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sábado, 10 de dezembro de 2022

Azinhaga

Azinhaga do Ribatejo, Golegã (H. Novais, s.d.)
Azinhaga do Ribatejo, Portugal, [s.d.]
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.


 


 Vista do campanário da igreja matriz.


 A tia Mariana conta que lhe ainda lá falta a cruz, duma avioneta que lhe embateu e se despenhou. Casava a prima dum aviador da Ota. Veio êle e um camarada voando um aparelho, a deitar flôres sôbre os noivos e deu-se o desastre. Isto conta a tia Mariana. Fôi em 1940.
 Achei outro curiosíssimo relato oral do caso no blogo da Azinhaga. Treslado-o para aqui.



A vinte e quatro de Abril
Um grande desastre se deu
Fôi na Torre da Azinhaga
Que um aparelho bateu


Fôi na aviação da Ota
Num aparelho de Tancos
Que subiu Fernando Gomes
E José Miranda de Campos


Oh! Maldita fôi a hora
Que pensaram em voar
Deram-lhe trinta minutos
Para a morte vir buscar


Andou na Quinta dos Álamos
No aparelho baixinho
Deitou saüdades ao pai
E também ao seu padrinho


Ao pé da Quinta da Brôa
O aparelho baixaram
A pegar com as raparigas
Perto delas acabaram


Êle vinha tão baixinho
Que até fazia impressão
A dizer adeus ao povo
Dentro da povoação


Já vinha perto do perigo
Ainda fôi para levantar
Bateram rapidamente
Não se puderam salvar


Que choque tão violento
Até as colunas quebrou
A bandeira e a cruz
Tudo espalhado ficou


O aparelho espalhado
Até metia pavor
Bocados para cada lado
Na Azinhaga fôi um horror


Eram quatro menos dez
Quando na Tôrre bateu
Por causa do casamento
É que o desastre se deu


A prima escreveu ao Fernando
Uma carta para o convidar
Só se lá for de aparelho
Não te posso acompanhar


Fôi um desastre horroroso
Só pode dizer quem viu
Distante da Tôrre a cem metros
O aparelho caíu


Maria Eliza de Sousa
Um grande susto apanhou
Ia o aparelho a arder
O cabelo lhe crestou


Foi um povo levantado
Só se ouviam ais e gritos
Em vêr ir em chamas
Dois corações aflitos


Todo o povo correu
Para o aparelho apagar
Deitaram água e terra
Não os puderam salvar


José Miranda e Fernando
Onde vieram passear
Vinham com tanta alegria
Para tanta tristeza dar


Para a família dos rapazes
Foi um desgôsto profundo
A vinte e quatro de Abril
A darem a despedida ao mundo



Generosa de Jesus, Azinhaga, 2 de Maio de 1940.
«Desastre de Azinhaga», in Azinhaga; a Aldeia Mais Portuguesa do Ribatejo, 15/IV/14.


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