O jornalista Nicolau respondia esta manhã ao locutor do Rádio Clube Português sobre se há ou não liberdade de expressão em Portugal. Dizia empolgado que há: que em Portugal toda a gente diz o que quer; que ainda ontem o dr. Pires de Lima afirmara na televisão que o primeiro ministro não passa dum vulgar aldrabão de feira. Ora alguém dizer uma coisa assim quando havia censura é certo e sabido que à saída do estúdio estaria preso. Pois ontem à noite nada aconteceu. O que aconteceu, sim, foi que no instante em que dizia isto na telefonia, este jornalista Nicolau foi de súbito abafado por um jingle publicitário, sendo bruscamente retirado do ar, isto enquanto se ouvia de raspão ainda o locutor: – "Não é censura, Nicolau, mas temos de acabar. Compromissos publicitários" – e entrou um anúncio.
Isto que sucedeu não passa duma trivial grosseria mercantileira que nem desmente o abafado jornalista Nicolau. De feito, salvo o fascismo e o tabaco, em Portugal qualquer um pode grasnar o que panfletariamente queira: Desde que se deva ouvir - o que se deve poder ouvir, porém, é que é já outra história...
O anúncio (compromisso publicitário, digo) que cortou o pio ao jornalista Nicolau nem prestei atenção; pode ter sido ao sabão macaco ou a qualquer artigo de feira, mas o anúncio que veio em segundo lembro-me: foi aos cem anos da República...
Visado por Troll Urbano.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Dos compromissos publicitários
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Durante a II° guerra os militares para distraírem o inimigo arranjavam Tancos fictícios , para o inimigo se enganar de objectivo, hoje como ontem, na politica é exactamente a mesma coisa.
ResponderEliminarComo se dizia antigamente casa aonde não há dinheiro toda a gente ralha e ninguém tem razão , estas historias de censura, nos países em que o nível de vida é elevado ninguém liga, quando se tem um bom ordenado, um bom serviço de saúde , os filhos a estudar de borla e com qualidade. Isto é uma forma de entreter a população , esconder as incompetências dos políticos e gestores portugueses, tocar de acender fogueiras umas atrás das outras e assim se vende papel.
É isso que diz, para o povo. Para o Rádio Clube é mais "publicidade institucional". Tenho até impressão que o primeiro anúncio desta historieta era que "o aeroporto agora está mais aeroporto. ANA - Aeroportos de Portugal".
ResponderEliminarCumpts.
Infelizmente, caro Bic, não vi convenientemente explorada a tese do Dr. Pires de Lima. Ou foi por novas maquinações da «censura»; ou porque, realmente, não há nada a explorar nas evidências. :-)
ResponderEliminarMais a segunda. Cumpts.
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