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domingo, 22 de dezembro de 2024

É preciso cuidado com… os carros


 Um carro atropelou, ao início da noite desta sexta-feira, várias pessoas num mercado de Natal de Magdeburgo, na Alemanha.


Marina Ferreira, Martim Andrade, Lusa, «Cinco mortos e mais de 200 feridos no ataque a mercado de Natal na Alemanha. Scholz visita hoje a cidade», Observador, 20/XII/25 (título e notícia às 11h10m de domingo 22/XII).


 


Hendrik Schmidt — © 2024, D.P.A.
Hendrik Schmidt — © 2024, D.P.A.


 



 O carro era um BMW. Alemão.


 O dito carro BMW, alemão, atropelou várias pessoas. Várias pessoas são para cima de duzentas.


 Aquela primeira frase da notícia não muda desde que ela foi publicada. Tem o sofisma habitual dos noticiários.


 O título da notícia foi mudando com o aumento das vítimas, que ficou feio; no fim meteram nele o cancelário (*) Scholz, o que é bonito, mostra piedade.


 O carro foi o meio, não o sujeito da acção. O sujeito que cometeu acção, o crime — o assassino, enfim — é dito ao depois lá pelo fundo da notícia que é um saudita médico de malucos exilado na Alemanha, revoltado porque a Alemanha não dá asilo decente às mulheres da Arábia (mas deu-o a si), é apoiante do partido da Alternativa para a Alemanha (dito de extrema direita), seguidor do Musk, do Trump, do Alex Jones e não sei que mais diabo quem… — Um assasino cheio de perversão, Deus nos salve! Ou Alá, para não deixar estes jornalistas serem menos inclusivos nas suas entrelinhas.


 Resumindo, a notícia não passa disto: um saudita atropelou para cima de duzentas pessoas num mercado de Natal na Alemanha. Mas também podia ser um saudita atropelou para cima de duzentos cristãos num mercado de Natal. Matou cinco, para já.


 Porquê uma coisa assim?… É bom que quem o prendeu procure saber para se prevenir da próxima.


  O resto do noticiário é folclore, intrujice, lavagem ao cérebro. Habilidadezinhas habituais no prègar da salvação das almas a que se ainda chama jornalismo, a lidar com o leitor como ímpio e pior, como sendo um atrasado mental.


 Extrapolando. Têm corrido por cá nestes dias rios de tinta por uma rusga a cidadãos do mundo na república da Mouraria, em Lisboa (do Aleixo, no Porto, não houve polémica; lá eram apenas portugueses, parece). Pois, à vista do que anda acontecendo com carros alemães, melhor é a polícia deixar-se de rusgas a cidadãos e dedicar-se só a operações stop.


 E os jornalistas podem dedicar-se ao depois a dizer-nos quantos destes carros alemães assassinos eram de origem portuguesa, produzidos na Autoeuropa.


 




(*) Do Latim cancellarius: guarda da cancela que separava o público de um tribunal. Porteiro, portanto; modernamente, o segurança.


 

7 comentários:

  1. Acção da polícia no Bairro do Aleixo em 2009:
    um crachá policial, duas pistolas de calibre 6,35, uma réplica de arma de fogo, munições e várias armas brancas, 272 dólares norte-americanos e 8100 euros, cinco auto-rádios, 22 telemóveis, duas câmaras vídeo, uma máquina fotográfica, cinco computadores e três LCD, haxixe para 285 doses individuais, cocaína para 134 e heroína para 150.
    Acção da polícia na Rua do Benformoso:
    435 euros em dinheiro, suspeitos de serem provenientes de atividades ilícitas, sete bastões (madeira e ferro), 17 envelopes com fotos tipo passe suspeitas de serem para uso em atividades ilícitas, 3.435 euros em numerário, um passaporte e diversos documentos por suspeita de auxílio à imigração ilegal, 581,37 gramas de droga que se suspeita ser haxixe, uma arma branca e um telemóvel que constava como furtado.
    Assim podemos ver como está a baixar a criminalidade em Portugal.

    Cumpts.

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  2. Seria.
    Se se à Rua do Benformoso ainda pudesse chamar Portugal.
    Cumpts.

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  3. Essa não percebi.

    Cumpts.

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  4. Fez uma comparação: o Aleixo com o Benformoso. Já não são comparáveis; o Aleixo é em Portugal, a Rua do Benformoso não, não nos enganemos.
    Logo, não sabemos se em Portugal está a baixar ou não (era ironia?) o crime (a criminalidade não é nada em concreto, é um rodriguinho).
    Cumpts. e feliz Natal.

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  5. Já percebi, e pensava que o Sr. era lisboeta.
    A eterna mania de só o norte é que é Portugal.

    Feliz Natal

    Cumpts.

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  6. Ah ah ah! Sou alfacinha, pois! A Rua do Benformoso também já foi. Mas agora é um lugar qualquer entre Islamabad e Bombaim.
    Portugal anda tão longe dali que hoje o Benfica deu três secos ao Estoril e passou para a frente do campeonato e nem um urro se ouviu sequer nos cafés dos arredores, dos Anjos até Arroios.
    Portugal já tinha acabado, bem sei, mas há meia dúzia de anos ainda se ouviam para aí portugueses. Hoje, nem com os golos do Benfica…
    Talvez se ouçam no Luxemburgo.
    Cumpts

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  7. Ahahahah
    Já percebi, o mesmo acontece no Verão, desde o Algarve até ao Porto, só se ouve falar inglesiu, e asiático dos chinocas e japões.
    Mas, no Estádio da Luz há muita gente assistir e a gritar golo com uma fala esquisita Lakṣya, dīrghajībī bēnaphikā, parece que é 'golo, viva o Benfica' em bengali.

    Cumpts.

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