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domingo, 16 de junho de 2019

Mas, o automóvel também tem as suas vantagens. Ora reparem:


 Aqui dentro, quem manda sou eu. Vou à velocidade que quiser. Faço o que entender. Uso  a música… a música, mais do meu gosto. Bom, e há um outro aspecto, um outro aspecto, que é muito importante. É que, um pobre diabo, dentro dum comboio, mesmo com bilhete de 1.ª, não deixa de ser um pobre diabo. Ao passo que, ao volante dum bom automóvel, parece um reizinho. — Bom, vocês têm visto como isso é: certos reizinhos que por aí andam…
 Isso significa que o automóvel representa um espaço de liberdade, um espaço de privacidade, e um espaço de personalidade, que nada pode substituir.
 Penso que, com gasolina ou sem gasolina, o automóvel como for possível, vai permanecer e vai ser um dos instrumentos de civilização que marcam realmente o nosso tempo.


[Mas] era de comboios que lhes queria falar. Vou-lhes falar precisamente da história do comboio.




José Hermano Saraiva, Caminhos de ferro
(Horizontes da Memória, R.T.P., 15/VI/1997)

6 comentários:

  1. lembro-me tão bem disso.
    Sempre corrosivo, como ele gostava e eu também :)

    Cumprimentos!

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  2. Uma maravilha. De caminho fui ver outros mais, como sempre faço.
    Maria

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  3. Muito bom! O mais engraçado é que me lembro de COR do discurso sobre o automóvel vs comboio...

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  4. Mérito ao prof. Hermano Saraiva.
    Cumpts. :)

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