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domingo, 14 de fevereiro de 2010

O 7

 


 O 7 lembro-me de o irmos apanhar à Alameda, ao pé do Pão de Açucar, quando íamos à Tia Etelvina em Odivelas. Também era costume apanhá-lo com o meu pai para a bola, mas nestas vezes descíamos à Praça do Chile, que para a bola o 7 era costume vir sempre muito cheio.
 Das visitas à Tia Etelvina, ao domingo, recorda-me de certa vez, já tarde, que tornámos de táxi e não no 7. O primo Ludgero estava na tropa e veio connosco, tinha que voltar ao quartel. - Foi isto talvez em 74, que a Tia Etelvina andava em cuidados por não saber se o primo haveria de ir ou não para África; tenho memória de a minha mãe a descansar dizendo que com a revolução, era bem provável que já não fosse.
 Pois nessa vez demos boleia ao primo até o Relógio. Como de costume houve disputa comigo e com o meu irmão para ver quem se sentava à frente. O meu pai ditou a ordem dizendo - "Quem vai à frente é quem usa farda. Os soldados são os mais importantes." - Resignámo-nos. O meu irmão fez questão de ser o último a entrar...
 O táxi subiu pela Carriche e pelo Lumiar sem novidade para mim, habituado que estava ao caminho do 7. Estranhei foi o desvio no Campo Grande. Em crianças atentamos em tudo: ficou-me até hoje gravada a imagem nocturna daquela avenida (a 2ª circular) desconhecida, sem casas, iluminada com sucessivos candeeiros baixos e bem ritmados com o avanço do táxi. Parámos no Relógio e enquanto o primo Ludgero saía e se despedia, o meu irmão, afoito, galgou para o banco da frente. Ser o último a entrar dera-lhe afinal a vantagem de ser o primeiro a sair, o manhoso. Ainda esbocei uma reclamação que o meu pai calou não fazendo caso, antes dando de imediato ordem de prosseguir ao motorista. Consolei-me com reconhecer a Avenida do Aeroporto – esta era-me familiar; já lá tinha passado antes de carro com o primo Zeca. – Não tardou chegámos a casa. O caminho do 7 nesse dia ficou arrumado. Mas havia de o fazer em muito domingo até o fim dos anos 70.
 Trago aqui esta historieta minha e que só de raspão se liga com título. Mas se o benévolo leitor for curioso dos autocarros da Carris e estiver interessado na história do 7 encontra-a bastante completa no blogo «História das Carreiras da Carris»: pode ler lá que o 7, o autocarro da Avenida de Roma é sexagenário desde o passado dia 1 de Fevereiro e que a Carris lhe prevê reforma antecipada: tem planos de suprimi-lo em breve.

Autocarrro 7, Alameda (História da CCFL, vol 3)
Autocarro de dois pisos (carreira 7), Alameda, [s.d.].
In História da C.C.F.L. em Portugal (1946-2006)
, v. 3, Carris e Academia Portuguesa da História, 2006, p. 125.

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