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sábado, 31 de outubro de 2009

Fischer Z

 Esta semana tem sido por aqui muito dada à música. Com imagens a acompanhar  (talvez ande eu a fingir que faço telediscos). Esta agora é do tempo em que fui para o liceu - ou escola secundária, como diz com mais propriedade esta república igualitária... - O John Watts canta aqui que perdeu a namorada. Vê-se-o algo agitado no fim mas o abandono não teve mal. Lembro-me dele logo a seguir nesse tempo, gritando exuberantemente por uma Marliese no concerto da Febre de Sábado de Manhã no estádio de Alvalade. Nunca gostei da Marliese, sempre preferi esta cantiga do So Long, mais rara de ouvir na rádio naquela altura. Em 2005 lembrei-me de gravá-la num disco compacto que fiz para levar para férias...
 Voltando ao John Watts e à Febre. Ao depois duma data de anos do concerto em Alvalade o simpático Júlio Isidro convidou-o a tornar cá para a festa dos 25 anos da Febre. Apareceu algo decrépito sem cantar grande coisa. Tanto assim, que o bom do Júlio Isidro chegou a comentar: - "O John Watts desta vez veio para segurar o microfone, e os dois que o acompanhavam vieram para segurá-lo a ele".
 



Fischer Z — So Long
(1980)

Alto de Santo Amaro, traseiras da Ermida de Santo Amaro

Alto de Santo Amaro. Vista da Junqueira, Lisboa (E. Portugal, 1944)
Alto de Santo Amaro, traseiras da Ermida de Santo Amaro. Vê-se, em baixo, a Junqueira, Lisboa, 1944.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. 

Ermida de Santo Amaro, fachada principal

, Lisboa (A. Serôdio, 1970)

Ermida de Santo Amaro, fachada principal, Lisboa, 1970.

Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. 

Ermida de Santo Amaro em Lisboa


« Festejos e outras notícias — Como se sabe, Santo Amaro, abade e bispo, é o advogado das pernas e braços partidos, e muitos devotos oferecem ainda as suas promessas de cera, com a forma daqueles membros, que se vêem pendurados no arco e paredes da capela-mor.
    A ermida, construída há 396 anos, segundo reza a inscrição existente,


[ COMECOVSE A EDIFICAR ESTA ERMIDA DE SANTO AMARO A DOZE DIAS DE FEVEREIRO DO ANO DE 1549 ANOS E AVIA SETE ANOS QVE HERA AQVI EDIFIQVADA A QVE AGORA SERVE DE SAMCRISTIA ]


  foi encerrada à devoção dos fiéis, profanada e roubada após a implantação do regime republicano em 1910, e acha-se novamente restituída ao culto desde 15 de Janeiro de 1927.   Existia ali uma confraria, de que fizeram parte alguns dos mais ilustres nobres doutros tempos.
  Nela se faziam antigamente grandes festas ao seu patrono, que começavam em 15 de Janeiro e se prolongavam ordinàriamente até 2 de Fevereiro. No seu adro organizavam os galegos das companhias de aguadeiros de Lisboa, um arraial e danças ao som de gaitas de foles, e nele apareciam, além dos vendedores dos artigos que era uso negociarem-se em todas as festanças populares portuguesas, mulheres vendendo rosários de pinhões de Leiria.
  Com a evolução dos tempos estas festas têm desaparecido pouco a pouco e dos antigos galegos frequentadores do arraial, ainda há cinco anos (1930) lá apareceu o último, que, com a sua gaita de foles, animou uma dança impovisada no adro, e até na sala de oração.»


Augusto Vieira da Silva, Revista de Arqueologia, t. III, 1934, apud Dispersos, vol. II, 2ª ed., Lisboa, C.M.L., 1985, pp. 290, 291.



Ermida de S. Amaro (Dirk Stoop, séc. XVII)
Vista de Santo Amaro e Prospectiua do lugar de Bellem.
Gravura de Dirk Stoop, séc. XVII.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dança de imagens (com chapéu preto)





(2.ª edição. Revisto e augmentado em Julho de 2013.)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Trafaria

Trafaria - (c) 2005
 (c) 2005

Rio Tejo

Rio Tejo - (c) 2005
 (c) 2005


Margem direita


Central Tejo - (c) 2005
 (c) 2005


Margem esquerda


Cristo Rei - (c) 2005
 (c) 2005

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


António Pinho Vargas - Dança dos Pássaros
(R.T.P., Deixem Passar a Música, 1987)

Belém

Belém - (c) 2005
(c) 2005

Lisboa

Lisboa - (c) 2005
(c) 2005

domingo, 25 de outubro de 2009

Conquista de Lisboa aos Mouros em 1147

“ Tomada Lisboa — conta o minucioso António Coelho Gasco, autor de um precioso inédito conservado na Biblioteca Nacional — o victurioso e sancto Rey se foy apousentar nos passos [i.e. paços] delrey mouro, que são hoje os d'alcaceva, nome corrupto de alcacer, que quer dizer em lingua Arabea Castello. E a mesquita dos mouros nesta alcaceva, a mandou sanctificar e alimpar, e chamou-lhe Sancta Cruz, por amor do dia da tomada desta Cidade”.
  Depois de arvorada a cruz na tôrre maior da Alcáçova, deu el-Rei a volta a pé aos muros do Castelo [...]
   A Alcáçova inundada do nosso formosíssimo sol de Outubro, que não tem rival, queria sorrir-se, obrigaram-na a sorrir-se, e rutilava de colchas e pendões.
  As tôrres da muralha, em parte derrocadas e feridas, presenciavam mudas aquele definitivo aproximar dos odiados cristãos; e ao longo do nosso Tejo a Ribeira resplandecia de luz, e formigava de gente [...]
  A tudo isto se seguiu, como conseqüencia, o render-se logo o castelo de Sintra, e o de Palmela, desamparado pela fuga da guarnição; e depois o de Almada; tudo no mesmo mês.


Júlio de Castilho, Lisboa Antiga, vol. II, 2ª ed., Lisboa, S. Industriais da C.M.L., 1935, p. 223 e ss..



Lanço da muralha Norte do Castelo de S. Jorge, onde se abre a porta de martim Moniz (J. Sendim, 1838)

sábado, 24 de outubro de 2009


Madredeus - Moro em Lisboa
(Um Amor Infinito, 2004)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Da alarvidade de expressão

Silêncio

 Há pedaço perguntava com certa astúcia o escritor Saramago no programa do Mário Crespo: — Para quê? Para que criou Deus o mundo?
 — Para termos aqui o senhor - ouviu-se baixinho o jornalista Mário Crespo.
 A liberdade de estar calado não tem nada destas coisas: um escritor livre de dar à estampa as alarvidades que entenda; um deputado não sei das quantas livre de mandar escritores à fava; e um jornalista, livre de estupidamente verbalizar um insulto ao entrevistado-ídolo sem se dar a mínima conta.
 Realmente!... Deu-se Deus ao trabalho para isto.
 
(Imagem em "Vas te Faire Foutre", Notícias da Cidade, 2/9/2007.)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A vaca sagrada

Clarabela ou vaca sagrada? Um deputado da Europa que nunca ouvi falar exortou o escritor Saramago com rudes palavras a abjurar a cidadania portuguesa (como se isso anulasse o ter nascido cá).

 O deputado Fernando Rosas encarniçou-se com o deputado da Europa: que era inadmissível, antidemocrático, que bulia com a liberdade de expressão. Um correligionário do tal deputado da Europa amenizou sem deixar porém de o criticar: que não devia ter dito aquilo; que o seu partido tem ideais democráticos e respeita a liberdade de expressão; que o outro deputado da Europa - é por todos sabido - também perfilha esses ideais do partido e do Sá Carneiro...

 Enfim!... Só o Saramago é que pode chamar nomes...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Avenida Marginal de Lisboa ao Sul do Arsenal da Marinha

Notícia Histórica



« Começou finalmente a realizar-se a tão ardente aspiração da ligação da Baixa de Lisboa com a parte ocidental da cidade, por uma via pública com dimensões suficientes para a actual circulação citadina entre aqueles locais.
   Primitivamente a comunicação dos arredores ocidentais de Lisboa com a Baixa, isto é, com o bairro situado entre os montes de S. Francisco e do Castelo de S. Jorge, fazia-se ùnicamente pelas ruas que são actuais representantes a Rua Garrett e a Calçada do Combro.
   Mais tarde começou a formar-se um caminho pela praia que, com o andar dos tempos se transformou nas actuais ruas do Corpo Santo, de S. Paulo e da Boavista.
   Depois do terramoto de 1755 abriu-se a Rua do Arsenal, que os arquitectos do Marquês de Pombal julgaram bastante para a circulação durante alguns séculos.
   Mas ainda não era decorrrido pouco mais de um quando se reconheceu que tal via pública, bem que larga, era insuficiente para as necessidades da viação, e começaram a estudar-se alvitres para as remediar.
    [...]
   Todos estes e outros projectos foram por nós descritos na Revista Municipal, nºs 8  9, de 1941, e desconhecendo pormenorizadamente o projecto adoptado, deixamos todavia consignado que a nossa opinião é a que todos os projectos estudados sobreleva o patrocinado pela Sociedade Propaganda de Portugal, não só pela elegância do traçado da nova avenida, seguindo uma curva sensìvelmente no prolongamento do eixo da Avenida 24 de Julho, o que reduz ao mínimo a extensão da nova via pública, como conserva íntegra a monumental ala da Sala do Risco do Arsenal, a que estão ligadas memórias gloriosas da nossa história.
   O estudo do arranjo definitivo das novas vias públicas e construções nos terrenos do Arsenal da marinha não está ainda concluído, mas [...] o início da abertura da nova avenida e a esperança da sua conclusão breve são porém motivo de grande regozijo para todos aqueles que são toda a população actual de Lisboa, que têm tido ùltimamente a necessidade e a desventura de transitar pela Rua do Arsenal. Seja pois bem-vindo este melhoramento citadino.»


Augusto Vieira da Silva, A Voz, 25 de Agosto de 1947, apud Dispersos, vol. III, Lisboa, C.M.L., 1960, p. 277 e ss.





 





 Melhoramentos citadinos na Ribeira das Naus, hoje, garantidamente são menos em função da faina dos lisboetas e mais em função do turismo. A pé, de bicicleta ou de observação europeia da toxicodependência...

Av. Ribeira das Naus, Lisboa (J.Benoliel, 1959)
Avenida da Ribeira das Naus, Lisboa, 195...
Fotografias: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

(Revisto em 30/VII/13. Tornado a rever em 19/VIII/17.)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Falando em particular de obras públicas

"A Frente Tejo,S.A. convidou dois dos melhores ateliers de arquitectura..."


Ribeira das Naus, Lisboa, [próximo futuro].
Projecto do consórcio
P R O A P, GLOBAL & Consulmar, in cm-lisboa.pt.

Sobre os melhores 'ateliers' de arquitectura, também nada melhor que o alto critério da Frente Tejo S.A.. Já sobre a melhor administração pública...

domingo, 18 de outubro de 2009

25 de Fevereiro - 1909

« Visita ao Coelho de Carvalho, que está doente, e mora num velho palácio, na Rua do Arco do Cego. Móveis Império, uma cama imponente com golfinhos doirados e espelhos, falsos quadros de mestres nas paredes de estuque, onde todos os caiadores de Lisboa pintam sempre o mesmo friso azul-ferrete, e salas que se sucedem com alguns móveis antigos isolados. São restos de grandeza duma existência de artista...»


Raul Brandão, Memórias, Tomo I, Relógio d'Água, Lisboa, 1998, p. 180.



 Um velho palácio na Rua do Arco do Cego? Olha se fosse...  Teríamos aqui meia descrição do interior.

Rua do Arco do Cego, Lisboa (E.Portugal, 1940)
Rua do Arco do Cego [vista de metade do palácio do Conde de Sintra à dir.], Lisboa, 1940.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Pop de fato e gravata

 E risco ao meio (viola baixo).
 Há quem diga New Wave (nova vaga) e julgo que a designação se colou modernamente ao dicionário da Gestão - parece-me até que haverá copiosa edição de livros sobre isso [em vagas sucessivas]. O fato e a gravata também são do figurino da pesudo-ciência, só o risco ao meio é que não sei. 
 Um comentário perdido no Tubo diz que esta aqui é do programa Top of the Pops de quinta-feira 18 de Outubro de 1979, que foi apresentado por Lee Travis. Os Buggles eram nº 1 nessa semana no Reino Unido.  Há lá outro comemtário que pergunta se esta cantiga é sobre coca, o que não é descabido do figurino descrito um parágrafo acima. Não me refiro ao risco ao meio.




New Musik - Straight Lines
(TOTP, 1979)



(Este verbete foi redigido em 15/2/2009 e posto a hibernar.)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Antecipando a nova comissão liquidatária


Lalo Schifrin & BBC Bigband, Mission: Impossible



Entretanto a anterior concluiu a missão com cozido à portuguesa. Sintomático.

100 anos do Lyceu de Camões (progressos lexicais)

 Um lyceu do tempo da monarquia vertido requalificado (o que eu aprecio este palavreado da moda) em escola secundária por uma república de terceira...
 


Lyceu de Camões, Lisboa (A.C. Lima, c. 1909)
Lyceu de Camões, Lisboa, c. 1909.
Carlos Alberto Lima, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

(Título Revisto.)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

As pistolas de D. Pedro de Alcântara

 Houve hoje notícia da recuperação dumas pistolas fabricadas em 1817 para uso pessoal do rei D. Pedro IV. A bem do rigor, melhor seria dizer 'para uso do príncipe D. Pedro'. Em 1817 reinava D. João VI (aclamado no Rio de Janeiro em 1816 rei de Portugal, Brasil e Algarves...). D. Pedro casou justamente naquele ano de 1817 com a arquiduquesa D. Leopoldina da Áustria e é bem possível que a manufactura das pistolas pelo mestre armeiro do arsenal de Lisboa, Tomás José de Freitas, tenha que ver com o casamento do príncipe, mas não garanto.
 Foi uma boa notícia, porém.
 
Dom Pedro (P.L.H.Grevedon, Museu Imperial de Petrópolis)
D. Pedro de Alcântara (1798-1834) - Imperador do Brasil (de 1 de Dezembro de 1822 a 7 de Abril de 1831), Rei de Portugal por breves dias (20 de Março a 8 de Abril de 1826), duque de Bragança e regente de Portugal (2 de Fevereiro de 1832 a 19 de Agosto de 1834).
 




Nota:
 
Quereria publicar aqui a prova original contemporânea (ou prova actual de negativo original) de S.M.I. o Senhor D. Pedro, da colecção de Eduardo Nobre (in Família Real: Álbum de Fotografias, 2ª ed., Quimera, [s.l.], 2003, p. 20), mas é expressamente proibida a reprodução das imagens a partir da obra. Em alternativa fica a reprodução duma litografia de D. Pedro, da autoria de Grevedon, do Museu Imperial de Petrópolis, publicada na biografia de D. Pedro IV recentemente editada pelo Círculo de Leitores.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Chiça!

 Em tempos ironizei de modo algo cifrado sobre publicidade em lousas sepulcrais, só que nunca pensei...
 A estimada Luciana que me perdoe o traslado para cá da fotografia, mas a falta de decoro é tão infame que tinha de amplificar aqui o acinte com que essa ralé do presidente da Câmara de Lisboa se pavoneia diante de nós. Que falta de vergonha!

Falta de respeito, Lisboa (Luciana, 2009)


Falta de respeito, Lisboa, 2009.
Fotografia de Luciana, in
Coisa Pouca.

domingo, 11 de outubro de 2009

Uma Sara Ribeiro, no Sol, e a real história da publicidade

 Há gente (cada vez mais) que escreve sem saber nada de nada e eu sem perceber o que andam realmente por aí a dizer. O que é Era um[a] vez um rei - D. Carlos I - em 1820?!...

Notico-do-Sol.jpg


(E precisa de aspas para referir-se à Coroa portuguesa...? )

Botando o voto

Senhoras botanto o voto (Nova Iorque, c. 1917)
Senhoras votando, Nova Iorque, c. 1917.
Publicada por Shorpy.

Notícias de 10 de Outubro

 De 1914. No jornal, nas mãos do pequeno ardina, o título: Portugal Expected to Decla[re]... guerra à Alemanha?!... Bem parece...
 Mas o mais estranho foi ter eu dado com a fotografia justamente há pedaço. No Alabama ainda é dia 10 de Outubro. E em 1914 também calhou a um sábado.

Ardina, Mobile, Alabama (Lewis Hine, 1914)
Ardina de Mobile, Alabama, 1914.
Fotografia de Lewis Hine, in Shorpy.

[Bem vistas as coisas, o jornal deve ser um matutino de 11 de Outubro de 1914.]

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Sintra

Anverso.



Comboio, Sintra (Estúdio H. Novais, s.d.)




Reverso.



Comboio, Sintra (H. Novais, s.d.)



(Fotografias: Estúdio de Horácio de Novaes (1933-1983), inBiblioteca de Arte da F.C.G.)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Terreiro do Paço, 1966

Variedade de autocarros da frota da Carris com a pintura original, incluindo um Daimler, coisa rara de achar a cores.

Terreiro do Paço, Lisboa (vss1x, 1966)
Terreiro do Paço, Lisboa, 1966.
Fotografia: vss1xin Flickr.
 


Terreiro do Paço, 1982


Terreiro do Paço, Lisboa (Express000, 1982)
Terreiro do Paço, Lisboa, 1982.
Fotografia: express000, in Flickr.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"In The Air Tonight'"

 Por falar em Bairro Alto - refiro-me à época em que me distraía por lá - são fases...
 Nessa época havia uma versão com batida mais ritmada desta cantiga do Phil Collins. Ouvi-a pela última vez num barzeco qualquer do Bairro Alto aí pelo ano de 89 ou 90, quando estava na berra, e depois nunca mais. Calhando pode achar-se agora no Tubo com mais ou menos trabalho, todavia esta versão ao vivo que apanhei à primeira é mais fiel ao original de 1981.
 Devo confessar que não obstante ter enjoado há muito quase tudo do Phil Collins (não tanto dos Genesis), soube-
-me agora bem ouvir esta, daí pô-la cá. Mas convém não exagerar; aquele clímax final ameaça tornar-se irritante.
 



Phil Collins, In The Air Tonight
(The First Farewell Tour, 2004)

Miragem

Av. António José de Almeida, Lisboa - (c) 2008
Lisboa (c) 2008.

domingo, 4 de outubro de 2009

Domingo à noite: The Sundays

 Muitas vezes há cantigas que nos pairam no ouvido e não paramos de trauteá-las. Já me aconteceu inúmeras vezes, nalgumas delas, tenho a certeza, o caso deu-se com esta. Nunca lhe prestei atenção, nunca me importei com o título nem cuidei de saber que banda era. Nunca procurei a cantiga, nunca me apeteceu ouvi-la. Ouvi-a hoje de relance com inesperado agrado no anúncio duma série da televisão por cabo, de modo que...
 Não me lembro de jamais ter havido memória do nome desta banda, tinha só uma vaga ideia que a cantiga seria dum tempo em que frequentei o Bairro Alto. Pronto! Agora já sei e... here's where the story ends.
 



The Sundays, Here's Where The Story Ends
(1990)

sábado, 3 de outubro de 2009

Religião das patacas

Irlanda: U$ 8.97

 Com as sondagens numa mão e papel de embrulho na outra ajeita-se já a tropa de Bruxelas para empacotar a Irlanda no referendo. De caminho hão-de enfiar mais dois no embrulho. Era apenas uma questão de tempo (de referendo em referendo, já se sabe, tudo se leva a bom termo, afinal, com paciência e pataco). Os irlandeses, esses (rezam já as notícias) embucharam hoje (ontem) a altivez com uma caneca de Guinness num pub lá do sítio, ao mesmo tempo que jogaram fora o nacionalismo com a lata amachucada. Com a produção no vermelho e o emprego em baixa a cerveja anda choca e o orgulho nem produz arroto. É mais fácil votar de mão estendida. Se a Ouropa compra, a Irlanda vende-se. O mundo globalizado é esta enorme feira da ladra onde tudo se leiloa. E é tudo marcas de excelência: falinhas mansas, valores, nações...
 Um parêntesis com marca de excelência. Ouvi esta tarde um edil (ou candidato a...) apregoando a sua terra nos melhores termos que há: - "Porto Covo é uma marca de excelência." - Quem assim fala tem o que vender. Pois eu cá nem por sombras duvido que o edil (ou candidato) e respeitosa família não hajam de ser da tal marca de excelência. Serão vendáveis como a Irlanda?

(Texto rectificado. Imagem adaptada.)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O 'reset' à TAP

 A U.E. proíbe o accionista Estado de aumentar o capital da TAP. Se o accionista fosse um multimilionário excêntrico, aumentar o capital da empresa não teria problema absolutamente nenhum. Sendo accionistas da TAP os portugueses, organizados num Estado-Nação há quase 900 anos, nada feito. Como simples direito dum empresário mandar naquilo que é seu, aquela proibição é regra bem enviesada, de mais a mais em liberal e sacrossanta economia de mercado; como direito soberano de qualquer Estado em sustentar, no interesse nacional, uma actividade económica legítima, pese embora deficitária, noto que como Estado soberano Portugal faliu. O melhor é - parafraseando a notícia - o novo Executivo fechar por inteiro o país e 'abrir ao lado' um novo, seguindo exemplos semelhantes dos governos suíço e belga com a Swissair e a Sabena.


Transportes Aéreos Portugueses, Aeroporto da Portela, c. 1967-75.
(Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), 
inBiblioteca de Arte da F.C.G.)

Inconfidência (resposta e tréplica)

Réplica:


Exmo. Sr. [Assinante identificado],


 No seguimento de pedido de esclarecimentos sobre a questão que nos colocou vimos prestar a informação em falta.

 A Comissão Nacional de Dados, autorizou excepcionalmente, com base no interesse público importante, o envio de SMS à população, no âmbito de uma Campanha de informação sobre a Gripe A. No entanto, o envio dessas informações é feito directamente pelas Operadoras Telefónicas aos respectivos clientes, não havendo desta forma, qualquer acesso aos dados nem conhecimento por parte da Direcção Geral de Saúde dos números de telefone das pessoas. Deste modo, foi uma autorização de cariz excepcional, concedida pela CNPD e é apenas válida durante o período de emergência pública. Para mais esclarecimentos sobre este ou outros assuntos blá blá blá...

 Cumprimentos,


[Funcionário identificado]

Serviço de Apoio a Clientes


Tréplica:


Exmos. Srs.,


 Se não há transmissão de dados dos assinantes da Vodafone à D.G.S. que sentido faz haver ou não haver autorização da C.N.P.D.P.? A confidencialidade do meu número de telefone particular destina-se a salvaguardar-me de receber publicidade, propaganda ou anúncios de qualquer espécie (incluindo avisos da Vodafone sobre a factura electrónica ou quando vai acabar o saldo, com os quais apresar de tudo vou sendo complacente). Se a Vodafone se dispõe a veicular para os números de telefone dos seus assinantes todas as mensagens que acordar com terceiros segundo (duvidosos) critérios de interesse público estamos mal. Imaginai se a Protecção Civil invoca o interesse público em informar a população sobre os rigores do calor no Verão, da chuva no Outono e do frio do Inverno. Imaginai se o Ministério dos Transportes invoca interesse público em haver publicidade à TAP nos telefones para salvar a companhia aérea da falência...

 O precedente está aberto; vai tornar-se regra?

 Se doravante a Vodafone não respeitar os termos contratados acaba-se o telemóvel. Para avisos de gripe basta-me um espirro. 

 Cumprimentos,


[Assinante identificado]


Shelltox (pub)


Publicidade excepcionalmente admitida. Psssss!





Bomba Shelltox. Fotografia sem data.

Estúdio de Mário Novais: 1933-1983, in
Biblioteca de Arte da F.C.G..