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domingo, 15 de março de 2009

Brande





 Dizer brande por brandy é coisa velha. Imagino se alguém o ainda dirá. - É como dizer Pipe por Pipi (a da meias altas). Havia uma tia - e creio que a minha mãe - que o diziam. Há tempos repeti-o de igual modo a uma sobrinha de três: - "Não é Pipe é Pipi!" - corrigiu com certa autoridade. Foneticamente são coisas distintas mas no falar ligeiro dum lisboeta típico significa o mesmo.

 Recorda-me agora dum anúncio que houve ao brandy Constantino. Mostrava já fora de época um autocarro de dois andares da Carris, dos de porta atrás, passando no Rossio. Cuido que o anúncio fosse dos anos 80. Quando pergunto ali à senhora se se lembra, nada. Nem do bom sabor dos velhos tempos? - "Ah! Sim, tenho ideia."

 Mas era um anúncio ao brandy, não ao brande.

 




Fotografia: Rossio, Lisboa, [1947]. Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), inBiblioteca de Arte da F.C.G..

14 comentários:

  1. "O bom sabor dos velhos tempos!" - sem dúvida.
    Sobre estes anúncios luminosos no Rossio, há tempos cruzei-me ao mesmo tempo com quem deles se recordava com saudade e com quem os achava deploráveis sobre a praça.
    Eu tenho uma certa nostalgia do Rossio desses tempos. Talvez, como a maior parte das nostalgias, se deva apenas à nossa idade na época.
    Tenho pena que tenham desaparecido.
    Abraço

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  2. Agora fiquei aqui com a dúvida: esse "bom sabor dos velhos tempos" não era da Macieira?
    Do Constantino lembro-me que tinha "a fama que vem de longe".
    Abraço

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  3. É como dizer "mine" (mini), ou "piqueno", ou "devertido". Todos estes tiques de linguagem, curiosamente, têm uma imediata identificação temporal e/ou social.

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  4. Caro Amigo,

    Boa observação. Essa preocupação com o idioma anda hoje completamente arredia do pensamento dominante das nossas pretensas elites, que acumularam ignorância, na proporção de certos rendimentos de que usufruem, sabe Deus por que artes.

    Hoje, nem um teste drive pode ser teste de condução, nem um spread pode ser desvio, ou taxa de lucro do Banco, já que o spread/desvio implica dois sentidos, positivo ou negativo, e o dos Bancos é sempre praticado num só sentido, só descendo a parte imposta pela Entidade europeia.

    Coisa idêntica se tem passado com os preços dos combustíveis : rápidos a subir, lentos na descida, em oposição até às conhecidas leis da Física newtoniana.

    Melhores dias virão, espera-se.

    Bom início de semana.

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  5. Ficou vossemecê e agora eu. É esperar que alguém com memória mais certa resolva.
    As saudades de certas coisas, acredito, são como diz: por causa da idade em que as descobrimos.
    Cumpts.

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  6. Sim. Mas o brande passou à escrita. Oficial. Cumpts.

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  7. Ouço o sr. primeiro ministro vociferar 'bota-abaixismo' e percebo como enriqueceu o vocabulário pelas telenovelas. Não tem mal, é uma questão de cultura...
    O acordo ortográfico, que o vejo impor, não passa dum negócio qualquer. Demosntra todavia que o caso é mais grave: é civilizacional. Outros tempos virão. Se melhores...
    Obrigado pelas suas certeiras observações. Boa semana.

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  8. Mas é bem capaz de ter razão.
    A memória a pregar partidas, ai ai!
    Cumpts.

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  9. Attenti al Gatti15/3/09 22:55

    Como escreví neste forum, há pouco tempo atrás, o anúncio do brandy Constantino e o do Fósforo Ferrero (assim uma espécie de espigas a oscilarem) fazem parte das memórias da minha infãncia.
    Chegava eu, em companhia dos meus pais, à saída da estação do Rossio e lá estavam os anúncios animados a receber-nos em apoteose. E eu, antecipava com gozo, os momentos que antecediam este culminar.
    Curiosamente, não me recordava o anúncio dos relógios Ómega.
    Como bem diz MCV, a frase "A fama que já vem de longe" correspondia ao brandy Constantino. "O bom sabor dos velhos tempos" era pertença do brandy Macieira. E era este último que estava anunciado no autocarro de dois pisos estacionado no Rossio, à noite, tendo em primeiro plano a fonte do lado do Tejo. Este anúncio é, relativamente, recente. Talvez dos anos 90. Existe uma foto, muito mais antiga, em que é aproveitado o depósito de uma zorra (um eléctrico destinado á reparação e manutenção das linhas) para simular, imaginosamente, um barril de Macieira. Suponho que seja dos anos 60.
    A.v.o.

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  10. Os anúncios do Rossio (da baixa) deixaram muita saudade. Já vi isso noutros blogos. Marcaram o Rossio duma certa época e tinham muita mais graça que a moderna publicidade despejada como lixo civilizacional por todo o lado.
    Confundi as marcas mas o anúncio era como descreve. É já dos anos 90? Mais uma confusão minha (hoje estou de todo).
    Dessoutro anúncio não me lembro, mas da Macieira havia a Hermínia...
    Cumpts.

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  11. O problema com os reclames agora é que nem têm uma fama que vem de longe, nem têm o bom sabor dos velhos tempos!
    Já diziam os outros: agora - em tudo – é a sociedade do “usa e deita fora”! Nem chega para memória.

    Abraço

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  12. Diga-me, não acha que deveria ter escrito "que o anúncio era" no lugar de "que o anúncio fosse"; melhor, não deveria ter empregue o verbo ser em vez dos verbos "ir" ou "fossar"?
    Cumprimentos

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  13. Tenho a impressão que o motivo do seu comentário não é a gramática. Senão logo lhe explicaria o modo conjuntivo dos verbos.
    Cumpts.

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  14. Parece-me ter aí certa razão. :)
    Cumpts.

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