Não sei já onde li que as avenidas novas (ou calhando foi sobre a Av. da Liberdade, já não sei, mas dá no mesmo) exibiam uma arquitectura de marcado mau gosto burguês, sem requinte, exuberante e presumido. Isto a par de prédios de rendimento, trivial e sem graça. Pois onde quer que tenha lido isto, quem me dera que o autor visse o grotesco das avenidas novas agora.
Av. António Maria de Avelar (vulgarmente dita de Cinco de Outubro), Lisboa, c. 1900. Autor desconhecido, in Colecção de Eduardo Portugal, Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Sobre os prédios de rendimento é uma pena que não se recuperem mais e que haja muita gente a morar neles, em lugar de engarrafar com carros as estradas dos arrabaldes.
 Estrada rural e mercado dos gados antes [pela época] da abertura do último troço da Av. Cinco de Outubro, Lisboa, [s.d.]. Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
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Meu caro Bic, a ininterrupta decadência que lamenta é muito natural: depois da queda burguesa, desceu-se um bocado mais, ao plebeísmo. Em matéria de gosto e de ética, que em todas as classes há gente digna e indigna.
ResponderEliminarDa segunda imagem gosto especialmente. Como "ter vida de cão", nessas estradas de outrora, punha a pose desimpedida, ainda que esforçada, em lugar do stress dos engarrafamentos de hoje. Abraço
Sr Bic
ResponderEliminarQue construção será aquela que se vê na foto que têm uma cupula de vidro ?
É o mercado geral dos gados, nos terrenos da feira popular. O que restava deste edifício, no lado sul, foi demolido só recentemente, depois de fechar a Feira.
ResponderEliminarNote por trás, masi ao longe, as torres neo-árabes da praça da praça do Campo Pequeno.
Cumpts.
E a queda da cultura na contra-cultura legou-nos o des-gosto. A esquizofrenia da negação contínua parece um cão a querer morder a sua própria cauda. Cumpts.
ResponderEliminarO Benoliel era mesmo bom fotógrafo. Sentimos a fotografia respirar. Muito bem escolhida.
ResponderEliminarIncríveis fotos, Caro Bic - como sempre insuperável no retratar dessa Lisboa de outras eras. As duas fotos retratam bem uma Lisboa agradável, onde cidade "cidade grande" e campo conviviam lado a lado, ora num bairro, ora em outro. São imagens que induzem à saudade de um tempo que se não viveu. É sempre com grande gosto que venho a esta Casa. Obrigado e um forte abraço.
ResponderEliminarBic ,obrigada pela sua explicação não fazia a minima ideia o que seria aquele edificio .Tenho tanta pena que meu Pai não seja vivo para ver e ler estas preciosidades ele que era um Afacinha de Gema e tanto amava a sua cidade agora confirmo tudo o que ele contava e explicava como antes ela era linda esta Lisboa que alguém continua a assassinar .
ResponderEliminarUm Abraço e um Bem-Haja
Carlota Joaquina
Vivemos a cultura dos caixotes. Até a maioria das cabeças anda encaixotada… Com códigos de barras e tudo, para não se diferenciar!
ResponderEliminarEnfim, como diria Agostinho da Silva: é a maldita normalização! :-)
Quanto à “arquitectura de marcado mau gosto burguês, sem requinte, exuberante e pretensioso (…) de prédios de rendimento, banais e sem graça”, é só tornar a “missiva” verdadeira, multiplicar por mil e temos as Avenidas Lisboetas do Séc. XXI.
Bela metáfora! Infelizmente verdadeira...
ResponderEliminarComo diria o outro: "Estamos satisfeitos!" :-)
ResponderEliminarLá vou eu outra vez ver os meus arquivos fotográficos... acho que tenho fotos desses "restos" de que fala.
Abraço
Luciana
Dona T.: É sim senhora. Nota-se a arte do fotógrafo pela composição. // Euro-ultramarino: Obrigado! O conceito de cidade salteada por quintas é uma miragem. São precisos hoje quilómetros além dos subúrbios para achar isto. Com a agravante de a lonjura fazer deses lugares autênticos ermos. // Dª Carlota: De nada. Mas serve de consolo que o seu pai tenha conhecido na realidade esta Lisboa que nós agora apenas conseguimos apreciar desta maneira. Quem perde somos nós. // Luciana: tem inteira razão, infelizmente. // Cumpts.
ResponderEliminarObrigado!
ResponderEliminarCaro Bic
ResponderEliminarVisitar este espaço é sempre uma verdadeira viagem através dos tempos e esta fotografia da Lisboa rural dos anos trinta é mesmo uma preciosidade.Não resisti à sua publicação no meu blog! Pelo facto a minha a devida vénia!
Um Abraço
Vénia ao J. Benoliel. Mas cuido que a fotografia seja de c. 1900-1910. A data de 'ant. 1932' é um marco tirado do óbito do fotógrafo.
ResponderEliminarObrigado pela menção. Cumpts.
ola
ResponderEliminarmoro na r sousa lopes que deve estar mt proximo da r da fotografia! se nao for a mesma... por isso achei mta piada ver como era!... adorava ver mais fotos desta zona ou ler sobre o assunto, se alguem puder ajudar agradecia.
obrigada
E quem é que criticava essa "Lisboa sem graça"? Os eternos obcecados por Paris, entre os quais se conta gente pretensiosa e de uma assustadora mesquinhez, como um João Chagas.
ResponderEliminarO que sei, é que quando cheguei a Portugal, a "av. da república" ainda possuía lindíssimos exemplares dos tais prédios de rendimento, tão criticados pelas más-línguas do costume. Hoje, a avenida faz jus ao péssimo nome que ostenta.
Creio que as coisas ainda piorarão, pois tenho sido diariamente informado acerca das malfeitorias da CML que toda a oposição corrobora, calando-se. Salva-se a Helena Roseta, pelo menos.
Salvam-se os que clamam contra essa a avidez aniquiladora. Mas morre-se de pena sem poder fazer nada.
ResponderEliminarCumpts.