Como esta terra não tem já muito mais que dar vai agora de explorar o mar. O empreendedorismo perfila-se no litoral a adivinhar a inovadora dobra do Bojador e iniciativas mais além, conjugadas num projecto de excelência co-financiado pelos fundos da Boa Esperança, em que o indígena - dito comum - usufruirá de amplos espaços de lazer onde o mar começa e a terra acaba. O empreendimento permitirá ver navios onde antes se veria passar os comboios.
A História (re)começa agora. Quem tragou a Pátria e aboliu o passado não tarda a arrotar Os Lusíadas.
Estou para ver se no fim sobra alguma sardinha.
Litoral, Abraham Jansz Begeyn, 1662.
Óleo sobre tela, 90 x 119 cm,
Museu Hermitage, Sâo Petersburgo.
Nota: nas duas notícias para que remeto o benévolo leitor, duas pérolas; numa, a criação duma cátedra na Universidade de Aveiro para, segundo o reitor, "promover o avanço científico do mar"; noutra, jornalistas que não atinam com a concordância em género - "Foi atribuído a Portugal a responsabilidade de gestão de quatro novas áreas marinhas..."
Caro Bic:
ResponderEliminarEstou mesmo a ver o Mar a entrar prazenteiro numa sala de aula da Universidade de Aveiro para promover assim o seu «avanço científico»... Não será um tsunami como o do Krakatoa, mas deve decerto meter água...
E, quanto a não-concordância em género, o que queria o meu Amigo de gentalha socio-modernista que nem sabe sequer definir a própria sexualidade?
Mas é triste.
Cumprimentos
Pois é, e este Presidente da República que tanto pugna por voltarmos ao mar com investimentos, que no início da entrada da U E, promulgou a incentivou o abate das nossa frota pesqueira. Cinismo puro.
ResponderEliminarO mar para esta gente é sinónimo de portos de recreio, marinas e escolas de surf, assim como o mundo rural tem sido sinónimo de coutadas de caça, eucaliptais e vendas de herdades aos andaluzes. Basicamente, é mais do mesmo. Estudo, trabalho, indústria, produção, criatividade, onde estão?
ResponderEliminarBem triste!
ResponderEliminarCumpts.
Muito certo. Muito certo.
ResponderEliminarCumpts.
Nas novas oportunidades. Mas há quem as proclame no verso das intruções duma máquina de lavar.
ResponderEliminarCumpts.
Cavaco Silva é o pai; e os seus dois governos criaram o ambiente «familiar» que propiciou os descalabro actual. Quando o caminho normal seria a modernização do aparelho produtivo existente, o discurso oficial e as medidas governamentais incentivavam ao nascimento de uma economia de serviços: um país de turismo e betão. Portugal como praia e campo de golfe da Europa nasceu algures entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90. Ninguém se lembrou, contudo, que não temos praias com as águas quentes do Mediterrâneo (excepto numa pequena baía do sotavento algarvio, a baía de Monte Gordo), nem temos os monumentos ou os museus dos nossos vizinhos europeus; a classe média da Europa mais setentrional visitava-nos em grande medida por sermos um país barato, facto atenuado desde que aderimos ao euro. E também se esqueceram que sem sector produtivo, a mão de obra qualificada emigraria, e por cá ficariam empregados de mesa, recepcionistas ou sopeiras. Ao longo dos anos 90, assisti à destruição da nossa agricultura, da nossa frota ou da nossa (pouca) indústria, enquanto do outro lado da fronteira estes sectores eram modernizados e cresciam. O endividamento manteve a ilusão, e o resto da história já se sabe...
ResponderEliminarErrata: onde se lê «os descalabro» dever-se-á ler «o descalabro».
ResponderEliminarDesde que foi tomado pela aristocracia sindical o aparelho produtivo nacional passou a ser uma pedra no sapato dos donos da coutada. Portugal não é uma nação; é só um cenário para partidos e grupelhos se passearem de jacto com gravata e ar lavadinho.
ResponderEliminarCumpts.