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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O estatuto de Portugal

 Um dos comentadores encartados - ouvi de relance, que me falta o fôlego para lhes acompanhar as maratonas - tecia há pedaço um fino discurso sobre uma federação Portugal e ilhas adjacentes, a propósito do Estatuto dos Açores. E que não o escandalizaria.
 Julgo que sim. Com o Ultramar também faria sentido mas já é tarde. Além do mais, só pensá-lo é ignominioso sacrilégio. Pena é que os entreguistas de 74 tenham sido tão racistas, quando não o comentador estaria a defender agora briosamente uma federação Portugal-Berlengas. Isto se Portugal ainda existisse.


Redescobrir o sal, Padrão das Descobertas, 2008.
Fotografia de Nuno de Sousa, in
Nuno Photo's Space.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Estatuto dos Açores



Jakab Bogdány, Natureza morta com flores, [s.d.].

Óleo sobre tela, 48 x 113 cm, c
olecção privada.


 


 Ouvi que o sr. presidente da República promulgou com alguns adjectivos o Estatuto dos Açores.








A Valsa das Flores e o quadro são da Web Gallery of Art.

O método associativo

 Há dias ouvi num noticiário que apanharam umas mulheres em flagrante assaltando uma casa em Telheiras. Na notícia associaram as ladras ao bando que na noite de Natal assaltara mais de vinte casas em Lisboa. O método delas e do bando coincidiam: uso de radiografias ou cartões de plástico para abrir portas de residências só no trinco.

 Sucede que na véspera, para ilustrar a notícia dos vinte e tal assaltos na noite de Natal, já noutro canal a jornalista Felgueiras sabia o método simples dos ditos "ladrões sofisticados". Até ilustrou a prática dos ladrões abrindo a porta duma casa de banho e tudo com um cartão e uma radiografia.

 Oxalá ninguém se lembre de associar a jornalista Felgueiras ao bando.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Mònai

 Em 1985 comprei o álbum do Phil Collins No Jacket Required. A minha mãe enfastiava-se bastante do banzé que eu às vezes fazia sair do gira-discos. Quando ouviu o One More Night porém comentou-me:
 — Essa do Mònai é engraçada. Põe lá outra vez.


 



Phil Collins - One More Night
(Ao vivo em Berlim, 1990.)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Pai Natal das Bom-Bokas

 Procurei à senhora se tinha alguma história, alguma recordação de Natal. Não se lembrava de nada. Só lhe ocorria Bom-Bokas.
 Bom-Bokas?! Era alguma história?
 — Era um anúncio sobre a incompetência do Pai Natal.


Bom-Bokas. Oferta de misteriojuvenil.com.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Orlando Ferro

 A história.
 É meia desgarrada.
 Em Dezembro de 87 fiz um périplo por terras do Sul. Umas conhecia, outras ouvira só falar, outras nem nada: - Odiáxere foi um nome estranho que aprendi. - Agora que puxei o fio à memória, 87 mostra-se-me como um ano completo, menos radioso e estival do que a sensação que me dá ao ouvir as velhas cantigas que povoaram o meu walkman. Devo ter sublimado as coisas a dado ponto...
 O ano começara mal. Em Janeiro falecera-me o avô João e passada uma semana a minha mãe. Os estudos não marcharam; a tropa, inevitavelmente, interpôs-se. Em 88 entraria nas fileiras. Um desabono! Quando a Glória - acho que era Glória, a moça da Norma - me perguntou se queria fazer umas entrevistas no fim-de-semana - "É na província, ganha-se mais", disse - aceitei. - "Vais com o Orlando. Ele leva o carro e orienta o resto."
 Quem era o Orlando? Como faria eu...?
 Era um engenheiro reformado. Andava naquilo dos estudos de mercado para passar tempo, dizia a Glória. Apresentou-mo. - "Orlando Ferro. Muito prazer!" - e procurou acertar rapidamente as agulhas: - "Moro nos Olivais. Pode estar sábado de manhã a tal hora no Relógio?"
 Ficou combinado. Ao pé da Shell.
 À hora marcada havia outro freguês da Norma para se juntar a nós que vim ao depois por coincidência a reencontrar na tropa. Mas já lá vamos: às coincidências...
 Abalámos à hora marcada e fomos bater Évora e a seguir Beja. De permeio demos num lugarejo qualquer nos arredores de Évora. Dali demos boleia a um magala até não sei onde - até uma estação de comboios, parece-me. Não me lembro por onde começámos o Algarve mas lembro-me bem onde pernoitámos. O Orlando levava-a fisgada: tinha alojamento na Aldeia das Açoteias; um apartamento de férias da família. Era Dezembro, podíamos pernoitar lá de graça e embolsar a diária por inteiro. Nada mau. Foi assim que fiquei a conhecer a Aldeia das Açoteias, afamada então pelo Cross das Amendoeiras em Flor e pelos estágios de pré-época do Sporting, mas já em início de decadência, via-se. Mais tarde vim a conhecer melhor o lugar, já em época estival, por causa dum namoro - mas não vem ao caso. Adiante.
 O restante périplo resume-se ao fim e ao cabo pelo nome dalgumas terras algarvias - Odiáxere, incluida. A última cidade que parámos foi Ourique - curioso que também começa por 'o'. Ao depois deste périplo não soube mais do engº Orlando Ferro.


 Em pequeno, dalguns passeios que dava, tinha juntado alguns postais. Sabendo disso, uma namorada do meu irmão - a que me deu o primeiro livro dos Cinco - viu-os e resolveu oferecer-me a colecção que tinha. Talvez se quisesse livrar dela. Eu gostei dos postais, eram muitos e de variadas terras; guardei-os numa caixa de sapatos. Ainda guardo. Há anos - já muito depois do périplo de 87 pelo Sul - vi que um dos postais da colecção fora circulado em 1978 para a Rua de Manhiça que é nos Olivais... Vede só a quem era dirigido!...
 Não é isto, bem sei, conto nenhum de Natal, sequer há aqui uma moral da história. Há só que o mundo é pequeno.
 Em todo o caso Feliz Natal!



Sete Cidades - As Lagoas, Açores, [s.d].
Sete Cidades - As Lagoas, Açores, [s.d].
Postal circulado de Ponta Delgada para Lisboa no Natal de 1978.

Natal



António Balestra, Adoração dos Pastores, c. 1707.

Óleo sobre tela, 564 x 261 cm,  São Zacarias, Veneza.




 Um dos problemas de escrever este blogo há três anos é não me repetir. Porém o Natal repete-se todos os anos, tal como o hábito que tenho de enviar cartões de Natal à família mais distante. Sucede que é uma grande dificuldade encontrar cartões de Natal com o motivo óbvio. Já não há. Há do Pai Natal, do barrete do Pai Natal, de árvores de Natal, de gatinhos de Natal, de ursinhos de Natal, de sininhos de Natal, de prendinhas de Natal de bonecos de neve de Natal, de bolas de Natal, eu sei lá. Do Natal não consigo achar. Temo que já nem me esforce o devido a procurar porque, deveras, não acredito que ainda haja tipógrafo que saiba imprimir uma Sagrada Família ou o Presépio. Qual a razão de ninguém se dar conta que a representação do Natal não é ursos nem bonecos de neve?

domingo, 21 de dezembro de 2008

Variedades: António Pinho Vargas

 Esta soa-me mais a Verão e a ir para o Sul. Vá lá perceber-se o porquê desta ideia. Fazia parte da casse-

te MCMLXXXVII. Vendo daqui, de 2008, não me lembro de 87 sem ser Verão...

 Não! Minto. Há uma história curiosa de Dezembro, voltada a Sul...

 



António Pinho Vargas, Tom Waits

(Deixem Passar a Música, R.T.P., 1987)

Associação Protectora de Meninas Pobres

Associação Protectora de Meninas Pobres, Rio de Mouro, 2008
Associação Protectora de Meninas Pobres, Rio de Mouro, 2008.

 Em atravessando o Rio de Mouro, na antiga estrada de Sintra - a queirosiana, não a E.N. 249 que circunda a povoação pelo Norte - há uma casa antiga, fechada, que há muito me despertou curiosidade por causa duns azulejos que tinha diante que diziam algo que nunca conseguia ler bem. Há dois meses fotografei-os fugazmente do carro. Percebo o que diz o painel de cima, mas com a falta de jeito deixei aquele painel com a imagem oculto por trás do pilar do portão. Fui adiando um melhor trabalho mas agora é tarde. Hoje quando passei vi que foram todos tirados. Roubados, temo.
 Provavelmente já só há meninas ricas, também!...

Chegou o Inverno

 A partir de agora os dias começam a ser mais compridos. No resto (aquecimento global, arrefecimento do planeta em 2008) a doutrina divide-se...

Alcochete (c) 2008

Tricotar, Alcochete, 2008.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Os inquilinos do 4º morreram, as portas foram escancaradas...

 Crónica de Lisboa à roda dum prédio sem remédio. Há um ano e picos, esquecido já, na Cidadania LX. Lisboa está perdida. Ergue-se a cultura do vazio.



« Morei durante anos no nº 42 da Av. Duque de Loulé. O meu quarto era no 3º andar. Precisamente aquele que tem a porta aberta para a varanda. Era um prédio magnífico. Apenas o 1º andar tinha um cabeleireiro e uma habitação. Os ou-

tros apenas 1 habitação por andar. 10 assoalhadas, apenas 1 tinha janela para o saguão. Todas as outras eram viradas para as 3 ruas. 39 portas e janelas, 35 m de corredor. Nos anos 80 começou o êxodo dos lisboetas para as periferias. O presidente da Câmara autorizou a venda para escritórios de todos os prédios de habitação. Destruíram-se edifícios de grande valor arquitectónico para construirem o que hoje se vê. Das Avenidas Novas sairam milhares de pessoas. Na Duque de Loulé desapareceram os vizinhos, fecharam as lojas de bairro, os cafés mudavam para lojas de comida à pres-

sa e em pé. Deixou de passar o ardina que atirava o jornal dobrado para a varanda. Desapareceram as senhoras que ven-

diam fruta todo o dia em frente da mercearia da espanhola que passou a ser uma casa de comida rápida. Os passeios pas

saram a estar ocupados por carros todo o dia e vazios à noite. "O Noite e Dia" passou a ser uma outra coisa que só ser-

via a noite. Destruíram-se vivendas, abandonaram-se outras. Abriram-se portas. foi assim no nº 42. Os inquilinos do 4º andar morreram, as portas foram escancaradas e quando chovia, no 3º andar quase tinhamos que andar de gabardina e chapéu.

  O coreto da José Fontana passou a ser armazém de garrafas vazias, abrigo de quem não tinha casa. A António Arroio mudou-se para as Olaias. O Camões esteve quase abandonado. A Escola de Medicina Veterinária mudou-se. O Monu-

mental foi arrasado. Ainda recordo a Laura Alves em frente dos destroços a gritar já louca. Fechou o Monte Carlo, o Mo

numental, a Paulitana (acho que era este o nome)... E desde os anos 80 ainda ninguém parou com a destruição de Lisboa.

   [...] Criminosos!»


Comentário de V.M. em 11/12/07 às 4h10 da tarde. Imagem: Ciddania LX.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Perigo de derrocada

 No edifício do Saldanha Residenso há o risco de derrocada dumas lages de revestimento da parede exterior. Não é risco sistémico, é só na frente que dá para a Av. Fontes Pereira de Melo. Há mais de dois anos a Câmara pôs um sinal de trânsito e umas grades bloqueando o passeio (Diário de Notícias, 8/4/2006). Calha a quem passa haver ali uma galeria com montras (e agora até é Natal)  por onde se pode caminhar. Calha melhor o risco ali do que no lado da Rua Engº Vieira da Silva, por exemplo, onde não há galerias e as montras estão do lado do Atrium.





(Imagem do DN)



 Se não me engano o Saldanha Residenso foi construído em 1999. Foi já no século passado, portanto não admira o mau estado. Mas pode ser que por dentro as casas não estejam a cair.

O custo da matéria-prima

 Ouvi que a electricidade vai aumentar não sei quantos por cento. Há quem diga que é pouco. Talvez seja. Con-
siderado o custo da matéria-prima...

Serra de Montemuro (c) 2006
Ventoinhas Mercedes, Serra de Montemuro, 2006.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sorefame

 Sociedades Reunidas de Fabricações Metálicas, S.A. (ou S.A.R.L.).

 Vista quase irreconhecível da Reboleira. Distingo à esquerda a incipiente (pelos padrões de agora) mancha urbana da Damaia. O Forte do Monsanto recorta o horizonte. À direita o primeiro poste da catenária deixa semi-descoberta uma das casinhas do aqueduto.

 A locomotiva parece-me da série 2500. E aqui confesso a minha ignorância. Haverá alguma metalurgia nacional que fabrique vagões, carruagens ou locomotivas?



Sorefame, Reboleira (M.Novais,post 1962)


Sorefame, Reboleira, post 1962.

Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G..

domingo, 14 de dezembro de 2008

Variedades: 'In a Lifetime'

 A Moya Brennan (a irmã mais velha da Enya) diz: — «Esta canção foi cantada com um cavalheiro de Dublin. Esta noite vai ser cantada com um cavalheiro de Belfast». Por acaso o de Dublin já recebeu uma comenda de Belém num dos últimos 10 de Junho. Mas isso também o sr. Bernardo. — Berardo, digo. Bernardo era o meu bisavô. — Mas adiante.
 O canto do moço de Belfast parece-me aqui e ali um tanto aquém, mas ainda assim a actuação é aceitável. Ou posso bem ser eu, porque sempre apreciei muito esta canção.



Clannad, In A Lifetime
(Ao vivo, 1998)

O tempo

Tempo - 14-12-08
(Tempo colhido no Sapo.)

A seu tempo este verbete mostrará o tempo que estava hoje.

Da certificação agro-pecuária

 Comentador SIC, comentador TVI, comentador RTP e não comentadores da SIC, da TVI nem da RTP. Noto que o pendor da linguagem exprime uma realidade em rápida mudança: o atributo dos sujeitos funde-se neles. Mas não deveriam as normas de certificação mandar nestes casos usar um ferrete para lhes marcar os lombos? Comentador SIC-PSD, comentador SIC-PS, comentador SIC-Bloco e assim por diante... A bem da transparência dos mercados, também.





(Imagem do DN)




Corrigido às cinco para as onze da manhã.

Agro-pecuária



Companhia das Lezírias, Ribatejo, [s.d.].

Fotografia: Estúdio de Mário de Novaes (1933-1983), in
Biblioteca de Arte da F.C.G.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Inauguração

Cais das Colunas.jpg

(Imagem da SIC.)



 Notícia da inauguração do Cais das Colunas.

 Onde a legenda diz que o monumento inaugurado agora tem três séculos. Onde a sra. jornalista peremptória diz que foi construído há precisamente 250 anos. Onde a dita sra. jornalista esquece o significado de 'cais' e descrê do velho alfacinha que lhe diz dos barcos que ali se descarregavam.

 Onde - tem-te lá, vê se não cais das colunas - o sr. ministro das obras públicas presidiu à inauguração da vetusta obra distribuindo parabéns à cidade e à gente grada presente ansiosa por trepar para as colunas... Onde o sr. presidente da Câmara anunciou sorridente que o cais inaugurado ali irá pelo cano do novo colector de esgoto cujas obras começam no mês que vem.

 Cais da fantochada. No Terreiro TMN do Paço.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A regra do castiçal

«Há uma regra de todos os Presidentes da República: nunca interferir na organização do funcionamento da Assembleia da República ou das Assembleias Legislativas Regionais, porque são órgãos independentes e com as legitimidades próprias», explicou...






(Imagem do Público.)




Como centro de mesa, serve para enfeitar.

Relógio de ponto

Hoje não consegui sair mais cedo.



Mercado de São Bento, Lisboa (1938)

Praça de São Bento com o mercado e Rua de São Bento com o arco triunfal, Lisboa, 1938.

Espólio de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Αθήνα

Atenas (c) 2007
Olympeion: vista do arco de Adriano e da Acrópole, Atenas, 2007.

Evzone

Evzone (c) 2007
Evzone e o cão, palácio presidencial de Atenas, 2007.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Jardim Constantino

 Li há tempo no Carmo e a Trindade (era notícia do Público, parece-me) o plano da C.M.L. para arranjar o Jardim Constantino (requalificação; é requalificação que se diz). A data, provável, que o sr. vereador José Fernandes anunciou para concluir o arranjo foi Junho do ano que vem. Bem, a jardinagem (intervenção nas zonas verdes, no falar do sr. vereador) havia de começar em Novembro. - Eu de facto já vi lá cortarem as pernadas a umas árvores. Menos mal. - Seguir-se-ia o arranjo da calçada (intervenção nos pavimentos deve ser isso, presumo) e dos edifícios à volta (no jardim propriamente, há só um quiosque com sanitários, mais nenhum edifício). Como anunciou também cafetaria, esplanada, cuido dever ser nisso que consiste a apregoada requalificação. Não sabe o sr. vereador Fernandes dos cafés e restaurantes voltados ao jardim, ou até dum quiosque de jornais ao virar da esquina?
 O que mais estranhei no anúncio foi que depois (só depois, tende atenção) a srª vereadora da acção social dará uma mão ao jardim para encaminhar os mendigos que lá pernoitam para lugares de acolhimento. Só no Verão de 2009, portanto, se não houver atrasos na empreitada de... requalificação. Até lá, para amenizar, arranjaram-se umas castanhas pelo São Martinho e pôs-se a rede da Internete no jardim. Só é pena é que no Inverno faça frio e esteja a chover.

Jardim Constantino (c) 2008
Jardim Constantino, Lisboa, 2008.

domingo, 7 de dezembro de 2008

"Duel", Propaganda

 A música pop dos anos oitenta causa-me sentimentos contraditórios. Se por um lado ainda me traz - quando traz - resquícios de emoções e vivências da minha adolescência, por outro lado, bem... A maior parte dessas cantigas dos anos 80 com que convivia acriticamente (salvo alguns super-êxitos que me causavam verdadeira irritação) acho-as agora muito fraquinhas; os intérpretes eram tão ridículos que sinto hoje verdadeiro embaraço se tiver que admitir que apreciei muito daquilo. A idade juvenil desculpa muita parvoíce, bem sei, mas até nisso há-de haver limites.

 Pois neste duelo de sentimentos em que me bato comigo mesmo relativamente à pop dos anos 80, com este Duel de 1985 convivo ainda menos mal. Mas pode ser só pela intrínseca propaganda.

 



Propaganda, Duel.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Postal de Lisboa

Edição de António Passaporte (c. 1953).
Av. Almirante Reis, Lisboa (A.Passaporte, c. 1953)

O eléctrico deve ser o 8.
Uma das varandas do prédio na esquina de lá tem marca registada em...

Eléctrico [8]

Eléctrico 8, Anjos (H.Novais, c. 1951)
Eléctrico 8, Anjos, c. 1951.
Horácio de Novais, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Folhetim E.M.E.L.

30/4/2008


 Paguei umas poucas dezenas de euros por dois autocolantes à E.M.E.L. para poder estacionar dois carros na rua onde moro. Os parquímetros na minha rua e adjacentes estão numa desgraça. Nenhum funciona…


Lisboa (c) 2008


23/5/2008


 Em menos de 1/4 de hora a polícia municipal bloqueou-me o carro por estar parado numa zona de cargas e descar-gas na minha rua. O carro exibia o inútil autocolante que a E.M.E.L. me vendeu enquanto eu devia ir escada acima com uns livros que descarregara e que ficaram para trás na mudança. Aguardei pacientemente a remoção do con-
tratempo
. Paguei logo ali a multa para me livrar de mais aborrecimentos.
 Os parquímetros na minha rua e adjacentes continuam uma desgraça.


16/6/2008


Folhetim E.M.E.L.Estacionei em frente ao nº 17 da Rua Filipe Folque c. das 9h30 da manhã. Não tinha dinheiro trocado; troquei num café mais abaixo e de caminho pus € 0,30 no parquímetro; devo ter levado pouco mais de cinco minutos nisto. Chegado ao carro com o bilhetinho na mão senti-me enganado. Uma multa. Hora marca-
da: 9h31. O agente nº 65 (espécie de polícia) da E.M.E.L. saiu do buraco; sublinhou orgulhoso o nº 2 da multazinha: a viatura exibe dístico válido para outra zona; rabiscou um vivaço ponto de exclamação à frente do sublinhado como quem diz: - apa-
nhei-te!
 -; e de novo se sumiu no buraco a esconder-se.
 Logo me havia de calhar um rato de sargeta!
 Fui à E.M.E.L. ali na Pinheiro Chagas para reclamar da injusta multazinha. (Errado! Devia tê-la rasgado sem mais cerimónias de cidadania.) A senha de entrada nos serviços marca 9h41.
 Reclamei.
 Os parquímetros na minha rua e adjacentes continuam numa desgraça.


1/10/2008


 Recebi um ofício da E.M.E.L., com data de 8 de Setembro; o texto do assunto vem numa língua estrangeira - Street Park, tracinho, EMEL (é mel…) -  e o teor é um meloso eufemismo para: pague a multazinha porque quando o agen-
te 65
(espécie de polícia) olhou para o seu popó não estava lá o bilhetinho como manda a regra. Olhe que senão…
 Reclamei outra vez: - considero que são válidas as minhas razões, que não houve incumprimento, e que a multa in-
cide sobre estacionamento efectivamente pago
. - Remeti pelo correio electrónico (para ver se vem resposta antes do Natal) com as necessárias provas (evidências objectivas, há quem agora lhes chame) em attaché.
  Ah! Os parquímetros na minha rua e adjacentes estão numa desgraça. Nenhum funciona...


17/11/2008


 Novo ofício da E.M.E.L. reiterando o anterior: - pague, olhe que senão…  (sou eu que digo, eufemisticamente, claro).
 Os parquímetros da minha rua continuam… Bem!...


5/12/2008


 Dúvida: pago a multazinha ou não? Afinal já pago aos torcionários da minha rua desde que me mudei. Em que lhes  ficam os da E.M.E.L. atrás?!...
 



 
Os parquímetros cá da rua continuam... por a E.M.E.L. os arranjar.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Do ministro sistémico

Rua Mouzinho da Silveira, Lisboa, 2008.
Rua Mouzinho da Silveira, nº 12, Lisboa, 2008.

 O sr. ministro sistémico das Finanças ouvi-o há pouco – já me cá tinha soado à tarde – a falar em risco de efeito sistémico. Estranho palavreado para mal exprimir o pavor que aí vai de falirem os bancos (os bancos, não os banqueiros) como se duma epidemia se tratasse. Epidémico, bem vedes, seria o termo.
 Tanto rigor como no seu linguajar desairoso, cuido, deve o sr. ministro ter aplicado na avaliação do activo - também é chique dizer-se no plural; pois seja -, activos do B.P.P.. Do mesmo modo me avalia qualquer companhia de seguros o automóvel em € 5846,81 embora nem ela mo compre, nem ninguém, por esse dinheiro.

Três astros brilhantes

 Não sei de astronomia.
 Ontem achei curiosas duas estrelas muito brilhantes (uma mais que a outra) ladeando a Lua. Hoje notei-as mais baixas e com uma certa rotação. Não sei que astros sejam.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Gazeta da Restauração

 O 1º de Dezembro anda assim. A imprensa nacional - dita de referência - ignora-o. Não sei se o omite olimpicamen-
te ou se as redacções inocentemente ignoram a História pátria. O Jornal de Notícias só aparetemente que foge à regra; publica com título pouco polido uma notícia regional sobre o 1º de Dezembro em Santo Aleixo da Restauração, Moura. A notícia, porém, mistura a guerra da Restauração (1640-1668) com a da Sucessão de Espanha (1700-1712), vá lá perceber-se o critério.
 Na restante imprensa de ontem e hoje, segundo as notícias do Sapo, temos o 1º de Dezembro na Antena do Minho, no Açoriano Oriental, no Diário dos Açores, n' A União, no Azores Digital, no Diário Insular, no Guimarães Digital, n' O Conquistador e no Notícias de Guimarães. 
 A chave de pesquisa foi 1640. Ano da independência nacional regional, parece...

Gazeta da Restauração (2008)

Do chocarreiro Couto

« Teve el-rei D.Sebastião um chocarreiro que chamavam Couto, muito engraçado, o qual é natural do bairro de Alfama, sapateiro por ofício [...]

  Este Couto, quando el-rei foi a Guadalupe ver-se com seu tio el-rei D. Felipe que chamaram o Prudente, detreminou-se que os fidalgos portugueses fossem todos bejar (1) a mão a el-rei de Castela, e os castelhanos a viessem bejar a el-rei D. Sebastião. Soube o Couto do que estava detreminado, e determinou também de enganar a el-rei de Castela, para o que se vestiu de gala, pôs um hábito de Cristo no peito, lançou um colar de ouro ao pescoço e foi-se com os fidalgos de cá para com eles lhe bejar a mão. Como el-rei de Castela não conhecia de cara os fidalgos de Portugal, tinha à sua orelha D. Cristóvão de Moura que lá estava em seu serviço, e foi depois comendador-mor de Alcântara, marquês de Castel Rodrigo e vizo-rei duas vezes de Portugal, o qual lhe dizia quem cada um era para que el-rei lhe fizesse honra e mercê segundo a sua calidade . Foram-lhe alguns bejando a mão e a eles se seguiu o Couto; perguntou-lhe el-ei a D. Cristóvão por acenos quem era, chegou-se D. Cristóvão à orelha de el-rei e disse-lhe que era um chocarreiro que chamavam o Couto; não estendeu el-rei então a mão, pediu-lha o Couto dizendo - "dê-me Vossa Majestade a mão" -, el-rei lhe respondeu - "andaos de ahí que sois el Cotto" - e o Couto lhe disse então - "bejar no cu a quem vo-lo disse".(2




(1) A ortografia e a pontuação foram actualizadas excepto quando se nota pronúncia diferente.

(2)
Anedotas portuguesas e memórias biográficas da corte quinhentista, Coimbra, Almedina, 1980, LXX, p 117.


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Século Ilustrado, nº 152, 30 de Novembro de 1940.

Via Revista Antiga Portuguesa.