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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

O tempo do meu Areeiro

Av. do Aeroporto, Areeiro (A. Pastor, 1974)

 Foi mais ou menos por altura desta que conheci o Areeiro. Conheci-o assim, desta perspectiva. A minha mãe foi um dia a um super que, parece, era novo. Pelo menos para mim era. Só conhecia até aí os súperes no Chile (dois: um Pão de Açúcar e um Modelo) e um na Pascoal de Melo, o A.C. Santos. O super novo era o Nutripolo, ficava numa avenida muitíssimo moderna, com uns prédios maiores e mais modernos do que o Areeiro: a Av. dos Estados Unidos da América.


 Quando lá fui a primeira vez foi também a primeira vez que me lembra ter passado pelo Areeiro. Mas não atravessámos a praça. Vínhamos da Abade Faria. A minha mãe atalhou logo pela Alves Torgo, pelo velho Areeiro.


 De maneira que só dei pelo Areeiro, o monumental, o do arranha-céus, visto desta perspectiva, já um pouco abaixo para lado da Gago Coutinho. E foi só este relance que tive dele porque logo aqui, por alturas das bombas de gasolina, atravessámos para a Agostinho Lourenço — que é a continuação da Alves Torgo, a velha Estrada de Sacavém; mas são estas referências antigas novidades também antigas e que só vim a descobrir de há uns vinte anos para cá. Antes dele não fazia ideia de nada disto.


 Atravessámos e descemos pela Agostinho Lourenço que não tinha nada que impressionasse, como ainda hoje não tem, salva a curiosidade de ser um troço sobrevivente da velha Estrada de Sacavém, dos retiros e dos estômagos com tendências bucólicas, impelidos pela nostalgia das hortas para fora de portas no tempo do tomate. Nada disto me pareceu, nem eu o imaginava também. Sòmente notei a cancela encerrada da passagem de nível do velho apeadeiro. Não passavam ali carros, como em Chelas ou em Belém, só gente a pé. E a rua a seguir, para lá da cancela, também se não ajeitava bem com a rua donde vínhamos, a Agostinho Lourenço. Esta assimetria de ruas e o ar algo deslocado do apeadeiro com a cidade em redor fez--me certa espécie. Mas não nesta vez, só ao depois…


 Nesta vez, o que me impressionou mesmo, pelo moderno que os achei, foram os grandes prédios da Av. dos Estados Unidos. Lisboa era mesmo moderna, ali. Mais moderna do que o Areeiro, que só o vi da maneira como disse, pois…




Av. do Aeroporto, Areeiro, 1974.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.


 


 

4 comentários:

  1. Trabalhei por esses lados há alguns anos, da última vez passei nesse local foi 2022, vindo do Aeroporto para a Av, de Roma.
    Não mudou nada, o prédio que vemos na esquina da Agostinho Lourenço estava bem conservado.
    Cumpts.

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  2. Não mudou. As hortas abaixo do arranha-céus deram em parque de estacionamento. No lote que confrontava com a Padre Manuel da Nóbrega e que se vê na imagem desafrontada numa nesga, levantaram um prédio novo.
    A casa que diz na Agostinho Lourenço foi restaurada há uns poucos de anos. Foi dada ao Clube de Campismo de Lisboa. Tem uma curiosidade essa casa. Situa-se na Agostinho Lourenço que começa ali e tem o n.º de polícia 321, o número de porta que lhe competia na continuação da Alves Torgo que acaba do lado oposto da Gago Coutinho vinda do Largo de Arroios e truncada desde a Alameda até ao Areeiro.
    Cidade complicada!
    Cumpts.

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  3. Ahahah, não sabia.
    Mas havia mais uma casa até à Vitor Hugo, que, então, deve ser aí que começa a Agostinho Lourenço.

    Cumpts.

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  4. Não. Essa é 325. O C.C.L. ainda tem os n.ºs 323 e 323A. Só depois da Victor Hugo é que é o n.º 1. Mas a placa toponímica está no logo prédio do C.C.L.
    Conclusão: começa no 321, vai até ao 325 e s´p ao depois recomeça do 1.
    Cumpts.

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