEÇÃO» não existe no vocabulário brasileiro




 Pelo exposto, Sr. Presidente, apelo à melhor compreensão da bondade destes meus argumentos e peço-lhe que possa rever, com base neles, o mal feito, revogando por conseguinte a aplicação do designado «Acordo Ortográfico» na Exm.ª Câmara a que preside e órgãos dependentes.


 Se ainda assim entenderdes, V. Ex.ª e a Exm.ª C.M. de Alpiarça, que haveis de manter a infausta decisão de seguir numa escrita tão desfiguradora do nosso idoma como falaz no propósito da unificação ortográfica com o Brasil, como ficou demonstrado, aceitai-me a resignada sugestão de se mudar ao menos aquele nefando palavrão do letreiro da Recepção da Casa dos Patudos. Pode fazer-se sem contrariar o designado «Acordo Ortográfico», já que o Portal da Língua Portuguesa (que «instrói» naquela nefanda escrita) admite a grafia «recepção» graças ao seu uso no Brasil. Desta forma evita-se, quanto mais não seja por mero decoro, «agredir» com grafia aberrante quem tem o gosto de visitar a Casa dos Patudos. O caso é que, se o dito «Acordo Ortográfico» nos junge «uma falta de unidade na expressão estética em língua portuguesa que, no caso em apreço, é portador de um correlativo desprestígio institucional», como diz um despacho da C.M. da Covilhã rejeitando-o, então havemos só de concluir que com a grosseira escrita «RECEÇÃO» na Recepção Casa dos Patudos se não há senão de deslustrar o finíssimo legado de José Relvas. Aos olhos de quem o visita por o admirar torna-se, pois, a recepção o contrário do que devia.


 Com os meus agradecimentos,


 


[Fulano de Tal]


(Lisboa)




 Ultimamente (já lá vai quase um mês e meio) também não vim a saber mais nada.

Ainda à espera?!...

Cavaco Silva espera que não falte apoio aos cidadãos desalojados do Algarve (MSN Notícias, 17/XI/12)
(In Aluga.pt)

Preocupam-se com cada uma!

Pergunta jeitosa (MSN Notícias, 17/XI/12)(MSN Notícias.)

Ai espera?!...

Tem bom remédio
(MSN Notícias.)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Spírola

 O Rui e o Nuno — o Nuno era mai' novito — tinham uma avó, a D.ª Engrácia (nome cheio de graça) e uma «visavó», que era a D.ª Amélia.  Parecia-me certo ouvi-los tratarem ambas por «avó», todavia meio deslocado. O que me despertava a atenção era a simetria de tratamento contra a assimetria natural de avó e «visavó». Claro que não me ocorria nada disto com estes termos tão elaborados de simetrias e assimetrias; não naquela idade. Intuía-o. Fazia-
-me espécie. E lembra-me de, com ele em mente, haver comentado o caso ainda uma ou duas vezes. Claro que isto não era assunto e a resposta foi só natural: — «É mesmo assim; é normal». 
 Recordou-me agora destas coisas mas não foi por nada do que digo. Foi sòmente porque me lembrou que a D.ª Amélia, que já tinha certa idade como se entende, cria que àquele general (isto deve ter-se passado em 74) lhe chamavam Spírola porque usava aquela coisa, a «spírola», num olho.

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(General Spínola. Imagem do Guglo.)



 Com esta agora, passados estes anos todos, vejo que havia afinal quatro cinco Donas Amélias lá na rua...

El-rei D. Manoel II

Curiosa carruagem. Parece um monocarril. O Larmanjat? -- Mas ele inda existia o Larmanjat no reinado de D. Manoel II? — Pois em assim sendo o lugar da fotografia seria...


 



Portugal. Roi, [s.l.], 1908-10.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Rua Gonçalves Crespo

 Vinha ontem o cançonetista Tozé Brito a atravessar a rua ao pé da Sociedade Portuguesa de Autores. Seguia a falar com uma moça, provàvelmente ia a dizer-lhe: — «Olha naquele automóvel o autor do blogo Bic Laranja!»

Rua Gonçalves Crespo, Lisboa (A. J. Fernandes, 1967)
Rua Gonçalves Crespo, Lisboa, 1967.
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Notas:
 A Sociedade Portuguesa de Autores engoliu os dois prédios mais à esquerda na imagem (os dois mais bonitos), mas o prédio edificado de novo é que foi classificado pela câmara, não os demolidos.
 O n.º 58 desta rua, o quarto a contar da esq., ainda lá está mas tenho impressão que se já não safa.


(Revisto em 5/XII/24 à tardinha. O do n.º 58 safou-se. Foi restaurado.)


 

domingo, 11 de novembro de 2012

A vida é uma praia

 Convidaram-me para uma palestra, uma conferência. Palestrante de alto coturno: professor doutor não sei das quantas, aulas na universidade tal, inúmera obra publicada, coluna no jornal (na rede acha-se depressa o pasquim, a coluna não...)
 Mandam-me os objectivos da coisa:



  • Incrementar a capacidade de automotivação e de motivação dos outros através das «boas vibrações»;

  • Ajudar a identificar os talentos salientes para uma vida mais produtiva e feliz;

  • Desenvolver competências de como se tornar num energizador inveterado.


 A palestra leva duas horas; vejamos as boas vibrações...



Beach Boys, Good Vibrations
Tournée das boas vibrações, 1976 (com parabéns ao Brian do Paul e da Linda McCartney).



(Julho de 2012.)

Povo que Lavas no Rio (um poema)

Amália, «Povo que Lavas no Rio», Columbia/V.C., 1963 Vai a gente à Wikipaedia pelo «Povo que Lavas no Rio» e que nos sai? — «Uma canção portuguesa, um fado». — Nada mal.  Porém, factos, é só. Data da composição (letra e/ou música) nada; quais as várias (se as há) gravações em disco por Amália, zero; menção ao «Fado Victoria», nicles — a Joaquim Campos, sim, mas só de passagem, como autor da música. A Alain Oulman, que aparece às vezes referido ao fado (v.g. «Encontro Amália e Don Byas», Columbia/Valentim de Carvalho, 1974), népia.
 Que sobra?
 Lavagem do poema com Omo antifascista, pejando-o de descabida dimensão política em alternativa ao «Fado de Peniche». Mas é isto redigido assim, displicentemente e sem fundamento nenhum. Só insinuação, vede a introdução da teoria:


« Talvez devido a esse mesmo facto, as opiniões quanto à interpretação da letra de Pedro Homem de Mello, poeta português de excelência, divergem em absoluto: enquanto alguns críticos crêem que o poema imortalizado por Amália Rodrigues seja um depoimento de amor ao povo português o qual, ainda segundo esta linha de pensamento, enfrentava uma situação de grande pobreza no tempo da ditadura salazarista, considerando o país da época como sendo rural e economicamente pouco desenvolvido face à industrialização europeia [...…]»


 Pois é: talvez. Teoria por sugestão para catecúmenos esquerdóides. Factos, como manda o fugurino em qualquer enciclopédia? Que importa.
 O caso piora.
 Aquele apôsto «de excelência» a Pedro Homem de Mello não é inocente. É, afinal, o novo detergente Homo em acção. O enciclopedista apropria-se do «Povo que Lavas no Rio» e engrossa o disparate logo a meio do 2.º parágrafo em que o guia o seu atormentado espírito: o enlevo de fanchono pelo poeta Homem de Mello que, só dessa condição (não duvideis), não podia ser senão «de excelência». Vai daí o autor mune-se de lixívia gentil na nova lavagem arco-íris:


« [...] outras correntes tendem a ver nas suas estrofes uma lírica de cariz fortemente ligado à homossexualidade masculina, acentuada pelos contornos de incursões às tabernas populares, onde o narrador teria procurado os seus parceiros, e visto recusadas as suas investidas ou, mais ainda, qualquer envolvimento sentimental mais profundo.»


 Daqui ao fim, o verbetezinho é um ridículo desconchavo, insinuando a imoralidade da gente das tabernas por não tolerar e ter como indecoroso o comportamento homossexual. — Muito certamente era assim pela «grande pobreza no tempo da ditadura salazarista»!... — E eis como é subvertido num hino à homossexualidade um fado que é elemento da cultura dos portugueses, um poema que muito simplesmente canta a força do povo no seu viver agreste, para lá de «haver quem [no] defenda» ou de «quem compre o [seu] chão sagrado» (quem no ofenda, portanto).
 Mais, a comunhão do narrador com aquela condição, –que o povo não deixa de reconhecer pois até na morte o cuidará, talhando-lhe a força de braço «as tábuas do [seu] caixão», isto é, dando-lhe sepultura digna. --, pois até essa comunhão do narrador com o povo nos factos da vida é reduzida pelo doutrinador verbete a egoísmo exibicionista de reles larilas nessas sempre tão apregoadas paradas «gay». Grande elogio ao poeta «de excelência», não haja dúvida! Não fôra a carga de sentimento que as guitarras de fado carreiam e o canto sublime de Amália e aquelas estrofes não teriam, como não têm, mais colorido nenhum do aquilo que se nelas lê. Mas a Wikipaedia é isto, enfim: obsessão introdutória antifascista e quatro supositórios de paneleirice pegada.


(Capa do single no Museu do Fado.)


sábado, 10 de novembro de 2012

Entre vista do Rossio


Portugal. Rue de Lisbonne [Calçada do Carmo], 1900-1919.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ai é o Verão que ajuda?!...


E ajudou a quê, realmente...?
 


« O Verão de 2012 foi o melhor da história da TAP, o que permitiu que no terceiro trimestre do ano, o grupo que agrega a companhia aérea de bandeira atingisse lucros de 87 milhões de euros, mais 29% do que no homólogo. Este valor não terá sido suficiente para anular os prejuízos do semestre.»
Ana Pereira, «Verão ajuda Grupo TAP…», in Jornal de Negócios, 8/XI/12 (sublinhado meu).
 


Portanto, cessem já ideias de encarecer a privatização venda dação.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Dum ministro da «inducação»

 Não sei se o benévolo leitor o tem por hábito mas aconselho-o. Se fizer favor, vá clicando no símbolo do «Não ao Acordo Ortográfico!» aí na margem. Há ali sempre novidades que nunca transparecem nos noticiários da situação (especialmente os da TV). Há dias a Professora Maria do Carmo Vieira observou no Público a ilustração duma notícia onde...


... o Ministro da Educação, emoldurado numa sala de aula do 1º ciclo, tem por detrás de si um quadro, preenchido com um trabalho de Língua Materna, especificamente de gramática (classificação morfológica dos vocábulos de uma frase). Para além da aberração ortográfica  [...] «alegria» passou, repentinamente, de substantivo abstracto para adjectivo, tal como está escrito, pelas mãos de uma criança, assim ensinada a fazê-lo, no referido quadro. Erro grosseiro inadmissível e, com ironia, associado ao Ministro da Educação, em visita a uma sala de aula do 1º ciclo, coluna de todo o Ensino.
Maria do Carmo Vieira, «Aberração ortográfica e erro grosseiro», in I.L.C. Contra o Acordo Ortográfico, 4/XI/12.


 E é ver o ar de leve enlevo do sr. ministro mai-lo desvanecimento da (presumo) regente escolar aformoseando a asneira. A exacta mesma expressão que vi nuns tolos a içarem bandeira nacional ao contrário faz ele um mês.

Palerma aformoseando asneiras (Público, 31/10/12)
Fotografia: Publico, 31/X/12.

Coisas do diabo

O meu passo-social de 1985 diabolizado hoje em 1.ª página.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Jogo mental

No Mentalista, o novo chefe é um homem branco.

Jogo mental...
(Imagem pirateada na rede.)

sábado, 3 de novembro de 2012

Reunir, v. pr.

 No Corpus do Português há 7 registos, 7, do emprego da flexão verbal de sentido reflexo «reuniram» com a preposição «com»; todas do séc. XX, todas na imprensa; 5 na brasileira, 2 na portuguesa. Apenas numa das 7 se usa o verbo mutilado de pronome: Várias organizações de produtores, quer de pêra quer de maçã, reuniram com responsáveis do Ministério da Agricultura («Promoção da pêra rocha recebe 180 mil contos», in Jornal de Leiria, 22/VIII/1997).
 Procurando mais além no Corpus, da expressão «reuniu com» há 34 registos: 1 académico, 33 na imprensa. Destes 33, 21 são na imprensa brasileira, todos com pronome proclítico reflexo (fulano se reuniu com sicrano), como é normal no Brasil; na imprensa portuguesa, 8 casos em 16 usam o verbo com sentido reflexo e sem qualquer pronome, proclítico ou enclítico. Três (maus) exemplos de três jornais diferentes:



  • Jerónimo de Sousa reuniu com a administração («Comunistas denunciam 'paralisia do Plano Mateus'», Jornal da Beira, 15/V/97).

  • Pinto da Costa reuniu com a equipa técnica (Miguel Amorim, col., «Ninguém está mais triste que eu -- lamento de Robson sobre a perda da Supertaça», O Jornal, 3/V/96).

  • Otto Lambsdorff reuniu com o Presidente de a [sic] Federação Russa (Público n.º 8 025, 1991).


 O Corpus regista ainda «reunirá com» (3 casos em 4 no Público), «reúne com» (1 em 1 no Jornal da Beira, 3 em 3 no Jornal de Leiria e 1 em 2 no Público) e «reunir com» (7 em 9 no Público, 1 em 3 n' O Jornal e 2 em 2 no Jornal da Beira), todos sem o devido pronome reflexo.
 Os exemplos deste apanhado no Corpus do Português são dos anos 90. Todos na imprensa portuguesa, menos um ( um grupo de pares do reino reúne com a rainha, Gilles Lapouge, «Windsor na corda bamba», Jornal de Pernambuco, 4/IX/1997). Não achei exemplos deste erro (os progressistas dirão evolução) em texto literário. Não há casos no Corpus desta má conjugação e textos dantes de 1990. Um trejeito moderníssimo, portanto.
 Se a conjugação pronominal como a do verbo lembrar («eu lembro de» por «lembro-me de») definha, sobretudo no Brasil, trocando a gramática pelo falar de cafres, parece-me neste caso que a conjugação reflexa de reunir (a que somaria afundar, inaugurar — já para não falar em casar...) é mérito laborioso dos maiores competentinhos da nossa linguagem: os jornalistas portugueses. -- De cafres é que não!...


Reunir, v. tr. e pr. (Crioulização do português)

Sol, 2/XI/12.


 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Finados



(A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, lote 0, cx. G, neg. 310.)

Elevador da Glória (2.ª ed.)

 Quando fui para o 7.º ano tive direito ao passo por causa de a escola ser longe. Senti-me então -- aos 12 -- como um pássaro a quem abrem a gaiola; podia descobrir livremente toda a cidade em qualquer autocarro ou eléctrico. Podia descer dum autocarro e apanhar o primeiro que viesse a seguir e ir aonde essoutro me levasse. E podia andar no Metro também porque, embora eu não precisasse para ir para a escola, o meu pai foi sempre generoso (sempre, se excluirmos um certo mês em que as notas que tive não foram suficientes para manter o privilégio) e comprou-me sempre a senha L que permitia livre trânsito no Metropolitano.


 O que eu não soube logo e ainda demorou até o meu irmão me dizer foi que o passo da Carris também dava para os elevadores.

Elevador da Glória, Lisboa (E.Portugal, 1931)
Abrigo e bilheteira do elevador da Glória, Lisboa, 1931 [1933].
Fotografia de Eduardo Portugal in Arquivo Fotográfico da C.M.L.




Nota à 2.ª edição:
 Este verbete foi publicado originalmente em 17 de Setembro de 2007. Posteriormente publiquei outro com uma fotografia do mesmo lugar, mas referindo-me ao incêndio de 29 de Janeiro de 1929 no Palácio Foz, em que temos o mesmo terminal do ascensor da Glória doutro ângulo.
 O ano de 1931 dado pelo arquivista à fotografia não parece, porém, certo. Desconheço em que se ele baseou. O filme em exibição no Central Cinema do Palácio Foz, «O Hotel do Amor», estreou-se em Portugal sòmente em 11 de Dezembro de 1933 [segunda-feira] (cf. Base de Dados de Cinema da Internete). A chapa foi batida na semana do Natal de 1933; o cartaz informa-nos claramente: 2.ª semana. Anteriormente a Dezembro de 33 não seria possível a fotografia.


 (Revisto em 4 de Novembro.)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Halloween?!

Só se for barbarismo para a canga decorada que junge os bovídeos...

Porto. Scene de rue (Ch. Chuseeau-Flaviens, G.E.H, 1900-1919)

Pequena aldeã guiando carro de bois, Porto, 1900-1919.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

Que é «dia das bruxas»?

Portugal. Type: groupe de marchandes de poissons (Ch- Chusseau-Flaviens, G.E.H., 1900-1919)
Tipos portugueses: crianças peixeiras
, Ribeira de Lisboa, 1900-1919.

Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

Calçada da Glória

Para baixo... todos os santos ajudam.


«Portugal. Rue de Lisbonne», 1900-1919.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.


Nota: o elevador era de dois pisos.