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terça-feira, 28 de setembro de 2010

De Abril ao princípio da História

 Como esta terra não tem já muito mais que dar vai agora de explorar o mar. O empreendedorismo perfila-se no litoral a adivinhar a inovadora dobra do Bojador e iniciativas mais além, conjugadas num projecto de excelência co-financiado pelos fundos da Boa Esperança, em que o indígena - dito comum - usufruirá de amplos espaços de lazer onde o mar começa e a terra acaba. O empreendimento permitirá ver navios onde antes se veria passar os comboios.
 A História (re)começa agora. Quem tragou a Pátria e aboliu o passado não tarda a arrotar Os Lusíadas
 Estou para ver se no fim sobra alguma sardinha.
 


Litoral
Litoral, Abraham Jansz Begeyn, 1662.
Óleo sobre tela, 90 x 119 cm,
Museu Hermitage, Sâo Petersburgo.


 




Nota: nas duas notícias para que remeto o benévolo leitor, duas pérolas; numa, a criação duma cátedra na Universidade de Aveiro para, segundo o reitor, "promover o avanço científico do mar"; noutra, jornalistas que não atinam com a concordância em género - "Foi atribuído a Portugal a responsabilidade de gestão de quatro novas áreas marinhas..."

9 comentários:

  1. Carlos Portugal29/9/10 11:52

    Caro Bic:

    Estou mesmo a ver o Mar a entrar prazenteiro numa sala de aula da Universidade de Aveiro para promover assim o seu «avanço científico»... Não será um tsunami como o do Krakatoa, mas deve decerto meter água...

    E, quanto a não-concordância em género, o que queria o meu Amigo de gentalha socio-modernista que nem sabe sequer definir a própria sexualidade?

    Mas é triste.

    Cumprimentos

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  2. Carlos Caria29/9/10 20:01

    Pois é, e este Presidente da República que tanto pugna por voltarmos ao mar com investimentos, que no início da entrada da U E, promulgou a incentivou o abate das nossa frota pesqueira. Cinismo puro.

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  3. Amélia da Foz29/9/10 22:28

    O mar para esta gente é sinónimo de portos de recreio, marinas e escolas de surf, assim como o mundo rural tem sido sinónimo de coutadas de caça, eucaliptais e vendas de herdades aos andaluzes. Basicamente, é mais do mesmo. Estudo, trabalho, indústria, produção, criatividade, onde estão?

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  4. Bic Laranja29/9/10 23:10

    Bem triste!
    Cumpts.

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  5. Bic Laranja29/9/10 23:11

    Muito certo. Muito certo.
    Cumpts.

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  6. Bic Laranja29/9/10 23:19

    Nas novas oportunidades. Mas há quem as proclame no verso das intruções duma máquina de lavar.
    Cumpts.

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  7. Amélia da Foz30/9/10 00:26

    Cavaco Silva é o pai; e os seus dois governos criaram o ambiente «familiar» que propiciou os descalabro actual. Quando o caminho normal seria a modernização do aparelho produtivo existente, o discurso oficial e as medidas governamentais incentivavam ao nascimento de uma economia de serviços: um país de turismo e betão. Portugal como praia e campo de golfe da Europa nasceu algures entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90. Ninguém se lembrou, contudo, que não temos praias com as águas quentes do Mediterrâneo (excepto numa pequena baía do sotavento algarvio, a baía de Monte Gordo), nem temos os monumentos ou os museus dos nossos vizinhos europeus; a classe média da Europa mais setentrional visitava-nos em grande medida por sermos um país barato, facto atenuado desde que aderimos ao euro. E também se esqueceram que sem sector produtivo, a mão de obra qualificada emigraria, e por cá ficariam empregados de mesa, recepcionistas ou sopeiras. Ao longo dos anos 90, assisti à destruição da nossa agricultura, da nossa frota ou da nossa (pouca) indústria, enquanto do outro lado da fronteira estes sectores eram modernizados e cresciam. O endividamento manteve a ilusão, e o resto da história já se sabe...

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  8. Amélia da Foz30/9/10 00:28

    Errata: onde se lê «os descalabro» dever-se-á ler «o descalabro».

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  9. Desde que foi tomado pela aristocracia sindical o aparelho produtivo nacional passou a ser uma pedra no sapato dos donos da coutada. Portugal não é uma nação; é só um cenário para partidos e grupelhos se passearem de jacto com gravata e ar lavadinho.
    Cumpts.

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