Há dias as senhoras lá no trabalho apareceram quase todas vestidas de roxo ou lilás, uma cor assim. Perguntei a uma se o roxo estava na moda (foi mais afirmar que perguntar) e recebi a resposta:
- Beringela.
(Bouquet Beringela em flores.pt.)
terça-feira, 31 de março de 2009
Beringela
segunda-feira, 30 de março de 2009
Hora móvel
Quando hoje liguei o telefone móvel vi que tinha finalmente a hora certa. Cuidava que aparelhos de telefone tão modernos e sofisticados fossem mais lestos a telefonar por eles para a Hora Legal. Este que possuo demorou seis meses.
Posto do relógio padrão da Hora Legal, Lisboa, início do séc. XX.
Alberto Carlos Lima, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
domingo, 29 de março de 2009
Restruturação de percurso
Passagem de nível da Cruz da Pedra, São Domingos de Benfica, 1969.
Arnaldo Madureira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
« Devido ao encerramento da passagem de nível na Cruz da Pedra, o percurso da carreira 11 é completamente restruturado a partir do dia 29 de Março de 1971 (segunda-feira).
A carreira passa a efectuar terminal na Praça do Comércio, de onde circula pela Rua do Ouro/Rua Augusta, Rossio, Largo Dom João da Câmara, Restauradores, Avenida da Liberdade, Marquês de Pombal, Rua Joaquim António de Aguiar, Avenida Engenheiro Duarte Pacheco, Auto-Estrada,Cruz das Oliveiras e Avenida Tenente Martins até à Cadeia de Monsanto, onde retoma o percurso habitual até à Buraca.
O serviço entre a Picheleira e o Rego (Hospital Curry Cabral) continua a ser assegurado pela carreira 11A. A ligação a Sete Rios é garantida através de transbordo para as carreiras 26 ou 31 nas Avenidas Novas. O Bairro do Calhau passa a ser servido apenas pelas carreiras que circulam na Estrada de Benfica.»
In Cruz-Filipe, A minha página da Carris.
Guia Informativo de Autocarros e Eléctricos, Carris, Novembro de 1970.
Id., ib.
Rua Joaquim António de Aguiar
Uma fotografia inverosímil da Rua Joaquim António de Aguiar em Março de 39, há 60 70 anos. - Talvez de inícios de Março considerando as despidas árvores. - As casas que se atravessam podem ser da Rua de Artilharia 1, e à direita o muro, do palácio Abrançalha. Isto antes de rasgar-se dali a Av. Duarte Pacheco. Mas escrevo isto de cor.
A cabina e o poste dos telefones dão uma ar pitoresco, de fora de portas, ao local.
Rua Joaquim António de Aguiar, Lisboa, 1939.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
sábado, 28 de março de 2009
Prédio da autoria de Cassiano Branco
Quando a bitola de cinco pisos — seis com o desnível — chegava…
Ruas Castilho e Joaquim António de Aguiar, Lisboa, [1936-1958].
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Foto do dia
quinta-feira, 26 de março de 2009
Demolido
Da incompetência entreguista
quarta-feira, 25 de março de 2009
Linha do Corgo
" Da Regoa saimos com rasoavel atraso, e não está nos habitos d'este caminho de ferro compensar os atrazos pelas velocidades. A anedota conta-se em Hespanha, mas tem um sabor tão nosso que bem a podemos nacionalisar. Um passeante encontra-se n'uma gare á chegada d'um comboio de passageiros. Olha o relogio e verifica que chegou precisamente á hora. Muito admirado, dirige-se ao chefe da Estação, faz-lhe notar o facto, e apresenta-lhe, por tal motivo as suas felicitações. O chefe, agradecendo com reverencia, homem sério, não querendo deixar o outro lamentavelmente iludido, por muito que isso lisongeasse a sua vaidade de funcionario: - Pues el tren que llega es... el de ayer!
A verdade é que vamos atrazados [...] "
in Brito Camacho, Jornadas, (Agosto de 1915).
A verdade é que já não vamos... senão de autocarro.
Linha do Corgo, Vila Real, 2005.
Fotografia de Pedro Flora.
sábado, 21 de março de 2009
Casa Empis
1907, 5.º Prémio Valmor. Demolido em 1954. Avenida Duque de Loulé, 77. Autor: António Couto [de Abreu]. Proprietário: Ernesto Empis (1).
« Durante a frequência da instrução primária, andei na catequese que funcionava junto à igreja de Lousa [...] Na altura, a minha catequista era a D. Cristina Empis que morava, principalmente no Verão, no Casal do Fetalinho, perto da nossa casa. Os Empis, julgo que de origem judaica, mas que tinham há muito optado pelo catolicismo, eram pessoas extraordinariamente simples, embora de um elevado estatuto social — o Senhor Ernesto Empis era accionista e administrador do então Banco Burnay, entre outros lugares que ocupava; a D. Cristina Empis, sua filha, que viria a casar com um diplomata, ensinou-me a doutrina católica até eu ser crismado. Em casa dela, todos gostavam muito de mim, incluindo as criadas e eu, claro, deles! A D. Cristina e a sua irmã a D. Isabel Empis (ainda viva) tentaram que eu seguisse os estudos num seminário. Para esse efeito, um dia foi lá, a casa dos Empis em Lousa, almoçar um alto dignitário da igreja para avaliar, segundo penso, a minha motivação e vocação. Após o almoço esse dignitário esteve a conversar comigo e, de repente, perguntou-me: “Porque é que queres ir para padre?” Respondi: “Para não ter muitos filhos, que custam muito a criar!” Pronto, o problema ficou logo resolvido, nunca mais me falaram em ser padre!... » Fernando Patronilo d' Araújo Website (Adolescência). Em breves instantes na Internete eis o que me foi fácil descobrir sobre a casa Empis da Duque de Loulé que, salvo aquela fotografia bastante conhecida, tão mal documentada parece andar. (1) Lisboa Desaparecida, vol. 5, 2.ª ed., Quimera, 1996, p. 147. |
sexta-feira, 20 de março de 2009
Palacetes irreais
Há dias dei conta que se montava um estaleiro em frente do nº 35 da Duque de Loulé...
Ministério da Justiça, Direcção Geral dos Registos e do Notariado e Conservatória dos Registos Centrais, Lisboa, 1961.
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
No fim, em Lisboa, nenhum palacete há-de resistir ao camartelo que a ganância imobiliária brande. Leio no blogo da Cidadania LX que se prepara um prédio de oito andares e que logo ao lado, um mamarracho de gosto inqualificável que é da Sociedade Portuguesa de Autores, está inventariado na Carta do Património anexa ao Plano Director Municipal. - O palacete neo-gótico do nº 35 não! - Até dói o coração. Quando o mau gosto campeia é demolidor. Resigno-me e faço já por esquecer. É que não tarda hão-de somar-se-lhe os últimos dois palacetes que restam na Avenida João Crisóstomo (do nº 40 foi a P.S.P. despejada à má fila no ano passado, o que demonstra bem quem manda).
E mais dois que definham no gaveto da Av. Fontes Pereira de Melo com a Av. 5 de Outubro.
E mais o nº 1 da Av. da República que já está bem como há-de ir, não fora o Instituto de Beleza...
E mais o nº 1 da Rua Rebelo da Silva; e mais a moradia do nº 2 da Av. António Augusto de Aguiar, &c., &c, &c....
Resignar-me é, pois, o melhor remédio, que é para não morrer destes cuidados.
Av. João Crisóstomo, 38-42, Lisboa, 2008.
Av. Cinco de Outubro, 2, Lisboa, 2008.
Av. da República, 1, Lisboa, 2008.
Contra-luz
quarta-feira, 18 de março de 2009
Televisão
Altos momentos televisivos por cabo, alternativos aos Gouchas e às Fátimas Lopes, são aqueles em que um telespectador telefona dando palpites sobre um assunto na berra e o apresentador fica quieto e calado a olhar para a câmara.
(Imagem da S.I.C. Notícias.)
terça-feira, 17 de março de 2009
Três 3
Bom sabor dos velhos tempos ou a fama que vem de longe tanto dá. Ambas servem a esta imagem de Lisboa, não?!...
AEC Regent III da Carris, nºs. de frota 214, 209 e 205, Terreiro do Paço, 1982.
Fotografia de John Ward.
domingo, 15 de março de 2009
Brande
Dizer brande por brandy é coisa velha. Imagino se alguém o ainda dirá. - É como dizer Pipe por Pipi (a da meias altas). Havia uma tia - e creio que a minha mãe - que o diziam. Há tempos repeti-o de igual modo a uma sobrinha de três: - "Não é Pipe é Pipi!" - corrigiu com certa autoridade. Foneticamente são coisas distintas mas no falar ligeiro dum lisboeta típico significa o mesmo.
Recorda-me agora dum anúncio que houve ao brandy Constantino. Mostrava já fora de época um autocarro de dois andares da Carris, dos de porta atrás, passando no Rossio. Cuido que o anúncio fosse dos anos 80. Quando pergunto ali à senhora se se lembra, nada. Nem do bom sabor dos velhos tempos? - "Ah! Sim, tenho ideia."
Mas era um anúncio ao brandy, não ao brande.
Fotografia: Rossio, Lisboa, [1947]. Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), inBiblioteca de Arte da F.C.G..
sábado, 14 de março de 2009
Lisboa, Rossio
« O primeiro projecto de um monumento no Rossio - em louvor da Constituição - data de 1820, havendo sido lançada a pedra fundamental em 15 de Setembro de 1821; não prosseguiu. O segundo, que ainda deu um famoso «Galheteiro» - que algum tempo ocupou o lugar - teve a primeira pedra em 8 de Julho de 1852; não andou por diante e foi demolido em 1864.»
Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa.
Haveria de ilustrar o excerto com uma fotografia de por volta de 1860, mostrando o 'galheteiro', do fotógrafo Venceslau Cifka. Convenci-me que a tinha visto no Arquivo Fotográfico da C.M.L.. Afinal não. Acha-se em Marina Tavares Dias, Lisboa Antes e Agora, 1ª ed., Quimera, Lisboa, 2006, p. 9. Necessitaria da autorização da autora para publicá-la aqui, mas nada justifica maçá-la com assunto tão fútil.
Olho o Rossio pela janela do Fórum Motor Clássico.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Das cifras
A escrita, de ser um modo cifrado de representar a realidade - um significante - passou ela própria a substância da realidade significada. Independentemente do que a realidade seja, esta torna-se o que a escrita diga dela. Um diploma, por ex., vai num ápice de representar o valor da sabedoria aprendida por alguém ao próprio saber do diplomado. Seguindo este cânone, a escrita contabilística vai da representação da riqueza dum magnata à sua própria riqueza. Assim como os bens passam de ter o seu valor intrínseco (o da sua utilidade ou necessidade, para começar) para terem o valor que se lhes queira inscrever na etiqueta de preço. Se só se venderem muito baratos bens etiquetados com preço muito caro, pode alguém dizer que desvalorizaram, ou a realidade é que nunca tenham valido o preço escrito na etiqueta?
quinta-feira, 12 de março de 2009
Fiambre
Edifícios da Aveirense, Lda, Aveiro [Lisboa], [s.d.].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G..
quarta-feira, 11 de março de 2009
Lisboa no Passado e no Presente
O fascínio pela Lisboa doutras eras já me vem de moço. Da idade em que nem concebia uma vista do Tejo tirada do castelo, sem a ponte. Ou quando me pareciam irreais os eléctricos circulando o Areeiro, como naquele velho postal da sr.ª D.ª Raquel. Outras eras — também é bom que diga — é qualquer tempo da cidade antes de eu embarcar nela… — Aquele tempo que, pelo acaso do destino, me não foi dado testemunhar, afinal… Uma espécie de idade de ouro perdida.
Na curiosidade olisipográfica andava a par com um amigo cuja afoiteza na busca do desconhecido era mais eficaz. Não sei já como foi, mas este meu sócio das primeiras andanças olisipográficas lá desencantou na biblioteca dos C.T.T. a Lisboa no Passado e no Presente, primeiro volume em fascículos duma monumental obra sobre Lisboa. Autores vários (com prefácIo do general França Borges e evocação de Jorge Segurado) contribuíram e compilaram para o 1.º vol. textos desde a Fundação e Nome de Lisboa, Lisboa Romana e Visigótica, Lisboa Árabe, mais Os Grandes Acontecimentos da História de Lisboa desde a sua tomada aos mouros até à trágica jornada de Tânger. Os volumes seguintes não chegaram a publicar-se e desconheço o plano da obra, que ficou assim incompleta. Bem ilustrado com gravuras antigas e fotografias modernas, mas já na época relativamente datadas — o que só valorizava — ali estava Lisboa como se já não via então; era tal qual nas imagens como tantos suspiramos por ela: arejada, desafogada, parece que mais luminosa.
Fomos umas quantas vezes à biblioteca dos C.T.T. da Casal Ribeiro, à Estefânia (cuido que seja hoje uma agência imobiliária), para nos deliciarmos com a obra. Frustrante era não se terem publicado mais volumes. — E haviam de fazer-se? — bem perguntávamos ao bibliotecário por eles…
Passado tempo — com uns dinheiros da Feira da Ladra suponho —, o meu amigo destas andanças olisipográficas arrematou num alfarrabista uma colecção inteira de fascículos por encadernar arrumando assim como que pelos dois a questão. Perdido o contacto fui-me esquecendo de Lisboa no Passado e no Presente (a obra, não o assunto), a ponto de lhe esquecer o título (cf. comentários nº 2 e 3). Isto até há quinze dias, quando por causa dum primeiro volume da Lisboa de Lés a Lés desci a Calçada do Combro…
Ontem a sr.ª Dona T. publicou a fotografia que fecha o volume que esta longa história trata: a Praça do Duque de Saldanha, à noite. Fotografia de Victor Figueiredo, 1971, com toda a certeza. O cinema Monumental exibia os Vagabundos Selvagens. Parece que veio a perder-se por obra deles.
Praça do Duque de Saldanha, à noite, Lisboa, [1971].
Fotografia a cores (dupla página) de Victor Figueiredo, in Lisboa no Passado e no Presente, Excelsior, Lisboa, imp. 1971.
Nota: ajeitado já tarde e outra vez anos ao despois.
terça-feira, 10 de março de 2009
D. Luiz
Locomotiva a vapor nº 1, D. Luiz, [s.l.],[s.d.].
Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in Biblioteca de Arte da F.C.G..
domingo, 8 de março de 2009
Variedades: os fantásticos Rolling Stones
The Rolling Stones - Under My Thumb
(Ready, Steady, Go! - Edição Especial)
sábado, 7 de março de 2009
Deputação parlamentar
Para ir das palavras aos actos teria de haver honra. E dignidade. Como uma e outra passaram a valer o que dá o mercado, lava-se uma num chuveiro de perdigotos enquanto se cospe a outra por impropérios reles. Mas é um passo adiante da barbárie, com certeza.
Duelo entre o conde de Penha Garcia e Afonso Costa, Ameixoeira, 1908.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Feitos saloios no Rossio
(Comigo à procura do galheteiro.)
Portugal: tipos de Lisboa, Rossio, 1900-1910.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Oremos!
"Vamos obviamente esperar que não aconteçam mais situações de grande queda da... da bolsa..."
Sujeito: nós; predicado: esperar.
Obviamente.
O poeta
"Votei como um acto de homenagem ao S.N.S. e aos seus fundadores:"
E havia de ter sido para aliviar os doentes da canga das taxas?
Ora!
Portugal, 1890-1910.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Desvio de recursos?
quarta-feira, 4 de março de 2009
Usar óculos escuros prejudica a audição
Diz um estudo - isto foi um estudo - que usar óculos escuros deixa ouvir pior. Embora se perceba... explicaram melhor: o movimento dos lábios de quem fala facilita a audição em ambientes ruidosos.
Como esta manhã ia sem óculos escuros pude ouvir lindamente na telefonia do carro a notícia deste estudo. A ruidosa chiadeira dos cérebros dos estudiosos, em fundo, reforça a validade da tese.
Samuel Ward McAllister com orelhas de burro, c. 1890.
© Bettmann/CORBIS
terça-feira, 3 de março de 2009
Capitollo LXXXVIº
Como foe morto Nuno Tristam em terra de Guinee, e quaaes morrerom com ele.
« [...] E porem fez logo hũa caravella, a qual armada começou sua vyagem, nom fazendo algũa detença em algũa parte, senom seguyr todavia contra a terra dos Negros. E passando per o Cabo Verde, foe mais avante Lx. legoas, onde achou huũ ryo, em que lhe pareceo que deverya de aver algũas povoraçoões; pello qual mandou lançar fora dous pequenos batees que levava, nos quaaes entrarom .xxii. homeẽs, scilicet, em huũ dez, e no outro doze. E começando assy de seguyr pello ryo avante, a maree crecia, com a qual forom assy entrando, seguindo contra hũas casas que vyam aa maão dereita. E acertousse que ante que saissem em terra, sayrom da outra parte .xij. barcos, nos quaaes seryam ataa Lxx. ou Lxxx. Guineus, todos negros, e com arcos nas maaõs. E porque a augua crecia, passousse a alem huũ barco de Guineus, e pos os que levava em terra, donde começarom de asseetar aos que hyam nos batées. E os outros que ficavam nos barcos trigavanse quanto podyam por chegar aos nossos, e tanto que se vyam acerca, despendyam aquelle malaventurado almazem, todo cheio de peçonha, sobre os corpos dos nossos naturaaes. E assy os forom seguindo ataa chegarem aa caravella, que estava fora do ryo, no mar largo; porem todos asseetados daquella peçonha, de guisa que ante que entrassem ficarom quatro mortos nos batees. E assy feridos como hyam atarom seus pequenos batees ao bordo de seu navyo, começando de o apanharem pera fazerem vyagem, vendo o periigoso caso em que estavam; mas nom poderom levantar as ancoras polla multidom de seetas de que eram combatidos, pollo qual lhe foe forçado de cortarem as amarras, que lhe nom ficou algũa. E assy começarom de fazer vella, leixando porem os batees porque os nom poderom guindar. E assy dos .xxii. que sairom fora nom scaparom mais que dous, scilicet, huũ Andre Dyaz, e outro Alvaro da Costa, ambos scudeiros do Iffante, e naturaaes da cidade dEvora; e os dez e nove morrerom, porque aquella peçonha era assy artefficiosamente composta, que com pequena ferida, somente que aventasse sangue, trazya os homẽes ao seu derradeyro fim. Ally foe morto aquelle nobre cavalleiro Nuno Tristam [...] » Gomes Eanes de Zurara, Chronica do Descobrimento e Conquista da Guiné, Pariz, J.P. Aillaud, 1841, pp. 399 e ss..
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Feitos da Guiné
Ah! a Guiné! Esse sólido e soberano Estado parido da barbárie colonial pelo modelo de excelência entreguista. Um dos feitos da Guiné foi o dum certo Portugal e o Futuro neo-ortográfico, para regimento da escrita do reino.
As notícias ontem eram que na Guiné mataram o presidente.
(Chronica da Guiné,de Zurara,
in Biblioteca Nacional Digital.)
domingo, 1 de março de 2009
Das duas vezes que vi o Lúcifer
Deu-se o caso há dias de me ter recordado — e de ter contado a alguém a história — duma festa qualquer a que fui certa vez, sendo época de Carnaval, com uns moços amigos lá da paróquia. Havia quem conhecesse quem organizava, suponho, e parece que quem quer que quisesse ir era bem vindo. Convidaram-me e fui também. Era num 2.º andar num prédio antigo na Av. Duque de Ávila. Fomos lá mas não nos demorámos; aquilo não parecia muito animado.
De saída cruzámo-nos com o Lúcifer. Não vinha mascarado nem coisa nenhuma, mas só eu me dei conta dele; e não me contive que não dissesse alto: — «Olha aqui o Lúcifer!»
O Lúcifer, lembro-me, mostrou má cara ao comentário da sua presença ali.
Nós, saindo entretanto, fomos tentar outro bailarico de Carnaval, salvo erro na Faculdade de Veterinária. Recorda-me que um de nós escondeu nas moitas do gradeamento do Liceu de Camões uma garrafa de Martini que desviara à socapa da festa da Duque de Ávila. Disse que ao depois da Veterinária a iria ali buscar para a festa ser maior. Julgo que no fim não a encontrou. — Calhando foi da cerveja, que se esqueceu...
Isto passou-se e o Carnaval de há dias também…
Bom! Finalmente, para arrumar a história: ontem cruzei-me de novo com o Lúcifer. Foi num alfarrábio [alfarrabista] da Calçada do Combro. Ele procurava livros de Teatro. Eu peguei na deixa dele lá no Carnaval da Duque de Ávila e não comentei em voz alta já, a sua presença ali.
Mas venho dizê-la agora cá.
(Imagem em...)

