Sobre o trabalho de Salazar no governo em fim dos anos 20, início dos anos 30, havia os que criticavam as suas obras e duvidavam dos números. Tudo mentiras que, todavia, «estavam a tornar-se realidade em toda a parte: estradas velhas eram reparadas e novas construídas, o mesmo sucedendo com portos, escolas, caminhos de ferro, linhas telefónicas, projectos de irrigação, navios de guerra...» (1)
Devia ser mesmo tudo mentira porque ainda agora andamos com as mesmas obras.
Sobre essas mentiras o discurso de Salazar:
« [...] Equilíbrio, saldos, diminuição da dívida, estabilidade monetária, reservas, ordem financeira, tudo é mentira - uma mentira amável, condescendente, fecunda, enfim, uma mentira que se comporta há seis anos, que se comportará toda a vida, tal qual como se fosse verdade.» (2)
A História é o que foi e a realidade é o que é. A linguagem é que pode baralhar.

Estrada Marginal, Santo Amaro, [post 1936].
Estúdio de Horácio de Novaes (1930-1980), in Biblioteca de Arte da F.C.G.
(1) Filipe Ribeiro de Meneses, Salazar, 1ª ed., Dom Quixote, [Alfragide], p. 136.
(2) António de Oliveira Salazar, «Contas públicas de 1933-34», in Diário da Manhã, 16/11/1934, apud op. cit.