Elton John & Kiki Dee, Don't Go Breaking My Heart
(1976)
domingo, 28 de fevereiro de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Metro: Campo Pequeno
Como uma banal fotografia duma saída do Metro nos dá uma cidade completamente transfigurada! O quarteirão da Avenida da República ao fundo, entre o Campo Pequeno e a Barbosa du Bocage, está irreconhecível. Foi todo demolido.
Gente bem apresentada saindo do Metro.
Nem a cidade nem a gente têm hoje tão bom ar, parece-me... - A cidade, decididamente, não tem!
Metro: Campo Pequeno, na esquina da Av. de Berna, Lisboa, anos 60.
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
A mentalidade Colorelle
Na telefonia propunham hoje, depois do almoço, um debate – ele agora diz-se forum – se Portugal devia promover uma campanha de relações públicas lá fora para melhorar a imagem. É esta mentalidade da imagem de algo se fabricar por artifício e não como corolário dum engenho e trabalho capazes que com certeza fundou a peneirosa doutrina do empreendedorismo.
Colorelle de L'Oréal, 1963.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
As três ordens
Há dias a candidatura a Presidente do Dr. Fernando Nobre lançou os menestréis da opinião pública para a lírica demanda se a participação de pessoas da sociedade civil podia enriquecer o debate político.
Bom! No Antigo Regime havia a Nobreza, o Clero e o Povo, também dito o Terceiro Estado, mas a civilização progrediu muito desde a Revolução Francesa e agora temos a classe político-partidária, os jornalistas e a sociedade civil, também dita o cidadão comum.
Depreende-se assim melhor daquele linguajar como no Estado de Direito democrático só os cidadãos comuns é que são iguais perante a Lei.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Isto é de gente séria?
« Conta quem por lá passou logo após a presença dos chefes de Estado e de Governo, em Dezembro de 2009, que a zona "foi deixada completamente ao abandono, coberta de detritos".»
In Público, 19/2/2010, apud «O que os meus olhos vêem», Lisboa S.O.S., 21/2/2010.
O que os meus olhos vêem, Belém, 2010.
Fotografia: Lisboa S.O.S..
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Pa... pa... parábola do tempo actual
... em tijolo de burro e poema em inglês.
The Housemartins - Build
(The People Who Grinned Themselves To Death, 1987)
(Conservado numa caixa de lata há quase três anos.)
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
O mundo da transparência
Ouvi de manhã duma Parque Escolar, uma sociedade comercial com capital social do Estado (Entidade Pública Empresarial, é como se chama às empresas públicas agora) cujo negócio, sem os floreados panfletários da moda, se parece resumir em requalificar e modernizar os edifícios [das] escolas secundárias [...] e uma correcta gestão da conservação e manutenção dos edifícios após a intervenção. Se a primeira parte parece dizer um comum trabalho de obras públicas, a segunda já elabora muito mais: em rigor não é singelamente conservar edifícios, nem propriamente executar a manutenção de coisa nenhuma; é antes gestão – correcta, não vá alguém supor o contrário – da conservação e da manutenção. Este estilo de dizer as coisas é típico de gente que faz que sabe, simula que faz, mas que no fim só sabe pagar para alguém fazer. E só paga porque é dinheiro dos outros...
Isto leva-nos de volta à primeira parte (a requalificação e modernização de liceus) que é, afinal, mais elaborada do que parecia: algures no capítulo 5 do Relatório de Sustentabilidade (não recomendo a leitura mas não há perigo em só consultar) desta tão modelar empresa percebe-se que não passa ela duma intermediária para adjudicar empreitadas. — A bem dizer parece-me que nem tem gente capaz de redigir os próprios relatórios. O de sustentabilidade, p. ex., foi encomendado a uma tal Leadership Business Consulting com o objectivo de relatar, a todas as partes interessadas da empresa [as não interessadas e as que não forem da empresa não são chamadas], a estratégia, os principais compromissos e desafios da [própria] Parque Escolar. Imagine-se que gente tão à toa! Esta espécie de empresa contratou uma consultora para lhe ela ditar a cartilha por onde se há-de guiar. Talvez a verdadeira cartilha seja outra...
Ouvi, pois, de manhã que esta Parque Escolar, nas escolas secundárias em obras, não será meramente uma dona de obra sem manejo de pá nem balde. Ela torna-se efectivamente proprietária dos imóveis. Talvez o negócio desta empresa não seja só fazer obras com fato e gravata mas também além disso ir fazendo uma rica engorda imobiliária. Não tarda está boa para o talho das privatizações.
Liceu Pedro Nunes em obras, Lisboa, c. 1909.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
(Texto revisto à meia-noite.)
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Mascaradas (é tempo delas)
Liguei a televisão e dizia no rodapé: Joe Berardo disponível para comprar a golden share [não terá isto tradução?] do Estado na Telecom.
Cuido que o comendador ainda deva gozar do crédito da C.G.D..
...
Cursus Honorum
A moderna república romano-germânica guarda inúmeros cargos aos patrícios da Lusitânia. Ontem lá seguiu o cidadão Gaio Constâncio o seu Cursus Honorum.
(Escadote em...Reeditado em 18/III/13.)
Ai mas que bem!
Liguei a televisão. Está um cavalheiro que é presidente da Câmara de São Brás de Alportel, ar lavadinho, e duas damas. Parece que se atrapalhou ele algo para chegar e pareceu-me ouvir uma das damas: - "...e Lisboa não é uma slow city."
Uma selou cite...
São Brás de Alportel, Algarve, 2007.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
O 7
O 7 lembro-me de o irmos apanhar à Alameda, ao pé do Pão de Açucar, quando íamos à Tia Etelvina em Odivelas. Também era costume apanhá-lo com o meu pai para a bola, mas nestas vezes descíamos à Praça do Chile, que para a bola o 7 era costume vir sempre muito cheio.
Das visitas à Tia Etelvina, ao domingo, recorda-me de certa vez, já tarde, que tornámos de táxi e não no 7. O primo Ludgero estava na tropa e veio connosco, tinha que voltar ao quartel. - Foi isto talvez em 74, que a Tia Etelvina andava em cuidados por não saber se o primo haveria de ir ou não para África; tenho memória de a minha mãe a descansar dizendo que com a revolução, era bem provável que já não fosse.
Pois nessa vez demos boleia ao primo até o Relógio. Como de costume houve disputa comigo e com o meu irmão para ver quem se sentava à frente. O meu pai ditou a ordem dizendo - "Quem vai à frente é quem usa farda. Os soldados são os mais importantes." - Resignámo-nos. O meu irmão fez questão de ser o último a entrar...
O táxi subiu pela Carriche e pelo Lumiar sem novidade para mim, habituado que estava ao caminho do 7. Estranhei foi o desvio no Campo Grande. Em crianças atentamos em tudo: ficou-me até hoje gravada a imagem nocturna daquela avenida (a 2ª circular) desconhecida, sem casas, iluminada com sucessivos candeeiros baixos e bem ritmados com o avanço do táxi. Parámos no Relógio e enquanto o primo Ludgero saía e se despedia, o meu irmão, afoito, galgou para o banco da frente. Ser o último a entrar dera-lhe afinal a vantagem de ser o primeiro a sair, o manhoso. Ainda esbocei uma reclamação que o meu pai calou não fazendo caso, antes dando de imediato ordem de prosseguir ao motorista. Consolei-me com reconhecer a Avenida do Aeroporto – esta era-me familiar; já lá tinha passado antes de carro com o primo Zeca. – Não tardou chegámos a casa. O caminho do 7 nesse dia ficou arrumado. Mas havia de o fazer em muito domingo até o fim dos anos 70.
Trago aqui esta historieta minha e que só de raspão se liga com título. Mas se o benévolo leitor for curioso dos autocarros da Carris e estiver interessado na história do 7 encontra-a bastante completa no blogo «História das Carreiras da Carris»: pode ler lá que o 7, o autocarro da Avenida de Roma é sexagenário desde o passado dia 1 de Fevereiro e que a Carris lhe prevê reforma antecipada: tem planos de suprimi-lo em breve.
Autocarro de dois pisos (carreira 7), Alameda, [s.d.].
In História da C.C.F.L. em Portugal (1946-2006), v. 3, Carris e Academia Portuguesa da História, 2006, p. 125.
Mercado do Bairro dos Actores em construção
Os prédios novíssimos que se vêem à margem da obra nalgumas imagens (lado direito) são os da Rua Lucinda Simões (fotos 1 e 3) e Rosa Damasceno (4).
Projecto de Luís Benavente (1902-1993) construído entre 1939 e 1942.
Fotografia: Estúdio Mário Novais: 1940-43, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
(Revisto ao meio-dia. Tornado a rever em 10/II/18 às 7h00 da tarde.)
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Lisboa em projecto

Projecto do jardim para o Bairro dos Actores na confluência das Ruas Eduardo Brazão (SO), Carlos Mardel (S-N), Ferreira da Silva (NO), Rosa Damasceno (N), Lucinda Simões (NE) e José Ricardo (SE) com a Rua Ângela Pinto (circular). No seu lugar veio a ser construído o mercado do Bairro dos Actores cuja empreitada de terraplanagens e fundações foi dada a António Veiga por escritura de 29 de Junho de 1939. O contrato de empreitada da superestrutura e rede de abastecimento água e luz foi firmado com a Sociedade Amadeu Gaudêncio em 11 de Maio de 40.
O mercado do Bairro dos Actores tem vários nomes: é também designado por Mercado de Arroios e mais vulgarmente dito praça do Chile.
Planta s/ menção de autor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.; fotografia de Eduardo Portugal.
Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa.
Duas da Rua Carlos Mardel, Lisboa
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Dó ré mi fá...
O jornaleiro do quiosque às 9h30 da manhã tinha o Sol esgotado.
– Está tudo esgotado, já não arranja. Tive um senhor que com este fazia oito quiosques. Não há nada!
Vendedor de jornais e revistas, Rua do Regedor, 1967.
Sid Kerner, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Dos compromissos publicitários
O jornalista Nicolau respondia esta manhã ao locutor do Rádio Clube Português sobre se há ou não liberdade de expressão em Portugal. Dizia empolgado que há: que em Portugal toda a gente diz o que quer; que ainda ontem o dr. Pires de Lima afirmara na televisão que o primeiro ministro não passa dum vulgar aldrabão de feira. Ora alguém dizer uma coisa assim quando havia censura é certo e sabido que à saída do estúdio estaria preso. Pois ontem à noite nada aconteceu. O que aconteceu, sim, foi que no instante em que dizia isto na telefonia, este jornalista Nicolau foi de súbito abafado por um jingle publicitário, sendo bruscamente retirado do ar, isto enquanto se ouvia de raspão ainda o locutor: – "Não é censura, Nicolau, mas temos de acabar. Compromissos publicitários" – e entrou um anúncio.
Isto que sucedeu não passa duma trivial grosseria mercantileira que nem desmente o abafado jornalista Nicolau. De feito, salvo o fascismo e o tabaco, em Portugal qualquer um pode grasnar o que panfletariamente queira: Desde que se deva ouvir - o que se deve poder ouvir, porém, é que é já outra história...
O anúncio (compromisso publicitário, digo) que cortou o pio ao jornalista Nicolau nem prestei atenção; pode ter sido ao sabão macaco ou a qualquer artigo de feira, mas o anúncio que veio em segundo lembro-me: foi aos cem anos da República...
Visado por Troll Urbano.
Desimbarcadoiro de Villa-Nova-da-Rainha
Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra, [1ª ed.], vol. I, Lisboa, Typographia da Gazeta dos Tribunaes, 1846, p. 16.
Pela descrição seca não parece ser o cais das Obras Novas. Na Vila Nova devia haver outro.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Paradoxos
C.C. Colombo, Lisboa, 2004.
Uma civilização com uma dinâmica tão poderosa que permite subir e descer escadas estando parado, é só natural que produza também planos de... estabilidade e crescimento.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Terreirinho das Farinhas (adenda)
Terreirinho das farinhas – Freguesia da Sé – Aparece assim denominando, mas no singular, em 1781 [Liv. XVII de baptismos, fl. 94 – Sé]. Também o vemos designar por larguinho da Farinha na Ribeira (1782/83) [Liv. XIII dos óbitos, fl. 95 – idem].
Veja-se o que desta serventia pública dissemos no 1º volume deste trabalho [ver].
Luiz Pastor de Macedo, Lisboa de Lés-a-Lés, vol. V, 3ª ed., C.M.L., 1968, p. 42.
Terrreirinho das Farinhas, Ribeira Velha de Lisboa, [s.d].
Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Terreirinho das Farinhas
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Restos de feira
A feira começou por ser dos porcos mas cedo lhe mudaram o rótulo – marketing oblige. Houve muitos pregões, foi grande o arraial e a fanfarra, gente importante quis aparecer. Nem assim acorreu grande freguesia – a roda gigante bem girava, mas ia quase vazia. Então foram calando o realejo; aos poucos que muitos vinham desmontando a tenda. Alguns – talvez pelo disfarçar – deram eco a que esta fora, afinal, uma feira de burros. Acabou o que sobrava dela. A barraca das farturas cancelou hoje o resto das encomendas – ainda agora parece que tem a roulote atulhada de mercadoria...
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
As grandezas do sr. ministro
Ao almoço ouvi na rádio o sr. ministro das Finanças referir-se a uma parcela do deficit de 2009: dívida da antiga J.A.E., parece-me, prevista em "0,2 pontos do P.I.B." que foi afinal (e literalmente debitada pelo sr. ministro) de "0,4 do P.I.B.". Este linguajar mais-ou-menos sobre contas, eu e o benévolo leitor entendemo-lo. O que o sr. Ministro quereria dizer é que aquela parcela não foi 2‰ mas antes 4‰ do Produto Interno Bruto.
Na escola primária (na do meu tempo) esta barafunda de grandezas era caso para palmatoada, quando não para merecida raposa. No falar do sr. ministro das Finanças, agora, já tanto faz.
[Escola primária de] Mesão Frio, Vila Real, 1988.
Alfredo Cunha, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
…
« Eu estava a quatro passos – confirma o pintor [Artur de] Melo. – Um homem subiu às traseiras do carro, olhou o rei cara a cara e deu-lhe um tiro de revólver. Vi um fumozinho branco sair-lhe do pescoço e, cem anos que eu viva, nunca mais me esquece a expressão de espanto daquela máscara. »
Raul Brandão, Memórias, Tomo I, Relógio d'Água, Lisboa, 1998, p. 148.

Achille de Beltrame, Domenica del Corriere, 9-16/2/1908.
[O regicídio foi há 102 anos...]


