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quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Bach: Cantata 151, «Doce consolação, meu Jesus veio»


João Sebastião Bach — Cantata BWV 151, «Süßer Trost, mein Jesus kömmt» (1725).
Jos van Veldhoven (maestro), Maria Keohane (soprano), Alex Potter (contratenor), Charles Daniels (tenor), Matthias Winckhler (baixo).
Sociedade de Bach da Holanda, Igreja Maior de Naarden, 2015.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Cartão de Natal




«Adoração do Menino», Correggio, 1518-20 — Óleo s/ tela, 81 x 67 cm ( Galeria de Uffizzi, Florença)


Adoração do Menino


Correggio, 1518-20 Óleo s/ tela, 81 x 67 cm
(Galeria de Uffizzi, Florença)




 




 


 


 


Ao benévolo leitor
votos de


 


 


 


FELIZ NATAL


 


 






BOAS FESTAS


 


 


 



 

domingo, 22 de dezembro de 2024

É preciso cuidado com… os carros


 Um carro atropelou, ao início da noite desta sexta-feira, várias pessoas num mercado de Natal de Magdeburgo, na Alemanha.


Marina Ferreira, Martim Andrade, Lusa, «Cinco mortos e mais de 200 feridos no ataque a mercado de Natal na Alemanha. Scholz visita hoje a cidade», Observador, 20/XII/25 (título e notícia às 11h10m de domingo 22/XII).


 


Hendrik Schmidt — © 2024, D.P.A.
Hendrik Schmidt — © 2024, D.P.A.


 



 O carro era um BMW. Alemão.


 O dito carro BMW, alemão, atropelou várias pessoas. Várias pessoas são para cima de duzentas.


 Aquela primeira frase da notícia não muda desde que ela foi publicada. Tem o sofisma habitual dos noticiários.


 O título da notícia foi mudando com o aumento das vítimas, que ficou feio; no fim meteram nele o cancelário (*) Scholz, o que é bonito, mostra piedade.


 O carro foi o meio, não o sujeito da acção. O sujeito que cometeu acção, o crime — o assassino, enfim — é dito ao depois lá pelo fundo da notícia que é um saudita médico de malucos exilado na Alemanha, revoltado porque a Alemanha não dá asilo decente às mulheres da Arábia (mas deu-o a si), é apoiante do partido da Alternativa para a Alemanha (dito de extrema direita), seguidor do Musk, do Trump, do Alex Jones e não sei que mais diabo quem… — Um assasino cheio de perversão, Deus nos salve! Ou Alá, para não deixar estes jornalistas serem menos inclusivos nas suas entrelinhas.


 Resumindo, a notícia não passa disto: um saudita atropelou para cima de duzentas pessoas num mercado de Natal na Alemanha. Mas também podia ser um saudita atropelou para cima de duzentos cristãos num mercado de Natal. Matou cinco, para já.


 Porquê uma coisa assim?… É bom que quem o prendeu procure saber para se prevenir da próxima.


  O resto do noticiário é folclore, intrujice, lavagem ao cérebro. Habilidadezinhas habituais no prègar da salvação das almas a que se ainda chama jornalismo, a lidar com o leitor como ímpio e pior, como sendo um atrasado mental.


 Extrapolando. Têm corrido por cá nestes dias rios de tinta por uma rusga a cidadãos do mundo na república da Mouraria, em Lisboa (do Aleixo, no Porto, não houve polémica; lá eram apenas portugueses, parece). Pois, à vista do que anda acontecendo com carros alemães, melhor é a polícia deixar-se de rusgas a cidadãos e dedicar-se só a operações stop.


 E os jornalistas podem dedicar-se ao depois a dizer-nos quantos destes carros alemães assassinos eram de origem portuguesa, produzidos na Autoeuropa.


 




(*) Do Latim cancellarius: guarda da cancela que separava o público de um tribunal. Porteiro, portanto; modernamente, o segurança.


 

Par de borrachos

Par de borrachos, Lisboa — © MMXXIV
Borrachos, Olisipo — © MMXXIV

sábado, 21 de dezembro de 2024

Saravá

O Aulete digital, actual, diz:



interj.
1. Rel. Saudação us. nos cultos afro-brasileiros; SALVE: «Iemanjá encarnou! Ela encarnou, saravá!» (António Callado, Bar Don Juan).
[F.: Alter. de salvar]



 O verbete original (da ed. digital, não da 1.ª ed., de 1881, que não inclui o termo) dizia que era corruptela ou corrupção de salvar.



v. tr. [?!] corr. de salvar, empregada em saudações nos cultos afro-brasileiros.



 Os brasileiros compõem muito mais explicação, o que é natural. Os dicionários portugueses até aos anos 70 — a julgar dos dois que aqui tenho (Lello Prático Ilustrado, 1976 e a 5.ª ed. da Porto Editora, 1974), não incluem. E o Dicionário Etimológico de José Pedro Machado (4.ª ed., Horizonte, 1987) dá-lhe entrada, dizendo sòmente — s. De idioma africano — que mais confirma o descaso.


 O caso é que os franceses (pelo menos o Barouh, que, talvez, era o francês mais brasileiro de França) lhe fizeram caso. À francesa, pois: Saravah.


 Com isto também lhe eu faço agora caso, porque gosto de saber a origem das coisas e assim, por origens, também fui procurar o original do Vinícius que — tem graça — se nem chama Saravá ou Saravah. Chama-se Samba da Bênção, é de 1963, dum disco Vinicius & Odette Lara.


 Desconhecia.


 E com isto, pois, ao ouvir o Samba da Bênção na voz de Vinícius, lembrei-me duma coisa que se diz (ou dizia, porque hoje…), frase bonita e muitíssimo bem calhada, de o sotaque brasileiro ser português com açúcar.


 Ora pois se não era:



Vinícius de Moraes, Samba da Bênção
(Vinícius & Odette Lara
, 1963)



 Era, é verdade, mas hoje (e o Vinícius de Moraes nasceu em 1913…) não me parece. — Açúcar a mais!… Acabou por enjoar…


 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Être heureux c'est plus au moins ce qu'on cherche


Pierre Barouh, Anouk Aimée, Samba Saravah (Baden Powell / Vinícius de Moraes)
Excerto d' Um Homem e uma Mulher, Claude Lelouch, 1966.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Decomposição composta

Ana Fonseca, Paulo Duarte, «Corpo de homem encontrado na Praia da Aguda em Vila Nova de Gaia», Correio da Manhã, 18/XII/24.
Ana Isabel Fonseca, Paulo Jorge Duarte, «Corpo de homem encontrado na Praia da Aguda em Vila Nova de Gaia», Correio da Manhã, 18/XII/24.


Via J.R.C., in Tempo Contado.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Mentes!…

 Primeiro. As crianças adpotam-se. Os animais, compram-se, vendem-se, dão-se ou tomam-se.
 Depois, quem se julgam as câmaras para me proibirem as pulgas na cama, no Natal ou quando seja?


 


[As] câmaras proíbem… (J.N., 16/XII/24)
(Jornal de Notícias, 16/XII/24.)

domingo, 15 de dezembro de 2024

Questão de rótulos

 O meu estimado eng.º S., pessoa de espírito e trato delicado. Tanto que o bonacheirão do eng. N. para descrevê-lo dizia dele.
 — O S. é tão educado, tão educado que a pior asneira que diz nem é m****. É m***inha.
 Numa vez que conversávamos, falávamos de vinhos.
 — Não percebo nada de vinhos. Comprei um Cartuxa e não lhe percebi nada extraordinário dos que compro de dois a cinco euros — disse-lhe.
 O eng. S., grave e sério, responde-me assim:
 — Os vinhos, para mim, olho para a garrafa, vejo-lhe o rótulo. Se gostar do rótulo, é garantido que o vinho é bom.
 Não medi logo o alcance do que me disse o eng.º S…



 


 « Nós exportávamos sobretudo para os países da E.F.T.A. e para a Alemanha. Os alemães compravam quase só vinho branco, à volta de 150 000 hectolitros por ano, para misturarem no seu Mosela, abaratando assim o custo de produção do seu vinho e aumentando significativamente a quantidade — um grande negócio à custa da boa qualidade e baixo preço dos nossos brancos —. A Suíça, por seu lado, importava vinho tinto, também 150 000 hectolitros anuais, para misturar com a zurrapa do seu Valais, vendendo-o depois ao copo, em Genève, onde isso é tradicional, como Bordeaux — outro grande negócio à custa dos nossos bons tintos —. Os nórdicos e os ingleses importavam de tudo, mas em muito menor quantidade.
 « Nunca consegui que dessem localmente designações dos nossos vinhos, com excepção dos ingleses para os engarrafados […]
 « Duma vez, num jantar em honra da delegação da Suécia, em que dei um branco excepcional, um sueco, que o apreciara e ficara ao lado do eng. Santos e Castro, presidente da Junta do Vinho, perguntou-lhe o que seria melhor, se o vinho branco ou o tinto. Santos e Castro, que não apreciava particularmente os brancos, fez que não ouvira. Como o outro insistisse, acabou por lhe responder assim: meu amigo, de todas as bebidas que eu conheço, a que mais se parece com o vinho é o vinho branco. O sueco fez cara de sueco e, quer tenha percebido quer não, tragou a resposta com mais um golo de branco, o que me fez rir com gosto.»


Carlos Fernandes, Embaixador, Recordando; o caso Delgado e outros casos, 1.ª ed., Universitária Editora, Lisboa, 2002, pp. 131-132.



 


Longa tradição da qualidade, Sogrape («Expresso 15 Anos — ed. comemorativa», Lisboa,  Expresso, 1988, p 68)
Longa tradição da qualidade, Sogrape, 1988.
(Anúncio em «Expresso 15 Anos — caderno comemorativo», Lisboa, Expresso, 1988, p 68.)


 

Senha

 — A palavra-passe…
 — Senha!
 — Eu disse palavra-passe, não passoerde.
 — No tempo em que lia «Os Cinco» só havia senha.
 — …
 — E mendigos, vagabundos. Nada de omelesses sem-abrigo.


Eileen Soper (Steph Marshall, «Eileen Soper: Discovering The Badger Lady», Badger Diaries, 9/VII/2017)


Eileen Soper (ilustradora d' «Os Cinco»), [Harmer Green, Welwyn (?)], [s.d.].
A. n/ id., in Steph Marshall, «Eileen Soper: Discovering The Badger Lady», Badger Diaries, 9/VII/2017.


 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Toi et moi ba da ba da


Um Homem e uma Mulher  (Francis Lai)
(Tema do filme de Claude Lelouch, 1966.)

sábado, 7 de dezembro de 2024

Vamos a ver…

 — Vamos a ver…
 — Vamos a ver.
 — Vamos a ver. Anda!
 — Vamos.


  Ilda e Júlio prosseguem de debaixo da oliveira. O plano roda e segue-os. O cenário abre-se: ao longe o Tejo, a outra banda, afrontados por duas oliveiras. Ao centro delas a Quinta do Armador. Sob a oliveira à direita a Quinta de N.ª Sr.ª da Conceição. Ambas ainda existem…


 O plano muda, volta-se para Sul. Contra o horizonte, entre duas oliveiras o Alto do Pina no troço da creche da S.C.M.L. (Casa dos Plátanos) à Rua do Barão de Sabrosa.


 Ilda e Júlio caminham a par, lentamente sobre ervas e flores. A câmara acompanha-os. O plano vai rodando para SE.


 Param:


 — Mas então, o teu pai…


 Ilda senta-se. Faz um gesto para se Júlio sentar a seu lado.


 A paisagem aparece-nos desafrontada sobre Chelas, Marvila, o Tejo, Palmela: de cá para lá a Quinta de N.ª Sr.ª da Conceição (ao centro), quintas do Armador e da Salgada (terço sup. dir.), blocos e casario do B.º da Madre de Deus (ao centro, recortados contra o Tejo). Ao longe, numa leve bruma, Palmela.


 



«Os Verdes Anos» (fragmento de «Vamos a ver…»)
Isabel Ruth (Ilda), Rui Gomes (Júlio) passeiam pela Quinta da Bela Vista.


Realização: Paulo Rocha, 1963


 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

O percurso continua

  O erro de «casting» emendou dias depois que era erro de percurso, não foi?…
  Nalguma coisa havia ele de acertar.


 


O erro de «casting» a seguir empenhado o seu se percurso (Sporting Club de Portugal, MMXXIV)
(Primeiras páginas dos matutinos desportivos, Portugal 6/XII/24. Fotomontagem a partir do Sapo.)


 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Os Verdes Anos no Alto da Bela Vista

 Cenas d' «Os verdes Anos» (Paulo Rocha, 1963) em que Ilda procura Júlio que faltou ao encontro combinado. As cenas passam-se nos olivais esparsos do Alto da Bela Vista. As oliveiras raquíticas e o vento agreste que varre os campos, alternando com formidáveis panoramas da cidade de Lisboa tirados do alto, dão o tom ao drama que se desenrola. A música de Carlos Paredes dá alma a toda acção.


 



«Os Verdes Anos» (cena da camisola)
Isabel Ruth (Ilda), Paulo Renato (mestre Afonso), Rui Gomes (Júlio)


Realização: Paulo Rocha, 1963


 

À procura d' Os Verdes Anos

Alto da Bela Vista (na antiga quinta dos Poaes Vermelhos), Lisboa — © MMXXIV
Do Alto da Bela Vista (chãos da antiga quinta dos Poiaes Vermelhos), Lisboa — © MMXXIV

Choco

Disse-me a senhora que não havia cá ovos, mas havia…


Ovo, Lisboa — © MMXXIV



Não era nosso.


Choco, Lisboa — © MMXXIV

Olisipo — © MMXXIV

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

O tempo do meu Areeiro

Av. do Aeroporto, Areeiro (A. Pastor, 1974)

 Foi mais ou menos por altura desta que conheci o Areeiro. Conheci-o assim, desta perspectiva. A minha mãe foi um dia a um super que, parece, era novo. Pelo menos para mim era. Só conhecia até aí os súperes no Chile (dois: um Pão de Açúcar e um Modelo) e um na Pascoal de Melo, o A.C. Santos. O super novo era o Nutripolo, ficava numa avenida muitíssimo moderna, com uns prédios maiores e mais modernos do que o Areeiro: a Av. dos Estados Unidos da América.


 Quando lá fui a primeira vez foi também a primeira vez que me lembra ter passado pelo Areeiro. Mas não atravessámos a praça. Vínhamos da Abade Faria. A minha mãe atalhou logo pela Alves Torgo, pelo velho Areeiro.


 De maneira que só dei pelo Areeiro, o monumental, o do arranha-céus, visto desta perspectiva, já um pouco abaixo para lado da Gago Coutinho. E foi só este relance que tive dele porque logo aqui, por alturas das bombas de gasolina, atravessámos para a Agostinho Lourenço — que é a continuação da Alves Torgo, a velha Estrada de Sacavém; mas são estas referências antigas novidades também antigas e que só vim a descobrir de há uns vinte anos para cá. Antes dele não fazia ideia de nada disto.


 Atravessámos e descemos pela Agostinho Lourenço que não tinha nada que impressionasse, como ainda hoje não tem, salva a curiosidade de ser um troço sobrevivente da velha Estrada de Sacavém, dos retiros e dos estômagos com tendências bucólicas, impelidos pela nostalgia das hortas para fora de portas no tempo do tomate. Nada disto me pareceu, nem eu o imaginava também. Sòmente notei a cancela encerrada da passagem de nível do velho apeadeiro. Não passavam ali carros, como em Chelas ou em Belém, só gente a pé. E a rua a seguir, para lá da cancela, também se não ajeitava bem com a rua donde vínhamos, a Agostinho Lourenço. Esta assimetria de ruas e o ar algo deslocado do apeadeiro com a cidade em redor fez--me certa espécie. Mas não nesta vez, só ao depois…


 Nesta vez, o que me impressionou mesmo, pelo moderno que os achei, foram os grandes prédios da Av. dos Estados Unidos. Lisboa era mesmo moderna, ali. Mais moderna do que o Areeiro, que só o vi da maneira como disse, pois…




Av. do Aeroporto, Areeiro, 1974.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.


 


 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Serão intimista


Isabel Ruth, «Os Verdes Anos»
Guitarra: João Paulo Oliveira. Realização: Luísa Sequeira
Festival FIKE, Casa da Zorra, Évora, 2013.

Umas tiradas bem calhadas


« […] Uma ideia de produção tão baratinha que custou apenas a impressão de uns quantos pendões, acabou por ser publicitada junto de milhões de portugueses, de borla, pelos cromos do estabelecimento e através da imprensa corporativa […]


 



 


« Há até que admitir que os políticos em Portugal ganham mal, como toda gente ganha mal, talvez com excepção do Mamadou Ba e de um ou outro banqueiro mais atrevido.


« É claro que ganhar mal não é a mesma coisa para toda a gente. Mesmo auferindo um salário modesto para chefe de estado, Marcelo Rebelo de Sousa será sempre remunerado acima do que merece, por exemplo. E considerando só o universo dos deputados da A.R., há aqueles que nos fazem rir, que deviam ganhar mais, aqueles que nos fazem chorar, que deviam ganhar menos, e aqueles que nem sequer têm a oportunidade da comédia ou a hipótese do drama, que se limitam ao estatuto de NPC’s [maria-vai-com-as-outras, leia-se] e que por isso não deviam receber o salário de actor, mas o de figurante.


« Se a Assembleia da República funcionasse segundo um critério meritocrático, produziria seguramente [hum!…] alguns deputados milionários [talvez], mas no cômputo geral a actividade parasitária do hemiciclo sairia mais barata ao erário público porque dos 230 deputados que lá estão, 200 seriam pagos como tarefeiros.»


Afonso Belisário, «De salários e pendões ou a indignação contraproducente», Contra-Cultura, 2/XII/24.


 


domingo, 1 de dezembro de 2024

Campino da Azambuja

Campino Manel, filho do Narciso «Borda d' Água», Azambuja. A. n/ id., anos 40-50)
Campino Manel, filho do Narciso «Borda d' Água», Azambuja, anos 40-50.
A. n/ id. Fotografia guardada por minha mãe, id. pela tia Mariana e pela tia Tónia.