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domingo, 19 de setembro de 2010

Contem-me como foi

 Sobre o trabalho de Salazar no governo em fim dos anos 20, início dos anos 30, havia os que criticavam as suas obras e duvidavam dos números. Tudo mentiras que, todavia, «estavam a tornar-se realidade em toda a parte: estradas velhas eram reparadas e novas construídas, o mesmo sucedendo com portos, escolas, caminhos de ferro, linhas telefónicas, projectos de irrigação, navios de guerra...» (1)
 Devia ser mesmo tudo mentira porque ainda agora andamos com as mesmas obras.
 Sobre essas mentiras o discurso de Salazar:


« [...] Equilíbrio, saldos, diminuição da dívida, estabilidade monetária, reservas, ordem financeira, tudo é mentira - uma mentira amável, condescendente, fecunda, enfim, uma mentira que se comporta há seis anos, que se comportará toda a vida, tal qual como se fosse verdade.» (2)


 A História é o que foi e a realidade é o que é. A linguagem é que pode baralhar.


Estrada Marginal, Santo Amaro (H. Novais, post 1936)
Estrada Marginal, Santo Amaro, [post 1936].
Estúdio de Horácio de Novaes (1930-1980), in Biblioteca de Arte da F.C.G.




(1) Filipe Ribeiro de Meneses, Salazar, 1ª ed., Dom Quixote, [Alfragide], p. 136.
(2) António de Oliveira Salazar, «Contas públicas de 1933-34», in Diário da Manhã, 16/11/1934, apud op. cit.

6 comentários:

  1. euro-ultramarino21/9/10 04:58

    Como o ouro da outra Senhora... De certeza mais uma mentira. E que rende (e rende!) até ao dia de hoje.
    Obrigado pelo postal, oportuníssimo. E pela linda imagem de uma marginal novinha que chega a brilhar.
    Um forte abraço

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  2. Attenti al Gatti21/9/10 10:05

    Gosto da sombra do fotógrafo. Faz-me lembrar o Lourenço, fotógrafo à "la minute" que pontificava na Alameda e onde tirei as fotos para o meu primeiro Bilhete de Identidade. Como era tempo de calor, apresentei-me de pólo (como se diz agora) às riscas. Porém o Lourenço, quando soube a finalidade das fotos, avisou o meu pai, que me acompanhava naquele acto solene:
    - Óh diabo! As fotografias para essas coisas parece que têm de ser de casaco e gravata! Eles querem assim...
    E foi assim, que nas fotos aparece um puto moreno, de cara magra, com olheiras de rambóia, trajando um pólo com risquinhas horizontais, com a gravata escura e o casaco "olho de perdiz" do pai.
    A.v.o.

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  3. Bic Laranja21/9/10 21:48

    Quando não render mais, outra mentira: nunca houve nada.
    Grato pelo apreço.
    Igualmente.

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  4. Bic Laranja21/9/10 21:52

    Chamava-se Lourenço o fotógrafo da Alameda? Tenho umas poucas lá dele. É coisa que já acabou há muito, a arte do retrato. Já nem em fotógrafos estabelecidos.
    Cumpts.

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  5. Attenti al Gatti24/9/10 02:55

    Era, de facto, o seu nome. Vendia pão de manhã e, à tarde, dedicava-se à fotografia. Como era usual, Quanto não valerão hoje as fotos que exibiam na latral da máquina e onde não faltavam o "magala" e a "sopeira", como era da praxe.
    A.v.o.

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  6. Era a fazer 'marketing' para o 'target'. Muito evoluído.
    Cumpts.

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