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domingo, 31 de dezembro de 2017

À roda da meia-noite

Eléctrico 333, Alcântara-Terra (T. Boric, 1978)

Legenda do fotógrafo: eléctrico da carreira 19 em lisboa, á espera c. da meia-noite no terminus em Alcântara (Tim Boric, 1978).

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O umbigo de Marcelo

 Marcelo de Sousa, disseram há pedaço no telejornal, tem dois caixotes de documentos e livros no quarto. Este volumezinho já o ele leu mais duma vez no post operatório. Leu e gostou.



(A lista de Marcelo outrora na periférica.)

Tio Zé Lapa

  No tempo do bilhete operário o tio Zé Lapa ia e voltava do trabalho no carro eléctrico. Era também costume naquele tempo, à medida que o eléctrico seguia o seu percurso, o cobrador [condutor, vulgo, pica-bilhetes] ir dizendo alto o nome dos sítios principais onde passavam.
 — SOCORRO! — avisava ele por alturas do Martim Moniz. — INTENDENTE! — dizia a seguir, a caminho de Arroios. — ANJOS! — E assim por diante.
  Vezes houve no regresso a casa que o tio Zé Lapa lhe dava tal moleza que se deixava dormir no eléctrico. Era um dormitar de orelha meia arrebitada, entremeado aqui e ali pelos pregões do pica-bilhetes. Numa daquelas vezes pegou no sono mal quase se sentou. Ouviu talvez um distante e sonolento «SOCORRO!» logo ali na Rua da Palma e ferrou a dormir. Quase que despertou, ao depois, com um sonoro «ANJOS!». Mas sem abrir os olhos só se ajeitou no banco para prolongar a soneca até Arroios. 
  — INTENDENTE!
 Mau!... Intendente?! Ali o tio Zé Lapa esbugalhou pela janela os olhos estremunhados. Que diabo! O carro eléctrico já ia de volta; descia em boa marcha a Rua da Palma! Saltou do atribulado eléctrico mal ele estacou no sinaleiro da Rua São Lázaro. Apressado, atravessando a rua, deu notícia do pica-bilhetes o fitar anunciando aos passageiros:
  — SOCORRO!


Rua da Palma, Lisboa (E. Portugal, 194...)
Rua da Palma, Lisboa, s.d..
Foto de Eduardo Portugal.


  Naquele dia o tio Zé Lapa chegou mais tarde para jantar. Nunca se convenceu que a sopa tardia não tivesse um saibo de malícia de pica-bilhetes.

(Publicado originalmente em 27 de Setembro de 2006 às 10 menos 24 da noite.)

Cenário de esquerda com carreta à direita (I.V.A. à taxa legal)

 Agora que se fala em partidos, merece a pena ler a legenda [o mural, queria dizer]. O governo parece que era de direita. Mas o cenário é, todo ele, de esquerda; incluída a carreta funerária à direita e a base do arco grande do aqueduto 25 de Abril.
 O autocarro foi da Carris. Antes de ser nacionalizado.


Autocarro da Serafina, Campolide (M. Rhodes, 1983)
Autocarro do B.º da Serafina, Campolide, 1983.
Mike Rhodes, in Flicker.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Rui... rio...


Subo e desço este rio
De Miranda ao Areinho
Sob a torreira e o frio
Faço a escarpa brotar vinho

Sonhei que era o Mississipi
E que Mênfis era no Pinhão
Vindimando ao som de adufe
Bandolim e acordeão

Rio abaixo rio acima
A dar aos remos no rabelo
Rio abaixo rio acima
Sayago paira por cima
O sonho vira pesadelo

Vinha eu no meu caíco
A ouvir das águas do Douro
Velhas lendas de fronteira
Entre o cristão e o mouro

Quando vi um pescador
Olhando o rio inconsolável
Que é da enguia e do robalo
Da tainha e do sável

Rio abaixo rio acima
A dar aos remos no rabelo
Rio abaixo rio acima
Sayago paira por cima
O sonho vira pesadelo

(bis)




Rui Veloso, Sayago Blues
Concerto Acústico, 2003.



Não é mau, este Rui rio abaixo, rio acima...



 




Sayago Blues. Letra e música: Carlos Tê / Rui Veloso.





... Mas quando o comparo com o Rui rio abaixo, rio acima ao vivo no Coliseu em 1987… — Pois! Já lá vão 30 anos!…



Rui Veloso, Sayago Blues
(Ao Vivo, 1988)

 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Nesga da Betesga

Eléctrico da Gomes Freire, Rua da Betesga (ou Pr. da Figueira) (T. Boric, 1981)
Eléctrico da Gomes Freire, Rua da Betesga (ou Praça da Figueira), 1981.
Fotografia de Tim Boric.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Trinitá

 Do baú dos natais esquecidos recordei certa vez que no tempo das tardes de Natal com o circo do Billy Smart e das manhãs de Ano Novo com saltos de esqui na televisão, também havia irmos ao cinema: havia os filmes do Trinitá... Ir ao cinema era uma das prendas de Natal do tempo da minha infância (tempo em que os abrasileirados presentes pouco se ouviam).
 Por 2014, alguém a dava por finalmente achada, a voz original do «Trinitá, Cowboy Insolente»; na Austrália, em sua casa, no seu sofá, ante uma rica taça de vinho. Annibale Giannarelli.


 


Annibale Gianarelli, «O verdadeiro e original de Trinitá, Cow-Boy Insolente».
(por Daniele Giannarelli, in Youtube, 2014)




 Trinitá foi um nome que pegou por aí: nalguns bares, cafés ou pastelarias, nalguns pintas mais toleirões... E o assovio da melodia não havia quem no não soubesse; todos os putos lá da rua o sabíamos. Ainda há pouco o ouvi num telemóvel. Era dum manganão da minha idade.


Trinitá Cowboy Insolente, 1970.

Espírito dos natais presentes

 Em atenção à quadra e ao ermamento lexical oratório-televisivo, estão abolidas as «prendas» na linguagem. Há apenas e só «presentes».
 Siga!



O Natal descartável, subúrbios, 2005.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Tempos do fim

 A Polícia de Segurança Pública (portuguesa) fez fingiu uma cantiga de Feliz Natal (em amaricano) na melhor tradição pop contemporânea (amaricana). — Vi no noticiário ao meio-dia.
  No mesmo noticiário a notícia «[A] Venezuela expulsa dois diplomatas do Brasil e do Canadá», dada assim: A Presidente da Assembleia Nacional Constituinte venezuelana considerou o embaixador brasileiro Ruy Carlos Pereira e o diplomata canadiano Craig Kowalik "personas non gratas" no país.
  Personae non gratae
é latim. Personas non gratas bem vejo o que é (*).
  Estamos no advento, sim, mas no advento doutra era.


Personae-non-gratae-(SIC-N,.jpg
Jornal do Meio-Dia, S.I.C.-N., 24/12/17.

_______
(*) A locução latina persona non grata usa-se no nominativo, singular ou plural; personas non gratas é o plural, mas do acusativo; declinar latim a um jornalista, porém, é hoje escusado.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Cartão de Natal




Natal, Carlo Maratti, c. 1650 — Óleo sobre tela, 90 x 75 cm (Galeria Gemälde, Dresda)


Natal *


Carlo Maratti, c. 1650 — Óleo sobre tela, 90 x 75 cm
(Galeria de Pinturas, Dresda)




 




 


 


 


Aos benévolos leitores que
generosamente visitam este blogo,
sinceros votos de


 





FELIZ NATAL


A todos



BOAS FESTAS !


 


 


 



 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Crepúsculo

Av. dos Estados Unidos, Lisboa (A. Pastor, 197...)


Av. dos Estados Unidos, Lisboa, 197...
Artur Pastor, in Arquivo Fotogáfico da C.M.L.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Concessão à bola

Pus-me agora a ver a bola. Ia dizer isto e que o Sportem está a jogar ao contrário; era o que meu pai diria. O meu pai não gostava assim. Era uma daquelas fèzadas de dar galo. Não que desse, mas podia dar. Pois, olha! O Sportem acabou de meter golo.


 


Entrada do campo do Sporting, Campo Grande (E. Portugal, 1938)


Entrada do campo do Sportem, Campo Grande, 1938.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Lisboa moderníssima

Viaduto, Av. dos Estados Unidos (A. Pastor, 197...)


Viaduto da Av. dos Estados Unidos, Lisboa, 197...
Artur Pastor, in Arquivo Fotogáfico da C.M.L.

Lisboa moderna

Praça de Alvalade, Lisboa, c. 1970 (Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.


Praça de Alvalade, Lisboa, c. 1970.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Avó gera neto?!

O jornalismo é bom, a linguagem é que atrapalha:



 Uma avó portuguesa vai mesmo poder gerar o neto. O Conselho de Procriação Medicamente Assistida deu luz verde à primeira gravidez de substituição em Portugal (R.T.P., 15/XII/17).



 Pela ordem natural, quem gera é mãe (e pai); quem incuba é incubadora. Se a incubadora é a mãe da progenitora (agora é mãe biológica), um ventre alugado ou uma chocadeira eléctrica, é o admirável mundo novo em gestação. Mas não é dele a trapalhice da linguagem. Ou é.


Diccionaro Contemporaneo da Língua Portugueza, Imprensa Nacional, Lisboa, 1881.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Dos tudantes em chachada, perdão, em luta

 Parece que há um protesto dos tudantes da Faculdade de Direito de Lisboa. A repórter Raquel Leitoa no local diz que já irá falar com presidente da Associação dos Tudantes para que — e cito — nos plique esta forma de luta.
 Antes da plicação vai adiantando que esta forma de luta é contra não sei quê mais os testes critos, e que a polícia está dentro da faculdade.


 (Ninguém pense, porém, agora aqui, em fascismo: bem que há luta, bem que há policia dentro da faculdade mas em fascismo não teriamos polícia dentro da faculdade; ela estaria ocupada pela polícia — de choque; agora, a democracia é um facto e o Estado de Direito não falha. É tudo claro na linguagem.)


 Prossegue a Raquel Leitoa em directo no local:
 — Vou agora falar com o presidente [da A.E.] para perceber as reivindicações dele [sic].
 Ele:
 — Há um incumprimento (*) dos direitos consagrados no regulamento. Os professores não sabem o regulamento. Os professores ensinam leis, não sabem aplicar a Lei.


 (O presidente dos tudantes protesta para que os professores de leis apliquem a Lei. Quererá, em extensão da luta, sanear já os juízes de Direito?)


 Prossegue ainda a Raquel:
 — A polícia está a entrar para dentro [passe o pleonasmo] da faculdade atrás deles [dos tudantes]. Formou um cordão humano [a polícia em democracia é composta de humanos, é também um facto...] Vai pedir a estes tudantes que se dirijam para a escadaria...


  Na democracia em forma de luta, na democracia do protesto dos direitos dos tudantes contra professores que ensinam leis e não sabem nem aplicam o regulamento, a polícia não ordena, pede. Depois protestem que não há condições!... Condigões!...


Untitled


Numa faculdade sem condigões [sic], fecham-se os portões, R.T.P., 12/12/17.
______
(*) A palavra incumprimento é um epifenómeno do inconseguimento geral — e dum aluno de Direito em particular de proferir simplesmente a expressão violar a lei. Ou  o regulamento, vá!

(Revisto às oito e meia da noute.)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Ainda no tempo dos chafarizes

Chafariz do Largo do Soccorro, Lisboa (Fernando Martinez Pozal, c. 1945)
Chafariz do Largo do Socorro, Lisboa , c. 1945.
Fernando Martinez Pozal, in archivo photographico da C.M.L.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Benfica 2 – Beleneses [sic] 1

 Disse certa vez o João Marchante: uma coisa boa dos blogos, é que podemos mudar de assunto assim...
 Posto isto, que temos aqui?
 O chafariz do Largo do Calvário em dia de Inverno, onde alguém rabiscou ufanamente: Benfica 2 – Beleneses (sic) 1.
 No archivo photographico da Câmara não estão muito certos da data desta chapa; atribuem-na a 194... — Palpita-lhes uma década inteira e não fazem por menos!
 Ora bem, sendo o mundo o que é hoje, com doutores em bola a cada pontapé num calhau e o futebol alcatruzado a ciência profusa, profícua e profundamente estudada, o que achamos? Resultados entre o Benfica e os Belenenses por 2-1 em 5 de Janeiro de 41 e em 1 de Março de 42. Há inda dois resultados de Belenenses 1 – Benfica 2 em 1 de Agosto de 43 e 30 de Abril de 44. Benfica 2 — Belenenses 1 só torna a haver em Outubro de 1952.
 Aposto em 1941. Que vos parece?


Bemfica 2 - Beleneses [sic] 1, Calvário (F-.M.Pozal, 194...)
Chafariz do Largo do Calvário, Lisboa, 1941.
Fernando Martinez Pozal, in archivo photographico da C.M.L.

Cruz do Taboado

Instituto Agricola de Lisboa, Lisboa, 1862. Imagem estereoscópica da colecção do Conde de Arnoso, in archivo photographico da C.M.L.


Instituto Agricola, Lisboa, 1862.
Imagem estereoscópica da colecção do Conde de Arnoso, in archivo photographico da C.M.L.



 Referências:



  • a estrada à dereita é a Estrada da Cruz do Taboado, justamente por trazer ao lugar deste nome; prolongava a Carreira dos Cavallos que partia do Campo de Sant´ Anna; hoje é serventia mais larga e alinhada, conhecida por Rua de Gomes Freire;

  • o muro à dereita era da quinta do Conde do Redondo;

  • as casas e o muro à esquerda são da Escola ou Instituto Agrícola, depois Instituto de Agronomia e Veterinária e, mais no nosso tempo, simplesmente Faculdade de Veterinária;  são, ùltimamente, chãos da nova sede da Polícia Judiciária — um edifício cujo gosto não posso qualificar...


 Cirandando agora na memória do lugar da Cruz do Taboado (ou do Tabuado, à moderna), quem viesse de lá, da estrada entre muros, para cá, em chegando ao chafariz, teria à sua mão esquerda a Rua do Chafariz de Andaluz sobre que discorri um pouco há pedaço; à sua mão dereita, detrás do chafariz e seguindo perpendicularmente à Escola Agrícola, uma rua travessa chamada justamente Rua da Escola Agrícola — actual Rua da Escola de Medicina Veterinária (nome já sem sentido), que ligava à Azinhaga do Pintor, serventia antiga vertida na conhecida Rua de D.ª Estefânia.
 Ao depois, quem deste chafariz seguisse a diante, ou seja, para cá da imagem ou pela esquerda dela, tomaria sempre um de dous caminhos, a saber: o caminho de S. Sebastião, pela travessa ou azinhaga  do Sacramento — hoje grosso modo a Rua de Tomás Ribeiro — ou; seguindo a diante na estrada que saía de trás do chafariz (a rua que passa hoje ante o Liceu de Camões), tomaria logo aí a Estr. das Picoas (truncada, correspondendo às actuais ruas do Eng.º Vieira da Silva e das Picoas) que, prosseguindo na Rua das Cangalhas (Conde de Valbom), levava ao Rego.


 


Chafariz da Cruz do Taboado, Lisboa (C. Pereira, Archivo Pittoresco, 1862)


Instituto Agricola de Lisboa, Lisboa, 1862.
Coelho Pereira a partir da imagem estereoscópica da colecção do Conde de Arnoso, in Archivo Pittoresco, 1862, vol V, pág. 49, apud archivo photographico da C.M.L.


 


(Revisto.)

Demolido e desapercebido (ou talvez não)

Av. do Duque de Loulé e Rua de Andrade Corvo, Lisboa (F.M.Pozal, 194...)
Av. do Duque de Loulé e Rua de Andrade Corvo, Lisboa, 194...
Fernando Martinez Pozal, in archivo photographico da C.M.L.


 Primeiro quarteirão da Av. do Duque de Loulé em Lisboa. Tudo demolido. Cuido que num passo ou outro dos Sinais de Fogo a personagem Jorge viu esta cena, tal como o autor Jorge de Sena.


 Quem entre na Duque de Loulé vindo da Gomes Freire (a Estrada da Cruz do Taboado) pode aperceber-se, não já dos prédios que se vêem na imagem, mas dos que lá fizeram ao depois. — Ainda por lá agora andam a alevantar um modernaço na esquina da Pr. de José Fontana por conta dumas casas muito antigas que lá restavam, arrisco, do séc. XIX.
 Quem entre pela Av. do Duque de Loulé, vindo, pois, de cima, se for atento notará o desalinho do primeiro quarteirão à direita com o eixo da avenida nova (do Duque de Loulé) que desce à Rotunda. A direcção desses prédios à direita de quem desce, aponta no sentido da Rua do Andaluz, uma velha rua hoje «escondida», que levava ao largo do chafariz dito ao cima da Rua de Santa Marta, mas que, dali, do cimo da Duque de Loulé se não vê hoje, pois foi truncada pela Andrade Corvo e pela a construção do prédio do Hotel Alicante no seu leito. Da primitiva serventia — a Rua do Chafariz do Andaluz, que partia da Cruz do Taboado e levava ao Largo do Andaluz, como já disse — subsiste o troço intermédio, das traseiras do Hotel Alicante à Rua de Sousa Martins; ali ainda achamos hoje à mão direita de quem desce umas casas antigas com a fachada em azulejo e um portão encimado duns dizeres: Quinta da Cruz do Taboado. É no n.º 52. Não seria a casa principal da quinta, porquanto esta me parece ter sido o solar da família Mayer, que pousava mais além, onde hoje havemos o palacete Sottomayor.


 Tornando à imagem aqui em cima, disitingue-se bem no empedrado da calçada o que é alinhamento novo — a Duque de Loulé — do que é o alinhamento antigo da Rua do Andaluz ou do Chafariz do dito. Adiante segue a Andrade Corvo, mais larga hoje e, mais esburacada também ao presente numa proporção bem maior do que a largueza que ganhou.

Vem aí o Natal

 O espírito está instalado. Há carrousséis e barrracas de farturas na Alameda. Flores de luz e cor enfeitam a avenida. Romeiros de prendas — perdão, presentes — vão pelos centros comerciais shoppings em veneração ao salvador incenso e à santa mirra. O menino Jesus não se acha (salvo nas conferências de imprensa do Sportem), mas o Pai Natal não faltará nas reportagens em directo da Finlândia pelas renas-repórter de nariz vermelho e doutrina do mesmo tom. Sem ele, que seria o Natal...?


N.º 9 057, Presépio — © 2017


N.º 9 057, Presépio de baquelite (com musiquinha) — © 2017 



P.S.: os cartões de Natal Boas Festas foram em atache.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Pedaço de Lisboa republicana tomada por mouros

Escadas no [Largo de Santa Bárbara], Lisboa, 1954. Fernando Pozal, in archivo photographico da C.M.L.
Escadas, Largo de Santa Bárbara, 1954.
Fernando Pozal, in archivo photographico da C.M.L.

Do alvorecer da modernidade ao Deus que se vende

 Não sei já se sonhei ou se li no vol. III da História de Portugal do Mattoso (O Alvorocer da Modernidade, Círculo de Leitores, 1993); perguntaram a uma camponesa do tempo de el-rei D. João III se conhecia Deus e respondeu ela que sim, conhecia: era redondo.


 A que vem isto?


 Os que acreditam, não Lhe alcançando a essência, atribuem-Lhe todavia forma, de maneira a conhecerem-n'O por uma representação razoável (razoável é dizer racional como é lógico). Os que não acreditam... Bom, a lógica da negação do razoável é o irracional... É de irracionais que falo.


 Há dias na emissora nacional o sexólogo e a... (?) coisa, a Inês Maria, debatiam (na verdade rebatiam) a forma de Deus, justamente pela forma da sua representação, que é masculina...


 Evangelistas!...


Genesis, Jesus He Knows Me (We Can't Dance, 1991)


O fotograma é dos Genesis e representa outra forma caricata de vender Deus.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Do eguinho nacional

  Como sempre nestas ocasiões de orgulho nacional a precisar de afago, hoje era grande o inchaço nas notícias: cinco anos de trabalho para pôr os bonecos de Estremoz a par do chocalho. Um êxito português a avantajar o mundo e eu acho que sim; devemos perseverar neste amor ao amor que outros têm por nós (a frase não é minha, é do Boucherie das Irritações da S.I.C. Radical).


 Sigamos, pois, com o galo de Barcelos e sempre, sempre sem parar até aos bonecos das Caldas como património mundial. Outros mundos se espantarão.


Caneca das Caldas (in Olx)


 


Caneca das Caldas no Olx.

Zorradas

Confesso. O Zorro sei quem é. O Paulo Fonseca não.

O Sinal do Zorro, 1941


Fotomontagem:
Tyrone Power n' O Sinal do Zorro c/ anúncio da estreia no Diário de Lisbôa de 5/II/41.

Mobaile!

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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Notícias duns tados... e doutros

 Não sabe o que são tados? Pois a locução noticiosa da emissora nacional não se calava esta manhã com notícia dos Tados Unidos e do Trampa dos ditos Tados Unidos irem mudar a embaixada dos tais Tados Unidos da América em Israel de Telavive para Jerusalém.


 Uf!...


 E que isto que o bama Trump ia fazer era mau. — Tanto importa ao jornalismo isento. Ou ao noticiário nacional da emissora dita.


 Quere-me cá parecer que o Trump e os Tados Unidos podem bem pôr, dispor ou mudar as suas embaixadas onde bem entenderem. Eles é que sabem. Quere-me até parecer mais, se nisto de opinar gratuitamente como o jornalismo faz, eu também posso: é uma pena não mudarem a sua embaixada em Lisboa nas Laranjeiras para o Porto, que se quere um estado. Teria de certo mais proveito e menos efeitos secundários que mudar o Infarmed.



Igreja de S. Medina Martinho da Cedofeita, Porto c. 1954.
Mário de Novais, in Bibliotheca d'Arte da F.C.G.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Notícia de má nota na leitura

 Esta é fresquinha e vai direita ao Malaca Casteleiro.



 Uma avaliação internacional apurou que os alunos portugueses do 4.º ano [i.é, 4.ª classe] pioraram na leitura. Em cinco anos a média desceu onze pontos, colocando Portugal em 30.° lugar entre 50 países [...] O problema está nos resultados aos testes sobre literacia e a leitura. E aqui as crianças portuguesas entre os 9 e 10 anos descem 11 pontos em relação ao estudo anterior realizado em 2011. Na prática estão pior na leitura.


(«Má nota na leitura», Jornal da Noite, S.I.C., 5/XII/17.)



 Ora bem, em 2011, começaram a ensinar aos meninos o acordo ortográfico para a aprendizagem do português ser mais fácil. E foi.


Criança de 6-7 anos e a ortografia


 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Produto de exportação (barato)

 Repito-me.
 Logo quando o vi em ministro lhe medi a pinta. Este «meu» tinha mesmo, mesmo o arzinho daqueles cromos do liceu que comiam calduços a torto e a direito de toda a gente, até das tipas, porque sempre que abriam a bocarra só saía asneira. Prova-se.





  Portugal é bom para fazer investimentos porque «os portugueses são os que mais horas trabalham na Europa», além de serem muito baratos quando comparados com os franceses, por exemplo, disse ontem o ministro das Finanças a uma plateia de gestores, em Lisboa (Luís Reis Ribeiro, «Centeno: portugueses trabalham muito e são baratos», in Diário de Notícias, 16/VI/16).



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Fim de obras.jpg


 

domingo, 3 de dezembro de 2017

sábado, 2 de dezembro de 2017

Esta apresentação

  Não gosto de mudanças de visual... Não gosto de mudanças.


 Não sei que fiz. Escangalhei a página. Tentei recuperá-la inglòriamente; os que passaram por aqui na última hora e meia devem ter notado. Um aborrecimento!


 Escolhi esta apresentação ao calhas e agora fica. Estou enregelado e 'inda não jantei.


Retiro do Caliça, Estr. dos Salgados (P.G Guedes, c. 1900)


Retiro do Caliça com vista não sei para que  montes, Estr. dos Salgados, c. 1900.
Paulo Guedes, in archivo photographico da C.M.L.

E.N. 249, km 19,...?

E.N. 249, Rio de Mouro (A. n/id, s.d.)


E.N. 249, Rio de Mouro, c. 1960.
A. n/ id., in Pinterest ou Lisboa Antiga, nem sei bem.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Hábitos de estrebaria

 Há tempos um chefe inqualificável de governo ofereceu um banquete de Estado a figurões da Ouropa e África nas cocheiras do palácio. Há pedaço ouvi nas notícias que o defunto roqueiro foi ali deposto para velar. Não me admirava que a ideia houvesse sido agora do inquilino do palácio. Mas, avaliando bem autores e encenação, ele não destoa: do protocolo aos hábitos de estrebaria tudo se conforma a este tempo, lugar e gente. Porém, do banquete ao velório, como de toda perfiguração de figurantes, figurinhas, figurões, gente d'algo — e de cidadões comuns, valha a democracia —, talvez o roqueiro fosse o que menos merecesse a desconsideração. Mais que não fosse, pelo respeito devido aos mortos. Enfim!...


 


Picadeiro real, Belém (P. Guedes, c. 1900)
Picadeiro do palácio, Belém, c. 1900.
Paulo Guedes, in archivo photographico da C.M.L.