Sendo que havia pouca gente, havia todavia de haver alguma que ficasse no retrato.
Diante da Casa da Moeda quando as árvores eram pouco crescidas.

Av. Miguel Bombarda, Lisboa, anos 40.
Amadeu Ferrari, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Sendo que havia pouca gente, havia todavia de haver alguma que ficasse no retrato.
Diante da Casa da Moeda quando as árvores eram pouco crescidas.

Av. Miguel Bombarda, Lisboa, anos 40.
Amadeu Ferrari, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Isto é conjectura minha.
A Estrada dos Salgados cuido que partia defronte do cemitério de Benfica e seguia na direcção do lugar da Porcalhota. O seu troço inicial acompanhava o muro do cemitério e logo adiante cruzava a Estrada Militar. Neste velho troço não se levantaram prédios salvo o que se vê esventrado na segunda imagem; continua desimpedido e serve ainda de caminho às pessoas mas são hoje terras sem nome nas traseiras dos prédios das redondezas. O cruzamento com a estrada Militar faz-se agora no prolongamento da velha Calçada do Tojal, que é um tanto desviado.
Estrada dos Salgados, Benfica, 2008.
Estr. Militar no lugar do antigo cruzamento com a Estr. dos Salgados, Benfica, 2008.
Há muito tempo, já não sei quem foi que me disse não dever dar-se aos cães nomes com mais do que duas sílabas. Que não sendo os cães propriamente bichos estúpidos, eles não tinham entendimento bastante para assimilar e responder à chamada por nomes mais extensos. Não sei se é verdade ou não, mas cuido não ser destituído de senso. -- Já menos senso noto aos humanos que ultimamente deram em pôr nomes próprios de pessoas aos seus cães...
Mas, medindo bem, isto não é afinal destituído de todo o senso: esta moderna raça de humanos é certamente incapaz de apreender marcas comerciais com nomes extensos. Daí assobiarem-lhes agora os publicitários com monossílabos Zons e Meos. Abaixo de cão, portanto.
Humanos em rebanho, Belém, 2008.
Chelas. A linha de cintura a caminho de Marvila, à beira da ponte sobre a Estrada de Chelas. No vale o que resta da Horta da D. Margarida, uma quinta a que pertenceria aquela casa de bom porte em ruínas, talvez.
Pouco abaixo da meia encosta vai a Estrada de Cima de Chelas, mas percebe-se mal.
Na linha de cumeada passa a Azinhaga da Salgada cujo nome advém da Quinta da Salgada aonde ia dar e que ficava para lá do monte. Não garanto, mas aquele casarão maior sem telhado entre as grandes palmeiras dá impressão que era a habitação da quinta. A sua parte rural há 10 ou 15 anos que foi urbanizada para realojamento. - O nome de bairro dos alfinetes, duma outra azinhaga mais a poente [nascente], sobrepôs-se-lhe, creio.
Pois esta Azinhaga da Salgada parte da Azinhaga da Bruxa, mais a sul, que por sua vez parte da Rua Direita de Marvila mais ou menos ao cimo da Calçada do Grilo. Tudo isto de que vos falo está destinado a dar em amarrações da nova ponte, se é que se pode dizer assim.
Com um ar mais "especialista comunitário" possível, disparo na direcção do vendedor:
— Ó chefe, esta alface é coisa para ter que preço?
— É coisa para estar aí sossegadinha sem preço nenhum. Então não estás a ver que isso é um repolho, porra?!(No Pipàterra (que recebe parabéns por estes dias.)

Inauguração do Mercado da Picheleira, Lisboa, 1972.
Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
(*) Ignoro o que seja um especialista comunitário. Cuido que possa ser chico-esperto…
- «Cê já falou com o teu pai? Olha, então vai lhe chamar!»
Alguém me responda se os 4 ou 5 milhões de brasileiros que não gorgolejam crioulo deste género pretendem algum dia explicar aos restantes porque cuja razão o nome da terra que habitam não se identifica com o nome da língua que oficialmente se lá fala.
Quando todos perceberem o que é identidade podem vir cá falar-me de quantidade.
Imagem em ...
O botão de sintonia de postos de rádio ganhou um sentido socialmente muito extravagante. Como em muito desse 'progresso', que empece o trânsito na cidade, noto mais uma vez a democratização do mau gosto.
Becker Europa II Stereo em Black Forest LLC.
"Le Freak"
No Brasil o debate sobre uma língua brasileira andava em voga nos anos 30. Alguns brasileiros complexados do passado português e com necessidade de afirmação (sempre, só e repetidamente feita pela via anti-portuguesa) promoviam esse debate que mais não era que um sintoma daquilo que ainda hoje se dá no Brasil: uma ânsia irreprimível de se sobrepor a Portugal como matriz do Português, alicerçada na ilusória convicção duma superior tradição brasileira do Português. Isto nos anos 30. Como se o desvio fosse a norma. Como se o enxerto fosse a raiz. Como se a enxertia não tivesse já dado numa ladainha de crioulos sem o influxo contínuo de portugueses desde o séc. XVI até c. 1950.
Pois o que vejo hoje é aquela mesma ânsia brasileira avolumada pela cobiça do Ultramar português - uma passarada que se cuida no Brasil poder ir comer à mão - para finalmente imperar sobre o idioma. A prova é o subterfúgio dos insignificantes Pá Lopes arregimentados pelo Brasil para conseguir exportar a sua ortografia. E se o conseguem deste modo tão descarado é porque os tristes apagados e vis basbaques que governam Portugal ou se não dão conta - e é impossível que alguém seja assim tão estúpido - ou contam colher no Brasil mais que umas consoantes... (Empreendorismo na tropicália dava um bom título para isto.) Pois triste espectáculo este que é ver ínfimos arquipélagos atlânticos ditarem a escrita do idioma a Portugal, que os povoou. Quem sabe é pela demissionária metrópole os ter deixado à sua sorte sem razão nem guerra em 74. Porém pouco me serve de consolo que com isto Abril esteja na calha para vir a ser grafado com letra pequena. A verdade é que este agachar dos madraços de 74 é custoso e humilhante. Só de pensar que nem para cobrir a oferta do Brasil se mexeram?! (Lá está: empreendedorismo na tropicália dava um bom título para isto...)
E ao depois caramba! Tanta coisa que estes indigentes liquidatários de pátrias copiam lá de fora e nem um único bom exemplo lhes trespassa as caveiras? Tudo o que ensinam é mesquinho: Portugal é pequeno; Portugal é pobre; Portugal é periférico, Portugal é o Calimero... Isto ao mesmo tempo que me vendem livros de pense positivo e conseguirá todos os êxitos e mais algum.
Onde é que a Inglaterra alguma vez discutiu a sua grafia?...
Ele há níveis a que se não deve descer. Não será preciso ser sábio e inteligente para perceber quem genuinamente escreve o Inglês; quem não tenha jeito rabiscará metade das letras e passará o resto como os indigentes (v. doughnut e donut). O mesmo com o vinho do Porto e o vinho do Porto produzido na Califórnia.
Bom! O azedume já vai longo e o que eu ia dizer era afinal que em 1943 Portugal acedeu a negociar as bases da ortografia do seu idioma com o Brasil. O objectivo de uma unificação gráfica era arrojado e Portugal agiu de boa fé; e obteve-a dos negociadores brasileiros que vieram a Lisboa, honra lhes seja feita. Uma razoável condição quanto à ortografia unificada foi tida por todos como boa: quando os portugueses ou os brasileiros pronunciassem alguma consoante ela dever-se-ia sempre grafar. A bem da prosódia de quem na pronunciasse. Os outros escreveriam essas letras ditas mudas, tal como os 'hh', sem nas dizer. Desta forma o Acordo de 45 reintroduziu na escrita de Portugal o 'c' de aspecto e o 'p' de corrupção, (pronunciados à época só pelos brasileiros).
O resultado foi 1) o Brasil nunca cumpriu o Acordo e 2) corrupção passou a pronunciar-se em Portugal com todas as letras...
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Srs. locutores e jornalistas: soou-vos bem o resultado?
Àquele ex-ministro que não sabe conjugar o verbo haver também foi pedida opinião sobre o acordo ortográfico.
Fernão Doliveira, Grammatica da lingoagem portuguesa (1536).
Primeiro: eu nego que o Brasil seja um país africano. A Geografia apoia-me. O Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e o dr. Reis podem decidir sobre isso o que quiserem.
Segundo: em que posição fica Portugal?! De pé, com cabeça erguida e a falar português. Nunca me dei conta que as doações de território em 1822 e em 1975 houvessem incluído a minha identidade portuguesa - dá-me ideia que foi exactamente ela que foi rejeitada. Só me faltava agora virem servis os srs. drs. Reis e Malaca mais uma República de basbaques para entregá-la e nivelar-me a grafia pela bitola do sotaque.
Acção civilizadora de Portugal. Missionário.
Ilustração: Carlos Alberto Santos in História de Portugal, 13ª ed., Agência Portuguesa de Revistas, Lisboa, &c., 1968.
(Texto alterado.)
| Praça está muito bem. Por isso as gentes o dizem. Mas então vieram os das iniciativas, os da inovação, mai-los das certificações e pespegaram lá com o rótulo na praça: 'Mercado de Arroios'. Arrivistas do bairro vêm da pretensa modernidade e, com os filhos nas creches e os pais nos lares proclamam tão alto quanto papagueiam doutrinadamente os modelos de negócio e as melhores práticas: - "Mercado de Arroios! Mercado de Arroios!" Por mais que se lhes diga que é - ou pode ser, vá lá - praça do Chile, como já o diziam os antigos, teimam que não. É deixá-los, que andam grávidos do futuro. |
Praça do Chile, Lisboa, [anos 40]. Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. |
Praça no sentido de mercado. O de Arroios. Em construção em 39, aqui já com a R. Ângela Pinto plenamente edificada. A perspectiva foi tirada do topo do n.º 37 da R. Carlos Mardel, na direcção da Lucinda Simões. No cimo dela, da R. Lucinda Simões, o 98 (vê-se mais o 100) da Carvalho Araújo… — Em 39 foi quando faleceu a avó Rosário… — Vem-me agora a ideia de…
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O Telejornal da 1º Canal abriu à hora de almoço com o sr. Pinto da Costa berrando o seu desprezo pelos vermes. Não devia andar mais contente?
O anão Francisco Lezcano, dito "El Niño de Vallecas"
Velázquez, 1643-45
Óleo sobre tela, 107 x 83 cm
Museu do Prado, Madrid.
O carro operário à espreita da alta velocidade.
Parece-me cá que faz mais falta um eléctrico (1) dos Olivais (2) à Baixa que um pêndulo a 300 km/h daqui para Espanha.
A menos que seja para fazer de Madrid um subúrbio de Lisboa...
Confluência da Rua do Grilo com as calçadas de D. Gastão e do Grilo, Beato, 1940.
Eduardo Portugal, In Arquivo Fotográfico da C.M.L..
(1) Metro de superfície, dizem agora os modernos.
(2) Expo, dizem agora muito os modernos.
A S.I.C. Notícias mostrou uma maqueta da ponte de Chelas ao Barreiro dizendo que vai ser construída em Marvila junto à Manutenção Militar, que é na Rua do Grilo, ao Beato.
De certeza que o Barreiro não será no Montijo?
Rua do Grilo, Beato, 1970.
J. H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
O governo vai mandar fazer uma ponte sobre o Tejo. Uma ponte entre Chelas e o Barreiro.
O governo não sabe que nem com a maré alta o rio Tejo atinge Chelas? É que mal chega aos artelhos de Xabregas!
Notas: o sr, primeiro ministro às vezes diz travessia porque talvez nunca tenha feito uma ponte; os srs. jornalistas só dizem travessia porque sabem bem que pontes é mais ao fim-de-semana.
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Ali na S.I.C. Notícias um senhor disse: — «O crescimento do crédito vai começar a diminuir em 2008.» O crescimento vai começar a diminuir...? O crédito há-de continuar a crescer, portanto. |
| Sede do Banco Totta & Açores, Rua Áurea, 1976. Arquivo Fotográfico da C.M.L.. |
Quando ontem ouvi a notícia na antiga Emissora cheirou-me logo a bizantinice... Uma firma /fundação de advogados (com nomes bem conhecidos) doou à cidade de Lisboa (nobre gesto) uma - dizem - escultura de ferro retorcido com perto de 1 tonelada, na condição de a Câmara a pôr em frente à sede da dita firma/fundação na Av. da Liberdade.
Dizem as notícias que é a primeira... escultura a ser acrescentada à Avenida em quase 60 anos...
Bom! Não estando com isto a afirmar que o ferro forjado da - dizem - escultura provém dalgum dos prédios demolidos entretanto, julgo que o gosto do que agora plantaram em frente do 224 da Avenida se conjuga muito mais com os fungos arquitectónicos que ultimamente lá brotaram do que com a estatuária convencional que já lá existia.
Mas a notícia do sr. jornalista Nuno Crespo no D.N. vai mais longe e afirma: «Eu Sou como Tu [é o título da coisa] vai ser a primeira escultura a, definitivamente, ter lugar na Avenida da Liberdade.».
Definitivamente, a primeira.
A primeira - agora digo eu - das coisas edificadas na Avenida a precisar de explicação (v. os quatro últimos parágrafos da notícia). Definitivamente para se não confundir com um certo D. Afonso Henriques ou com com uma minhoca guerreira.
(A imagem é da fundação...)