| início |

domingo, 30 de junho de 2019

Vamos falar das origens do Porto


 É uma questão já tem sido muito, muito discutida. É uma questão que estava na moda aqui há cinquent' anos. Por tal sinal que um ponto que se discutia sempre era este: afinal o Porto naseceu deste lado ou aquele lado? O Porto mais antigo nasceu em Gaia ou nasceu onde hoje é o morro da sé?




José Hermano Saraiva, Ecografia do Porto
(Horizontes da Memória, R.T.P., 29/VI/1997)

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Saída de Lisboa

Saída de Lisboa pela Portela de Sacavém, Encarnação (M. Oliveira, 195…)
Rotunda da Encarnação, Lisboa, [s.d.].
Fototipia animada. Original de Mário de Oliveira, in archivo photographico da C.M.L.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Como se isto fosse lá assim…

 O vegetativo deputado dos animais resolveu ocupar a indigência parlamentar com as beatas de cigarro (de charuto não sei…) que os animalejos de duas pernas jogam para o chão como escarros. E a deputação de São Bento aprovou sem demora uma linda lei que multa o coiro e o cabelo aos coirões que doravante deitem descabeladamente beatas de cigarro para o chão.
  Deu nas notícias.
 Já consigo ver a autoridade do Estado erguer-se grave e solene do seu cadeiral na assembleia, tocar para o vizinho dali do 4.º dir. e ferrá-lo com 200 a 4000 éros de multa.


O meu atomóvel esta manhã, Portugal — © 2019
O meu automóvel depois da lei das beat@s do P.A.N., Portugal —© 2019

domingo, 23 de junho de 2019

Há aqui umas histórias de magia, de encantos, de enredos


 Este lugar é um dos lugares mais emocionantes que existem em Portugal.
 Eu até acho… — Como sabem agora é muito costume, os estudantes fazem umas viagens de fim de curso. — Eu acho que, para acabar qualquer ciclo de estudos, fosse o primário, fosse o universitário, devia ser obrigatório visitar quatro lugares. Sem conhecer esses quatro lugares, não se entende Portugal.
 Um era o promontório rochoso de Sagres a apontar o mar desconhecido, o mistério do Infante.
 O outro é o glorioso paço das escolas em Coimbra. Coimbra, onde nasceu um rei e uma dinastia e onde hoje existe a glória duma universidade que nos dá prestígio.
 O terceiro ponto era o castelo de Guimarães. O castelo de Guimarães, que é uma espécie de berço pequenino onde nasceu Portugal.
 Mas o ponto …





José Hermano Saraiva, Em torno da Galafura
(Horizontes da Memória, R.T.P., 22/VI/1997)

O homem da Regisconta?

Av. da República, Lisboa, (A. n/id., c. 1980)
Av. da República
, Lisboa, c. 1980.

Fotografia de A. n/id.

sábado, 22 de junho de 2019

Psicadelismo

 Confesso sentimentos mistos ante isto. Da cançoneta gosto. Mas ao mesmo tempo, tudo o que lhe vejo e entendo…
 Deve ser de ser arte contemporânea; algo entre Mirós e a colecção Berardo; muito valorizado, mas, alguém que explique, que pode ser que se entenda.
 Pelo menos aqui, ao contrário dessa arte inodora, a cantiga cheira-me.




Genesis, I Know What I Like



[Intro]
It's one o'clock and time for lunch
Bum de dum de dum
When the sun beats down and I lie on the bench
I can always hear them talk

[Verse 1]
There's always been Ethel
"Jacob, wake up, you've got to tidy your room now!"
And then Mister Lewis
"Isn't it time that he was out on his own?"
Over the garden wall, two little lovebirds, cuckoo to you
Keep them mowing blades sharp

[Chorus]
I know what I like
And I like what I know
Getting better in your wardrobe
Stepping one beyond your show
Your show

[Verse 2]
Sunday night, Mr. Farmer called, said
"Listen son, you're wasting time
There's a future for you in the fire escape trade
Come up to town"

But I remembered the voice from the past
"Gambling only pays when you're winning!"
I had to thank old Miss Mort for schooling a failure
Keep them mowing blades sharp

[Chorus]
I know what I like
And I like what I know
Getting better in your wardrobe
Stepping one beyond your show

Yeah, I know what I like
And I like what I know
Getting better in your wardrobe
Stepping one beyond your show

[Outro]
When the sun beats down and I lie on the bench
I can always hear them talk
Me, I'm just a lawnmower
You can tell me by the way I walk
[Intróito]
É uma hora, hora de almoço
Bampti dampti dã
Quando sol aperta e eu abanco no banco
Ouço-os na conversa

[1.ª estrofe]
Lá está sempre a Étel
— «Diogo acorda! Tens de arrumar o quarto.»
E ao depois o sr. Luís:
— «Não era já tempo de se ele fazer à vida?»
Pelo muro do jardim, dois enamorados — Cucu, olá!
Deixa sempre o aparador da relva a postos

[Coro]
Sei o que gosto
E gosto do que sei
Melhorava com o teu guarda-roupa
Adiantando um passo à encenação
À encenação

[2.ª estrofe]
Domingo à noite o sr. Feitor ligou e disse:
— Ouve, filho, perdes tempo.
— Tens futuro é a assaltar casas.
— Vem para a cidade!

Mas lembrou-me uma voz do passado
— Arriscar só compensa quando ganhas!
Devia agradecer à sr.ª Mortágua por educar um falhado [!]

[Mortágua!…]

[Fico por aqui…Poesia (poesia?) psicadélica não me calha.]










Sou um simples jardineiro.
Podeis dizê-lo pelo meu andar

 



 

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Da Portela de Sacavém

Estrada de Sacavém, Portela (Fototipia animada: original de E. Portugal, 1938)
Estrada de Sacavém
, Portela, 1938.
Fototipia animada de original de Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.

 Esta era a panorâmica do lugar. Da perspectiva cartográfica, pela mesma época, dei conta há pouco (algum) tempo, entre considerações mais ou menos curiosas de toponímia migrante (ia dizer itinerante, mas migrante é um vocábulo tão, tão em voga que me rendi a usá-lo).


 Mas, donde se alcança isto?


 O benévolo leitor que suba do Relógio à praça das partidas do aeroporto, tanto que aí chegue e consiga uma panorâmica para NNE, no sentido de Sacavém, logo achará. Além na estrada por onde segue a carroça do leiteiro é por onde se espraia a praça das chegadas num socalco abaixo das partidas. À esquerda da estrada entre muros, o casarão meio pardo de que sobressai a fachada é o palácio Benagazil, casa da quinta do Polycarpo Machado. Ainda lá está. Foi há pouco restaurada, ou pelo menos pintada por fora. Acha-se assim de pé, mas agora muito perdida no meio dos edifícios da Autoridade [?] Nacional da Aeronáutica Civil, dos Aeroportos de Portugal da Vinci e mais que haja, que vieram a apinhar este lugar da Portela de Sacavém. Ou do Humberto Delgado…


 Seguindo por diante, as primeiras casas à direita, a par da estrada, eram da quinta do Caldas. — Aliás, todas estas terras daqui lá, desse lado do muro, incluída a torrinha ali à direita, eram terras do Caldas. Não sei quem haja sido o Caldas. Quiçá algum parente do Humberto Delgado…


 Mais ao longe avista o benévolo leitor outra casa meia encoberta por uma grande árvore. Essa casinha mais as maiores que sobressaem à sua direita no mesmo plano eram da quinta da Trindade, que se estendia até ao arvoredo que lhe remata o horizonte. Do arvoredo para lá há um conhecido organismo ligado ao mar e à atmosfera, mas, naquele tempo em que à terra também se dava importância, era a quinta do Morgado.
 A quinta da Trindade, propriamente, deu em NAV Portugal, que dantes tratava do controlo de tráfego aéreo sob a Direcção-Geral da Aeronáutica Civil — organismo do Estado português — e agora trata do mesmo sob o Eurocontrol…
 Quando esta quinta ainda era meramente da Trindade não confrontava ela directamente pelo lado de cá (sul) com a quinta do Caldas. Entre ambas corria a estrada do Poço dos Trapos que levava aos Olivais. Está encoberta esta estrada na panorâmica aí acima, mas há uns fotogramas seus, fugazes, na Lisboa de Hoje e de Amanhã, de António Lopes Ribeiro, mostrando o ponto exacto em que entroncava na estrada de Sacavém (v. 14'28"-14'50" onde um táxi vira da Estr. do Poço dos Trapos para a Estr. de Sacavém, vindo dos Olivais, caminho da Portela de Sacavém; não sei se não viria nele, no táxi, o Humberto Delgado…)


 E bom! A Portela de Sacavém, no termo de Lisboa, era como a vemos, dês do ponto em que se encontravam a Estrada de Sacavém, que segue para lá, e a Estrada da Portela de Sacavém, que vinha do Pote de Água.


 Neste exacto lugar fizeram, pois, um humbertoporto. Saiu um tanto delgado para tão grandioso nome, mas o que importa não é a História, é a história que se quer contar.


Quinta do Caldas, Portela (Fototipia animada: original de E. Portugal, 1938)
Solar do Caldas (tardoz, virado a sul), Portela de Sacavém, 1938.
Fototipia animada de original de Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.


Portela de Sacavém (Fototipia animada: original de E. Portugal, 1938)
Estrada da Portela, Portela de Sacavém, 1938.
Fototipia animada de original de Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.

domingo, 16 de junho de 2019

Mas, o automóvel também tem as suas vantagens. Ora reparem:


 Aqui dentro, quem manda sou eu. Vou à velocidade que quiser. Faço o que entender. Uso  a música… a música, mais do meu gosto. Bom, e há um outro aspecto, um outro aspecto, que é muito importante. É que, um pobre diabo, dentro dum comboio, mesmo com bilhete de 1.ª, não deixa de ser um pobre diabo. Ao passo que, ao volante dum bom automóvel, parece um reizinho. — Bom, vocês têm visto como isso é: certos reizinhos que por aí andam…
 Isso significa que o automóvel representa um espaço de liberdade, um espaço de privacidade, e um espaço de personalidade, que nada pode substituir.
 Penso que, com gasolina ou sem gasolina, o automóvel como for possível, vai permanecer e vai ser um dos instrumentos de civilização que marcam realmente o nosso tempo.


[Mas] era de comboios que lhes queria falar. Vou-lhes falar precisamente da história do comboio.




José Hermano Saraiva, Caminhos de ferro
(Horizontes da Memória, R.T.P., 15/VI/1997)

Lisboa, provàvelmente no Outono de 1951

Monumental, Saldanha, 1951-52. Fototipia animada do original de Firmino Marques da Costa, in archivo photographico da C.M.L.
Saldanha,
Lisboa, [1951].

Fototipia animada do original de Firmino Marques da Costa, in archivo photographico da C.M.L.

Viaducto de Entre Campos em Lisboa com horizontes

Viaducto de Entre Campos, Lisboa, 1950. Firmino Marques da Costa, in archivo photographico da C.M.L.
Viaducto de Entre Campos
, Lisboa, 1950.

Fototipia animada do original de Firmino Marques da Costa, in archivo photographico da C.M.L.

sábado, 15 de junho de 2019

Portela, 15/VI/1950

O alcaide de Madrid é acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa e o chefe de gabinete do ministro das Obras Públicas no aeroporto da Portela, Lisboa (F.M. da Costa, 15/VI/1950)


 O alcaide de Madrid, D. José Moreno y Torres, Conde de Santa Marta de Babío prestes a embarcar no avião da Iberia é acompanhado pelo Ten.-Cor. Álvaro da Salvação Barreto, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mai-lo chefe de gabinete do ministro das Obras Públicas, no aeroporto da Portela, em 15/VI/1950.
 Do Diário de Lisbôa do mesmo dia:



 Apresentam despedidas no aeroporto da Portela os srs. dr. Nobre Guedes e o sr. Ministro do Interior, que á [sic] condessa de Santa Marta de Babio [sic] ofereceu um lindo ramo de flores; eng.º Nazaré de Oliveira, chefe do gabinete do Ministro das Obras Públicas; o presidente da Camara [sic] Municipal, vereadores e chefes de serviço; capitão Pascoal Rodrigues, comandante da Polícia Municipal, e o director da «Ibéria», sr. La Cerda.
 O alcaide de Madrid declarou á [sic] partida que começava a sentir «saudades» de Lisboa, unica [sic] palavra portuguesa que conhece para exprimir o seu sentimento e a recordação que leva das atenções recebidas pelo sr. tenente-coronel Salvação Barreto, e por todos, disse que Lisboa melhora dia a dia e que em breve será das melhores capitais do universo. Concluiu manifestando a sua satisfação pela honra de ser recebido pelo dr. Oliveira Salazar, que há muito admirava pela inteligencia [sic] e que muito o impressionou pela simplecidade [sic] do trato, que muito o penhorou.



 Claro que os do archivo photographico da C.M.L. não puderam deixar de lhe chamar anacronicamente — à imagem catalogada — aeroporto Humberto Delgado.
 Diabo de propaganda que só produz burrrice!
 Que aeroporto Humberto Delgado?! — A fotografia é de 1950, pelo amor de Deus!


(A fotografia é de Firmino Marques da Costa, in archivo photographico da C.M.L.)

quinta-feira, 13 de junho de 2019

As figuras duma sombra baralhada

A imagem do Governo Sombra é da «Sábado», uma revista brasileira que sai à quinta em Portugal.



 Não sei o que é viver sem liberdade. Devo ao Portugal democrático e ao Estado português boa parte daquilo que sou. Sou filho de dois funcionários públicos. Fiz o ensino básico e secundário numa escola pública. Licenciei-me numa universidade pública. Portugal não falhou comigo. Permitiu que um simples estudante de uma cidade do interior, sem qualquer ligação à capital e às suas élites, fosse subindo aos poucos na vida e chegasse até aqui.
João Tavares, Discurso do Dia de Portugal, Portalegre, 10/VI/2019.



 Salazar, filho do feitor António e da ti' Maria do Resgate, nasceu no lugar do Vimieiro, Santa Comba, estudou em Bijeu e formou-se em Coimbra. — Falhou Portugal consigo, Salazar, por causa da liberdade ou da democracia, sem qualquer ligação à capital e ao seu escol?



 Um jovem talentoso que queira singrar na carreira exclusivamente através do seu mérito, a melhor solução que tem ao seu alcance é emigrar. Isto é uma tragédia portuguesa.
Id.



 E … a liberdade, o Portugal democrático e o simples estudante de uma cidade do interior, sem qualquer ligação à capital e às suas «élites» que foi subindo aos poucos e chegou até aqui graças ao Portugal democrático e ao Estado português … não emigrou?!
 Calhando, como disse sem noção do que já dissera, falece-lhe ser talentoso e ter mérito!…
 Fique-se, pois, com a liberdade de alçar os pés por cima das mesas.



(A imagem do Governo Sombra é da «Sábado», uma revista brasileira que sai à quinta em Portugal.)

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Lisboa verosímil nos anos 30

Instituto Superior Técnico em Construção, Lisboa (P. Correia, c. 1934)
Vista aérea do Instituto Superior Técnico, Lisboa, ante 1934.
Fototipia animada do original de Pinheiro Correia, in archivo photographico da C.M.L.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Das desgraças da nossa videca

Destaque dos blogos do Sapo para hoje.


Das desgraças da nossa vida, Lisboa (Sapo blog[o]s, 11/VI/2019)

Uma desgraça nunca vem só.
A Sr.ª D. Maria Luísa cortou um dedo a folhear uma revista.
E eu, cagou-me um pombo no automóvel.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

… De atum

Se eu houvesse de fazer um museu ali, chamar-lhe-ia «RESTAURANTE DO ATUM — museu».


Armação do Barril, Algarve — © 2019
Armação do Barril, Tavira — © 2019

domingo, 9 de junho de 2019

Veio Paio das más Artes…


Veio Paio das más Artes
Com seu cerame de Chartres
Mas ele não estudou nas partes
Nem que chegasse a um mês
Pois de lunes a martes
Foi comendador de Uclés





José Hermano Saraiva, A meia hora de Lisboa
(Horizontes da Memória, R.T.P., 8/VI/1997)

Av. de Paris, Lisboa, sem beatices new age

Av. de Paris, Lisboa (M. Novaes, in bibliotheca d'Arte da F.C.G.)
Av. de Paris com putos na rua e ciclista natural antes (muito antes) da beatice das ciclovias, Lisboa, 195…
Mário de Novais, in Bibliotheca d'Arte da F.C.G.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Já que se fala em T.A.P. …

 Repesco a imagem do CS-TSD com o Areeiro inacabado contra o horizonte de há semanas. Ou melhor, de c. 1950.
 Porque…


DC-4 Skymaster da T.A.P. sobre Lisboa (A. n/ id., 1955-60)
T.A.P. — Transportes Aéreos Portugueses, DC-4 Skymaster CS-TSD, Aeroporto da Portela, c. 1950.
A. n/ id. Espólio do C.te Amado da Cunha. Col. do Sr. Ant.º Fernandes.


 Porque foi efeméride de data redonda em 27 de Maio passado — fez 70 anos – a inauguração da nova ligação semanal Lisboa/Londres/Lisboa, com o DC-4 Skymaster CS-TSD. A tripulação foi: Cte. Marcelino, Pil. Silva Soares, Nav. Muller, R/T José António Pereira, Mec./Voo Coragem e Moura, A/B Ana Duarte. A bordo seguiam jornalistas e outros convidados.



«... O avião descolou do aeroporto de Lisboa às 10h20 da manhã e voou sobre o aeródromo da Ota. Avistando Monte Real a Este, veio a sobrevoar Espinho chegando ao Porto após um voo de 55 min. Dali rumou a Lugo, na Galiza, sobrevoando a província do Minho. Cruzou a fronteira entrando no território de Espanha a 9000 pés de altitude (c. 3000 m) com tempo formidável. Quando sobrevoava a baía da Biscaia, com 1h30 de voo, um magnífico almoço frio foi servido aos convidados. A primeira das ilhas do Canal a ser avistada após a Bretanha, quando se rumava para Cherburgo, foi a ilha de Jersey. Tendo sobrevoado Southampton, rumámos ao aeroporto de Northolt, o ponto de convergência de todas as companhias aéreas europeias, a onde chegámos 10 minutos adiantados ao horário.»


Apud TAP Air Portugal, Noticiário, N.º 3/89, 8/5/1989.



Comandante José Sequeira Marcelino aos comandos dum DC-4 Skymaster (T.A.P., 1947-1960)
C.te Marcelino, DC-4 Skymaster, 1947-1960.
A. n/ id. M. P. Carneiro, in Rita Tamagnini — Livros.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

O programa do Governo para os T.A.P. …

 A linha aérea Lisboa-Paris foi aberta vai para 71 anos. A viagem inaugural da nova rota foi realizada pela T.A.P. na terça-feira, 10 de Agosto de 1948, dia de S. Lourenço. Durou 5 horas, como previsto, e foi feita no DC-4 Skymaster CS-TSB. A tripulação foi: C.te Marcelino, Co-Pil. Louro, Nav. Décio, R/T Serpa, Mec./Voo Luís e Gonçalves, C/B Lopes e A/B Françoise. A bordo seguiram 25 passageiros, carga e correio. À imprensa declarou o Cor.-Av. Carlos Magalhães, director dos T.A.P.:



 Mais um passo na aviação civil portuguesa no sentido de dar cumprimento ao programa estabelecido pelo Governo para nos levar a ocupar no mundo aeronáutico o lugar que nos compete.


Cor.-Av. Carlos Magalhães, director dos T.A.P., apud TAP Air Portugal, Noticiário, N.º 6/88, Junho 1988.



 Após pernoita, o regresso foi na quarta-feira 11/08/1948, de acordo com o horário estabelecido.


DC-4 Skymaster da T.A.P. sobre Lisboa (A. n/ id., 1955-60)
T.A.P. — Transportes Aéreos Portugueses, DC-4 Skymaster CS-TSC, Lisboa, c. 1955.
A. n/ id. Espólio do C.te Amado da Cunha. Col. do Sr. Ant.º Fernandes.

domingo, 2 de junho de 2019

Entradas de Junho, princípios de Verão. Já apetece ir ao Algarve!


José Hermano Saraiva, A sedução Algarvia
(Horizontes da Memória, R.T.P., 1/VI/1997)

sábado, 1 de junho de 2019

— Fernão, mentes? — Não!

Fisco & GNR, Valongo (CMTV e SIC, 29-5-2019)


---   *  *  *   ---



  Se os Reys q̃ no tempo dagora gouernão [i.é, governam], ou por fallar mais verdade, tyrannizão  a terra, cuydaſſem quão depreſſa lhe ha de vir eſta hora [do juízo final], & com quanto rigor de juſtiça hão de ser caſtigados da mão poderoſa do alto Senhor pelos crimes & inſultos da ſua tyrannica vida, quiçá que lhes fora milhor pacerem [pascerem, pastarem] nos campos como os brutos, [do] que vſarem [usarem] de ſuas vontades tão abſolutamente tanto [tão] contra razão, & ſerem crueis para as manſas ouelhas, & froxos no caſtigo dos malles daquelles a q̃ quiſerão dar nome de grandes. Que certo ſe pode auer [haver] muyto dò daquelles a que ſua ventura chegou a tão perigoſo eſtado como vemos que he o dos Reys deſte tempo, pela diſſolução & deſenfreamento em q̃ viuem continuamemte, ſem terem hũa ſô [só] hora de temor nem vergonha porque, ſabey, cegos do mundo, que fazer Deos homens q̃ foſſem Reys, foy para que foſſem humanos para os homens, ouuiſſem os homens, ſatisfizeſſem os homens, & caſtigaſſem os homens, mas não para que, tyrannizando, mataſſem os homens; porem [porém] vòs triſtes Reys, neſte ſer Reys negais a natureza de que Deos vos formou, & transformaiſvos [transformais-vos] em outras muytas muito differentes, com vos veſtirdes todas as horas de qualquer libré que quereis, porq̃ para hũs ſois ſambexugas [sangessugas] que lhe chupais continuamente as fazendas, & as vidas, ſem nunca vos deſapegardes até lhe terdes chupado todo o ſangue ſem lhe ficar gota em todas as veyas, & para outros soys liões de bramido terribel, que para rebuço de voſſas cubiças mandais apregoar [decretar] que quem der q̃ falar, quem [o] fizer, morra por iſſo, & perca a fazenda, que he o fim de voſſas [in]tenções; & para outros que vos ſão aceitos, & a quem vòs ou o mundo ou não ſey quem, pos [pôs] nome de grandes, ſois tão froxos no caſtigo de ſuas ſoberbas, & tão prodigos nas merces [mercês, recompensas] que lhe fazeis à cuſta do deſpojo dos pobres que deixaſtes nùs & ſem pelle nem oſſo, que aos pequenos fica aução [acção] de vos accuſarem por todas eſtas couſas diante de Deos, onde triſtes de vós não tereis eſcuſa que deis por voſſa parte, nem boca para falardes, ſe não confuſão medonha para vos perturbardes.


Peregrinaçam de Fernam Mendez Pinto: Em que da [dá] conta de muytas e muyto estranhas cousas que vio & ouuio &c., Lisboa, Pedro Craesbeeck, 1614, cap. CLXVIII (a grafia é a original; a pontuação foi ajeitada).



---    *  *  *    ---


Já não há reis, pela graça de Deus. Agora é só democratas.Figurões, Portugal, séc. XXI