
Azinhaga do Ribatejo, Portugal, [s.d.]
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.
Vista do campanário da igreja matriz.
A tia Mariana conta que lhe ainda lá falta a cruz, duma avioneta que lhe embateu e se despenhou. Casava a prima dum aviador da Ota. Veio êle e um camarada voando um aparelho, a deitar flôres sôbre os noivos e deu-se o desastre. Isto conta a tia Mariana. Fôi em 1940.
Achei outro curiosíssimo relato oral do caso no blogo da Azinhaga. Treslado-o para aqui.
A vinte e quatro de Abril
Um grande desastre se deu
Fôi na Torre da Azinhaga
Que um aparelho bateuFôi na aviação da Ota
Num aparelho de Tancos
Que subiu Fernando Gomes
E José Miranda de CamposOh! Maldita fôi a hora
Que pensaram em voar
Deram-lhe trinta minutos
Para a morte vir buscarAndou na Quinta dos Álamos
No aparelho baixinho
Deitou saüdades ao pai
E também ao seu padrinhoAo pé da Quinta da Brôa
O aparelho baixaram
A pegar com as raparigas
Perto delas acabaramÊle vinha tão baixinho
Que até fazia impressão
A dizer adeus ao povo
Dentro da povoaçãoJá vinha perto do perigo
Ainda fôi para levantar
Bateram rapidamente
Não se puderam salvarQue choque tão violento
Até as colunas quebrou
A bandeira e a cruz
Tudo espalhado ficouO aparelho espalhado
Até metia pavor
Bocados para cada lado
Na Azinhaga fôi um horrorEram quatro menos dez
Quando na Tôrre bateu
Por causa do casamento
É que o desastre se deuA prima escreveu ao Fernando
Uma carta para o convidar
Só se lá for de aparelho
Não te posso acompanharFôi um desastre horroroso
Só pode dizer quem viu
Distante da Tôrre a cem metros
O aparelho caíuMaria Eliza de Sousa
Um grande susto apanhou
Ia o aparelho a arder
O cabelo lhe crestouFoi um povo levantado
Só se ouviam ais e gritos
Em vêr ir em chamas
Dois corações aflitosTodo o povo correu
Para o aparelho apagar
Deitaram água e terra
Não os puderam salvarJosé Miranda e Fernando
Onde vieram passear
Vinham com tanta alegria
Para tanta tristeza darPara a família dos rapazes
Foi um desgôsto profundo
A vinte e quatro de Abril
A darem a despedida ao mundoGenerosa de Jesus, Azinhaga, 2 de Maio de 1940.
«Desastre de Azinhaga», in Azinhaga; a Aldeia Mais Portuguesa do Ribatejo, 15/IV/14.
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