“ Tomada Lisboa — conta o minucioso António Coelho Gasco, autor de um precioso inédito conservado na Biblioteca Nacional — o victurioso e sancto Rey se foy apousentar nos passos [i.e. paços] delrey mouro, que são hoje os d'alcaceva, nome corrupto de alcacer, que quer dizer em lingua Arabea Castello. E a mesquita dos mouros nesta alcaceva, a mandou sanctificar e alimpar, e chamou-lhe Sancta Cruz, por amor do dia da tomada desta Cidade”.
Depois de arvorada a cruz na tôrre maior da Alcáçova, deu el-Rei a volta a pé aos muros do Castelo [...]
A Alcáçova inundada do nosso formosíssimo sol de Outubro, que não tem rival, queria sorrir-se, obrigaram-na a sorrir-se, e rutilava de colchas e pendões.
As tôrres da muralha, em parte derrocadas e feridas, presenciavam mudas aquele definitivo aproximar dos odiados cristãos; e ao longo do nosso Tejo a Ribeira resplandecia de luz, e formigava de gente [...]
A tudo isto se seguiu, como conseqüencia, o render-se logo o castelo de Sintra, e o de Palmela, desamparado pela fuga da guarnição; e depois o de Almada; tudo no mesmo mês.
Júlio de Castilho, Lisboa Antiga, vol. II, 2ª ed., Lisboa, S. Industriais da C.M.L., 1935, p. 223 e ss..
Júlio de Castilho...; ontem mesmo soube que é autor de umas exaustivas « Memórias de Castilho » pai.
ResponderEliminarCumprimentos
Sim senhora. Há ainda umas Memórias dos Vinte anos, suas, de 1867, muito aclamadas pelo Júlio César Machado e pelo Pinheiro Chagas. Cumpts.
ResponderEliminarBela imagem do castelo. Bem diferente do que é hoje.
ResponderEliminarSempre que leio estes seus pequenos apontamentos históricos, lamento a minha falta de tempo para investigar mais nessa área. E há tanto que gostaria de saber.
Enfim … A nossa vida é muito breve! :-)
Abraço
Grato pelo apreço. Cumpts.
ResponderEliminarSobre o tema - a conquista de Lisboa - há uma pequena obra muito interessante: A Conquista de Lisboa Aos Mouros - Relato de Um Cruzado. Edição, tradução e notas de Aires A. Nascimento. Ed. Vega, 1ª edição em 2001. Custou-me 8 Euros em 2005.
ResponderEliminarTem a particularidade de transcrever a correspondência, em Latim, de um cruzado inglês que participou no acontecimento e a quem, erradamente, chamaram Osberno (com nome de rua e tudo) e a correspondente tradução em Português.
Para o caso de ainda não conhecer, aquí fica a "deixa"
A.v.o.
Dei mais por ela. É obra bem lembrada. Recentemente pude afortunadamente adquirir outra Conquista de Lisboa aos Mouros. Em ante-título diz Complemento ao volume II da "Lisboa Antiga" de Júlio de Castilho. Na verdade trazia anexos 12 vols. da "Lisboa Antiga" do visconde de Castilho. :)
ResponderEliminarCumpts.
Uma obra de tomo, sem dúvida.
ResponderEliminarA.v.o.
Sim. Afortunadamente achei uma colecção num alfarrábio, por afortunado preço também... Cumpts.
ResponderEliminarProcuro fontes em que seja dada a etimologia do nome árabe Eshbona ou Ishbona, dado à cidade de Lisboa, que segundo me consta significa simplesmente "porto".
ResponderEliminarDesde já agradeço qualquer indicação.
Inácio Steinhardt
inacio@steinhardts.com
Israel