Anteontem, (vi por acaso ontem o resumo, não estava a par) o primeiro ministro de Portugal prestou preito e homenagem a um chocarreiro em directo pela TV e em horário nobre. Com tão baixo controlo de emoções como lhe é conhecido, pôr-se a jeito assim à chacota é no mínimo mau aviso, para não dizer falta de inteligência. Mas descartando o despropósito, não mandaria o protocolo de Estado que fosse antes o chocarreiro a S. Bento? E não mandaria a dignidade do alto cargo, dado o motivo ser chacota, que nem passasse o chocarreiro a soleira da porta? Noutro tempo, é sabido, tinham os grandes senhores bobos na sua corte; hoje, em nome sabe-se lá de quê, mais parece que são os bobos a ter grandes senhores como vassalos (a maledicência pode ir longe). Como longe vai a suserania da comunicação social sobre os governos, mormente quando por agentes lhe bastam uns truões petulantes e sem graça.
Ontem lá estava também a matrona Ferreira Leite (que lá terá a mesma precedência que o chocarreiro no protocolo de Estado). Dominou-o airosamente e não admira. Se era para fazer pouco, fez ela bem em exigir previamente as perguntas.
Presidente Carmona, Salazar, ministros e chefias militares (antecedidos, julgo, pelo chefe de protocolo), Lisboa, [s.d.].
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G.
Se calhar, a democracia à portuguesa, é apenas isso. E ainda há quem ache os bilhetes para o circo caros...
ResponderEliminarA.v.o.
A democracia parece-me boa para os gregos. Isto aqui é outra coisa que nem sei dizer o nome.
ResponderEliminarCumpts.
É o país dos argumentistas/protagonistas palhaços! :-x
ResponderEliminarAbraço
É só palhaçada. O país há muito que acabou.
ResponderEliminarCumpts.