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sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

O Areeiro em estado nôvo

Beirais do Areeiro sôbre a Padre Manuel da Nóbrega, Lisboa (H. Novais, c. 1957-58)
Beirais do Areeiro sôbre a P.e Manuel da Nóbrega, Lisboa, c.1957-58.
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Do Theatro Circo…

… Ao drama de palhacitos…
Apagada e vil tristeza!


 


Theatro Circo, Braga (Artur Pastor, 195…)Theatro Circo, Braga, 195…
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Do livro das fuças à república dos fuções

 Eu vi, discorri, legendei, publiquei. Colori pela tardinha o original de Eduardo Portugal, revi o que publicara e dei nota dêle. Alguém gostou tanto, tanto da fototipia animada, que nem leu além da legenda (que reformulou, Deus lhe valha!); tomou-a logo ali e escarrapachou-a sem mais referência como achado seu e como se fôra ela o original do archivo photographico. Teve duas centenas de aprovações, dois pares comentàriosinhos, e quási três dúzias de republicações. Tal o proveito do gadanho em seara alheia. Tal a república dos fuções.


sábado, 24 de dezembro de 2022

Tarantela da noite de Natal em versão mais solemne

 A tarantela de há pedaço, cometida no Natal de 1670 ao sacerdote maestro da capela do reino de Nápoles, Cristóvão Caresana, aqui em versão mais solene, mais de acôrdo, digamos. O benévolo leitor que aprecie veja qual prefere. Eu não sei escolher, daí pôr ambas.
 Feliz Natal!
 Feliz Natal!



Cristóvão Caresana, Tarantella a 5 vozes com violinos, pelo nascimento do Verbo, 1670.


Scarlati Lab. \ Barroco:
Frederica Pagliuca, Olga Cafiero (sopranos); Daniela Salvo (meio-soprano); Leopoldo Punziano. (tenor); Carlos Feola (baixo).
António Florio e Dinko Fabris (dir. artística).
.





Alle selve, alle valli, alle grotte
adorate sì bella notte!
alle paglie alla capanna,
che ogni fiume già scorre manna.


Alle rupi, alle tane, alle selve
e mansuete son fatte le belve
ogni piazza nel mondo è fiorita
mentre torna nel mondo la vita.


Alle selve, alle valli, alle grotte
Vagheggiate, riverite, adorate sì bella notte!


Tarantola d'abisso, empio serpente
Or ch'è nato l'Agnello innocente
la tua forza si abbatterà.
Piangi, trema, singhiozza, sospira
nel tuo regno d'oscurità.


Viva, viva l'eternità.
[bis]


Tarantola ch'in cielo il nido avesti
ma per troppo volar cadesti
da quel trono di maestà
or che il Verbo dal cielo è disceso
il tuo dente non ferirà.


A superbia così va!
[bis]


Tarantola ribelle, fulminata
or che in terra la luce è nata
nova fiamma ti struggerà!


Si raddoppino a te le catene
or che ha l'uomo la libertà:


chi pugna col cielo mai vincerà!
[bis]


Or che al bosco fiorisce ogni pianta
or che al prato fiorisce ogni stelo
or che in cielo risplende ogni stella
replicate la tarantella!
[bis]


Alle selve, alle valli, alle grotte,
adorate sì bella notte.


Alle balze, alle sponde, ai ruscelli
scotono i zefiri gli arboscelli.
Fa l'erbette fiorire nel prato
l'alto Monarca che in terra è nato.
[bis]


Ai campi, alla riviera,
ride nel verno la Primavera.


Alle selve, alle valli, alle grotte,
vagheggiate, riverite, adorate sì bella notte!»



 


Aos bosques, aos vales, às moitas
Adorai tão bela noite!
Às palhas para a cabana,
Que em cada rio já flui o maná.


Às arribas, às tocas, aos bosques
Que amansadas estão as feras
Cada terra do mundo está florida
Enquanto o mundo retorna à vida.


Aos bosques, aos vales, às moitas
Ansiai, venerai, adorai tão bela noite!


Tarântula dos abismos, ímpia serpente
Agora nasceu o Cordeiro inocente
A tua força se abaterá.
Chora, treme, soluça, suspira
No teu reino de obscuridade.


Viva, viva a eternidade.
[bis]


Tarântula que no céu teu ninho fizeste
Mas que por mau voar caíste
daquele trono de majestade
Agora que o Verbo do céu desceu
Tua mordida não ferirá.


A soberba é assim que dá!
[bis]


Tarântula rebelde, fulminada,
Agora que na terra a Luz é nascida
Nova chama te consumirá!


Rebentam-se-te as correntes
Agora livre que o Homem está:


Quem combate o Céu jamais vencerá!
[bis]


Agora que no bosque floresce cada planta
Agora que no prado floresce cada rebento
Agora que brilha no céu cada estrela
Replicai a tarantela!
[bis]


Aos bosques, aos vales, às moitas
Adorai tão bela noite.


Às arribas, às margens, aos riachos
Agitam os zéfiros já as mudas.
Faz a erva florir nos prados
O Alto Monarca que na terra nasceu.
[bis]


Pelos campos, pelas ribeiras,
Sorri-se de Inverno a Primavera


Aos bosques, aos vales, às moitas
Ansiai, venerai, adorai tão bela noite!


 


Tarantela da noite de Natal

 Tarantela pelo nascimento do Menino cuja composição foi cometida no Natal de 1670 ao sacerdote maestro da capela do reino de Nápoles, Cristóvão Caresana.



Cristóvão Caresana, Tarantela
Cristina Pluhar, a Harpista (direcção), in «Alla Napoletana», Warner/Erato, 2021.





Alle selve, alle valli, alle grotte
adorate sì bella notte!
alle paglie alla capanna,
che ogni fiume già scorre manna.


Alle rupi, alle tane, alle selve
e mansuete son fatte le belve
ogni piazza nel mondo è fiorita
mentre torna nel mondo la vita.


Alle selve, alle valli, alle grotte
Vagheggiate, riverite, adorate sì bella notte!


Tarantola d'abisso, empio serpente
Or ch'è nato l'Agnello innocente
la tua forza si abbatterà.
Piangi, trema, singhiozza, sospira
nel tuo regno d'oscurità.


Viva, viva l'eternità.
[bis]


Tarantola ch'in cielo il nido avesti
ma per troppo volar cadesti
da quel trono di maestà
or che il Verbo dal cielo è disceso
il tuo dente non ferirà.


A superbia così va!
[bis]


Tarantola ribelle, fulminata
or che in terra la luce è nata
nova fiamma ti struggerà!


Si raddoppino a te le catene
or che ha l'uomo la libertà:


chi pugna col cielo mai vincerà!
[bis]


Or che al bosco fiorisce ogni pianta
or che al prato fiorisce ogni stelo
or che in cielo risplende ogni stella
replicate la tarantella!
[bis]


Alle selve, alle valli, alle grotte,
adorate sì bella notte.


Alle balze, alle sponde, ai ruscelli
scotono i zefiri gli arboscelli.
Fa l'erbette fiorire nel prato
l'alto Monarca che in terra è nato.
[bis]


Ai campi, alla riviera,
ride nel verno la Primavera.


Alle selve, alle valli, alle grotte,
vagheggiate, riverite, adorate sì bella notte!»



 


Aos bosques, aos vales, às moitas
Adorai tão bela noite!
Às palhas para a cabana,
Que em cada rio já flui o maná.


Às arribas, às tocas, aos bosques
Que amansadas estão as feras
Cada terra do mundo está florida
Enquanto o mundo retorna à vida.


Aos bosques, aos vales, às moitas
Ansiai, venerai, adorai tão bela noite!


Tarântula dos abismos, ímpia serpente
Agora nasceu o Cordeiro inocente
A tua força se abaterá.
Chora, treme, soluça, suspira
No teu reino de obscuridade.


Viva, viva a eternidade.
[bis]


Tarântula que no Céu teu ninho fizeste
Mas que por mau voar caíste
daquele trono de majestade
Agora que o Verbo do céu desceu
Tua mordida não ferirá.


A soberba é assim que dá!
[bis]


Tarântula rebelde, fulminada,
Agora que na terra a Luz é nascida
Nova chama te consumirá!


Rebentam-se-te as correntes
Agora livre que o Homem está:


Quem combate o Céu jamais vencerá!
[bis]


Agora que no bosque floresce cada planta
Agora que no prado floresce cada rebento
Agora que brilha no céu cada estrela
Replicai a tarantela!
[bis]


Aos bosques, aos vales, às moitas
Adorai tão bela noite.


Às arribas, às margens, aos riachos
Agitam os zéfiros já as mudas.
Faz a erva florir nos prados
O Alto Monarca que na terra nasceu.
[bis]


Pelos campos, pelas ribeiras,
Sorri-se de Inverno a Primavera


Aos bosques, aos vales, às moitas
Ansiai, venerai, adorai tão bela noite!


 



quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Cartão de Natal




«Adoração dos Pastores», Teodoro Van Loon, c. 1620 — Óleo sobre tela, 250 x 167 cm (Museu de Belas Artes, Boston)


Adoração dos Reis


Jan Gossart, 1510-15 Óleo sobre tábua, 177 x 162 cm
(Galeria Nacional, Londres)




 




 


 


 


Aos benévolos leitores que
generosamente visitam este blogo,
sinceros votos de


 


~~~~~ * * * ~~~~~


FELIZ NATAL


~~~~~ * * * ~~~~~

A todos



BOAS FESTAS !


 


 


 



 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Pela noite…


G. F. Haendel, «Ariodante (extr.) — Scherza, Infida» (Act. II, Cen. 3)
Léa Desandre (mezzosoprano). Les Arts Florissants; Guilherme Christie (maestrro).
Ao vivo na grande sala Pierre Boulez da Filarmonia de Paris.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Pois, com certeza…

 — Que depressa seja tudo junto, entendo; de pressa será decerto mais devagar, com aquela separação das palavras. Porém devagar, como não é tão de pressa e é, de certo, mais de vagar, não poderia já sêr êle separado?
 — Certamente!…
 — Já decerto tenho por certo que seja ao certo como de certo.
 — É o caso.
 — Ou, será que tudo isto é como tudo junto sêr separado e separado sêr tudo junto?


Actor Eduardo Brazão «Barbeiro de si mesmo», Typographia Paulo Guedes & Saraiva, Lisboa, ante 1911.
O actor Eduardo Brazão, «Barbeiro de Si mesmo», ante 1911.
Postal n/ circ. da Pap. e Typ. Paulo Guedes & Saraiva, Lisboa, in archivo photographico da C.M.L.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Pro-Matre

 Pro-Matre e não Pro-Mater. Alguém publicou daqui para o livro das fuças e outro alguém o lá  comentou a corrigir o nome. Faz sentido. O nome é do latim (= pró-mãe, em favor da mãe). Pro é preposição latina que rege ablativo e o ablativo de mater é matre. Êrro de palmatória de que me avergonho tão tarde como me dei conta (13/XII/22).


Maternidade Pro-Matre, Lisboa (A. Goulart, 1966)
Maternidade Pro-Matre, Av. da República, 18 — Lisboa, 1966.
Artur Goulart, in archivo photographico da C.M.L.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Olheirada

 No meio do céu a desabar que anunciavam para hoje até às seis no noticiário da uma da tarde trovejou o Moedas da C.M.L. naquela sua vòzinha de 1 cêntimo que (cito de cór) «a imprevisibilidade das condições climatéricas é uma realidade» e, aconselhava tôdos na grande Lisboa a abrigarem-se na sua toca e absterem-se de ir trabalhar. Por causa das «condições climatéricas adversas», ou «extremas», que é como chamam agora ao mau tempo. Já antes vi no jornal que dissera o Moedas com tôda autoridade de manda-chuva que lhe vejo reconhecida sôbre meteorologia, clima, o tempo que faz àmanhã, ou a terminação da lotaria popular, que «a chuva faz parte das mudanças climáticas». As olheiradas também, digo eu.
 Dantes havia mau tempo, chuva, frio, às vezes trovoada — trivial invernia. — Agora há Moe(r)das assim.
 Numa coisa se descaiu, porém: no imprevisto do tempo, coisa que os climalabaristas do circo climático não prevêem que entendamos.


 O céu de Lisboa há momentos.


 


Olheirada, Lisboa — © MMXXII
Olheirada, Lisboa — © MMXXII


 


(Ajeitado agora ao depois, mais para a noite.)

1, 2, 3

Númaro 1 (um) de 23 (dois, três). Froliu onte', temporã.


IMG_20221213_102357.jpg
Phalænopsis amabilis, Lisboa — © 2022

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Pela noite…


G. F. Haendel, «Ariodante — Scherza, Infida»
Filipe Jaroussky (contratenor); Concert D'Astrée, Emanuelle Haïm (maestro)


Fotografia — Henrique Kerstens

domingo, 11 de dezembro de 2022

283 góstos, 7 comentários e 61 compartilhamentos 12 anos depois

 É reconfortante vêr o que escrevi e publiquei há uma dúzia de anos continuar a suscitar interêsse. Entristece porém, que quem tanto apreciou e tornou a publicar seja indigente ao ponto de fazer passar «ipsis verbis» por sua a reflexão que me inspirou, a mim, a fotografia de H. Novais quando a descobri em 2010. Nem uma referência à fonte!
 Enfim! É o que temos…


Hospital de Santa Maria em construção, Lisboa, 1940-53. Fotografia: estúdio de Horácio de Novais

sábado, 10 de dezembro de 2022

Azinhaga

Azinhaga do Ribatejo, Golegã (H. Novais, s.d.)
Azinhaga do Ribatejo, Portugal, [s.d.]
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.


 


 Vista do campanário da igreja matriz.


 A tia Mariana conta que lhe ainda lá falta a cruz, duma avioneta que lhe embateu e se despenhou. Casava a prima dum aviador da Ota. Veio êle e um camarada voando um aparelho, a deitar flôres sôbre os noivos e deu-se o desastre. Isto conta a tia Mariana. Fôi em 1940.
 Achei outro curiosíssimo relato oral do caso no blogo da Azinhaga. Treslado-o para aqui.



A vinte e quatro de Abril
Um grande desastre se deu
Fôi na Torre da Azinhaga
Que um aparelho bateu


Fôi na aviação da Ota
Num aparelho de Tancos
Que subiu Fernando Gomes
E José Miranda de Campos


Oh! Maldita fôi a hora
Que pensaram em voar
Deram-lhe trinta minutos
Para a morte vir buscar


Andou na Quinta dos Álamos
No aparelho baixinho
Deitou saüdades ao pai
E também ao seu padrinho


Ao pé da Quinta da Brôa
O aparelho baixaram
A pegar com as raparigas
Perto delas acabaram


Êle vinha tão baixinho
Que até fazia impressão
A dizer adeus ao povo
Dentro da povoação


Já vinha perto do perigo
Ainda fôi para levantar
Bateram rapidamente
Não se puderam salvar


Que choque tão violento
Até as colunas quebrou
A bandeira e a cruz
Tudo espalhado ficou


O aparelho espalhado
Até metia pavor
Bocados para cada lado
Na Azinhaga fôi um horror


Eram quatro menos dez
Quando na Tôrre bateu
Por causa do casamento
É que o desastre se deu


A prima escreveu ao Fernando
Uma carta para o convidar
Só se lá for de aparelho
Não te posso acompanhar


Fôi um desastre horroroso
Só pode dizer quem viu
Distante da Tôrre a cem metros
O aparelho caíu


Maria Eliza de Sousa
Um grande susto apanhou
Ia o aparelho a arder
O cabelo lhe crestou


Foi um povo levantado
Só se ouviam ais e gritos
Em vêr ir em chamas
Dois corações aflitos


Todo o povo correu
Para o aparelho apagar
Deitaram água e terra
Não os puderam salvar


José Miranda e Fernando
Onde vieram passear
Vinham com tanta alegria
Para tanta tristeza dar


Para a família dos rapazes
Foi um desgôsto profundo
A vinte e quatro de Abril
A darem a despedida ao mundo



Generosa de Jesus, Azinhaga, 2 de Maio de 1940.
«Desastre de Azinhaga», in Azinhaga; a Aldeia Mais Portuguesa do Ribatejo, 15/IV/14.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Sinfonia


João Sebastião Bach — Cantata «Wir müssen durch viel Trübsal» (Sinfonia), BWV 146
Raphaël Pichon, Orquestra Pygmalion.

domingo, 4 de dezembro de 2022

De Artur Pastor

 Em dias pardacentos de Inverno, assim como está (hoje nem é dos peores), mas também em dias soalheiros, de Inverno ou doutra estação mais quente, muito tenho publicado eu de Artur Pastor; a falar eu disto ou daquilo, mas, cujo valor por inteiro daquilo que aqui vai publicado são as chapas de Artur Pastor. Serão à roda de 140-150.


 Há-as do tempo da pesca, do tempo do moliço;  do da Tinturaria do Chile, d' A Confidente, da Farinha 33, do autocarro 47 (o original), do Tutti Mundi drugstore que parece é agora mais uma mercearia do merceeiro-mór, antes de, certamente, passar a ser um lugar da fruta de bengális… (Êste à parte pode não parecer já sôbre Artur Pastor, mas bem que o país de contrastes retratado por Artur Pastor é muito menos um contraste em si se comparado com essa espécie de Portugal que resta por aí agora.) — E há do mar português que sobra, aos campos de Portugal que foram ou, de simples esquinas que já não são, de meros recantos que também não lembram, de carroça, de burro, à nora


 E ao depois há agora um álbum com 264 fotografias pelo centenário de Artur Pastor de que tive conhecimento, cujo editor lhe parece haver tomado primeiro conhecimento do formidável legado fotográfico de Artur Pastor, aqui, nêste blogo. Gentileza dêle, de certo. Ainda não tive o gôsto de folhear o álbum. Fui de fugida por êle à biblioteca de S. Lázaro, mas não no tem. Sem tempo, já não desci ao archivo photographico da Câmara. Quando o faça direi mais.
Artur Pastor – Portugal país de contrastes, Majericon/C.M.L., 2022.
Artur Pastor; Portugal País de Contrastes, Majericon/C.M.L., 2022.