No Brasil o debate sobre uma língua brasileira andava em voga nos anos 30. Alguns brasileiros complexados do passado português e com necessidade de afirmação (sempre, só e repetidamente feita pela via anti-portuguesa) promoviam esse debate que mais não era que um sintoma daquilo que ainda hoje se dá no Brasil: uma ânsia irreprimível de se sobrepor a Portugal como matriz do Português, alicerçada na ilusória convicção duma superior tradição brasileira do Português. Isto nos anos 30. Como se o desvio fosse a norma. Como se o enxerto fosse a raiz. Como se a enxertia não tivesse já dado numa ladainha de crioulos sem o influxo contínuo de portugueses desde o séc. XVI até c. 1950.
Pois o que vejo hoje é aquela mesma ânsia brasileira avolumada pela cobiça do Ultramar português - uma passarada que se cuida no Brasil poder ir comer à mão - para finalmente imperar sobre o idioma. A prova é o subterfúgio dos insignificantes Pá Lopes arregimentados pelo Brasil para conseguir exportar a sua ortografia. E se o conseguem deste modo tão descarado é porque os tristes apagados e vis basbaques que governam Portugal ou se não dão conta - e é impossível que alguém seja assim tão estúpido - ou contam colher no Brasil mais que umas consoantes... (Empreendorismo na tropicália dava um bom título para isto.) Pois triste espectáculo este que é ver ínfimos arquipélagos atlânticos ditarem a escrita do idioma a Portugal, que os povoou. Quem sabe é pela demissionária metrópole os ter deixado à sua sorte sem razão nem guerra em 74. Porém pouco me serve de consolo que com isto Abril esteja na calha para vir a ser grafado com letra pequena. A verdade é que este agachar dos madraços de 74 é custoso e humilhante. Só de pensar que nem para cobrir a oferta do Brasil se mexeram?! (Lá está: empreendedorismo na tropicália dava um bom título para isto...)
E ao depois caramba! Tanta coisa que estes indigentes liquidatários de pátrias copiam lá de fora e nem um único bom exemplo lhes trespassa as caveiras? Tudo o que ensinam é mesquinho: Portugal é pequeno; Portugal é pobre; Portugal é periférico, Portugal é o Calimero... Isto ao mesmo tempo que me vendem livros de pense positivo e conseguirá todos os êxitos e mais algum.
Onde é que a Inglaterra alguma vez discutiu a sua grafia?...
Ele há níveis a que se não deve descer. Não será preciso ser sábio e inteligente para perceber quem genuinamente escreve o Inglês; quem não tenha jeito rabiscará metade das letras e passará o resto como os indigentes (v. doughnut e donut). O mesmo com o vinho do Porto e o vinho do Porto produzido na Califórnia.
Bom! O azedume já vai longo e o que eu ia dizer era afinal que em 1943 Portugal acedeu a negociar as bases da ortografia do seu idioma com o Brasil. O objectivo de uma unificação gráfica era arrojado e Portugal agiu de boa fé; e obteve-a dos negociadores brasileiros que vieram a Lisboa, honra lhes seja feita. Uma razoável condição quanto à ortografia unificada foi tida por todos como boa: quando os portugueses ou os brasileiros pronunciassem alguma consoante ela dever-se-ia sempre grafar. A bem da prosódia de quem na pronunciasse. Os outros escreveriam essas letras ditas mudas, tal como os 'hh', sem nas dizer. Desta forma o Acordo de 45 reintroduziu na escrita de Portugal o 'c' de aspecto e o 'p' de corrupção, (pronunciados à época só pelos brasileiros).
O resultado foi 1) o Brasil nunca cumpriu o Acordo e 2) corrupção passou a pronunciar-se em Portugal com todas as letras...
O amigo toma-os como mais capazes do que eles são.
ResponderEliminarSão umas grandessíssimas e alternadíssimas bestas quadradas e nós os culpados que os deixamos regabofear.
Abraço
Nesse casso são messmo assim muito estúpidos. Mas como nos livramos deles? E onde há outros?
ResponderEliminar- Há aí alguém?!
Cumpts.
Infelizmente a nossa língua também anda ao sabor das modas e das conveniências…
ResponderEliminarEu cá vou fazer questão de continuar a utilizar o “meu” português. E venha de lá algum iluminado emendar-me, que eu lhe darei uma RECEPÇÃO à altura! :-)
Claro! Trata-se apenas e só de o Português.
ResponderEliminarCumpts.
Aqui há uns anos recebi um mail com anedotas sobres os brasileiros. Uma delas era um cara, que pedia informações a um lisboeta, as perguntas eram feitas com palavras empregadas pelos populares brasileiros claro (porque as elites falam mesmo português correcto); como o lisboeta rectificava todas as perguntas com o "em Portugal isso chama-se..." etc.
ResponderEliminarÀs duas por três o cara vira-se para o alfacinha e: - "ó cara como é que vocês em Portugal chamam os filhos da mãe?" Resposta do nosso português: nós não chamamos eles vêm do Brasil.
Cumprimentos
Nalguns casos será verdade. No do Acordo já cá temos provisão suficiente.
ResponderEliminarCumpts.
ResponderEliminarEstão aqui escritas algumas verdades que devem ser ditas em voz alta, sem tibiezas, nem hipocrisias, para que sejamos dignas de nós mesmos, da cultura de que somos herdeiros e para que os demais nos respeitem.
Tenciono continuar a desenvolver estes e outros assuntos correlatos lá na minha tribuna particular, para que fiquem exarados alguns pontos de vista, porventura minoritários, mas, a meu ver, indispensáveis para a salvaguarda da nossa memória colectiva.
Nem todos, felizmente, aceitarão a canga do politicamente correcto ou a subjugação a autoridades políticas demasiado ignorantes, ainda que atrevidas e legitimadas pelo voto popular, o que, em certas matérias, nada acrescenta à razão dos seus argumentos.
Bom fim-de-semana.
Caro Bic:
ResponderEliminarHá pouco, tive uma conversa com um familiar bem informado, que me afirmou que o actual (des)acordo ortográfico que pretende transformar a Língua de Camões numa aberração de iletrados está intimamente ligada com o ataque do desgoverno à Educação e aos Professores, assim como com a visita do gasolineiro de Boliqueime àquelas que FORAM as Terras de Vera Cruz.
Com efeito, e isto já foi verbalizado por um secretário de estado, a ideia é - para além de abastardar o ensino (convém aos novos bárbaros que a população permaneça inculta e funcionalmente analfabeta) - desmotivar os professores ao ponto de eles desistirem da profissão. As palavras da bestiaga armada em secretário foram mais ou menos estas: «há milhares de professores brasileiros desejosos dos vossos lugares, pois no Brasil estão com os vencimentos congelados há dez anos»...
É claro que isto não vem para a imprensa.
Assim, o natural de Boliqueime (a única povoação portuguesa a ser totalmente arrasada em 1755) vai ao Brasil acordar a destruição da Língua Portuguesa para facilitar a integração dos milhares de professores brasucas que virão trabalhar a preços de saldo e em condições de remadores de galés, destruir o que resta da indústria livreira portuguesa, invadir o País e as ex-colónias de África (que não assinaram o «acordo» - e muito bem) com edições brasileiras (geralmente de uma qualidade deplorável, especialmente as «traduções» que eles, simplesmente, não sabem fazer), e dar um passo de «gigante» na via da miscenização e da destruição de culturas e raças, meta bilderberguiana para que tudo seja horrendo, inculto e com sabor a «fast-food». Só assim é que conseguirão atenuar os complexos de inferioridade que têm.
Caro Amigo, por pouco menos foi um Miguel de Vasconcellos defenestrado e estralhaçado pela população no Terreiro do Paço. Estes já deixaram entrar os espanhóis, e preparam-se para nos eliminar ou desterrar (eles gostam de falar em «mobilidade») - cultural, linguística e, se calhar, fisicamente.
«Oh, quem pudesse que fartasse este meu duro génio de vinganças!»
Abraço.
Mas eu nem vejo grande interesse nos políticps ou intelectuais Brasileiros por este acordo, ao contrário dos ecos que me hegam do anterior, com Olegário Mariano, por exemplo. Puros jugo e jogo editoriais, alimentando uma miragem que´funciona mais como desculpa de incompetências próprias, a de que as diferentes grafias são o travão à leitura. Mas claro que republicar uma data de livros com nova ortografia é uma negociata...E para as empresas de cá como para as de lá.
ResponderEliminarAbraço
Pois não sei...
ResponderEliminarCumpts.
Custa-me a acreditar. É tenebroso demais para ser verdade. Parece-me uma soma de caprichos de incompetentes querendo ficar para a História.
ResponderEliminarCumpts.
Obrigado pelo seu comentário. Boa semana!
ResponderEliminarCumpts.
Ele há níveis a que se não deve descer" ....pois é Bic , aqui escreveu tudo, tudinho.
ResponderEliminarE esses tipos de "fato" que se vão tramar !!!!
Tenho mta dificuldade em perceber a nossa postura em relação aos países “ex-colónias”. Porque se erros se cometeram à época, e cometem-se sempre, não é c/estas posturas de subserviência, de bater c/a mão no peito, que se resolvem… antes pelo contrário!
ResponderEliminarNo que me diz respeito continuarei a usar a língua que aprendi ao longo de 12anos de escolaridade(já não falo na faculdade), e isso é um FACTO! ;)
Dá-me impressão que são tipos de cá que contra 'fatos' destes se tolhem de argumentos.
ResponderEliminarCumpts.
Com gente desta Portugal jamais se haveria cumprido. Cumpts.
ResponderEliminar