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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Rua n.º 8 do sítio de Alvalade

 Tendo ao fundo os pavilhões do Júlio de Matos logo supôs o archivista tratar-se aqui da abertura da Av. de Roma.  Nada mais fácil, que vos parece?
 Pois trata-se da abertura, sim, do troço inferior da futura rua de Fausto Guedes Teixeira (edital de 1948), como a observação atenta ao casarão meio encoberto pelo muro permite perceber. Os terrenos onde passeia a vereação da Câmara (?), onde escavam os operários, onde acampam ciganos, eram a orla Sul da antiga Quinta dos Castelinhos em que se edificou o hospital de Júlio de Matos.
 Apreciável desbaste de terras para rasgar a serventia que ali havemos hoje. Cuido que o muro cujos restos se viam era de contenção de terras, que para lá teriam cota ainda superior à das terras que vemos para cá dele.

Rua de Fausto Guedes Teixeira, Lisboa (J. Benoliel, c. 1948)



A27271.jpg


Rua de Fausto Guedes Teixeira (J. Benoliel, c. 1948)




Fotografias:
Caboucos da rua n.º 8 do sítio de Alvalade (futura de Fausto Guedes Teixeira) nos alvores do bairro daquele nome,
Lisboa, c. 1948.

Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Passagem de nível

 Passei ontem no sítio retratado no postalinho e a passagem de nível foi evidente. -- Ironias!... -- O nível da passagem é inferior -- um desses túneis de má catadura, sombrios e ajavardados pela... arte urbana, parece que dizem... -- É o nível da cultura em direcção ao último estado da civilização: para baixo.
 Do ponto do fotógrafo a vista avistava a estrada de Algueirão ladeada de casinhas portuguesas à Raul Lino, alcançando o horizonte: um outeiro com pinheiros (Casal da Cavaleira?). Em Portugal havia este lugar aprazível para morar ou para ir de comboio. Tome o benévolo leitor por lá modernamente as vistas nos sapatos do fotógrafo a ver a pós-moderna e tão apregoada mobilidade barrada (e borrada) nos muros que segregam a gare de embarque das ruas adjacentes. -- Não fora a derrocada do comunismo e Berlim mai-los subúrbios da Alemanha oriental haviam de se desmoronar de inveja. -- A vantagem no entanto é de quem embarque no comboio se não agonia com ver do lado de fora as ruas apinhadas de automóveis, redecoradas com os modernaços condomínios que filharam o chão às moradias e o romantismo ao lugar. Um aviso lhe faço, porém: se houver de comprar viagem nos tranvias saiba que não paga só a viagem; é-lhe exigido que adquira disciplinada e prèviamente o direito de poder comprar bilhete: um cartãozinho de 100 mil réis. Mas, sossegue: a companhia dos caminhos de ferro que lhe solìcitamente vende o bilhetinho de comboio vende-lhe com a mesma generosidade o direito prévio obrigatório de poder comprá-lo. Sem direito a reembolso.

Algueirão-Mem Martins -- Passagem de nível (A. Passaporte, c. 1953)
Algueirão - Mem Martins -- Passagem de Nível, c. 1953.
Postal de Ant.º Passaporte, in archivo photographico da C.M.L.

(Revisto.)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O calvário da linguagem

 Um orante rezando o terço ao fim da tarde pronuncia «crucifixão».
 Bom! Há séculos que sabemos da Crucificação e de crucifixos. «Crucifixão», a não ser um crucifixo muuiiiito grãããande e pesado, há-de ser um novo calvário: o de desaprendermos agora tudo, até não sabermos a mais elementar linguagem.


Retábulo do Crucificado, Igreja de S. Jerónimo Real (S. Francisco), Braga (R. Smith, 1962-64)
Retábulo do Crucificado
, Igreja de S. Jerónimo Real (S. Francisco), Braga, 1962-64.

Robert Smith, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.




Nota: claro que o Priberam cauciona já o estúpido vocábulo; como cabe lá tudo, até sniper, Deus nos valha!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A armar aos estadistas

 O presidente do Intendente, primeiro-ministro do Rato, tem dois buracões a empecer a viação no cimo da Almirante Reis, ao Areeiro, e na Cruz do Tabuado, mas deve andar entretido noutras m...


O estadista (imagem na Radio Faial, entre outras)
(Imagem na Radio do Faial, entre outras.)

Arrimando à Grécia a despeito da rima

 Não sei se a Sophia (à grega) alguma vez ancorou em Hidra nem se por lá avistou Pessoa ou se foi devaneio poético.
 Sei de se ontem a emissora 2 pôr a cavalo na aluvião grega destes dias, estribada na Sophia evocando Fernando Pessoa em Hidra -- ou Hydra, à grega. Puseram com isso no ar um fonograma -- ou phonogramma, à grega -- declamado por Luís Cintra, ou Sintra, à portuguesa. Estranhei uma tónica aguda -- ou oxytona, em grego -- no Cintra a dizer Hidrá no primeiro verso, destoando do natural paroxítono grego Ύδρα -- que portuguesmente soa Hidra -- e a desarrimar-se ainda mais do terceiro verso debrucei-me ávida.
 Liberdade poética, dir-me-ão. Pois, mas no descaso na liberdade da rima e da métrica, ancorou em
Hydrá... debrucei-me avidá também dava ao poemeto...






Em Hydra, evocando Fernando Pessoa

Quando na manhã de Junho o navio ancorou em Hydra
(E foi pelo som do cabo a descer que eu soube que ancorava)
Saí da cabine e debrucei-me ávida
Sobre o rosto do real ― mais preciso e mais novo do que o imaginado

Ante a meticulosa limpidez dessa manhã num porto
Ante a meticulosa limpidez dessa manhã num porto de uma ilha grega

Murmurei o teu nome
O teu ambíguo nome

Invoquei a tua sombra transparente e solene
Como esguia mastreação do veleiro
E acreditei firmemente que tu vias a manhã
Porque a tua alma foi visual até aos ossos
Impessoal até aos ossos
Segundo a lei de máscara do teu nome


Sophia de Mello Breyner, in Os Poemas sobre Pessoa, apud Aprender até morrer.






Rebelo Gonçalves, Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, Atlântida, Coimbra, 1947, pp. 8-9.
Rebelo Gonçalves, Tratado da Ortografia da Língua Portuguesa, Atlântida, Coimbra, 1947.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Os atiradores furtivos das traduções atiram ao português

Atirador especial; atirador furtivo; atirador de escol; atirador de elite; franco-atirador; atirador...



Siga a rafeirização do idioma.





(Imagem do Efeito dos Livros.)

Grândola vila morena

Vende-se democracia a povos que não distinguem um preso político dum político preso.


 



Distribuição de propaganda, Saldanha, 191...
Joshua Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.

domingo, 25 de janeiro de 2015

CP reforçou comboios para trazer fãs da Violeta

Av. dos Estados Unidos numa alta manhã antiga

Tirada do lado da pastelaria Luanda.


Av. dos Estados Unidos da América, Lisboa (S.A. Fernandes, 195...)
Av. dos Estados Unidos, Lisboa,  c. 1953.
Salvador de Almeida Fernandes, in archivo photographico da C.M.L.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Arquitectura no B.º de S. Miguel

Três choupos num gaveto perdido do B.º de São Miguel. Isto é arquitectura, benévolos leitores!

Rua de António Ferreira; gaveto da de Frei Amador Arraes, Lisboa (A. Serôdio, 1964)

Gaveto da Rua de António Ferreira com a de Frei Amador Arraes, Lisboa, 1964.
Armando Serôdio, in archivo photographico da C.M.L.

Dia de praça

Dia de praça, Alvalade (J.C. Alvarez, 1949)
Mercado do Levante, B.º de Alvalade, 1949.
J.C. Alvarez, in archivo photographico da C.M.L.

Sátiros

 Ontem de manhã o pé de microfone da emissora nacional reportava grave e oficialmente de Atenas. Dizia das sondagens darem em primeiro o Siriza, em segunda a Nova Democracia e em terceiros os neonazis, e que isto é que era perigoso.
 
Os neonazis em terceiros eram os perigosos; comunistas em primeiros, nada...

Sátiros (Praxíteles), Museu Arqueológico de Atenas, 2007.
Sátiros (Praxíteles), Museu Arqueológico Nacional de Atenas. (c) 2007.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O que é «o privado»?

 



 Hoje a notícia na emissora nacional.



 Há doentes com sucessivos agendamentos e cancelamentos de cirurgias para que administrações hospitalares não paguem operações no privado (Frederico Moreno, «Hospitais enganam utentes com falsos agendamentos de consultas e cirurgias», R.T.P./Antena 1, 23/I/2015).



 «No privado»?! Agora falamos todos assim, não é verdade?...
 Dantes falava-se a alguém em particular, agora só se faz tal coisa em privado. -- Não que esteja mal, mas, porquê tudo privado?...
 Um paisano, um individuo qualquer, é um particular ou é um privado?
 Dantes telefonavam por engano para minha casa, perguntavam se era do Liceu Felipa e respondíamos: -- Não senhor! É uma casa particular. -- Se isto viesse a dar-se hoje com um jornalista, responderia: -- Não senhor! É uma casa privada. (?!)


 «Privado» é o particípio passado do verbo «privar» que tem o sentido de tirar ou recusar a posse de, o direito a ou, simultaneamente, de conviver intimamente com...
 «Privado» é também adjectivo para dizer o que não é público.
 Adjectivo!


 Vender os bens nacionais a gente que financie a ideologia (ou a falta dela) no poder é moda desde pelo menos 1834... Sabemos que de sempre a jornalistagem abraça de alma e coração as modas e se agacha ao poder, mas, como actualmente não sabe mais de 30 palavras nem conhece a Gramática passou a dizê-lo (ao «privado») como substantivo, designando assim pessoa ou coisa particular. -- É isso aquele «paguem operações no privado.» -- O abuso do «privado» e a supressão do «particular» é mais um desses casos do amaricano a fazer de muleta a papagaios que não lêem, não aprendem, desprezam dicionários, ignoram o Português, e que devêm em parvajolas tão falhos de léxico corrente, trivial e quase infantil como ruir, derruir, desabar, desmoronar; claro que se despencam estrepitosamente do jornalismo, a colapsar, só a colapsar porque é o que lhes ressoa do amaricano.
 Dizer «privado» por «particular» é anglicismo que já enjoa, senhores! Derivar «privatizar» (e porque não «privadizar», ou «privadar»...?) de «privado» é engano; grossa estupidez a cavalo do amaricano «private»; pois se privado deriva já de privar, porquê o rodriguinho dum novo verbo para dizer vender?!


 É toda uma aculturação de quem desce ao seu buraco mcdonaldiano na civilização.

(Revisto. A imagem é dum repórter d' «A Patada» por .)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Escritor

O escritor de livros detrás do subdirector apresentador detrás da infectologia da S.I.C. também diz sekéstro.

Infectologista
(Imagem catada no livro das fuças.)


 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A língua evoluída

 Sabe o que é impatante? E sujacente?
 Trítico?...
 Elítico...?
 Não sabe...

Elítico.JPG



 Bom, não digo que tamanhos disparates me admirem dada a mole de indigentes escolarizados que Portugal tem obrado para pendurar nas estatísticas. Mas não deixa de chocar o rol de bojudas asneiras que a I.L.C. desfia há semanas. Aldrabões e politiqueiros ditaram lei a afinar a ortografia pelos bestuntos mais imbecis, cretinos, ignorantes e iletrados que pode haver (o português modernaço); ora esses, impiedosamente, aplicaram-na. Agora  cubram-nos de diplomas de doutor.
 O recorte do escudo elítico é da página do Governo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Rifão de dias mais compridos

 Em 20 de Janeiro, vae uma hora por inteiro. Quem no bem souber contar, hora e meia lhe há-de achar.


Saloios numa carroça de hortaliça, Loures (A. Pastor, c. 1950)


Saloios com uma carrada de hortaliças, Loures, 195...
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Azores


 O Vasco dos Açores está aborrecido com a debandada dos «camones». É chato. O Vasco e gente como o Vasco, que sem centelha de patriotismo se empenha em vender-nos mediante comissão a quem der mais, já está por tudo; até o exército popular da China lhe servia para cobrir a retirada dos «camones» -- No domingo à noite, o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, defendeu a possibilidade de as instalações da Base das Lajes, na ilha Terceira, serem usadas por chineses (Marta Moutinho e Mariana Adam, «Governo afasta China da base das Lajes», Económico, 19/1/2015). -- É curioso este Vasco não ter sugerido para ali os espanhóis; sempre capitalizava  sem mais despesa aquele www.azores que é a marca registada do alcouce em que Portugal, com tratantes mercantilistas como esse Vasco, se tem tornado.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

De Brandeburgo...


Bach, Concerto de Brandeburgo n.º 3 em Sol maior [3.º and. -- Allegro].
(Ensemble de Música Antiga de São Francisco, Voices of Music)

É Brandeburgo. Vem no prontuário!

 Esta gente do jornalismo, hoje em dia, é de dó. Que os bípedes que se locomovem por aí em geral leiam pouco mais que A Bola e nada mais saibam, ainda é como o litro; que se esperaria?! Mas que uma mole acreditada em viçosas licenciaturas ressoe essa vulgar estupidez iletrada nos noticiários, Deus nos valha!
 Trasanteontem uma locutora moça tão ignorante como lhe quem lhe redigiu o teleponto noticiava um acontecimento no «portão de Brademburgo» (Brá-dem-bur-go). Foi na abrasileirada R.T.P. e daí o disparatado «portão» em vez de «porta». Já Brademburgo!... Donde brotou tal coisa!?
 No canal ao lado, uma mais madura -- portanto com idade de poder ter adquirido um nadinha mais de cultura geral -- chapava em cheio, não com o portão, mas com a porta, vá lá! -- Mas de quê?
 De Bràdemburgo, outra vez!
 Em simultâneo, a esta última, aparecia no rodapé outra rafeirice... Desgraçada língua!



Jornal da Noite, S.I.C., 13/1/15.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Ró-naldo

 Ganhou hoje foro de notícia radiofónica a velha questão de dizerem ró-naldo ou ru-naldo. Vão mais de sete anos que emiti sentença com moderado meio termo, mas, como dizia o outro, só os burros não mudam. Vem assim a ser que, empreendendo novamente na questão e achando agora a vedeta inflada com três balões doiro e eternizada em bronze a ombrear com as melhores representações da fertilidade, não podemos em nenhum caso dizer senão ró-naldo, com primeiro ó bem aberto, ao modo mais fadista e gingão.



Penedo Comprido ou Menir do Oiteiro, Monsaraz (prox.), s.d..
In Guia da Cidade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Alvores da Av. de Dom Rodrigo da Cunha

 Exceptuando a ridícula lei dos mandatos dos presidentes de câmara ou da câmara, o artigo pode fazer muita diferença ao que dizemos. É o que se interpreta naqueloutro caso do estudante à saída do exame nacional que disse: -- «Saiu Eça de Queiroz e o Saramago.» -- Também assim nos nomes das ruas.
 Dizia-me o benévolo leitor José a propósito da Av. de Dom Rodrigo da Cunha que «a avenida não é "de", é apenas Avenida Dom Rodrigo da Cunha. Da mesma forma que as avenidas não são "do" Guerra Junqueiro, "do" Fontes Pereira de Melo ou "do" Duque de Loulé. São nossas, pois claro.»
 Bom, de serem nossas não estou certo de não havermos de pagar emolumentos à E.M.E.L. antes de invocarmos a legítima posse de qualquer arruamento ou serventia públicas de Lisboa. Dos nomes das ruas, praças e avenidas terem ou deixarem de ter preposição, vale serem elas, nos casos como os dados, de homenagem a alguém ilustre ou a algo notável (pelo menos em teoria, pois que o critério...)
 De serem do crelgo arcebispo de Lisboa, do poeta da 3.ª idade do Padre Eterno ou do fidalgo da saldanhada as avenidas trazidas à balha pelo meu benévolo leitor, é claro que não são. Porque nunca por lògicamente não vêm aquelas avenidas a ser atributos dos sujeitos nomeados, antes pelo contrário: são os sujeitos nomeados que antes são atributo das ruas [avenidas]; por homenagem, repito.
 Ora entendidos nisto, quando atribuímos em sua homenagem o nome de Dom Rodrigo da Cunha a uma avenida o que resulta, literalmente, é uma avenida de homenagem a si (a ele): a Av. de Dom Rodrigo da Cunha se elipticamente o dissermos sem dizer homenagem; ou a Av. Dom Rodrigo da Cunha quando nos já esquecemos da causa destas coisas.

Av. de Dom Rodrigo da Cunha, Lisboa (C. Madeira, c. 1950)

Av. de D. Rodrigo da Cunha, Lisboa, anos 50.
Claudino Madeira, in archivo photographico da C.M.L.


 


(Revisto às dez para as oito da noite.)

Balom Doiro

 Como esperado e conformemente aclamado pelos teleonanistas de bancada com lugar cativo nas TV, o discurso do matraquilho das 3 bolas áureas, ontem, foi uma riqueza, por todas as maneiras comprovada pelo ronco™ viril® de apoteose. Rendi-me ao assombro.
 A pequenês do prémio, no entanto, pareceu-me por demais aquém ante a brônzea enormeza do âmago do matreco.

Coiso..., Funchal, 2015.
(Imagem do Observador.)
 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Carlitos

 O Carlitos da D.ª Amélia era o neto da explicadora. O avô dele era o sr. Jacinto, um senhor de fato e chapéu de aba como  naquele tempo de garotos se já não via. A aura da D.ª Amélia era de pessoa severa -- às vezes ouvíamos de pôr os meninos mal comportados de castigo, de lhes pregar uma reguada até... -- Já o avô víamo-lo como um senhor antigo, de ar sério, correcto e de desvelo muito contido no trato com o Carlitos. Hoje, quando escrevo do avô do Carlitos nestes termos fico com a certeza de que o nome do senhor era Jacyntho, não Jacinto, como nos velhos tempos.
 Aí pelos 10, 11, o avô comprou ao Carlitos uma bicicleta de corridas com 12 mudanças, daquelas esguias e guiador de cornos de cabra; o paralelo em bicicletas das bolas cá de chumbo e do equipamento completo à Nené, com botas de jogador, pitons e tudo...
 Além da bicicleta o Carlitos era engraçado. Corria dele lá na rua (entre outras...) a antiga história de como bufara com ar grave de menino bem educado que um dos moços que andava na D.ª Amélia -- o Silvino -- dera um flato: -- Ó 'vó, aquele menino deu uma serena! --  Falava com certa gaguez mas entoava umas harmoniosas notas avulsas com voz a propender para tenor. Como tinha ouvido para os «jingles» dos anúncios e chavões das TV, inúmeras vezes dávamos conta dele na rua polo ouvirmos cantarolar. Quando os «skates» apareceram em voga, aí por 1978/79, uma frase que o Carlitos muito se lembrava de trautear era Ligier Gitanes, que também ligava a França e certa raça de gente...


js11.jpg

 Mas bom, tiro só disto nestes dias que, se me aparecesse aqui o Carlitos, lhe ouviria de certeza a cantilena «Je suis Charlie», que no seu caso se justificaria. No meu é que não.

(Revisto. Imagem de gpma.org.)

Funeral duma civilização

Nova Hégira, Paris, 2015
(Momento zero da Nova Hégira captado em zona antiliberal.)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Infante Santo

Av. Infante Santo, Lisboa (A. Pastor, c. 1980)
Av. Infante Santo
, Lisboa, c.1980

Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Álvares Cabral

Av. Álvares Cabral, Lisboa (A. Pastor, 1973)
Av. Álvares Cabral
, Lisboa, 1973

Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Lourença

 A mourinha encantada da S.I.C. diz sekéstro.

fotografia.JPG
Imagem do Abnóxio.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Porque não egreja?

 O idioma teve um processo de formação do latim vulgar às línguas românicas. Em «igreja» o «i» inicial não vem do «e» incial de «ecclesia» mas da vocalização do primeiro «c»; a forma antiga portuguesa é «eigreja» (& Vitimiro, quando vyo que os Godos tam valentemẽte entraron a cidade, foy ẽ muy grã medo e fogio a hũa eigreja de Sancta Maria», in Crónica Geral de Espanha de 1344) que se formou pelo mesmo processo de vocalização e ditongação que nos deu «feito» de «factum»; o ditongo «ei» antigo condensou-se em «i» tal como popularmente «eiró» se faz «iró».


i (Livro de Leitura da Primeira classe)

Meia página do Livro de leitura da primeira classe, 1ª ed., Lisboa, Papelaria Fernandes, 1967, in Ecos de Casével.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Este lá sabe...

 O ex-soares presidente ressoa hoje pelos noticiários em avisos ao futuro ex-cavaco de que, em não fazendo ele nada enquanto cavaco, se arrisca a lhe no futuro ferrarem um 44 nos lombos como aconteceu ao ex-sócrates primeiro.


PSdesconhecido.jpg


Rui Mateus, Memórias de um P.S. Desconhecido, Lisboa, Dom Quixote, 1996, vendido em ... ou proposto para abate ou esquecido em depósito, numa estante ou perdido de todo, nas bibliotecas de Lisboa.

Dum apocalipsezinho

 Nas próximas duas semanas é que vai ser. O fiel de armazém da D.G.S. anda a avisar da gripe e a instar na TV para que corramos já já a tomar a pica. Janeiro está aí e o frio é agora que vai fazer mossa (em Dezembro não; tínhamos de andar às comprinhas...); na América já começou e a gente deve vacinar-se para não gastar outros recursos de saúde (língua de pau para dizer remédios e assistência médica, decerto...) E lá explicou como entendido nas estirpes que andam à solta, que uma H3N não sei quantos é muito má, muito má para velhinos, crianças e doentes crónicos, sempre eles tão fràgeizinhos, não é uma dor de alma?!
 Pois mesmo não estando previsto o tal H3N não sei quantos no lote (na lotaria) das estirpes metidas na vacina em que os laboratórios fornecedores de governos apostaram este Inverno, não devemos, porém, deixar de diligentemente ir apanhar pica.
 Vacinação geral da populaça como placebo, enfim!
 E como renda sazonal. A corporação dos remédios mai-los seus agentes de vendas oficiais (D.G.S.) e oficiosos (jornalistas) à procura de desencalhar stocks mercadoria em armazém pelo sempre lucrativo banzé dum apocalipsezinho.


Obra antituberculosa, Junta da Província da Beira Litoral (M. Novais, post 1945)
Obra antituberculosa, Junta da Província da Beira Litoral, post 1945.
Mário de Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.

Retrato da «longa noite» sob o plúmbeo sol da uma da tarde

 Restauradores, cerca de 1956. No Condes o drama «Suspeita» (título original «Obsession») com Michèle Morgan e Raf Vallone. Na base do obelisco três agentes da tenebrosa P.I.D.E. vigiam opressivamente um perigoso suspeito que conspira pela liberdade ali mais à esquerda (lado sempre suspeito). O imberbe antifascista resvalara na tentação panfletária de pintar um subversivo mural de néon por cima do Condes anunciando a futura obra socialista democrática d' A CRIL.


Restauradores, Lisboa (A. Ferrari, c.1956)
Restauradores, Lisboa, c. 1956.
Amadeu Ferrari, in Archivo Photographico da C.M.L.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O lugar da mulher antes do grande acidente nacional...

Ou a esquina do Diário de Notícias com polícia de trânsito...


Esquina do Diário de Notícias, Rossio (A. Pastor, 1973)
Esquina do Diário de Notícias, Rossio, 1973.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Rua do Carmo

Rua do Carmo, Lisboa (A. Pastor, c. 1980)
Rua do Carmo
, Lisboa, [1973].

Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.