A escrita, de ser um modo cifrado de representar a realidade - um significante - passou ela própria a substância da realidade significada. Independentemente do que a realidade seja, esta torna-se o que a escrita diga dela. Um diploma, por ex., vai num ápice de representar o valor da sabedoria aprendida por alguém ao próprio saber do diplomado. Seguindo este cânone, a escrita contabilística vai da representação da riqueza dum magnata à sua própria riqueza. Assim como os bens passam de ter o seu valor intrínseco (o da sua utilidade ou necessidade, para começar) para terem o valor que se lhes queira inscrever na etiqueta de preço. Se só se venderem muito baratos bens etiquetados com preço muito caro, pode alguém dizer que desvalorizaram, ou a realidade é que nunca tenham valido o preço escrito na etiqueta?
sexta-feira, 13 de março de 2009
Das cifras
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Eu vou mais pela segunda.
ResponderEliminarAssim se “justifica” que, hoje em dia, tanto se apregoe o valor a coisas que não têm valor algum!
Abraço
Caro Bic ,
ResponderEliminarAcabou de descrever a génese desta "crise" de que se tanto fala e, em poucas palavras, do que esteve/está por trás dos subprime ". É que houve alguém que se apercebeu algures lá para o ano passado que o que está escrito não representa necessariamente a realidade... mas espera aí... não deveria esta sabedoria suprema ser senso comum?
Cumprimentos
Claro. Mas o preço apregoado convence muitos.
ResponderEliminarCumpts.
Não é. Os humanos são primatas. Agem por mimese.
ResponderEliminarCumpts.
E ensurdece outros!
ResponderEliminarEu cá faço logo orelhas moucas…
Abraço
Que remédio! Cumpts.
ResponderEliminarÉ o que eu digo: A culpa é do Darwin! :-)
ResponderEliminarAbraço
Ou dalgum ancestral dele. Cumpts. :)
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