Como uma banal fotografia duma saída do Metro nos dá uma cidade completamente transfigurada! O quarteirão da Avenida da República ao fundo, entre o Campo Pequeno e a Barbosa du Bocage, está irreconhecível. Foi todo demolido.
Gente bem apresentada saindo do Metro.
Nem a cidade nem a gente têm hoje tão bom ar, parece-me... - A cidade, decididamente, não tem!
Metro: Campo Pequeno, na esquina da Av. de Berna, Lisboa, anos 60.
Fotografia: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Tem toda a razão, Caro Bic! Nem a cidade, nem as gentes... Resvalamos da civilização para a barbárie, para as «Eras Negras» que sobrevieram à queda do Império... (Romano, há 1500 anos, Português, no presente).
ResponderEliminarBela e nostálgica foto (bem no início da década de 60, pelos carros e trajes).
Cumprimentos.
Também noto sinais de fim de ciclo. Pode ser só impressão.
ResponderEliminarCumpts.
Não será só impressão, Caro Bic. Infelizmente, pois a degradação nada tem de agradável, e ainda menos de épico.
ResponderEliminarCumprimentos.
Nestes tempos havia patriotismo e muito orgulho em ser português...havia menos bandalheira e mais civismo...sem ser saudosista ou fascista, todos sabemos que Portugal era um País...afinal a liberdade de Abril pouco nos trouxe de bom, uma vez que foi confundida muitas vezes com a liberdade de tudo se poder fazer ao abrigo da "democracia"...
ResponderEliminarSerá que os genes lusitanos são os mesmos ou degeneraram em "tuguismo"??
Caro Gastão mas há lá coisa mais bonita do que ver a roupoa interior de garotos e garotas, ou até a falta daquela nestas?!?! Há lá coisa melhor do que ir na rua e ver garotas vestidas como meninas frquentadoras de casas duvidosas e moços a segurarem com as mãos as calças (com certeza que as compraram folgadas já a contar poderem engordar!)?!? Há lá coisa melhor que ver ruas sujas, paredes riscadas ao abrigo da liberdade?!?!
ResponderEliminarEu não sou saudosista, eu não sou fascista, eu não comparo a Lisboa de hoje (ou outro sítio qualquer) à Lisboa de há 50, 40 ou 30 anos, pois só tenho 27. E considero que o facto de ter nascido em plena liberdade não me dá o direito de abandalhar a cidade onde vivi 8 anos ou andar na rua como se fosse um palhaço ou ignorando por completo o significado de pudor...
Ah! Tenho que acrescentar, gostei muito da imagem. Lisboa seria mais bonita se ainda tivesse o Campo Pequeno assim.
ResponderEliminarCara Luísa:
ResponderEliminarComo tenho o dobro da sua idade, posso-me dar ao luxo de ser saudosista. Não por ser fascista - não sou, mas também o Estado Novo não o era (mais uma cretinice propalada, dos bárbaros que nos tomaram de assalto), pois era corporativista - mas por poder comparar; e, asseguro-lhe, o sentimento de opressão e vigilância policiesca de agora é muito maior e pesado do que era na altura. Quanto a liberdade de expressão, vai pelo mesmo caminho. E nos dias de hoje há que acrescer a bandalheira generalizada que refere, a ausência total de ética, honra e escrúpulos, e a falta daquela luz tão clara que tornava Lisboa tão especial. Por isso é que se chamava assim (de Lux Buna ou Luz Boa, e não Olissipo).
Cumprimentos.
Também tenho o dobro da idade da Luisa E já lá diz o povo e muito bem ."Atrás de mim virá quêm justiça me fará "
ResponderEliminarAfinal continuamos na mesma ou ainda pior .
Que bonitas moradias, parecem autênticas casas de bonecas. Até a claridade de Lisboa (famosa cá e lá fora), bem patente nesta fotografia, parece ter desaparecido para sempre, como muito do que era normal e corrente na sociedade portuguesa, como por exemplo e só para referir dois aspectos fundamentais, o civismo absoluto e o respeito total pela autoridade e pelo próximo e que tanta falta nos fazem e a enorme saudade que nos deixam. De facto este troço da cidade está completamente irreconhecível, como diz. A cidade de Lisboa está uma autêntica desgraça. A famosa democracia trouxe-nos muita coisa "boa" - como os democratas não se cansam de proclamar, mentindo alarvemente, há 36 anos para convencer os incautos e o bom povo crente - principalmente uma degradação total das instituições, uma violência como nunca se viveu em Portugal, roubos diários dos mais simples aos mais violentos, mega corrupções e traficâncias nas mais altas instâncias do Estado e da sociedade civil, libertinagem da mais desbragada, desrespeito absoluto pelos mais velhos, etc., etc. Já para não falar na reles classe política e não só, que mais parecem salteadores de estrada. Quanto à justiça que nos devia proteger como povo (é para isso que ela existe) e que tão carente está dela, é simplesmente inexistente. Se isto não são bençãos "magníficas" que os democratas nos trouxeram, então não sei o que lhes hei-de chamar. Na verdade devemos-lhes tantos e tão grandes favores que nem uma vida inteira nos chegaria para lhos agradecer. Sim, não há dúvida, nós povo português estamos-lhes eternamente gratos. Dito doutro modo, estamos-lhes eternamente gratos sem dúvida alguma mas por nos darem motivos de sobra para os amaldiçoarmos enquanto nos restar um sopro de vida.
ResponderEliminarMaria
Pois! Bem parece.
ResponderEliminarCumpts.
Fomos reeducados nisso do tuguismo, fomos. Foi um êxito: Portugal ficou uma migalha, mas assaz nutrida de professores mais ou menos scolaris. E figos...
ResponderEliminarCumpts.
Quando não havia liberdade havia o dever de não abandalhar. Já viu a opressão?!...
ResponderEliminarCumpts.
É bem verdade!
ResponderEliminarCumpts.
Curiosa foto, sem dúvida. Dos edifícios que se avistam em fundo, só resta o palacete à direita, junto ao autocarro. E mesmo esse, esteve, vai não vai, para dar a alma ao criador. Os restantes marcharam todos. Não eram obras-primas arqitectónicas, é certo, mas os pardieiros a armar ao pingarelho que vieram a seguir são, seguramente, bem piores.
ResponderEliminarNote-se o sinaleiro, figura práticamente extinta nos dias de hoje. Com o fim dos do Grilo e de Xabregas, só restam os do Museu dos Coches e do Principe Real. Este será, provalvelmente, o último a ser extinto. Devido à proximidade, seguirá dalí, directamente, para o Museu de História Natural.
Atente-se, também nas pessoas que estão no acesso ao Metro: parecem manequins. Demasiadamente bem vestidos para o dia-a-dia e em pose pouco natural (veja-se o fulano de cabeça encostada ao gradeamento). Dá a impressão deuma foto encenada.
A.v.o.
Nem mais, Caro Bic!
ResponderEliminarCumprimentos.
«Dá a impressão de uma foto encenada». É bem provável. O que não invalida o ambiente geral.
ResponderEliminarCumprimentos
Na mesma não estamos.
ResponderEliminarCumpts.
Como há-de Lisboa ter a mesma luz se os mamarrachos que plantam só fazem sombra?
ResponderEliminarA democracia trouxe-nos os democratas, para começar. Portugal é que não teve a essa sorte porque acabou logo aí.
Cumpts.
O palacete que diz foi demolido; é na Av. da República, nº 50, na esquina com a Barbosa du Bocage, onde há uma consultora ou algo assim.
ResponderEliminarA fotografia parece ter figurantes, sim, mas não teve grande trabalho de encenação; esse fulano que diz mais parece um curioso atrevido a quem o fotógrafo ignorou. E os figurantes ignoraram o fotógrafo, claro.
Cumpts.
O palacete sobrevivente de que falo, é o que se situa na esquina da Av. de Berna com a Av. da República, do lado do Saldanha e que, num primeiro olhar me pareceu ser o que está junto ao autocarro.
ResponderEliminarA.v.o.
Esse conserva-se. Mas há-de ver como o irão abafar...
ResponderEliminarCumpts.
Esse palacete meio Arte-Nova ainda lá está e creio pertencer à Câmara de Lisboa, era/é onde está/va instalada a EMEL...
ResponderEliminarMaria
Nota: Só agora li estes comentários (após o meu), seguindo a ligação que deixou hoje, 7/4/13...
Leia-se "amaldiçoar" e não amaldiçoarmos.
ResponderEliminarSó hoje e agora:), depois de reler o meu comentário, reparei no erro verbal na última linha.
Maria
Esse palacete não está na imagem. Também não sei de a E.M.E.L. habitar ali.
ResponderEliminarCumpts.
É o palacete que faz esquina da Av. de Berna para a Av. da República. E sim, parece-me aquele que vejo na imagem. É de cor esverdeada, meio desmaiada. Pelo menos era quando eu lá passava, já vai algum tempo.
ResponderEliminarMaria