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quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Da urbanização

 Às vezes dou comigo a imaginar como seria tal ou tal sítio antes de lá haver prédios. Um deles é a Av. dos Estados Unidos ali onde quem vira da Av. do Aeroporto.


Av. dos E.U.A., Lisboa (E. Portugal, 1951)
Avenida dos Estados Unidos da América, Lisboa, 1951.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Reclamo

Aqui o café pub fechou. E o gás acabou...


Sonap, Maçã (E.N. 379), 2006.

Vá aonde for...

Leve o aquecimento global consigo!


 



 





Crowded House - Weather With You

(MTV / 1992) Max Sessions, [s.d.]

 


[Recomendado pelos principais noticiários.]



 




Corrigido em 4/2/2007 e em 12/9/2008.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Domingo à noite: variedades



Santana - Samba Pa Ti

(Beat-Club / Abril de 1971)

sábado, 27 de janeiro de 2007

Nerja: pequenas memórias

 Em 2002 deu-me saudade dos chavales do Verão Azul e rumei em passeio a Nerja — duma jornada do caminho já dei cá notícia.
 Lá vi a traineira do Chanquete, mas a idealização formada a partir da série dos miúdos e o lugar real não se conjugam nestes veraneios; é como ler um livro e depois ver o filme...
 A terra tem graça pitoresca mas a multidão de veraneantes com carros e motoretas desgraça-a; as praias ficam cheias como um ovo e é difícil pisar o cascalho sem pisar a cabeza a alguém. Julgo que isto seja uma técnica dos que arribam à praia para remover os outros e abrir uma clareira para si. Outra técnica - mui pouco usada - era chegar cedo o bastante, mui antes dos pisa cabezas, e fugir-lhes a meio da manhã que era quando eles engrossavam. Calhava bem pois podia almoçar-se à saída no restaurante da praia logo à hora de chegar o peixeiro. Este modo antecipava a siesta. À tardinha as praias de cascalho voltavam a ser frequentáveis por os pisa cabezas — já tostados em rosa forte — terem debandado para se alindarem para a ceia e juntarem à movida.
 No apartamento havia uma estante com livros (sobretudo em inglês); cuidei que fossem os veraneantes que lá se alojavam que os iam deixando. Levei um livro que acabei lá e como os da estante não me interessaram fui comprar outro. Trouxe Felipe II y su Tiempo de Manuel Fernández Álvarez, o mais grosso que havia na livraria. Imagino se alguém se interessou pelo Paço da Ribeira do Nuno Senos que lá deixei…
 Mais que isto só me lembro de coisas soltas de Nerja.
 Perguntei, apontando, o nome dos pêssegos carecas numa tienda e responderam-me: nectarinas. Aprendi que Nerja é a origem do novo nome dos pêssegos carecas que vejo agora escrito nos híperes! Quem quiser diga aos dicionaristas!… A vendedeira por seu lado pediu informação e foi informada que nosostros éramos galegos!…
 Outra coisa que me lembro é de cá a senhora pronunciar zumo (com o 'z' bem zumbido à portuguesa) e os sumos não serem piores por isso.
 Nerja sofre com o calor do Verão e com os cães dos turistas. Somados [à falta de limpeza dos dejectos caninos], intensificam exponencialmente o cheiro a... Nem de propósito, quando no Verão a seguir contei onde estivera ao tio do Algarve, ele, ouvindo pela primeira vez o nome da terra perguntou admirado.
 — Estiveste onde?! Em merda?!...



Epílogo: por uma razão qualquer a máquina fotográfica descartável ficou no saco até passarmos por Beja, à tornada. Salva-se de Nerja uma fotografia em grande estilo na Cueva, que eles lá impingem aos turistas. Vale-me isso, mas não vos maço com tal. Já basta a crónica banal.




Nota: corrigido às oito e meia da noute.


 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Trinitá Cowboy Insolente

Nos Dias que Voam ciranda-se pelos cinemas piolho de Lisboa (e outros mais). Calha bem que tenho aqui a parelha Bud Spencer e Tèrênço Hill (como diria o Cafeteiras).






Isso é que eu me ria com aquele chapadão de mão aberta no mexicano aos 2 min. e qualquer coisa...

(Revisto em 11/I/25.)


 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

O antimercado

Jogo Mastermind O antimercado é uma feira onde os que não produzem vendem o nada que produzem. Quem produz não pode lá vender, só comprar.
&nbspParadoxalmente (ou se calhar não) a promoção o marketing de um não-produto faz-se tal e qual como a prom   o marketing de qualquer outro produto: com imoral amoral publicidade. A campanha escolhida intitula-se «Aquecimento Global», é duma agência das N.U. e está a ser veiculada a todo o gás na comunicação social.
 A América, orgulhosa da sua economia mercado, renega a economia de antimercado por não ganhar nada com isso ter sido ela que inventou.
 O antimercado inaugurou-se na feira de Quioto e diz que foi um gato fedorento que inventou.

 Eu cá para mim foi o Mastermind.

Sinal dos tempos… perdidos




Imagem (também) nasEstradas de Portugal.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Em Janeiro, sete casacos e um sombreiro

 Em menino achava maturidade nos crescidos. Os avós, os pais, os tios, a sra. D. Maria do Rosário que foi minha professora primária falavam assisadamente, soavam como gente grande e não me parecia que dissessem disparates. Estivesse frio diziam-me agasalha-te sem muitos nhanhanhãs; se porventura perguntasse porque estava frio diziam-me que no Inverno é normal o tempo frio. Isso mesmo também dizia o livro da 2ª classe...
 Hoje de manhã a telefonia noticiava que estamos em estado de alerta por causa do frio. Parece que pode nevar em Bragança!...
 Extraordinário, portanto!
 O corolário da notícia foi um conselho em português... securitário, talvez (o que eu aprecio este palavreado moderno!):
 — Aconselha-se o uso de várias camadas de roupa!
 A geração rasca (a minha) não ensinou sequer a dizer agasalho a esta nova geração diluviana de banalidades; e agora há paranóia um alerta a cada terrível estação do ano. Duas gerações cuja mentalidade hibernou na creche debaixo de muitas camadas de roupa de marca.
 Uma tristeza!...


Imagem do Livro de Leitura da 3ª Classe do  Ministério da Educação Nacional, [s.d.].

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Trecho de pequena história


 Pedindo uma mulher viúva a el-rei [D. João III] que lhe tomasse dois filhos [1], alegando para isso os muitos serviços de seu marido, tomava-lhe el-rei logo um. E ela não quis, antes, insistindo em sua tenção, disse algumas palavras tão ásperas que se enfadou el-rei tanto que, não podendo usar de sua condição sofrida [2], se levantou da cadeira e se recolheu para a rainha [3]. E ela, logo que lhe viu no rosto que ia agastado, perguntando-lhe de quê, contou-lho el-rei; e a rainha, com rosto risonho, pelo desmalenconizar [4], disse-lhe:
 — Não, Senhor. Porém tome-lhe Vossa Alteza um filho e eu o outro.
 E assim fizeram.


Ditos Portugueses Dignos de Memória; História íntima do século XVI anotada e comentada por José Hermano Saraiva, 3.ª ed., Mem Martins, Europa-América, 71 (p.40).





[1] Que tomasse ao seu serviço, admitisse como criados do Paço.
[2] Não podendo manter a calma que lhe era habitual.
[3] Retirou-se para os aposentos da rainha.
[4] Para lhe restituir a boa disposição, para o tirar da melancolia.

domingo, 21 de janeiro de 2007

A E.N. 266 e a água de Monchique

 Estou orgulhoso de mim por este passatempo. Pondero agora concorrer ao Preço Certo, daquele grande português anafadinho.
 Derivado ao - derivado ao é como se diz muito agora, não é... Derivado ao desafio do Manuel veio-me a recordação das férias de 2002. Numa etapa (demorando) a caminho de Nerja percorri E.N. 266 de fio a pavio (foi a única vez que lá passei). Foi depois duma tarde na praia das Furnas (V.N. de Milfontes), passando por Odemira - onde sorvi uns iogurtes de meio litro do Lidl. Prestei pouca atenção às pontes. Lembro-me é de ter enchido uma garrafinha de água numa bica lá mais para a Portela das Corchas (Serra de Monchique) e de ter dito à senhora:
 - É água de Monchique; é boa!
 A água pernoitou na mala do carro (nós e o carro pernoitámos em Monchique) e no outro dia a senhora, arrumando a bagagem, apresentou-me a garrafa cuja água se tornara da cor do barro, dizendo:
 - Queres água de Monchique? É boa!
 E seguimos para a Praia da Rocha entretanto.




Postal de Portimão do Fórum Auto-Hoje.
[Calhando há-de sair algo sobre a terra do Chanquete.]

sábado, 20 de janeiro de 2007

Será...?

Dúvidas há que me ocorrem:
- Será que há limite para o desejo dos humanos de possuir coisas?
- Seguindo para N. na Av. Antº Augusto de Aguiar, será que algum dia poderei virar à esquerda para a Marquês de Fronteira e não para o Corte Inglês?
- Será que o areal de S. João da Caparica está a depositar-se na praia de Caxias?
...
[Esta agora é mais para o amigo Manuel]

Foto atribuída a MSS, in http://gasolim.sapo.pt

- Será que esta ponte fica ali ao virar da curva ou é mais adiante na E.N. 266?



Se for mais adiante apanho aqui a carreira nesta paragem.




Fotografias in H Gasolim Ultramarino.

Diacronia

 O tempo voa. A Dona T. reconta-o aos dias cheia de entusiasmo. Dá-se a trabalhos por isso e dedica-os generosamente aos circunstantes. Por causa dumas curiosidades antigas que publiquei sobre Arroios e a Almirante Reis ofereceu-nos ela a perspectiva diacrónica. Agradeço-lhe com uma tentativa de aproximação fotográfica do seu postal dos Restauradores ao Almanach Palhares.
 — Muito obrigado Dona T.!

Restauradores, Lisboa (M.Tavares, c. 1900)
Praça dos Restauradores e Avenida da Liberdade, Lisboa, c. 1900-1910.
Manuel Tavares, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Ouvi da tia Belmira

A 20 de Janeiro tem uma hora por inteiro, quem lá chegar hora e meia há-de achar.

Camponeses, Mosteirô (Castro Daire), 2006)
Camponeses de Mosteirô, Castro Daire, 2006.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Nótula de entulho

 Isto agora é para atulhar e empurrar os devoristas para baixo. É gente que desmerece menção. Além disso no circo de feras saiu omissa a dízima que sabeis compete às confrarias eleiçoeiras...

 Doravante proibo-me o entulho.




Teixelo, 2006

É porivido vazar e[n]tu[l]ho, Teixelo, 2006.

Os devoristas

 Os cartazes do circo dão muito como grande atracção uma espécie de domador dos leões. Não vos enganeis. O impostor é triste figura num pobre espectáculo de pulgas amestradas. As feras, essas é que domam a dita atracção de circo.

 
E as pulgas, bem amestradas, botam-lhe voto.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Circuito fechado

 [Bem contados foram] 71.029 condutores em excesso de velocidade [...]
 Durante o primeiro trimestre deste ano, os radares terão apenas um carácter preventivo e pedagógico [...]


In Portugal Diário

 Cá está!
 Os mentecaptos, além de agirem imbecilmente de seu natural, não se aprende nada com eles. Assim continuarão necessariamente a ser votados para mandar nisto.
 Cumprir as leis não faz parte da pedagogia.


Fotografia no Fórum Auto-Hoje.




Adenda: o Carmo e a Trindade esclarece com um silogismo a pedagogia dos mentecaptos.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Planta de Arroios (1909)

 A planta é de 1909. A Rua José Falcão (2) — o troço dela a ocidente da Av. D. Amélia (1), que era o tudo o que havia — já está quase construído tanto no lado norte como no lado sul. Na fotografia  se vos lembrardes, só lá havia dois ou três prédios. O mesmo se passa no troço da António Pedro a chegar à Morais Soares (3). Esta — podeis ver agora com mais clareza — prolongava-se em estreita via para ocidente da mal definida Praça do Chile. A fotografia é, pois, anterior a 1909; pelo menos um ano ou dois, mas estou conjecturando.
 Os arruamentos actuais estão lá quase todos como hoje; os prolongamentos da Pereira Carrilho (7), da José Falcão, da Almirante Reis e da Rua de Ponta Delgada até ao Largo do Leão (10) adivinham-se sem esforço; assim também o desenho da Praça do Chile. Dispenso assim a sobreposição com um mapa actual.
 A legenda, transcrevo a de hoje ao meio-dia.
 Dúvidas?


 Planta 11K (URBA-LT-03-143-11K — 1909) do Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911.



  1. Av. D. Amélia, hoje Almirante Reis.

  2. Rua José Falcão, actualmente o n.º 47; não sei se o edifício é o mesmo.

  3. Rua Conselheiro Morais Soares.

  4. Nora da Quinta do Saraiva; a quinta estendia-se a sul da Rua Morais Soares.

  5. Rua António Pedro, 72.

  6. Estrada de Sacavém, ou Rua Alves Torgo; a) junto ao n.º 31 (esq.) [em baixo]; b) troço coincidente com a Rua Quirino da Fonseca (à dir. [acima] do hospital).

  7. Rua Conselheiro António Pereira Carrilho; só desde a esquina do hospital até ao Largo do Leão.

  8. Hospital (antigo convento) de Arroios.

  9. Rua Particular, sem saída; hoje Rua Joaquim Costa, com ligação à Travessa das Freiras a Arroios.

  10. Largo do Leão.

  11. Capela; Azinhaga das Freiras a Arroios.

  12. Rua Visconde de Santarém.

  13. Lugar do I.S.T..

  14. Praça de Touros do Campo Pequeno.

  15. Quinta do Fole; ocupava terrenos hoje da Alameda até à Guerra Junqueiro e até à Azinhaga do Areeiro (R. Carvalho Araújo).

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Mirai! Da Penha de França...

 Durante os primeiros 40 anos da sua existência a Av. Almirante Reis [1] terminou em Arroios, na circunvalação, onde confluem as ruas Morais Soares [3] e Pereira Carrilho [7]. O lugar hoje chama-se Praça do Chile [aprox. 4].
 Convido-vos a subir à Penha de França. Apreciai!

Av. D. Amélia, Lisboa (A.C.Lima, ante 1909)
Terrenos da Av. Almirante Reis, Lisboa, ante 1909.
Fotografia de Alberto Carlos Lima in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 Olhai na direcção do Hospital de Arroios. O cenário campestre é formidável!
 O hospital de Arroios [8] vê-se bem ao centro; à sua direita o casario baixo meio escondido no arvoredo identifica-nos a estrada de Sacavém [6] no troço correspondente à Quirino da Fonseca. Por trás do hospital, meia encosta acima, é a Azinhaga (ou Travessa) das Freiras a Arroios [11], onde deram com o almirante Reis depois que se suicidou na manhã de 5 de Outubro de 1910; é lá onde se vê uma casa grande com uma capelinha diante. A Azinhaga das Freiras ainda hoje leva ao Largo do Leão [10] que podeis ver um pouco mais à esquerda, encosta acima. Estendendo o olhar ao monte alto que vem a seguir, o da cumeada arborizada, digo-vos que lá veio a erguer-se o Instituto Superior Técnico [13]. Para além do monte, não se vê, mas segue a Rua do Arco do Cego em direcção ao Campo Pequeno [14] cujas cúpulas sobressaem um pouco à direita do cume do monte.
 Ao cimo da Av. D. Amélia atravessa-se para lá e para cá dela, entre muros, a Rua Conselheiro Morais Soares, bordejando hortas e quintas, beijando inclusive uma nora [4] ali na esquina nascente. Começava naquele tempo a Morais Soares quase no enfiamento da travessa das Amoreiras a Arroios, no ponto exacto onde acaba a Rua António Pedro [5]; o muro do hospital ficava mais para sul do que fica hoje. Mais tarde a Rua Pereira Carrilho desceu à Praça do Chile e este troço inicial da Morais Soares foi suprimido.
 Esta fotografia é um mimo - os montes enevoados que mal se distinguem no horizonte não são eles para os lados de Belas?!
 Esta fotografia é, de feito, um mimo; se vos não maçar conto tornar cá com ela legendada um mapa legendado.
 Se vos não maçar...




Legenda [trazida no dia 17 ao meio-dia]:



  1. Av. D. Amélia, hoje Almirante Reis.

  2. Rua José Falcão, actualmente o nº 47; não sei se o edifício é o mesmo.

  3. Rua Conselheiro Morais Soares.

  4. Nora da Quinta do Saraiva; a quinta estendia-se a sul da Rua Morais Soares.

  5. Rua António Pedro, 72.

  6. Estrada de Sacavém, ou Rua Alves Torgo; a) junto ao nº 31 (esq.); b) troço coincidente com a Rua Quirino da Fonseca (à dir. do hospital).

  7. Rua Conselheiro António Pereira Carrilho; só desde a esquina do hospital até ao Largo do Leão.

  8. Hospital (antigo convento) de Arroios.

  9. Rua Particular, sem saída; hoje Rua Joaquim Costa, com ligação à Travessa das Freiras a Arroios.

  10. Largo do Leão.

  11. Capela; Azinhaga das Freiras a Arroios.

  12. Rua Visconde de Santarém.

  13. Lugar do I.S.T..

  14. Praça de Touros do Campo Pequeno.

  15. Quinta do Fole; ocupava terrenos hoje da Alameda até à Guerra Junqueiro e até à Azinhaga do Areeiro (R. Carvalho Araújo).

domingo, 14 de janeiro de 2007

Um abraço ao Paulo Cunha Porto

 Há momentos em que a eloquência do silêncio fala melhor que as palavras...



Suzanne Vega - Language


Sem saber bem o que dizer dou daqui um abraço ao meu bom amigo Paulo Cunha Porto.

Avenida D. Amélia, 86-86A

  Na primeira década do séc. XX houve muitos comícios dos republicanos na Av. D. Amélia. Não sei o motivo da escolha.
  Em dia de não haver comício vê-se que a avenida tinha bom ar e muita luz; aqui no 86 - quase a chegar à Rua Marques da Silva - o 2º e o 3º esq. têm escritos nas janelas. Quanto será a renda?


Av. D. Amélia, 86-86A, Lisboa (1898-1908)
Av. Almirante Reis, 86-86A,  Lisboa, 1898-1908.
Fotografia: Arquivo Fotográfico da C.M.L..

sábado, 13 de janeiro de 2007

Avenida D. Amélia

 Quando em Setembro passei pela Av. Almirante Reis contava subi-la. O rumo inverteu-se e acabei descendo a Rua da Palma indo dar ao Socorro e por aí adiante até à Mouraria do velho Arco do Marquês do Alegrete. Reencontrando a Avenida D. Amélia [Almirante Reis] em Dias que Voam, retomo o rumo.

Av. Almirante Reis, Lisboa (J. Benoliel, c. 1908)
Av. Almirante Reis [Avenida D. Amélia], Lisboa, c. 1908.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 O troço que aí vedes apresenta os números 32 a 22 da Avenida D. Amélia no ponto exacto da confluência com o Regueirão dos Anjos, cujas velhas casas se vêem à direita. A velha igreja dos Anjos havia pouco que fôra [ou estava sendo] demolida; julgo não me enganar ao dizer que ela se encostava às velhas casas do Regueirão dos Anjos, com orientação Sul/Norte, dando a fachada à Rua dos Anjos. Aquele prédio que se constrói lá mais adiante há-de ser o n.º 22 que faz esquina com a Rua Andrade. Em frente a ele erguer-se-á o cinema Lys.
 Um pormenor muito pitoresco e curioso é a cota natural do chão da avenida que nivelava pelo Regueirão dos Anjos; lanços de escadas exteriores compensam o desnível; daqui percebo a razão daqueles pisos térreos mais baixos que o actual nivel da avenida; nem foi preciso escavar pois assentaram no chão original.
 Reflicto agora: desde o tempo em que passava por ali no eléctrico a caminho da Trafaria ou da Confidente que reparava naquela ruazinha com ar antigo, o Regueirão, truncada e soterrada pela avenida larga. Intuía dali sinais da topografia antiga, que houvera ali coisas que já não existiam; mas era muito pequeno. Esta fotografia é muito interessante!...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Contradizório

Vi na imprensa que o João Pinto não recebeu.
Depois veio na imprensa que o João Pinto recebeu.
A imprensa disse então que ele não pagou o imposto devido pelo que recebeu. Acrescentou a imprensa que prescrevera já o prazo para exigir o imposto.
A imprensa tornou e disse que não prescrevera ainda o prazo para exigir o imposto.



Se a militância no bendito contraditório pagasse imposto...


A imagem serviu de mote: é do Destak de 8 de Janeiro e devo-a ao meu caro amigo Fernando C..

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Intempestivos e dessincronizados


 Aquelas portas onduladas lembraram-me agora duas coisas. Uma é a guerra do Raul Solnado que tinha os portões ondulados fechados quando ele lá chegou cedinho, às sete da manhã. Não sei se os portões eram destes de correr se eram dos de chapa de zinco. A guerra do Solnado só abriu ao depois quando já eram nove e tal... A outra é a taberna do sr. Alberto, que abria mais tarde que a guerra do Solnado - normalmente lá para as dez ou onze e tal; tinha dois portões ondulados, verde-escuro, grandes como estes aqui do Evaristo do Pátio das Cantigas; e tinha mais um à esquina que era da carvoaria.
 Uma vez estava o sr. Alberto a subir os portões já manhã alta e pisou sem querer o Beto, que era o filho. O Beto não se queixou, o que muito fez estranheza ao sr. Alberto. Então o desmiolado do filho não lhe andara um ror de tempo a pedir dinheiro para uns sapatos não sei quê e assim e assado, e agora que lhos pisara não se lhe ouvia sequer um clamor?
 Dia adiante, andando ambos atrás do balcão, zona apertada para duas pessoas, vai nova pisadela - agora de propósito.
 Nada! Nem ai nem ui.
 Danado do moço que não o deslargou enquanto ele lhe não deu o dinheiro, e agora isto: nem lhe doíam as pisadelas nem se queixava pelos sapatos.
 - Ouve cá, ó Beto! Esses não são os sapatos novos?
 - São, pai.
 - Então, eu já tos pisei duas vezes e tu não te importas? Não te doeu?
 - Ó Pai! O pai não me aleijou porque já não havia sapatos para o meu número e eu comprei dois números acima.

Taberna, Portugal (Chusseau-Flaviens, 1900-1919)
Portugal. Interior duma taberna, 1900-1919.
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.


Nota: a fotografia da taberna, no original um tudo-nada escura, foi editada pelo meu caro amigo Q.; foi incorporada neste verbete em 15/1/06 às 10h00.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Da poluição


 Há por aí uma coisa chamada mercado que é imperativo, dizem, seja deixada em roda livre. Enquanto o mercado roda livremente, os preços das casas (preços de mercado, bem entendido) movem populações inteiras para dormitórios suburbanos cada vez mais longe dos lugares de produção (de serviços e bens de mercado, obviamente). Como as leis do mercado tendem para o equilíbrio, há no mercado popós confortáveis e catitas para prover ao pêndulo casa-trabalho. Todos os humanos escorraçados (por virtude do mercado imobiliário) de ao pé do lugar de trabalho podem ir de popó. Cansam-se até menos que se fossem a pé por morarem a dois passos do trabalho. Como podem ir de popó vão... Todos ao mesmo tempo. Fazendo lembrar uma multidão que procura entrar por uma porta onde só passa um de cada vez.
 O nomadismo pendular não passa de sedentarismo de roda na mão. Por isso há tempo para observar que milhares, centenas de milhar de popós particulares [agora diz-se] privados, parados, a queimar e a queimar e a queimar, dia após dia após dia, hão-de poluir e muito o meio-ambiente. Ai pois hão! Daqui se conclui, qualquer humano engarrafado nos caminhos nas acessibilidades [adoro estes rodriguinhos de linguagem] concluirá que muita poluição decorre do mercado (imobiliário, automóvel, dos combustíveis, enfim, global como o dito aquecimento). E só não vai perceber isto quem não andar sujeito ao pára-arranca, ou quem faleça de elementar bom senso.
 Pois o governo amandou com as culpas todas aos taxistas!




Imagem de Mundo Motorizado, nº 582, Julho de 1989, apud Fórum Auto-Hoje.
Nota final: tanto texto riscado lá em cima demonstra a poluição da linguagem de hoje que também pode ser atribuída (tal como o governo faz, à falta de melhor) aos taxistas.

domingo, 7 de janeiro de 2007

Domingo à noite: espectáculo de variedades


Dusty Springfield - Son of a Preacher Man
[Vídeo original indisponível; substitução em 28/7/07 reposição em 17/10/07... Reposição em 16/IX/18.]

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Olhò comboio!

 Em menino gostava muito de comboios. Conseguia vê-los lá muito ao longe, em Chelas, desde a janela das traseiras da minha casa. Via três pontes: duas, o comboio passava por cima; a outra lá mais para Marvila, passavam carros por cima e os comboios por baixo. Ouvia-os apitar: TÉÉUUM. TÉÉÉUUUM. Conseguia até ouvir os trrins da passagem de nível lá em Chelas. Se passasse um de mercadorias contava quantos vagões tinha, mais a máquina. Gostava dos vagões: os de levar carros, os de levar areia, os de mercadorias... Quantos mais vagões tivesse o comboio, mais contente ficava. Não achava era tanta graça àqueles comboios cinzentos, de passageiros, só com três carruagens.
 Quando via passar um comboio eu cantarolava:
 — O-lhò comboi-u! O-lhò comboi-u!
 O Luís Manuel morava no andar de baixo e não podia vê-los do quintal. O muro era alto e a figueira no quintal atrás (era a horta entaipada da D. Ludovina mas toda a gente dizia quintal) tapavam-lhe a paisagem.
 Houve um dia que o Luís Manuel foi buscar um banco e uma cadeira e conseguiu ver por cima do muro. Por uma nesga abaixo da figueira conseguiu finalmente ver um comboio. A partir daí cantarolávamos os dois:
 — O-lhò comboi-u! O-lhò comboi-u!
 Em menino eu queria ser maquinista dos comboios quando fosse grande




A partir de agora, os três primeiros voluntários que quiserem podem entrar no jogo e contar o queriam ser em pequenos quando fossem grandes, podendo disso dar aqui notícia. 




Imagem em ...

Intervalo

Regresso após o compromisso publicitário.


Laranjina C em Mistério Juvenil Ponto Come.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Os agiotas

 No Alto do Pina havia um gingão de alcunha o Cafeteiras que parava à esquina do bairro. Por natureza era um femeeiro irreprimível e boçal; conheceis o género. Tinha a particular mania de chamar alto, de braço no ar, os que passassem do lado de lá da rua para lhes impingir umas milongas e de permeio, cravar alguma coisa:

 - SÓÓCIO! - entoava ele à lisboeta, alongando a tónica e decrescendo o ditongo final na última metade. Quando cumprimentava o pessoal batia um estrepitante aperto de bacalhau, daqueles dados por cima, e repetia:

 - SÓÓCIO!

 Certa vez apegou-se a uma dama inglesa que não se importou de o levar com ela para a velha Álbion. O Cafeteiras de sua instrução não sabia de inglês senão uma palavra... Não foi isso obstáculo; pronunciava-a com a natural entoação de alfacinha de gema sempre que era apresentado às amigas da senhora. E sorria com deleite...

 Logo logo a dama deu-se conta que o Cafeteiras, de inteligível para ela só dizia uma e a mesma coisa, soando o restante discurso muito igual ao português. Por que diabo repetia o Cafeteiras uma tal palavra a propósito e a despropósito (rindo-se sempre, o gingão) ela nunca entendeu mas pouco fez caso.

 Quando se fartou dele jogou-o para canto; melhor, recambiou-o de volta para a esquina do bairro. Ironicamente o Cafeteiras, que não se fazia entender, acabou sendo entendido: daquele insistente exclamar esquina... a dama, sem cuidar, cumpriu-lhe o enunciado.

 Então cá, no Alto do Pina, o Cafeteiras julgava-se ainda mais herói; ufanava-se qual magriço sem pudor a quantos visse passar da sua aventura com a bifa e do inglês que falava. Poucos se deixavam enganar com a fanfarronada, mas lá contemporizavam na sociedade com o Cafeteiras.




O prestamista e a sua mulher

Quentin Massys, 1514.

Óleo sobre tábuas, 71 x 68 cm, Museu do Louvre, Paris.




 E porque vos conto isto?

 Porque uns agiotas deram em contar milongas crendo-me tolo: se eu lhes passar dinheiro para a mão [o pouco que tenha] fico dono dum banco. Tenho a sensação que se entrar no tal banco vou topar com o Cafeteiras na caixa recebendo-me efusivamente de braço levantado:

 - SÓÓCIO!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Paços...

 O ano novo está na berlinda; vede-o ali no terreiro, chegando; parece que vem animado e ainda bem. E o ano passado vede que vai saindo a passo, fazendo lembrar até um cavaleiro de triste figura mais o seu fiel escudeiro. No torreão de Terzi do Paço da Ribeira algumas janelas há simbolicamente abertas: é por 2007 (Janeiro < janua = porta, entrada > janela, por januella).
 O benévolo leitor e amigo deste blogo, o Paulo Cunha Porto (sem desprimor dos demais), foi quem motivou uma demanda do Terreiro do Paço aqui há tempo no Cais das Colunas; arribei assim à magistral obra de Júlio de Castilho, A Ribeira de Lisboa (1ª ed., Lisboa, Imprensa Nacional, 1893) no sítio da Biblioteca Nacional Digital.
 Gosto muito do antigo Paço da Ribeira (filipino) nesta interpretação de Domingos Vieira Serrão. Podeis compará-lo com o paço manuelino e ver o passar dos anos...
 Feliz ano novo!