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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Halloween?!

Só se for barbarismo para a canga decorada que junge os bovídeos...

Porto. Scene de rue (Ch. Chuseeau-Flaviens, G.E.H, 1900-1919)

Pequena aldeã guiando carro de bois, Porto, 1900-1919.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

6 comentários:

  1. Inspector Jaap1/11/12 19:13

    Halloween ”, será, num futuro breve, a designação do actual "dia das bruxas", em mais uma deriva miserável da nossa Língua, cultura e civilização, alvos prioritários a abater por esta camarilha de pullhíticos que nos «governam», isto além do que diz o caro Bic , com TODA a propriedade.
    Assim, também não será de estranhar que, não tarda, até o Natal passe a “Santa” ou qualquer outra idiotice do mesmo jaez.
    Cumpts

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  2. Lendo as entradas no seu blogue e os comentários que desencadeiam (e com umas e outros em substância em regra concordo, se me permite a vaidade de dar relevância ao que penso), não consigo afastar a sensação triste de que há por vezes, bem intencionada que seja, uma inversão de responsabilidades. Ou a sua imputação a quem, em boa verdade, elas não devem ser assacadas. Não em primeira instância, pelo menos.

    É a vulgarização do Halloween que é de lamentar, ou a desgraçada resignação - ou o puro e simples desinteresse, estupidez, ignorância e embrutecimento, em que o nosso povo mergulha, se deles alguma vez saiu - com que abrimos mão, nós, portugueses e ninguém por nós, dos nossos valores, das nossas tradições (das válidas, porque às bárbaras ou absolutamente anacrónicas vamos parecendo agarrados)?

    Que o Halloween se vulgarize, incomoda-me menos do que o quase desaparecimento do Pão por Deus. Conservadores que sejamos de hábitos e atitudes, acredito todavia que nos agrade a facilidade de ter hoje, no simples premir de uma tecla, acesso ao que vai por todo o mundo. Ora é apenas natural que com isso sejamos bombardeados por valores estranhos. Mas nem por isso, e sem mais, menos dignos. Desde logo se devidamente contextualizados (o que também nos caberia saber, pelo menos tentar saber, fazer).

    Caber-nos-ia, deveria caber, filtrar as coisas; decidir daquilo a que aderimos e não aderimos. Mesmo que, não aderindo, isso permaneça válido e respeitável. Na sua essência. E lá, noutros lugares.

    E, mais do que rejeitar o que vem de fora, culpando aqueles de quem essas coisas nos chegam, saber preservar o que é nosso.

    Que os sempre malvados (como é de norma entre a alegada inteligência europeia, incapaz de olhar e avaliar objectivamente o seu umbigo e sedenta de um ódio de estimação, de quem troçar por falta de passado e eterna infantilidade; mas a que todavia se habituou a recorrer uma e outra vez, em hora de aflição...) "amaricanos" nos colonizem culturalmente - ou até mais do que isso - incomoda-me menos do que ver a facilidade com que nos deixamos colonizar. Com que avidamente procuramos copiar - tantas vezes em penosíssima mediocridade (vejam-se os desfiles de Carnaval, por exemplo) - hábitos e tradições que não são nossos. E pior do que isso, fazendo-o em detrimento da nossa identidade, pois que somos nós os primeiros a apagá-la. E isso é nossa culpa!

    Não é o povo português um pináculo de cultura, sabedoria, sensibilidade. É pena, mas não é. A prova está também na aceitação acrítica e massiva dessas coisas que vêm "lá de fora", bem como na rejeição militante daquilo em que fomos moldados. Mais do que culpar aqueles de onde essas coisas emanam, perguntemo-nos pelo nosso próprio comportamento.

    Não esqueçamos que é vulgar a visão, frente a uma casa americana, da bandeira desse país. Sem outra razão que não a de ali vier cidadão dos EUA. Decerto um imbecil obeso, inculto e imperialista.

    Por cá, afirmaçõs de patriotismo, só as do pontapé na bola, só as bandeiras penduradas - e também invertidas! - nas varandas, por ocasião das aventuras da selecção ronaldiana. Usualmente mal sucedidas, convém não esquecer. O hino nacional só se ouve, e desajeitadamente, nos estádios de futebol. Mas parece que o nosso comportamento é mais digno, mais profundo, mais culto.

    São eles colonizadores, ou estaremos nós abjectamente sôfregos de colonização?

    Costa

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  3. Se o Anfitrião Bic mo permite, gostaria de endossar, de Cruz e sem inocência ma maiúscula, o que o Magnífico Confrade Comentador Costa escreveu. E estranhar que se ceda tão facilmente ao ditado galego «não creio em bruxas, mas que as há, há» e a sociedade ateia do dia não se lembre de dizer outro tanto de Deus...
    Ai, Terra de Santa Maria!

    Abraços

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  4. São palavras assisadas que me escreve. E cheias de razão.
    Bárbaros, porém, são os outros. Sempre os outros. A menos que seja eu tamanha tábua rasa que nem me aperceba de quem sou, ao ponto de me negar. As gentes, que são sempre serenas, em alguém lho dizendo entendem-no fàcilmente. -- Veja o Scolari , que tantos fez que içassem a bandeira, mesmo pelas mais tôlas razões. O presidente Cavaco há dias nem tanto... -- Se lho dão, as gentes convencem-se do que têm; se lho não dão, agem como ratos; abrigam-se onde puderem. Pode isso ser na noite das bruxas, no dia sem carros, no Carnaval de Louléu ou no Tratado de Lisboa porque parece de Lisboa e não de Bruxelas. -- Humanos desgarrados hão-de aderir a qualquer coisa; a uma simples banana ou à moda mais barbaresca, porque lhe brota sofisticadamente da televisão.
    Claro que isto de os outros serem bárbaros é lá com eles.
    Mas nós?!...
    Mergulhámos na ignorância e na bestialidade depois de perto de 900 anos de cultura nacional -- se boa se má nem discuto; basta-me ser nacional. -- Porém não chafurdávamos num chiqueiro «abjecto sôfrego de colonização» há ainda bem pouco. O que passamos é fruto do embrutecimento do escol, das «élites», que são quem os melhores meios tem sempre de servir (ou de se servir, depende da sua Moral) de guia e de firmar algo, por pouco que valhamos.
    Pois a candeia apagou-se. Não há escol. Foi substituído por arrivistas e pela ideia do «pugresso» que arrenegou qualquer valor nacional e se incutiu nas gentes. Esses arrivistas assimilaram bem estúpidos que nacionalmente não valíamos nada. Amesquinharam tanto o «orgulhosamente sós» (e seguem a fazê-lo) que nos deliram qualquer pinga de orgulho, pondo-nos para aqui, sòmente sós. -- Camões bem disse «Que um fraco Rei faz fraca a forte gente.»
    Mais -- onde está Lianor ponha Europa:

    Ou foi castigo claro do pecado
    De tirar Lianor a seu marido,
    E casar-se com ela, de enlevado
    Num falso parecer mal entendido;
    Ou foi que o coração sujeito e dado
    Ao vício vil, de quem se viu rendido,
    Mole se fez e fraco; e bem parece,
    Que um baixo amor os fortes enfraquece.

    (Os Lusíadas, III, 139.)

    A ideologia do «pugresso» tomou conta de tudo e fez escola. Fez-se escol. É o modelo «de excelência» (que não excelente). Igualizador (v. casamento gay). Solidário (v. a esmoler Alemanha). Tolerante (v. proïbição da tauromaquia). As gentes embrutecidas, como tudo o que esteja em bruto, fàcilmente se moldam (ou formatam, para usar barbarismo sumamente mais ilustrativo). É como ficamos esvaziados e «abjectamente sôfregos de colonização». Mas o «abjectamente» dispensa-o quem tenha mínimo de dignidade e de poder entender as coisas. O abjecto que fique lá para os desatinados «pugressistas» que não deduzem nem do falar quotidiano que a Europa não é cá e que cowboyadas são só giras na América.
    Se bem me lembro, isto aqui era Portugal. Portugal. Não entendo por que estupor colectivo o já não é.

    Cumpts.

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  5. Esse ditado galego é curioso. Pasma-se muito no ser nosso. Que Santa Maria nos valha!
    Cumpts

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  6. Inspector Jaap3/11/12 19:56

    Dois trechos de excelência, os acima!
    Cumpts

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