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sábado, 21 de dezembro de 2024

Saravá

O Aulete digital, actual, diz:



interj.
1. Rel. Saudação us. nos cultos afro-brasileiros; SALVE: «Iemanjá encarnou! Ela encarnou, saravá!» (António Callado, Bar Don Juan).
[F.: Alter. de salvar]



 O verbete original (da ed. digital, não da 1.ª ed., de 1881, que não inclui o termo) dizia que era corruptela ou corrupção de salvar.



v. tr. [?!] corr. de salvar, empregada em saudações nos cultos afro-brasileiros.



 Os brasileiros compõem muito mais explicação, o que é natural. Os dicionários portugueses até aos anos 70 — a julgar dos dois que aqui tenho (Lello Prático Ilustrado, 1976 e a 5.ª ed. da Porto Editora, 1974), não incluem. E o Dicionário Etimológico de José Pedro Machado (4.ª ed., Horizonte, 1987) dá-lhe entrada, dizendo sòmente — s. De idioma africano — que mais confirma o descaso.


 O caso é que os franceses (pelo menos o Barouh, que, talvez, era o francês mais brasileiro de França) lhe fizeram caso. À francesa, pois: Saravah.


 Com isto também lhe eu faço agora caso, porque gosto de saber a origem das coisas e assim, por origens, também fui procurar o original do Vinícius que — tem graça — se nem chama Saravá ou Saravah. Chama-se Samba da Bênção, é de 1963, dum disco Vinicius & Odette Lara.


 Desconhecia.


 E com isto, pois, ao ouvir o Samba da Bênção na voz de Vinícius, lembrei-me duma coisa que se diz (ou dizia, porque hoje…), frase bonita e muitíssimo bem calhada, de o sotaque brasileiro ser português com açúcar.


 Ora pois se não era:



Vinícius de Moraes, Samba da Bênção
(Vinícius & Odette Lara
, 1963)



 Era, é verdade, mas hoje (e o Vinícius de Moraes nasceu em 1913…) não me parece. — Açúcar a mais!… Acabou por enjoar…


 

12 comentários:

  1. Num dicionário etimológico li:
    Saravá
    É a interjeição umbandista equivalente a salve! Saravá era como os escravos africanos pronunciavam a palavra salvar.

    Boas Festas
    Cumpts.

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  2. Num dicionário etimológico encontrei:
    Saravá
    É a interjeição umbandista equivalente a salve! Saravá era como os escravos africanos pronunciavam a palavra salvar, com influência da fonética do banto, sua língua nativa.

    Boas Festas
    Cumpts.

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  3. Essa ênfase nos escravos, também a li na «vikipeida»… Imprescindível, com o adjectivo «africanos», sem o qual não vai. Como as oportunidades, que não existem sem janela, ou a vergonha sem o «na cara».
    Está na cara, pois, já que andamos por coisas do Brasil!…
    Desculpe o à-parte, mas não se acha nada hoje sem esse cheiro de santidade (s)anti-racista, (s)anti-colonial, santi-, santi- e sempre anti, para expiar não sei que pecados passados. E ver o mundo como vai hoje…
    O caso é que «escravos», referido ao Brasil, não carece de mais adejectivos. Sabe-se do que se fala e da sua origem. E africanos seria por si bastante, porque nem todos os africanos eram escravos. Nada nos diz que os forros ou os pretos dos quilombos não tivessem a mesma idiossincrasia de linguagem com o português. Antes pelo contrário.
    Enfim! É missa desta por todo o lado e tanto cheiro de santidade já cheira mal.

    Pois bem, a interjeição «saravá» parece que tem na base o português «salvar» e está ligada ao culto religioso dos africanos no Brasil. O Aulete está certo. O José Pedro Machado nem tanto. O Vinícius projectou o termo. Os lexicógrafos portugueses só recentemente o incorporaram nos dicionários.

    Cumpts.


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  4. Realmente, nunca ninguém explicou, ou ainda não li, porque razão os escravos são necessariamente africanos.
    Então na América havia tantos índios para quê a necessidade de escravos africanos?

    Parece que moda até é mais não se dizer escravo.

    Cumpts.

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  5. Os gentios do Brasil não suportavam o trabalho, por mais leve que fosse (e não era). Morriam dele ou só de serem presos ou retidos. Era de sua natureza e cedo se levantaram as vozes dos missionários católicos contra escravizá-los.
    Os africanos eram mais robustos, morriam menos da dureza do trabalho nos engenhos e desde antes da antiguidade bíblica que a escravidão é um negócio. Ainda agora…

    A razão de os escravos do Brasil e do Novo Mundo haverem de necessàriamente ser ditos africanos é como subir para cima ou descer para baixo. Pleonasmo de estupidez rematada que bem aproveitada dá belos semões e missa cantada a evangelizar gente distraída. São vozes outra vez de missionários, novos missionários, já nada católicos.

    Boas festas e Feliz Natal!

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  6. E por falta de rebustez assim se safaram milhões de índios da escravatura.
    E por muita rebustez ficou na memória 'o trabalho é bom pro preto'.

    Cumpts.

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  7. Também havemos o «mouro de trabalho» e num caso como noutro é sabida a lei do menor esforço.
    Cumpts.

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  8. Não se safaram milhões de índios da escravatura porque milhões morreram devido às doenças levados pelos Europeus para a América. Neste caso, não foi tanto a falta de robustez, mas sim a falta de imunidade.

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  9. O mesmo com a sífilis na torna-viagem.

    Feliz Natal

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  10. Na Guiné vi "fazer" uma escada utilizado o tronco de uma pequena árvore cortando os ramos deixando só os cotos que serviam de degraus.
    E também vi o mesmo na Irlanda.

    Cumpts

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  11. Os índios nunca serviram de escravos, doutra forma as plantações de algodão na América do Norte não teria sido feitas por africanos.
    A ideia de levar africanos para a América foi devido ao mau negócio de levar europeus para as plantações de tabaco. Tinha que se lhes pagar, não se davam com o clima e por fim ainda lhes roubavam o negócio.
    Levando africanos que eram comprados como escravos, aguentavam o clima, não tinham que lhes pagar pelo trabalho feito e nunca lhes passavam pela cabeça roubar as plantações.

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