« [...] Por começo deste conselho é de saber que as fins (1) desta vida som postas em salvar alma; em honra da pessoa, nome, linhagem, naçom; e em alegrar o corpo; e a derradeira em haver gança temporal (2). A primeira de salvar alma é pera fim finda porque é conjunta a Deus que é infindo e portanto se diz dos que em ela som em memória eternal som os justos, e é melhor fim que todas, e maior. A segunda é de honra da pessoa, nome, linhagem, naçom, e porquanto esta fim é de herança que fica de linhagem em linhagem, é fundada no ser do mundo e porque se espera ele muito durar; portanto esta fim é muito prezada por ser por seu nome, por sua linhagem e por sua naçom. E dizia Nosso Senhor Deus destes, se honrardes o padre e madre vivereis longamente sobre a terra. Honra [ao] padre e madre direitamente falando é quando o homem faz tais obras e feitos per que, se padre e linhagem e naçom som honrados, viverão longamente sobre a terra porque o seu nome fica atés à fim da terra. A 3ª de se alegrar é muito pequena fim porque a cada dia se perde, ca (3) certo é que comer, beber, dormir, cantar, rir, ver, ouvir, companhia de mulheres, casar, motejar, falar e assi todas outras cousas trazem cansaço e perdimento dela; e a velhice e dor bem lhas gastam e a morte acaba; e dizia Nosso Senhor Deus por esta que é assi como o lírio, que a sua frol é fermosa mais [i.e. mas] que logo desfalece; porém diz o apóstolo que a tenhamos assi [a alegria] como se a nom tivéssemos, que assi usemos dela. A iiij. [IV ou 4ª] que é de ganço temporal, esto nom se deve chamar fim [...] E os que querem delo [disso] fazer fim, dizia Nosso Senhor por eles que mais impossível cousa seria de irem ao paraíso que o camelo caber pelo fundo d' hũa agulha, e o cuidado do ganço logo deve ser conjunto a outra fim. E se a fim é boa, bom é o ganço; e se bem é, havido é; e se má fim requerem, mau é o ganço, empero (4) que bem havido seja, scilicet (5): hũ homem pediu hũa esmola para ajuntar dinheiro pera empeçar a seu imigo (6); por má ser a fim, todo a ela conjunto pera o ajudar a comprir sem justiça é mau e assi nom deve ser avido por fim [i.e. por objectivo] [...] » (7)
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 Infante D. Henrique, duque de Vizeu C. Legrand, Lisboa, 1841 Litografia, 28cm x 21cm, B.N.L.. |
Notas: (*) Em Estremoz, era de 1436 anos. (1) Fim era vocábulo do género feminino no séc. XV, tal como se mantém nos idiomas Castelhano ou Francês; o mesmo fenómeno sucede com mar. (2) Ganço, ganho, lucro terreno. (3) Porque. (4) Enquanto. (5) A saber. (6) Inimigo. (7) Livro dos Conselhos de El-Rei D. Duarte (edição diplomática), Estampa, Lisboa, 1982, pp. 116, 117. A pontuação e ortografia foram actualizadas excepto nos casos de pronúncia antiga.
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Sem comentários...
ResponderEliminar:)))
(embora o riso deva ser...amarelo....)
Não venho comentar este seu post, mas sim pedir-lhe o mail que já tive, mas perdi.
ResponderEliminarQueria muito que me ajudasse a identificar 2 prédios em Lisboa.
Obrigada!
Ora aqui tem: biclaranja[a]sapo.pt . Faça então favor de dizer!...
ResponderEliminarCumpts. :)
Bem amarelo, sim.
ResponderEliminarCumpts. :)
Outros tempos.
ResponderEliminarSem dúvida. Cumpts.
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