Em 2002 deu-me saudade dos chavales do Verão Azul e rumei em passeio a Nerja — duma jornada do caminho já dei cá notícia.
Lá vi a traineira do Chanquete, mas a idealização formada a partir da série dos miúdos e o lugar real não se conjugam nestes veraneios; é como ler um livro e depois ver o filme...
A terra tem graça pitoresca mas a multidão de veraneantes com carros e motoretas desgraça-a; as praias ficam cheias como um ovo e é difícil pisar o cascalho sem pisar a cabeza a alguém. Julgo que isto seja uma técnica dos que arribam à praia para remover os outros e abrir uma clareira para si. Outra técnica - mui pouco usada - era chegar cedo o bastante, mui antes dos pisa cabezas, e fugir-lhes a meio da manhã que era quando eles engrossavam. Calhava bem pois podia almoçar-se à saída no restaurante da praia logo à hora de chegar o peixeiro. Este modo antecipava a siesta. À tardinha as praias de cascalho voltavam a ser frequentáveis por os pisa cabezas — já tostados em rosa forte — terem debandado para se alindarem para a ceia e juntarem à movida.
No apartamento havia uma estante com livros (sobretudo em inglês); cuidei que fossem os veraneantes que lá se alojavam que os iam deixando. Levei um livro que acabei lá e como os da estante não me interessaram fui comprar outro. Trouxe Felipe II y su Tiempo de Manuel Fernández Álvarez, o mais grosso que havia na livraria. Imagino se alguém se interessou pelo Paço da Ribeira do Nuno Senos que lá deixei…
Mais que isto só me lembro de coisas soltas de Nerja.
Perguntei, apontando, o nome dos pêssegos carecas numa tienda e responderam-me: nectarinas. Aprendi que Nerja é a origem do novo nome dos pêssegos carecas que vejo agora escrito nos híperes! Quem quiser diga aos dicionaristas!… A vendedeira por seu lado pediu informação e foi informada que nosostros éramos galegos!…
Outra coisa que me lembro é de cá a senhora pronunciar zumo (com o 'z' bem zumbido à portuguesa) e os sumos não serem piores por isso.
Nerja sofre com o calor do Verão e com os cães dos turistas. Somados [à falta de limpeza dos dejectos caninos], intensificam exponencialmente o cheiro a... Nem de propósito, quando no Verão a seguir contei onde estivera ao tio do Algarve, ele, ouvindo pela primeira vez o nome da terra perguntou admirado.
— Estiveste onde?! Em merda?!...
Epílogo: por uma razão qualquer a máquina fotográfica descartável ficou no saco até passarmos por Beja, à tornada. Salva-se de Nerja uma fotografia em grande estilo na Cueva, que eles lá impingem aos turistas. Vale-me isso, mas não vos maço com tal. Já basta a crónica banal.
Nota: corrigido às oito e meia da noute.
VerãoAzul! Eu era adepta dos Les Galapiats, mas gostei muito dessa série também.
ResponderEliminarLivros herdados: em Menorca, há dois anos, o simpático casal irlandês do lado deixou no terraço um saco cheio de coisas, antes de partir: sumos, açúcar e manteiga irlandesa, muitas outras coisas e um enorme Ludlum.
E estas férias no Algarve, li o Equador deixado numa estante da casa.Ainda bem, nunca o compraria, mas memo assim, pensei que fosse pior.E abandonei um livro que tinha lido e desgostado: qual era é que já não sei:)
Os Pequenos Vagabundos eram formidáveis...
ResponderEliminarCumpts.
boa série e a podiam passar no rtp-memoria
ResponderEliminarme faz um favor
espalha essa mensagem
http://reporter007.blogs.sapo.pt/396541.html
Afinal, Nerja é assim...
ResponderEliminarE sim, como lembrou a T., Les Galapiats.
Há tantas outras séries que eu gostava de rever.
Abraço
Fica o apelo Tron. Cumpts. // De feito, é um bocado assim, Manuel. Cumpts. // Cf. «Os Pequenos Vagabundos» em
ResponderEliminarhttp://memoriavirtual.net/2004/10/cultura-artes-e-letras/os-pequenos-vagabundos e http://www.retorta.net/wordpress/index.php/2005/01/28/les-galapiats/ //
Não são precisas fotografias porque a crónica é tudo menos banal :)
ResponderEliminarEu cresci a ver o Verão Azul, é uma boa recordação, adorava ver isto... em relação à realidade do sítio, bem, talvez tenha a ver com o facto de já terem passados tantos anos, não sei, e o sítio ter-se tornado moda, de alguma maneira.
Manuel: tenho ali o Dvd dos Les Galapiats há uns dois anos, acho eu. Ainda não consegui ver porque estou com medo de ficar decepcionada.Tenho recordações mais do que boas da série.
ResponderEliminarTenho que ganhar coragem, caraças:)
Também eram do clube dos admiradores da Marion? Eu preferia o Jean Luc:)
T: A Marion não era bem do meu tipo. Agradava-me o ambiente da história, sobretudo. O castelo, etc...
ResponderEliminarUm destes dias tenho que ir ver os catálogos de DVD. Nunca o fiz.
Obrigado Cátia. Não há dúvida que a fama sobrelotou Nerja. Muita gente estraga. // Dona T.: Eu era pequeno, acho que não vi a série assim; pelo menos de modo consciente. // O ambiente da história, o castelo, as passagens secretas... Era isso mesmo! // Cumpts. a todos
ResponderEliminarEu não sei em que ano passou exactamente a série em Portugal. Se foi em 70 ou 71, tinha eu 11 ou 12 anos.Mas lembro-me dos meus amigos rapazes babados a falar da loirinha. Posso emprestar, Manuel:)
ResponderEliminarSenhor Bic eu gostava do castelo e de ter um bocadinho de medo do que ia acontecer. Mas sempre fui muito caguinchas:) Vénias!
Devo ter visto nessa data sem entender muito bem. Percebi o suficiente para me interessar por uma repetição, já depois de 77. Lembro-me que foi uma repetição condensada num ou em dois sábados. Cortaram algumas cenas. Vou comprar o disco! Cumpts.
ResponderEliminarNao vou elogiar a serie, por esses comentarios a fora ja tudo foi dito. Elogio o conto, que é daqueles que eu gosto, em que uma pessoa contando, conta-se. Parabéns Bic! ;-)
ResponderEliminarObrigado pelo seu muito amável comentário! Cumpts.
ResponderEliminarOlá,
ResponderEliminarConvido-te para o meu forum da famosa série dos anos 80.
www.foroveranoazul.es.mn
Perdura el espíritu de Verano Azul
Para quien no le gustan las despedidas...
r.calado@netcabo.pt
Procurando coisas de Nerja na Internet encontrei esta ligação entre Nerja e as nectarinas. Vivo em Espanha há mais de uma década e os nossos vizinhos têm o hábito de achar que tudo tem origem no país deles. A palavra nectarina deriva do grego Nektar (e não de Nerja ). Como os outros pêssegos, provavelmente terá vindo da Ásia (e não de Nerja ). No século XVI já era consumida na Europa. O pêssego careca, embora quase igual, é outra fruta; a diferença está no caroço.
ResponderEliminarFeliz pelo seu comentário a algo que me quase esquecera.
ResponderEliminarOs pêssegos diz que vieram da Pérsia -- daí pêssego < pérsico. Alperce remete para a Pérsia também.
Cumpts.