Gerry Rafferty - Baker Street
(1978)
As obras de prolongamento do metropolitano ditam que a partir do dia 31 de Maio de 1960 (terça-feira) o autocarro 2 passe a circular provisoriamente por uma ponte metálica no Rossio (sentido Restauradores).
A ponte metálica foi removida em 27 de Julho de 1960, quarta-feira.
Autocarro 2, Rossio, 1960.
Fotografia: autor não identificado, publicada por Phill Trotter.
Em duas vezes que vou ao super noto que dão esta cantiga. Fixei esta, que tem para cima de 20 anos e até aprecio, mas mais nenhuma. Ponho-a agora a dar aqui, que assim quando lá for daqui nada, já vou preparado...
Costumavam comparar esta cançonetista à Suzanne Vega naquele tempo. Depois nunca mais se ouviu.
Edie Brickell & The New Bohemians - What I Am
Procurou-me particularmente a prezada autora do blogo Lisboa (autora também do Fadocravo) se lhe identificava eu uma casa interessante, ao fundo da Rua Correia Garção. Aventou ela — e também me pareceu que sim, que pudesse ser — se a enorme chaminé denunciaria ali alguma velha fábrica. Pois sei agora tratar-se da velha Cozinha Económica n.º 6, instituída, segundo Norberto Araújo, depois de 1897:
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Sociedade Protectora das Cozinhas Económicas de Lisboa, Cozinha n.º 6, Rua de São Bento / Tr. da Arrochela, [1898-1908].
Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Tem-me sido pedida por vezes a publicação aqui de anúncios vários, normalmente iniciativas cujo tema é Lisboa, por entenderem os benévolos leitores - e com certa razão, admito - que é mais para aí que o blogo está virado. Honra-me acharem este pobre espaço rádio-eléctrico onde vou passajando algumas ideias capaz de anunciar com eficácia o que quer que seja. Agradeço essa boa conta embora por norma não aceda a este tipo de pedidos - não por desprezo, notai, muito pelo contrário - apenas porque entendo o cânone do blogo como de uso meramente particular. Abro, todavia, hoje uma excepção.

O Concurso de Fotografia de Primavera é um concurso sazonal organizado pelo Núcleo de Arte Fotográfica do Instituto Superior Técnico (N.A.F.) e pretende fomentar o gosto pela fotografia como arte. O Concurso consiste em fazer um conjunto de 3 fotografias, a cores ou a preto e branco, captadas com câmara analógica ou digital, que dêem significado ao tema proposto e que constituam um conjunto equilibrado e estimulante do ponto de vista estético. Saiba mais aqui.
Os que se embucham de cidadãos e arrotam democracia que mandem, pois, lá como entendem. Eu por mim desisto. Confesso até aliviado que lhes agradeço o público frete. E mais lhes agradeço ainda o papel que me reservaram para o boletim de voto. A coisa, como está, não é para menos.
Rossio-Renova, Lisboa, 2009.
In Cidadania LX.
[Conselho do Infante D. Henrique] (*)
« [...] Por começo deste conselho é de saber que as fins (1) desta vida som postas em salvar alma; em honra da pessoa, nome, linhagem, naçom; e em alegrar o corpo; e a derradeira em haver gança temporal (2). |
Infante D. Henrique, duque de Vizeu C. Legrand, Lisboa, 1841 Litografia, 28cm x 21cm, B.N.L.. |
Notas: |
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Na comissão de quadrilhice parlamentar de ontem deu-me ideia que Oliveira Costa era uma raposa rodeada de lobos. Acho as raposas predadores menos desenxabidos que os lobos. E quem sabe menos vorazes...
Capitalista, in schoolnet.gov.mt
O jornalista Camilo dizia às 9h20 no Rádio Clube que o Benfica, em comunicado à C.M.V.M., não fazia tenção de rescindir unilateralmente o contrato com o treinador Quico. Frisava a subtileza da linguagem: unilateralmente indicia que as partes estão a negociar, não é como dizem nos noticiários, que o Quico vai permanecer no Benfica.
Ás 9h30 o noticiário do Rádio Clube afirmava peremptoriamente, com base no mesmo comunicado à C.M.V.M., que o Quico se manteria no Benfica.
É evidente que quem escreve as notícias tem uma dificuldade enorme com a linguagem.
(Imagem da redacção do Jornalinho nos Desenhos Animados.)
Vilancico anónimo sobre um labrego que guardava um bando de gansos e se julgava um grande campino. O castelhano é do tempo de Isabel a Católica. Não confundais com certa algaraviada ouvida há dias em Valência.
Anónimo - Rodrigo Martinez
(Cancioneiro Musical do Palácio - 1505-1520)
Rodrigo Martinez,
A las ánsares ¡Ahe!
Pensando qu'eran vacas
Silvávalas ¡He!
Rodrigo Martinez,
Atán garrido,
Los tus ansarinos
Liévalos el río ¡Ahe!
Pensando qu'eran vacas
Silvávalas. ¡He!
Rodrigo Martinez,
Atán loçano,
Los tus ansarinos
Liévalos el vado, ¡Ahe!
Pensando qu'eran vacas
Silvávalas. ¡He!
[ Rodrigo Martinez,
Atán discreto,
Los tus ansarinos
Liévalos el viento, ¡Ahe!
Pensando qu'eran vacas
Silvávalas. ¡He! ]
Fontes: F. Nordberg, musicaviva.com.
A maximização da envolvente e a optimização sustentável dos espaços interiores reunidos num projecto de excelência.
Av. da República, 73, Lisboa, 1970.
Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Ainda a série dos carniceiros de arquitectura. Não longe da esquina NO da Miguel Bombarda. Actualmente o nº 81 é precisamente o que faz esquina - onde se encosta o escadote das obras, na fotografia - mas houve ali emparcelamentos; o n.º 79 hoje não existe.
A imagem do nicho, se algum santo lhe valeu, pode ter acabado nalgum antiquário. O mesmo para os azulejos.
Avenida Cinco de Outubro, 81 [ou 83], Lisboa, 1961.
Adaptado de Arnaldo Madureira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Da série dos carniceiros de arquitectura.
Avenida Elias Garcia, 18, Lisboa, 1966.
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Avenida Elias Garcia, 18, Lisboa, 1961.
Adaptado de Arnaldo Madureira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
| Nos primórdios das Avenidas Novas achava-se que os prédios de rendimento as desvirtuavam. Rasgadas em quarteirões como boulevards mandaria o bom gosto que se delas arredasse o mal amado prédio de rendimento. Lisboa havia de respirar o luxo e o requinte duma cidade civilizada. A instituição do prémio Valmor foi para isso, embora a edificação dos lotes tenha acabado por reflectir essencialmente a condição económica e estética dos proprietários. Na verdade ainda é hoje isso que se passa: são sobre todas as coisas os limites - e que limites - económicos e estéticos dos actuais proprietários dos prédios que ditam as avenidas que estamos tendo. Se em tempo se não evitou que o desgraçado prédio de rendimento se edificasse nas avenidas, menos mal que ainda assim muitíssimos exemplares edificados assimilaram a estética pretendida: cinco andares rematados com piso de mansarda, com mais ou menos elementos decorativos de requinte nas fachadas e interiores. E no que deu?!... Visto daqui nada ilustra mais a fantasmagoria de Lisboa que o fado do prédio de rendimento; sobranceiramente desprezado no final de oitocentos pelo gosto do luxo ecléctico das moradias unifamiliares com cercados de jardim e fachadas de postal ilustrado que se impunham a uma cidade civilizada, acaba aviltado na pior ruína pelo canibalismo imobiliário e arquitectónico que campeia infrene. O prédio de rendimento significa vizinhos e uma cidade começa por ser a gente que nela mora; mas uma cidade que se traga assim à dentada e cospe habitantes como caroços só pode dar em assombração. Ora vede lá se não é no que Lisboa deu?!... Av. da República, 67. Prédio para demolir, Lisboa, 1970. Adaptado de Nuno Barros Roque da Silveira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. |
É na esquina NE da Barbosa du Bocage...
Av. da República, 50. Edifício já demolido, Lisboa, 1970.
Adaptado de Nuno Barros Roque da Silveira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Tinha aqui na agenda para pôr cá uma carrada de séries de TV. Não estou certo se era para pôr só as que causa embaraço dizer (segundo a Margarida) ou se era para dizer as sérias (critério, parece-me, da Luísa). Vai daí misturei tudo. A ordem por que as ponho não é arbitrária, é só mais ou menos. Escolhi umas que vi nos anos 70 e do que aí fica percebe-se o fraco gosto: cowboyadas do faroeste, cowboyadas de policias e ladrões; filmes de alemães contra os aliados; aventuras no mar, no ar e aos saltos... Assaz ecléctico!...
| Os Pequenos Vagabundos | A mais fabulosa e memorável. Revi-a em DVD com satisfação. |
| Bonanza | Igualmente memorável. Dava ao sábado à tarde; no fim de cada episódio a garotada da rua juntava-se por baixo da minha janela para irmos reinar aos cowboys para as terras; os mais abonados tinham pistolas de fulminantes e cinturão com coldre; havia um – o Zezinho, acho - que tinha uma espingarda de madeira muito bem talhada pelo pai; cada um escolhia um nome – todos queriam ser o Joe ou o Bonanza mas nenhum queria ser o Hoss porque era gordo. |
| Espaço 1999 | Foi fascinante. Revê-la é uma desilusão. Nos intervalos do recreio na 3ª ou na 4ª classe brincávamos ao Espaço; deixavam-me ser o comandante Koenig nem sei porquê. (Já não me lembro quem era a Helena…) |
| Sandokan | Foram seis episódios, soube a pouco. No fim a Mariana morre - toda a gente comentava isso lá na rua - uma tristeza. Havia um português amigo do Sandokan – Yanez de Gomera – com um nome sintomaticamente… galego?!… |
| As Ilhas Perdidas | Uns miúdos náufragos dum grande veleiro foram dar a umas ilhas perdidas no tempo, governadas por um tirano que sobrevivia desde o séc. XVIII. Não me lembro se chegaram a escapar das ilhas perdidas. |
| Skippy | Ou Skip, que era mais fácil de eu dizer. Era um canguru engraçado, mas aquilo a que eu achava mais graça era ao helicóptero. |
| Robinson Crusoé | Tenho uma vaga ideia que houve uma série ou um filme em dois episódios. Ou ambos. Logo em pequeno dei em gostar de aventuras trágico-marítimas. Acho que dava ao fim-de-semana, mas podia ter sido à sexta-feira… |
| McCloud | Era um detective de chapéu e pistolão à cowboy. Não me lembro de mais, além de que em acabando a série ele passou a dar o Colombo. Ou foi o Casal McMillan…? |
| Columbo | Eu chamava-lhe Colombo. O meu pai nem isso: chamava-lhe porco sujo. Aquela gabardina sebenta e amarrotada... |
| Colditz | Um castelo-prisão alemão na II Grande Guerra cheio de prisioneiros ingleses (não sei se havia franceses) donde era impossível fugir. |
| Miguel Strogoff | Ele afinal não ficara cego... |
| Baretta | Era um detective que dava tiros e apanhava bandidos… E tinha uma catatua. |
| Ling Chung, o Justiceiro | De Liang Chang Po. O Cautchú (ou Kao Chu) era mesmo mau, e difícil de caçar, o que se tornava um aborrecimento. Apesar disso e da estranha dobragem – que em criança me não dei conta – apreciava ver. Hoje não sei. |
| Os Quatro Blindados e o seu Cão | Aventuras contra os nazis duns soldados polacos com um tanque de guerra e um pastor alemão. Era o que havia em 75. |
| … | Uma série inglesa da Grande Guerra de 14 que não me lembra o nome; os ingleses tinham uns biplanos que voavam com uma tripulação de dois - um piloto e um observador artilheiro miseravelmente armado com uma Mauser - enquanto os alemães tinham o Barão Vermelho e uns aviões sofisticadíssimos com metralhadoras sincronizadas com as pás da hélice. Depois os ingleses também chegaram lá... O título acho que tinha a palavra 'céu'. |
« Tenho vindo a fazer o levantamento dos trabalhos de arquitectura de Ventura Terra há já 4 anos. Tarefa extremamente dificultada pela ausência de espólio de arquitecto. E este edifício é, na minha opinião, um dos que melhor caracteriza o seu trabalho. Tem um átrio de entrada e uma escadaria interior em caracol simplesmente lindíssimos.
Quando soube da sua demolição fiquei mesmo muito triste e desiludida. O edifício não está em tão mau estado que tenha que ser desventrado! Era uma questão de se preservar pelo menos uma parte do seu interior.
Mas claro, os arquitectos parolos, responsáveis pela mortandade na arquitectura das avenidas novas, não têm, como há muito sabemos, qualquer sentido estético, para não dizer histórico!
E a Câmara Municipal, com muito orgulho na sua campanha de "carimbar" edifícios com o seu "APROVADO", ainda acha que está a fazer um imenso favor à cidade!
Carniceiros da arquitectura! »Comentário de Isabel Marques em 21/5/2009 às 15:37.
Antes de passar adiante, tome o bénevolo leitor a última frase do comentário e note o palacete, ao fundo, já no quarteirão a seguir. É na esquina NE da Barbosa du Bocage com a Av. da República...
À estimada Isabel Marques, caso venha a publicar o levantamento, por favor dê-nos notícia.
Av. Elias Garcia, 62, Lisboa, 1970.
Artur Inácio Bastos, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Logo agora uma destas?!... Quando finalmente a escola socrática labora em pleno vapor potenciando especializadíssimas licenciaturas de rotundas rodoviárias, de entrançador de cabelos, caixa de supermercado...
Vede só os doutores que se deitam a perder...
O famoso «galheteiro» do Rossio, que não teve sequência como monumento, dá-a agora melhor a um verbete falhado...
Albumina de Amédée Lemaire de Ternante. Lisboa, 1858.
Colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior, © CPF ANTT/MC.
(Via Lisbon Revisited e Associação Portuguesa de Photographia.)
Do meu estimado amigo Fernando C. recebi o seguinte relato que merece aqui pública forma:
O B. I. da menina está a caducar. Renová-lo, não, isso é coisa de outro tempo! Vai ser premiada com o Cartão do Cidadão.
Onde se obtém? No Registo Civil.
Os "crescidos" vão lá... um dos "crescidos" já tinha perdido um dia de trabalho!
- Só damos 28 senhas por dia... (risos). Tente a Loja do Cidadão...
Feito, lá era... pior...
- Solução?
- Vir cedinho...
- Abrem às 09h00?
- Sim, mas tem de vir muuuuito antes!
Estou lá às 07h30, serei dos primeiros...
18 pessoas, as primeiras desde as 05h00, na rua! Esperam "os crescidos" na rua de um país cujas coordenadas serão tropicais...
08h30; surge uma trabalhadora!
- Entrem para aqui (um vão antecedendo a entrada), MAS NÃO FALEM.
Os "utentes" (termo zoológico para cidadãos) acatam.
09h05, a tão almejada senha!
- Queira dizer-me, a menina está na escola, quando devo trazê-la?
- Não sei, vá telefonando!
Uma hora e meia depois:
- Já atendemos três...
No Outono votaremos todos por um Cartão do Cidadão, não tanto do "utente"...
É só um desabafo
do Fernando C.
P. S.: Daqui por um mês estará pronto...
O caixoteiro da J.P. Sá Couto arranjou um part-time. Trabalha agora ao fim de semana promovendo o nicho de mercado das universidades light. Foi uma novíssima oportunidade que lhe surgiu porque - nem de propósito - o Ministério da Educação calhou mandar abrir uma escola ao domingo para certificação solene de cristãos-novos.
No início do seu reinado ordenou el-rei D. Manuel I que juntassem quantos judeus se pudesse no Terreiro do Paço, em Lisboa, e que se lhes deitasse uns baldes de água benta por cima para baptizá-los a todos com o 12.º ano. Com as novas qualificações obtidas, os cristãos-novos abriram uma manufactura de alheiras.
(Imagem da Cozinha com Alma.)
« Durante a construção, em 1697, ficou célebre a história do ataque ao estaleiro das obras por um corsário que capturou Winstanley [que o estava a construir] e o entregou aos franceses, então em guerra com a Inglaterra. Ao saber do incidente, furioso, Louis XIV prontamente o devolveu ao outro lado do canal, clamando que a sua guerra era com a Inglaterra, não com a humanidade.»
In Funes, el Memorioso, Faróis de Domingo; Eddystone Lighthouse.
Farol de Eddystone, elevação sul
In Smeaton, John (1724-1792),
A Narrative of the building and a description of the construction of the Eddystone Lighthouse
with stone. London: Printed for the author by H. Hughs, 1791.
Acordei esta manhã embalado por um eco longínquo — a senhora ligara a telefonia enquanto as torradas não saltavam. Devo ter levado um instante naquela vaga noção — vós sabeis — donde estava e qual cantiga era aquela.
— Ah! pois era... era o Souvenir.
Veio-me que o estranho nome dos Orchestral Manouvers in the Dark me tinha despertado a curiosidade, há muitos anos, quando pela primeira vez ouvi deles, precisamente porque fazia sentido com a primeira canção que editaram: Electricity.
Je me souviens... desse tempo, de ter comentado isso da minha janela para o Pedro, que costumava estar no quintal da avó: — Aqueles fizeram uma cantiga sobre electricidade porque andavam às escuras.
Hoje, com tantos anos passados, orquestrar manobras no escuro não daria azo a uma interpretação tão... linear.
Orchestral Manoeuvres In The Dark - Souvenir
(1981)
O jornalista Osório ufanava-se por alguma razão hoje de manhã do título de primeira página do Público. O título é tudo menos notícia. Exprime uma dúvida só muito remotamente ligada ao que sucede e que, isso sim, seria notícia: a visita do primeiro ministro á Madeira.
É sabido comummente que jornais como o Público - ditos de referência - abdicam de noticiar factos e optam pela conversa fiada que lhes condicionantemente brota aos borbotões das agências de informação. É isto, cuido, a referência que qualifica o Público e afins: uma ponderada e nada ao acaso agenda mediática. Quem na faz e com que propósito tem muito que se lhe diga. Claro que deve condimentar-se a preceito com prosa alegre e espirituosa. E bonecos giros...
Pois, assim sendo, deixemos então de notícias sérias e fiquemo-nos pela conversa espirituosa: — Não acha o benévolo leitor que se devia Portugal tornar independente da Madeira?
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Notas:
Edifício de habitação na Avenida da República, n.º 46, Lisboa, Nossa Senhora de Fátima; projecto de construção do arq.º Miguel Ventura Terra, 1906. Fotografias antigas de Alberto Carlos Lima, c. 1910 (fachada poente); Nuno Barros Roque da Silveira, 1972 (frisos de azulejo), as três do Arquivo Fotográfico da C.M.L.. Fotografia actual: Bic Laranja, 2009.
(Texto revisto em 3/8/09 a ¼ para as 6h00 da tarde.)
Este prédio é na esquina da Casal Ribeiro com a Almirante Barroso. Já aqui me referi a ele e ao seu lastimoso estado. Outros o fizeram. As telhas foram retiradas, os frisos de azulejo roubados, as janelas escancaradas aos elementos; parace tão óbvio o propósito de derreter este prédio que nem faz sentido terem-no entaipado. Mas de pouco serve. Vedes o rombo aberto na porta entaipada? A fotografia é de há um ano e percebe-se nela que a porta do prédio por trás do tijolo estava fechada. Apercebi-me hoje, que por lá passei, que já não está; qualquer vagabundo que se meta naquele buraco tem entrada franca no prédio. Oxalá me engane, mas com o Verão avizinhando-se é muito possível que ainda as férias me sejam sobressaltadas com a notícia dalgum incêndio na Estefânia. Como no ano passado...
Oxalá me engane!...
Alguém que muito prezo comentava-me hoje:
- Sabe você aquelas pessoas que vivem na cidade e que têm uma varanda? Então plantam umas sementes num vaso e quando elas dão uma flor ficam muito contentes.
- !...
Vista da serra de Sintra tomada da E.N. 249 (ou Rua Elias Garcia) no Rio de Mouro velho. Distingue-se à esquerda, na estrada que atravessa o lugar, a casa da Associação Protectora da Meninas Pobres. O painel de azulejos que lá vislumbro desta curva do caminho é diferente do que há tempo lá fotografei e que, do que lá se lia indicava que fora lá posto em 1959. Esta fotografia deve, pois, ser anterior a isso.
Vista da serra de Sintra, Rio de Mouro, ante 1959.
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G..

No caso Freeport ninguém deve ser culpado de gripe A até prova que sim em sede própria. No caso dos constipados do Porto, consideram-se culpados de gripe A e condenados a internamento até prova que não.
(Ilustração de Eliane Duvekot.)
Uma é a dupla tributação. O Imposto Único de Circulação não é único nem é de circulação: aplica-se; 1) a todo o veículo que ocupe a via pública, quer circule quer não; e 2) no feudo da E.M.E.L. os habitantes pagam uma sobretaxa anual de € 6,00 a título de emolumentos cartão residente (assim mesmo, sem preposições). Se isto não são duas rendas ao município para ter um carro na rua…
Outra é: para pagar a taxazinha da E.M.E.L. esta exige apresentação de carta de condução, certificado de matrícula do carro e, imaginai, comprovativo de morada; não basta nós dizermos – não somos de fiar; não basta dizer na carta de condução e no certificado de matrícula do veículo. Nada disso. A Ex.ma E.M.E.L. exige que se corrobore o que dizem dois documentos emitidos pela administração pública com, por ex., … uma factura da TV Cabo.
Parque de estacionamento nas terras do antigo Casal do Sola, Rua de Campolide, 1997.
Michel Waldmann, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Primeiro era a dos porcos - ou suína, para ser mais exacto. Mas não havia mal em comer torresmos. Nem os porcos eram contagiosos. Só as pessoas. Então passou a ser a — ou A, para ser mais exacto. Afinal, parecia que não tinha nada que ver com porcos.
Hoje um porco engripou-se com uma pessoa.
Talvez, ao cabo e ao resto, sempre seja dos porcos — como dantes era dos patos. Tal como à Primavera se sucede o Verão…
Porky Pig e Daffy Duck — My Favourite Duck
Ouvi hoje na telefonia uma arenga publicitária da Estradas de Portugal, S.A.. Propunha-se vender-me a C.R.I.L..
Que os impostos financiem estradas não me merece reparo. Mas aborrece-me que sirvam para marketing eleiçoeiro bem pouco velado. Menos mal sofreria eu a falta de respeito — que de gente grossa se trata. O mais grave é sofrer uma administração tão triunfantemente perdulária.

E.N. 233, Rib.ª do Vale d' Urso, 2005.
Manuel, in H-Gasolim Ultramarino.
O prof. Marcelo abriu com o Vital Moreira: - "Em democracia não há lugar ao insulto ou à agressão" - foi mais ou menos a primeira coisa que disse. Dantes tratava-se isto de ter (ou não) maneiras - uma questão de educação, independentemente de regimes políticos. Agora, em democracia, não só há lugar (como em qualquer sociedade) a má educação e a traulitada, como os trauliteiros têm direito a voto.
(Imagem da R.T.P..)
Quinta da Imagem, Arroios, 1858-1910.
Cartas: Filipe Folque, Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, 1858 (excerto da pl. 13); Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911 (excerto da planta 11 J). Arquivo do Arco do Cego da C.M.L..
« Em 1889, quando Mestre Castilho escrevia a sua Lisboa Antiga, a quinta da Imagem ainda ensombrava o sítio: « Há — diz ele — na esquina sul desta travessa (Caracol da Penha) para a rua de Arroios uma pequena casa, de mesquinha aparência, em cujo cunhal se vê um nicho, hoje tapado, mas que antigamente tinha por habitante não sei que santo ou santa, com o indispensável pingente da sua lanterninha. Chamava-se por causa dele, ao sítio, o Nicho da Imagem.» (Bairros Orientais, 2ª ed., vol. IX, p. 165).
A propriedade rústica foi primeiro classificada como horta, depois como quinta, e por fim misturou-se o rústico com o urbano e passaram a chamar-lhe Vila Imagem, segundo vimos num registo da 1.ª Conservatória Predial. Em 1879 era «uma horta situada na travessa do Caracol da Penha n.os 1 e 3, da freguesia de S. Jorge (de Arroios). O n.º 3 era uma rua de parreiras[1] sobre pilares de pedra em direcção à casa de habitação[2] que constava de lojas com sobrados, e contíguo um telheiro[3] e uma casa separada ao sul da horta[4] com um assento de barracas que servem de oficinas, tudo em mau estado». Tinha poço[5] com engenho real, tanque, almácega[6], algumas ruas de parreiras sobre esteios de madeira, chão de semeadura, um pequeno olival e em redor da horta, que era toda murada, um renque de oliveiras[7]. Na frente da casa, da tal casa que nos fala Castilho, havia um pequeno jardim[8] (Liv. B 17, f. 193v. – 1.ª Conservatória).
A quem pertencia ela então? Não sabemos; mas em 1887 pertencia a Júlio Dolbeth [ou Dolbelth] que lá morava e que nesse ano deliberou vender a propriedade. É então que por escritura de 24 de Agosto a quinta da Imagem passa para a posse de João Marques da Silva pelo preço de 13 000$000 réis (Liv. G7, f. 116v. – idem). Este comerciante e proprietário, deu assim o primeiro passo para que o seu nome ficasse gravado, através dos tempos, nos cunhais duma artéria da capital...
Hoje, claro está, nem a casinha com o nicho nem a quinta, lá estão. Tudo isso foi engulido pela rua António Pedro e pelos edifícios que por ali, desde a rua de Arroios até à avenida Almirante Reis, se fizeram. De resto, o aspecto rústico da íngreme serventia desapareceu quási por completo. Só lá ao cimo [da Rua Marques da Silva], num dos cotovelos que forma, existe um desmantelado portão com ar de fora de portas que dá ingresso a uma quinta, ou talvez melhor, a uns terrenos que foram quinta. Tem esse portão as letras G. J. e a propriedade chamou-se — o leitor desculpe — Quinta do Cagaçal, nome por que aqueles terrenos ainda são conhecidos.
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Há pouco tempo, no dia 22 de Fevereiro de 1937, faleceu na casa n.º 81, onde morava, o antigo governador Civil de Lisboa, António Miguel de Sousa Fernandes.»
Luiz Pastor de Macedo, Lisboa de Lés-a-Lés, vol. IV, Pub. Culturais da C.M.L., Lisboa, 1968, pp. 58-59.
O pormenor da descrição acerta-se com o levantamento topográfico de Filipe Folque em 1858. Importa aqui completar a legenda; os caminhos existentes em 1858 na área representada nos mapas decifram-se: A) Rua de Arroios; B) Caracol da Penha, no eixo da actual Av. Almirante Reis e; C) Caminho da Cruz do Tabuado ou Rua Aquiles Monteverde, que parte da esquina SO do Largo de Arroios.
A quinta da Imagem tinha uma planta em L invertido, cuja base acompanhava pelo norte o Caracol da Penha, estendendo-se da Rua de Arroios até altura daquilo que é hoje a Rua Francisco Sanches; no seu talhão mais oriental (a haste do L) prolongava-se até quase ao início da Rua Pascoal de Melo, abarcando todo o quarteirão da actual Av. Almirante Reis oposto à Portugália. Passando o cursor do rato sobre as cartas pode o benévolo leitor perceber o como se sobrepuseram os arruamentos modernos aos terrenos da quinta.
No arquivo do Arco do Cego existe um Prospecto do muro que Júlio Dolbelth pretende reedificar e embelezar na quinta da Imagem, sita na travessa do Caracol da Penha de França nº 1 e 3, fazendo frente para a rua Direita de Arroios, freguesia de S. Jorge em Arroios. O documento, que seria curioso consultar, é de 1875 e indica que o muro da quinta estaria por essa altura em ruínas, se é que existia — admitamos que os melhoramentos autorizados em 1859 no Caracol da Penha podem ter sacrificado o muro da quinta. Desconheço agora se Júlio Dolbelth (ou Dolbeth) chegou a reedificar o muro. Se o fez foi em vão. A intenção da Câmara de urbanizar as quintas de Arroios pode tê-lo motivado antes à venda da quinta em 1887. Marques da Silva, que lha comprou como já vimos por 13 contos de réis, era um comerciante sem apego à propriedade.
O sacrifício dum bom talhão da quinta em favor do troço inferior do Caracol da Penha é notório ao compararmos o mapa de 1858 com o de 1910 - foi quase até à rua de parreiras. Pouco se terá importado Marques da Silva; recebeu em troca o nome na rua como benemérito e pôde, conjecturo eu, lotear a quinta: um quarteirão inteiro a nascente da nova avenida mais uns lotes na rua que recebeu o seu nome, com espaço suficiente para um chalet no lugar exacto onde estivera o tanque da velha quinta (na esquina SE do quarteirão da Portugália). De certo — convém que o diga aqui ao benévolo leitor — sobre o que acabei de afirmar só sei que a quinta pertencia a Marques da Silva em 1891 quando a Câmara mandou mudar o nome ao Caracol da Penha. Se foi ao depois ele que a loteou não curei de saber. Mas a não ser certo é pelo menos verosímil. Já deitar-me a adivinhar o santo ou santa cuja imagem deu nome à quinta o seria menos.
Rua Marques da Silva, 3-5, Arroios, 1898-1908.
Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Quinta da Imagem, Arroios, 1858-1910.
Cartas: Filipe Folque, Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, 1858 (excerto da pl. 13); Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911 (excerto da planta 11 J). Arquivo do Arco do Cego da C.M.L..
« Em 1889, quando Mestre Castilho escrevia a sua Lisboa Antiga, a quinta da Imagem ainda ensombrava o sítio: « Há — diz ele — na esquina sul desta travessa (Caracol da Penha) para a rua de Arroios uma pequena casa, de mesquinha aparência, em cujo cunhal se vê um nicho, hoje tapado, mas que antigamente tinha por habitante não sei que santo ou santa, com o indispensável pingente da sua lanterninha. Chamava-se por causa dele, ao sítio, o Nicho da Imagem.» (Bairros Orientais, 2ª ed., vol. IX, p. 165).
A propriedade rústica foi primeiro classificada como horta, depois como quinta, e por fim misturou-se o rústico com o urbano e passaram a chamar-lhe Vila Imagem, segundo vimos num registo da 1.ª Conservatória Predial. Em 1879 era «uma horta situada na travessa do Caracol da Penha n.os 1 e 3, da freguesia de S. Jorge (de Arroios). O n.º 3 era uma rua de parreiras[1] sobre pilares de pedra em direcção à casa de habitação[2] que constava de lojas com sobrados, e contíguo um telheiro[3] e uma casa separada ao sul da horta[4] com um assento de barracas que servem de oficinas, tudo em mau estado». Tinha poço[5] com engenho real, tanque, almácega[6], algumas ruas de parreiras sobre esteios de madeira, chão de semeadura, um pequeno olival e em redor da horta, que era toda murada, um renque de oliveiras[7]. Na frente da casa, da tal casa que nos fala Castilho, havia um pequeno jardim[8] (Liv. B 17, f. 193v. – 1.ª Conservatória).
A quem pertencia ela então? Não sabemos; mas em 1887 pertencia a Júlio Dolbeth [ou Dolbelth] que lá morava e que nesse ano deliberou vender a propriedade. É então que por escritura de 24 de Agosto a quinta da Imagem passa para a posse de João Marques da Silva pelo preço de 13 000$000 réis (Liv. G7, f. 116v. – idem). Este comerciante e proprietário, deu assim o primeiro passo para que o seu nome ficasse gravado, através dos tempos, nos cunhais duma artéria da capital...
Hoje, claro está, nem a casinha com o nicho nem a quinta, lá estão. Tudo isso foi engulido pela rua António Pedro e pelos edifícios que por ali, desde a rua de Arroios até à avenida Almirante Reis, se fizeram. De resto, o aspecto rústico da íngreme serventia desapareceu quási por completo. Só lá ao cimo [da Rua Marques da Silva], num dos cotovelos que forma, existe um desmantelado portão com ar de fora de portas que dá ingresso a uma quinta, ou talvez melhor, a uns terrenos que foram quinta. Tem esse portão as letras G. J. e a propriedade chamou-se — o leitor desculpe — Quinta do Cagaçal, nome por que aqueles terrenos ainda são conhecidos.
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Há pouco tempo, no dia 22 de Fevereiro de 1937, faleceu na casa n.º 81, onde morava, o antigo governador Civil de Lisboa, António Miguel de Sousa Fernandes.»
Luiz Pastor de Macedo, Lisboa de Lés-a-Lés, vol. IV, Pub. Culturais da C.M.L., Lisboa, 1968, pp. 58-59.
O pormenor da descrição acerta-se com o levantamento topográfico de Filipe Folque em 1858. Importa aqui completar a legenda; os caminhos existentes em 1858 na área representada nos mapas decifram-se: A) Rua de Arroios; B) Caracol da Penha, no eixo da actual Av. Almirante Reis e; C) Caminho da Cruz do Tabuado ou Rua Aquiles Monteverde, que parte da esquina SO do Largo de Arroios.
A quinta da Imagem tinha uma planta em L invertido, cuja base acompanhava pelo norte o Caracol da Penha, estendendo-se da Rua de Arroios até altura daquilo que é hoje a Rua Francisco Sanches; no seu talhão mais oriental (a haste do L) prolongava-se até quase ao início da Rua Pascoal de Melo, abarcando todo o quarteirão da actual Av. Almirante Reis oposto à Portugália. Passando o cursor do rato sobre as cartas pode o benévolo leitor perceber o como se sobrepuseram os arruamentos modernos aos terrenos da quinta.
No arquivo do Arco do Cego existe um Prospecto do muro que Júlio Dolbelth pretende reedificar e embelezar na quinta da Imagem, sita na travessa do Caracol da Penha de França nº 1 e 3, fazendo frente para a rua Direita de Arroios, freguesia de S. Jorge em Arroios. O documento, que seria curioso consultar, é de 1875 e indica que o muro da quinta estaria por essa altura em ruínas, se é que existia — admitamos que os melhoramentos autorizados em 1859 no Caracol da Penha podem ter sacrificado o muro da quinta. Desconheço agora se Júlio Dolbelth (ou Dolbeth) chegou a reedificar o muro. Se o fez foi em vão. A intenção da Câmara de urbanizar as quintas de Arroios pode tê-lo motivado antes à venda da quinta em 1887. Marques da Silva, que lha comprou como já vimos por 13 contos de réis, era um comerciante sem apego à propriedade.
O sacrifício dum bom talhão da quinta em favor do troço inferior do Caracol da Penha é notório ao compararmos o mapa de 1858 com o de 1910 - foi quase até à rua de parreiras. Pouco se terá importado Marques da Silva; recebeu em troca o nome na rua como benemérito e pôde, conjecturo eu, lotear a quinta: um quarteirão inteiro a nascente da nova avenida mais uns lotes na rua que recebeu o seu nome, com espaço suficiente para um chalet no lugar exacto onde estivera o tanque da velha quinta (na esquina SE do quarteirão da Portugália). De certo — convém que o diga aqui ao benévolo leitor — sobre o que acabei de afirmar só sei que a quinta pertencia a Marques da Silva em 1891 quando a Câmara mandou mudar o nome ao Caracol da Penha. Se foi ao depois ele que a loteou não curei de saber. Mas a não ser certo é pelo menos verosímil. Já deitar-me a adivinhar o santo ou santa cuja imagem deu nome à quinta o seria menos.
Rua Marques da Silva, 3-5, Arroios, 1898-1908.
Arquivo Fotográfico da C.M.L..