« Tive o gosto de vêr junto à sacristia a capela da Senhora da Piedade, onde se guarda o notável cruzeiro de Arroios, que el-rei D. João III mandou erigir naquele mesmo largo, então campo, e que em Fevereiro de 1837 a vereação lisbonense deitou abaixo, por motivos de alcance tão transcendente, que ninguém os atingiu. Botar abaixo, é o prazer de certa gente. Em 6 de Fevereiro de 1848 foi esse cruzeiro, com a senhora da Piedade e São Vicente, colocado no sítio onde se acha agora na referida capela interior.»
Júlio de Castilho, Lisboa Antiga. Bairros Orientais, 2ª ed., Vol. VIII, Lisboa, S. Industriais da C.M.L., 1937, pp. 231-232.
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| 1 - Face para o lado do altar-mor | 2 - Face para o lado do guarda-vento |
| Clichés de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L. | |
O cruzeiro é uma homenagem de D. João III e do senado da Câmara à memória da Rainha Santa Isabel, medianeira das pazes entre D. Afonso IV e D. Dinis prestes a entrarem em batalha no campo de Alvalade. É obra dum escultor portuense cujo nome se perdeu e apresenta numa face Cristo Crucificado; na outra, N. Senhora da Piedade com Jesus descido da Cruz no regaço e, por baixo, S. Vicente segurando a nau e os corvos numa mão e a palma do martírio na outra. Foi primeiramente erigido no largo, resguardado por uma cobertura em pirâmide assente em quatro pilares de cantaria, donde foi retirado em 1837 sem motivo (reflexo antecipado da Revolução de Setembro?) como nos dá conta o mestre Júlio de Castilho. Em 1895 a paroquial de S. Jorge de Arroios recebeu obras e o cruzeiro passou da sacristia para o corpo do templo. Pode o benévolo leitor admirá-lo hoje no adro coberto da novíssima igreja de Arroios.


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