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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Da representação do Estado

História de Portugal XV (Verbo, 2002) História de Portugal XVI (Ed. Verbo, 2006 ) História de Portugal (Verbo, 2008)


 Os últimos volumes da História de Portugal do prof. Veríssimo Serrão trazem na capa os retratos, em solene pose de Estado, dos presidentes da II República. Se novos volumes se estenderem para cá de Abril, imagino que o estado a que Portugal chegou venha imediatamente a perceber-se nas previsíveis ilustrações de capa. Dispensaria a leitura e, diga-se, em abono da Pátria não se perderá grande História.

 Ora leiam-se lá as imagens...

 
   Mário Soares (Júlio Pomar) Jorge Sampaio (Paula Rego)



(Imagens da
Editorial Verbo e do museu da Presidência)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Variedades: 'Stardust'


Nat King Cole, Stardust

Fotografia 'vintage'



Sufragistas. A mulher com o trompete é identificada como Rosa Sanderson.

Publicada por Associações Livres do Dr. X.

sábado, 26 de setembro de 2009

Gasosa com vinho

 Na minha casa, talvez por um princípio de precedência hierárquica, a gasosa era comprada na mercearia das Bitas. A taberna do sr. João estava reservada para o fornecimento de tinto que, aos domingos era do "especial", avalizado pelos adeptos do Vitória que, nos dias em que o clube fazia jus ao nome, transportavam a taça, erguida, Capitão Roby acima, em horda ululante que desembocava no balcão onde o troféu era atestado com o conteúdo do pipo apropriado, rodando depois de mão em mão, a matar a sêde daquelas bocas que não tinham regateado gritos de incentivo ao seu clube nem impropérios ao árbitro. Estas libações eram, por vezes, acompanhadas por algum petisco, obra da D. Rosa, esposa do sr. João e era tal o júbilo que conseguía mesmo alegrar o olhar, usualmente triste, da filha do casal, que faleceu muito nova, por oposição a um garnisé que faleceu muito velho, depois de uma longa reforma passada num poleiro sobre o lavatório de canto, debaixo da vigilância do "Boby", um rafeiro que deve ter enviuvado muito cedo, pois sempre o conheci trajando luto carregado.
A.v.o.


Comentário de Attenti al Gatti em 24 de Setembro de 2009.



Queijoca, Lisboa, 1977

Desfile comemorativo da subida do V.C.L. à III Divisão Nacional de futebol, Picheleira, 1977.
[Ao centro a Cajoca mãe (sr.ª D.ª Eugénia, que Deus haja), ao lado o João Pingalim e atrás o Manuel Costa; o Ford Cortina verde azeitona era pertença do David Chitas.]
Cliché do sr. Vieira da Silva, in
De Cabelos em Pé.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Inconfidência

D.G.S. envia alertas SMS de prevenção contra a gripe A

 


Exmos. Srs.,


 O meu nº de telefone XXXXXXXXX é confidencial. Exijo, por conseguinte, que tal seja respeitado e o nº em causa não seja por vós facultado a ninguém, nem que seja a S. Exª o presidente da República. A menos que haja ordem dalgum juiz.

 Faço-vos esta reclamação com manifesto desagrado, por ter começado a receber mensagens da D.G.S. no meu telefone ao abrigo dum acordo entre essa entidade e a Vodafone (
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1365328). Não me parece legítimo que um vulgar acordo entre a Vodafone e qualquer outra entidade viole a confidencialidade dum nº de telefone particular. Tenho a informar-vos que se tornar a receber mensagens da D.G.S. neste telefone, do teor anunciado no tal acordo ou outras, terei de reavaliar os contratos que tenho convosco.

Cumprimentos,


[Assinante identificado]




(Imagem: D.N..)

A regulação





 O regulador da saúde - nos casos de muita saúde - compete-lhe regulá-la para níveis normais. Isto para evitar que haja quem ande por aí a vender saúde e venha a fazer disso outro negócio pandémico que prejudique o H1N1.

 O regulador da comunicação encarrega-se da divulgação e promoção (marketing) da pandemia certa. Mesmo nos casos importados...

 O Piruças entretanto deve ter reguladas as Companhias de Telefones para, por sms, regular-me para ficar em casa se me sentir engripado. Talvez no futuro me regule para botar o voto certo e me envie uma máscara certificada pelo regulamento da D.G.S. para não deixar de fazê-lo, mesmo se engripado.

 Entretanto os chips as vacinas pandémicas estão a caminho.



(Texto revisto.)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Campo 28 de Maio

CarroParaABola-peq.jpg

Depois de experimentar os transportes públicos, o empreendedor de iniciativas Costa torna todos os dias a casa à pendura, ao fim dum estafante dia de trabalho.

(Foto: Lisboa Desaparecida, vol. 3.)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dia de São Burro contra o Ferrari

É eles a darem-lhe e o burro a fugir. Hoje parece que a corrida foi de Porsche, de Metro e a dar ao pedal. Aqui vos deixo o padroeiro do dia, um burro experimenta design, hoje ausente da corrida por afazeres inadiáveis no jardim de Santos.



Camponês a cavalo num burro, Jardim de Santos, (Ch. Flaviens, c. 1900)

Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House. 

sábado, 19 de setembro de 2009

Movimento Estaciona no Passeio (*)



Campanha eleitoral: palco com rodas, Saldanha, 2009.

Fotografia:
Quero andar a pé! Posso?



 Uma reclamação ao M.E.P. obteve uma resposta em redondilha maior que quando cantada dá a já costumeira cacofonia democrática:


Com o devido respeito pela sua opinião, gostaria de lhe dizer que o Movimento Esperança Portugal não "estaciona” o autocarro em cima do passeio. O Movimento Esperança Portugal está em campanha eleitoral [...] Considere o nosso autocarro um palco com rodas. É isso mesmo que andamos a fazer e não tem nada a ver com estacionamento.


Rui Nunes da Silva, M.E.P..




(*) Crismado por Carlos Medina Ribeiro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Gasosa

Gasosa Schweppes (anos 70)

 Há muito tempo era habitual ir à taberna antes do almoço, ou antes do jantar, comprar 1/2 litro de vinho palheto. Nalgumas vezes pedia à minha mãe para trazer uma gasosa. Quando ela entendia que sim dava-me o dinheiro, mas sem contar com o vasilhame, cujo valor, por trato mais antigo que a minha pouca idade entre os meus pais e o taberneiro, era normalmente resolvido com um - "Dê-me também uma gasosa, sr. Alberto, que ao depois venho cá trazer a garrafa".
 Certo dia foi o Beto, o filho mais espigadote do sr. Alberto que me atendeu.
 - O dinheiro não chega.
 - Não chega?! Mas a gasosa não custa... (não me lembro quanto)?
 - Custa, mas não trazes depósito.
 - Pois não. Mas ao depois costumo trazer cá a garrafa.
 O Beto apontou muito satisfeito de si para cima dos pipos de vinho e leu-me sonoramente os dizeres duma tabuleta que eu sempre lá vira mas que até ali nunca houvera entendido:
 - Não se vendem refrigerantes sem vasilhame.
 Mesmo sem saber o significado de vasilhame eu percebi o recado. Quando fosse para comprar gasosas devia ir à taberna do sr. João.

(Fotografia: Estúdio de Horácio de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G.)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Azinhaga da Salgada

Obra a obra Lisboa SOSsobra (soçobra).

Azinhaga da Salgada (c) 2008

Quinta da Salgada (esq.) e Quinta das Conchas (dir.), Marvila, 2008.

Delir

Um verbo deletado.



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Diz que é uma espécie de civilização

 Anteontem, (vi por acaso ontem o resumo, não estava a par) o primeiro ministro de Portugal prestou preito e homenagem a um chocarreiro em directo pela TV e em horário nobre. Com tão baixo controlo de emoções como lhe é conhecido, pôr-se a jeito assim à chacota é no mínimo mau aviso, para não dizer falta de inteligência. Mas descartando o despropósito, não mandaria o protocolo de Estado que fosse antes o chocarreiro a S. Bento? E não mandaria a dignidade do alto cargo, dado o motivo ser chacota, que nem passasse o chocarreiro a soleira da porta? Noutro tempo, é sabido, tinham os grandes senhores bobos na sua corte; hoje, em nome sabe-se lá de quê, mais parece que são os bobos a ter grandes senhores como vassalos (a maledicência pode ir longe). Como longe vai a suserania da comunicação social sobre os governos, mormente quando por agentes lhe bastam uns truões petulantes e sem graça.
 Ontem lá estava também a matrona Ferreira Leite (que lá terá a mesma precedência que o chocarreiro no protocolo de Estado). Dominou-o airosamente e não admira. Se era para fazer pouco, fez ela bem em exigir previamente as perguntas.



General Carmona, Cais das Colunas (H. Novais, anos 40)
Presidente Carmona, Salazar, ministros e chefias militares (antecedidos, julgo, pelo chefe de protocolo), Lisboa, [s.d.].
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Companhia das Lezírias

Companhia das Lezírias (M.Novaes, s.d.)

Companhia das Lezírias, Ribatejo, [s.d.].

Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G.




 Por causa duma garrochada mal calculada no presidente da Câmara aqui há dias, aproveitou a filarmónica do dr. Pedro Lopes para meter um pasodoble nas suas páginas de campanha e tocar para cá. Agradeço-lhe a gentileza, mas manda-me a cortesia dizer-lhe que não se iluda ele com o pasto desta lezíria. É que vai na volta pego no pampilho e não evito encabrestar a manada toda a eito.




(Ajeitado às 11h30 da noite.)

A Folia

 Segundo pude ler, peças de teatro portuguesas da Renascença, incluindo, claro, Gil Vicente, mencionam a Folia como uma dança de pastores e camponeses. E se bem compreendi, apesar da Folia ser muito mais antiga, as primeiras variações sobre o tema vieram a ser publicadas em meado séc. XVII. Contudo na introdução desta peça, Jordi Savall diz-nos que a primeira vez que a melodia aparece registada num manuscrito antigo é num cancioneiro espanhol, anónimo, do final do séc. XV. Trata-se do vilancico Rodrigo Martinez.
 Na peça Jordi Savall e o grupo executam uma bonita variação sobre o tema da primeira Folia conhecida.
 










Jordi Savall, Folia (c. 1490)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Lully



Euskal barrokensemble - Lully, Marche pour la cérémonie des Turcs

T.G.V. (Tudo Grande Vigarice)

« Só seis empresas de França, Reino Unido e Alemanha estão certificadas para vender carris, material eléctrico e electrónico, carruagens, etc. para o T.G.V.. A Espanha tem três empresas certificadas para as pontes e a infra-

-estrutura [...] Os três grandes da U.E. exportariam para Portugal 65 a 74% dos 5 mil milhões, a Espanha uns 20% e as nossas três mega-empresas 8 a 9%.»


Jack Soifer, «Alta Velocidade», Oje, 20 de Janeiro de 2009.




 A ser realmente assim (e não vejo razão para duvidar), a discussão sobre o T.G.V. anda fora dos carris há muito. Ultimamente chegam a fazer do caso uma contenda entre portugueses e espanhóis. Do que vejo os espanhóis estão a ser levados na intrujice tanto quanto os portugueses. De 2/3 a 3/4 do negócio revertem para um cartel de fornecedores anglo-franco-alemão (quem haveria de ser?). Por mais subsídios que chovam da U.E., logo percebemos aonde haverão de tornar. Em Portugal, o retorno do investimento parece-me mais que duvidoso - quem me desmentir pondere se algum português, tão cioso do seu belo carrinho, irá de T.G.V. de Lisboa ao Porto ou vice-versa, dispondo de duas auto-estradas, do Alfa (mais barato que o T.G.V., certamente) ou do avião (sempre mais rápido).

 Ora do que vejo e ouço destes fanfarrões eleiçoeiros de cá, acicatar os ânimos entre portugueses e espanhóis por causa duma negociata interesseira que aproveita a quem já vimos, não passa, claro, dum ardil de caça ao voto à conta da natureza própria (ultrapassada ou não) de portugueses e castelhanos. Aos do P.S.D. - não duvido - assim que ouçam a campainha do páre-escute-olhe, logo baixarão a cancela para o T.G.V. passar. É uma questão de oportunidade (quisessem resolver verdadeira questão com a Espanha ouvir-se-lhes-ia antes falar de Olivença). Tenho para mim, ao nível em que vai a discussão, que a irresponsabilidade desta espécie de gente chega a ser criminosa. Para melhor juízo disso aqui fica o recorte com a notícia completa.

 


Alfa-Pendular-light.jpg

(Via Caminhos de Ferro de Vale Fumaça.)

domingo, 13 de setembro de 2009

Apresentação ao vivo



Genesis, Follow You Follow Me

(Hotel Dorchester, Londres, Setembro de 2000)

sábado, 12 de setembro de 2009

Lampião de cegonha

Candeeiro de cegonha, Abrantes [cópia de A. V. Silva dum modelo de Marinho Antº de Castro para Lisboa em 1780]

Júlio de Castilho, Lisboa Antiga; Bairros Orientais, 2ª ed. revista e ampliada pelo autor e com anotações do Engº Augusto Vieira da Silva, vol. IX, Lisboa, S. Industriais da C.M.L., 1937, p.169.

A obra nasce, o homem sonha, Deus quer (*)



 Primeiro a central nasce; depois a central não nasceu, está no prelo; terceiro a Europa incentiva.




(*) A ordem subvertida não é arbitrária. É determinada. É publicitária. E é disfarçada em notícia (duas páginas, cheira-me que devidamente subvencionadas).
Verbete revisto.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tapar buracos já vi que não é nada com ele

Buraco (Público, 11/9/2009)

 


Público, 11/9/2009.

Conta-voltas

 O conta-voltas ali à margem deve ter chocado nestes dias com alguma torre gémea. Como lhe ligo pouco nem dei conta. Cuido que ia em  mais de 200.000 (desde Junho ou Julho de 2005) e hoje conta doze mil duzentos e tal. O fabricante é um Easy-Hit-Counters.com. Não recomendo.




 

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Marche pour la cérémonie des Turcs



Jean-Baptiste Lully, Marche pour la cérémonie des Turcs

(Alain Corneau, Tous les matins du monde, 1991)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Da asfixia nacional

 Tenho no porta-moedas três moedas de Euro. Duas têm cunhado o soberano espanhol e uma tem cunho português. É dos livros que uma das marcas de soberania é cunhar moeda. É irónico, pois, que na troca da moeda nacional pelo Euro alguém haja escolhido o sinal rodado da chancelaria de D. Afonso Henriques. A verdade é que na voragem da soberania até o primeiro símbolo régio de Portugal foi tragado. Nem sei se foi estupidez grosseira, se requintada malvadez. De todo o modo, como marca da soberania portuguesa, nos euros, é um logro.
 Há tempos vieram cá uns da Europa para um certo tratado. A enorme bandeira nacional que drapejava no alto do Parque Eduardo VII em Lisboa (das poucas coisas que o triste Santana Lopes fez com jeito) foi substituída por uma azul com 12 estrelas. Neste episódio não há a menor dúvida. Dada a deposição da bandeira, o tal tratado é de rendição. Só pode.
 Hoje ouvi regozijo por uma decisão dum tribunal estrangeiro a favor do monopólio do jogo da Santa Casa. Uma das primeiras noções de Direito que tive, ainda no liceu, foi que os tribunais eram órgãos de soberania. Pois se a cá houvesse, seria um qualquer tribunal português a decidir sobre o que a rainha D. Maria I, soberana de Portugal, mandou que se fizesse há mais já de 200 anos. Mas, como já vimos acima, uns quantos tratantes depuseram a bandeira. O tribunal estrangeiro manda.
 Fala-se muito agora numa certa asfixia. Dizem-na democrática. - Que falta de ar tão limitada! Deve ser apneia do sono.


Dom Afonso Henriques


« D. Afonso Henriques, que recebeu o cognome de "Conquistador" morreu em 1185 com a idade de 76 anos. Foi ele o fundador da Nacionalidade Portuguesa, cuidando, ainda, de dilatar o território, e dando-nos a verdadeira expressão de grande Povo independente. Veneremos a sua memória.»


História de Portugal, 13ª ed., Agência Portuguesa de Revistas, [s.l.], 1968. Il.: Carlos Alberto.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Lisboa Desaparecida

Marina Tavares Dias, Lisboa Desaparecida, 1ª ed. Quimera, [Lisboa], 1987  Tenho a 2ª edição do primeiro volume da Lisboa Desaparecida. Se não me engano comprei primeiro uma 1ª edição, mas ofereci-a. A publicação da obra foi notícia de Telejornal, tenho impressão. Na época não havia nada que se parecesse e adquiri-la, desse por onde desse, tornou-se imperativo. Onde, nos meus parcos conhecimentos olisipográficos de então, poderia eu aprender sobre o que nem fazia ideia - a igreja do Socorro, o Arco do Marquês do Alegrete, o Passeio Público ou os cafés do Rossio? - Conhecia o Nicola, vá lá... Não me lembra como mas lá consegui desencantar os 3.900$00 que custava o livro. Quem muito se encantou com as novidades antigas da Lisboa Desaparecida foi a mãe dum moço amigo, senhora que muito estimava e estimo. Como estava ela prestes a fazer anos e ele sem saber que prenda dar propus oferecermos o livro entre os dois. Eu ao depois logo compraria outro para mim. E assim foi. Eu, pouco depois, consegui uma 2ª edição praticamente nova num alfarrábio da Calçada do Carmo por uns bastante razoáveis 2.730$00, que é a que conservo.

 Isto para dizer que Lisboa Desaparecida é agora também um blogo da autora, Marina Tavares Dias. Nos primeiros verbetes encontrais outra história bem mais interessante sobre a 1ª edição da Lisboa Desaparecida.

De novo a Casa Empis

 Havia eu aventado a hipótese de a Casa Empis abarcar toda a frente do quarteirão Sul da Av. Duque de Loulé entre a Rua Luciano Cordeiro e a da Sociedade Farmacêutica. Se esta fotografia de José Artur Leitão Bárcia o não confirma ainda de todo, parece todavia deixar pouca dúvida, sobretudo porque o quarteirão em causa engloba os n.os 73-77 da dita Av. Duque de Loulé (a Casa Empis tinha o n.º 77, hoje pertencente à esquina com a R. da Sociedade Farmacêutica).
 A área da propriedade foi loteada para edificação dum hotel e de prédios de rendimento nos anos 50, depois da demolição. Sabe-se lá que tesouros artísticos guardava o interior desta casa.
 


Prémio Valmor 1907, Lisboa (J.A.L.Bárcia, s.d.)


Prémio Valmor de 1907 (Casa Empis), Lisboa, [s.d].
José Artur Leitão Bárcia, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

domingo, 6 de setembro de 2009

Nortada

 A nortada não se sente, nem a música, cá no meu conceito, evoca Lisboa. Todavia os velhos pedaços do Cais do Sodré, da Ribeira e do Bairro Alto no teledisco deixam-me certa saudade. Naquele ponto do Cais do Sodré logo ao início, o ciclista palhaço era premonitório das ciclovias da moda. Curiosamente passeei por lá — pelo Cais do Sodré — ontem: as docas semi-abandonadas e o ambiente portuário, anda agora tudo asséptico e plastificado pelo marketing da devolução do Tejo a Lisboa, devolução devidamente concessionada à hotelaria. Dá-se o caso que pouca mais gente lá vi que no teledisco aqui; dá-me impressão que os lisboetas se borrifam para a devolução do rio. Apesar do marketing. Já com os domingos no Terreiro do Paço foi assim, porque será?!…
 Bom, mas dizia eu, a música aqui não me evoca, nunca me evocou, Lisboa; evoca-me caminhos ao Sul, curiosamente para lugares por norma abrigados da nortada.
 



Júlio Pereira, Nortada
(Cádoi, 1984)

Notícias de Cartago


(CAR 15 © Editions Colorama - Tunis)

sábado, 5 de setembro de 2009

Padrão de Arroyos no seu estado até 1837






 Onde pode o benévolo leitor ainda ver, atrás, diante das casas que encimam o largo (antigo palácio do conde da Guarda) o chafariz nº 1, ou bica de Arroios, antes de ser dali mudado, também ele, em 1848.



(Gravura: Colecção de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..)

Cruzeiro de Arroios


« Tive o gosto de vêr junto à sacristia a capela da Senhora da Piedade, onde se guarda o notável cruzeiro de Arroios, que el-rei D. João III mandou erigir naquele mesmo largo, então campo, e que em Fevereiro de 1837 a vereação lisbonense deitou abaixo, por motivos de alcance tão transcendente, que ninguém os atingiu. Botar abaixo, é o prazer de certa gente. Em 6 de Fevereiro de 1848 foi esse cruzeiro, com a senhora da Piedade e São Vicente, colocado no sítio onde se acha agora na referida capela interior.»


Júlio de Castilho, Lisboa Antiga. Bairros Orientais, 2ª ed., Vol. VIII, Lisboa, S. Industriais da C.M.L., 1937, pp. 231-232.



Cruzeiro de Arroios
na antiga igreja de S. Jorge
Cruzeiro de Arroios Cruzeiro de Arroios (E. Portugal, 193...)
 1 - Face para o lado do altar-mor  2 - Face para o lado do guarda-vento
Clichés de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 


 O cruzeiro é uma homenagem de D. João III e do senado da Câmara à memória da Rainha Santa Isabel, medianeira das pazes entre D. Afonso IV e D. Dinis prestes a entrarem em batalha no campo de Alvalade. É obra dum escultor portuense cujo nome se perdeu e apresenta numa face Cristo Crucificado; na outra, N. Senhora da Piedade com Jesus descido da Cruz no regaço e, por baixo, S. Vicente segurando a nau e os corvos numa mão e a palma do martírio na outra. Foi primeiramente erigido no largo, resguardado por uma cobertura em pirâmide assente em quatro pilares de cantaria, donde foi retirado em 1837 sem motivo (reflexo antecipado da Revolução de Setembro?) como nos dá conta o mestre Júlio de Castilho. Em 1895 a paroquial de S. Jorge de Arroios recebeu obras e o cruzeiro passou da sacristia para o corpo do templo. Pode o benévolo leitor admirá-lo hoje no adro coberto da novíssima igreja de Arroios.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Eça de Queiroz já tinha avisado...

O Eça já tinha avisado


(Lembrança da D.ª C.C. recebida com ligeiríssimo atraso.)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Qual é o espanto?!

 Anda aí a gente mui espantada com o saneamento da jornalista Manuela Guedes. Alguém esperava, com duas eleições na agenda, que ela continuasse em roda livre naquela onda como se nada houvesse? E ainda ouvi alguns intrigados aquando da saída do José Moniz - que era o Benfica, e mais isto e aquilo... Intrigantes serão talvez os esqueletos do armário que lhe agitaram para o convencer. O resto estava no guião.

 Seja como for não se perde nada que prestasse, mas que o caso, nas várias vertentes, não prenuncia nada de bom, lá isso também não.



Colectores de esgoto, Lisboa (G. Dussaud, 1993)

Colectores de esgotos, Lisboa, 1993.

Georges Dussaud, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
 

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Fumaça

 Ia dizer aqui dessa gente prenhe do enorme pouca-terra e que não administra uns tostões a uma reles cancela numa passagem de nível ordinária. Vem o caso aqui melhor circunstanciado. Completo apenas sugerindo aos tratantes do T.G.V. que arrolem agora os mortos do desastre em 'saldo de vítimas' (como com toda a excelência saberão pôr) e que o lancem ao depois na contabilidade do Grande Vitesse, que é para verem a mancha de sangue no proveito que tirarem da negociata em que agora se perdem.


Máquina a vapor, Estação de Campolide, [s.d.].
Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Piruças

Piru%E7as9.jpg



A Janja, a neta da vizinha Vicência teve uma vez um cão muito dócil e bem comportado chamado Piruças. Sempre achei o nome bem escolhido, mas se fosse hoje talvez lhe pudesse também pôr George.



(Piruças/George figurado por Tobias, in Pregos no Prato, 12/1/2009.)

Das transmissões

F. GeorgePiruças

 O dia 1 de Setembro é o fim oficial da Silly Season e o regresso à vida. O sr. D.G.S. não perdeu tempo e à laia de rentrée da gripe pandémica lá publicitou a arenga: este mês hão-de ser 11% os constipados pandémicos (as constipações normais não contam, portanto). Depois explicou muito doutamente que é agora que vamos chegar à fase em que a transmissão se dará entre a comunidade...

 - Está muito bem posto! Bem me estava a parecer que até agora a gripe pandémica se tem transmitido sim, mas só através televisão. Assim já se entende como uma gripe, antes de haver surto, seja logo pandémica. Ora veja lá o benévolo leitor quantas pessoas conhecidas tem contagiadas com gripe porcina.

Refugiados

 Após a ofensiva ocidental na Primavera de 1940 Lisboa serviu de abrigo e escala aos refugiados da Europa ocupada, a caminho da América. - Hoje vêm de lá e parece que são escolhidos por concurso...
 A Alemanha invadiu a Polónia em 1 de Setembro de 1939. Faz 70 anos.

Chegada de Refugiados
Fotografia: Fototeca do palácio Foz. Arquivo «O Século».
 In J. Mattoso [dir], História de Portugal, vol. VII, Círculo de Leitores, [Lisboa], imp. 1994, p. 309.