foi um choque enorme para mim ao ver este edifício demolido! se há demolição que não compreendo é esta: era um edifício lindo, útil, espaçoso, em bom estado, perfeito para escritórios (actividade popular na zona), portanto PORQUÊ deitá-lo abaixo!!!
À altura dos grandes penteados… daqueles que tudo fazem para esconder o espaço vazio das suas cabeças. Quanto mais alto, mais feio e mais chocante, menos se interrogam as almas sobre as verdadeiras intenções!
Nunca achei o edifício muito atractivo. Tinha uma fachada demasiado austera, um bocado estilo Estado Novo, com aparência de grande solidez de construção. Contudo, fazia parte dos meus cenários de infância, princípio de juventude. Lembro-me dele quando vínhamos de carro da chamada Auto Estrada do Estádio, tingido pelas cores do fim de tarde. Vá-se lá saber porque que é que estas coisas ficam na memória tanto tempo e com tanta precisão. Talvez porque o sítio, ao contrário do bairro popular onde viviamos, tivesse um aspecto de periferia habitada por classe média alta, calmo, com pouco movimento de carros e pessoas e com prédios de estilo diferente daqueles que eu via todos os dias. A.v.o.
A pacatez do lugar deu no que sabemos. Os prédios 'diferentes' que por lá plantaram mais modernamente são ex-libris (ex-lobbies) banalíssimos e de currículo dividoso... Não sei o que lá esteve depois. Sei que no 'quintal' desta casa há grandes terraplanagens. Não há sobrar palmo de terra por cimentar. Cumpts.
Com ocasionais devaneios por outras proveniências, adúlteros pecadilhos dos quais sempre regressou ansiando as doces certezas do que é familiar, o meu pai foi - é - um impenitente condutor de FIATs.
Comecei, consta, a frequentar esse edifício nos tempos - de que não guardo verdadeira memória - dos FIAT 600 que, reza a lenda familiar, se trocavam quando o primeiro jogo de pneus se gastava; porque os pneus se pagavam a pronto - penosa despesa! - e um 600 novo se ia buscar ao stand, dando o "velho" como entrada e mantendo sem alteração significativa as prestações mensais.
Lembro-me dele, do edifício, por alturas do segundo (creio) FIAT 124, carinhosamente lá deixado para uma revisão, e seria das primeiras, e depois abandonado, mal travado, por um mecânico, na rampa que descia do portão às oficinas. Quando, ao fim do dia, o papá foi "levantar" o carro...
Depois os FIATs dos meus pais começaram a ser levantados noutros locais. E o actual já passou liberalmente a dezena de anos. Fiel companheiro, por sinal. Do edifício, só mesmo as memórias.
E assim vai desaparecendo a Lisboa da minha infância .
ResponderEliminarCarlota Joaquina
foi um choque enorme para mim ao ver este edifício demolido!
ResponderEliminarse há demolição que não compreendo é esta: era um edifício lindo, útil, espaçoso, em bom estado, perfeito para escritórios (actividade popular na zona), portanto PORQUÊ deitá-lo abaixo!!!
É o 'pugresso'. Cumpts.
ResponderEliminarR/C, 1º e 2º. O edifício não estava à altura.
ResponderEliminarCumpts.
À altura dos grandes penteados… daqueles que tudo fazem para esconder o espaço vazio das suas cabeças.
ResponderEliminarQuanto mais alto, mais feio e mais chocante, menos se interrogam as almas sobre as verdadeiras intenções!
Abraço
Esta zona da cidade ainda não estava suficientemente retalhada e feia… :-0
ResponderEliminarAbraço
Nunca achei o edifício muito atractivo. Tinha uma fachada demasiado austera, um bocado estilo Estado Novo, com aparência de grande solidez de construção. Contudo, fazia parte dos meus cenários de infância, princípio de juventude. Lembro-me dele quando vínhamos de carro da chamada Auto Estrada do Estádio, tingido pelas cores do fim de tarde. Vá-se lá saber porque que é que estas coisas ficam na memória tanto tempo e com tanta precisão. Talvez porque o sítio, ao contrário do bairro popular onde viviamos, tivesse um aspecto de periferia habitada por classe média alta, calmo, com pouco movimento de carros e pessoas e com prédios de estilo diferente daqueles que eu via todos os dias.
ResponderEliminarA.v.o.
Se a memória não me atraiçoa, após a Fiat, estive istalada neste edifício a, na altura, Emissora Nacional.
ResponderEliminarA.v.o.
A pacatez do lugar deu no que sabemos. Os prédios 'diferentes' que por lá plantaram mais modernamente são ex-libris (ex-lobbies) banalíssimos e de currículo dividoso...
ResponderEliminarNão sei o que lá esteve depois. Sei que no 'quintal' desta casa há grandes terraplanagens. Não há sobrar palmo de terra por cimentar.
Cumpts.
Tudo o que se lá tem feito desde que fechou a Carris me parece feio.
ResponderEliminarCumpts.
Com ocasionais devaneios por outras proveniências, adúlteros pecadilhos dos quais sempre regressou ansiando as doces certezas do que é familiar, o meu pai foi - é - um impenitente condutor de FIATs.
ResponderEliminarComecei, consta, a frequentar esse edifício nos tempos - de que não guardo verdadeira memória - dos FIAT 600 que, reza a lenda familiar, se trocavam quando o primeiro jogo de pneus se gastava; porque os pneus se pagavam a pronto - penosa despesa! - e um 600 novo se ia buscar ao stand, dando o "velho" como entrada e mantendo sem alteração significativa as prestações mensais.
Lembro-me dele, do edifício, por alturas do segundo (creio) FIAT 124, carinhosamente lá deixado para uma revisão, e seria das primeiras, e depois abandonado, mal travado, por um mecânico, na rampa que descia do portão às oficinas. Quando, ao fim do dia, o papá foi "levantar" o carro...
Depois os FIATs dos meus pais começaram a ser levantados noutros locais. E o actual já passou liberalmente a dezena de anos. Fiel companheiro, por sinal. Do edifício, só mesmo as memórias.
Costa
Mémorias é só que sobra. Grato pelas suas.
ResponderEliminarCumpts.