O Aulete digital, actual, diz:
interj.
1. Rel. Saudação us. nos cultos afro-brasileiros; SALVE: «Iemanjá encarnou! Ela encarnou, saravá!» (António Callado, Bar Don Juan).
[F.: Alter. de salvar]
O verbete original (da ed. digital, não da 1.ª ed., de 1881, que não inclui o termo) dizia que era corruptela ou corrupção de salvar.
v. tr. [?!] corr. de salvar, empregada em saudações nos cultos afro-brasileiros.
Os brasileiros compõem muito mais explicação, o que é natural. Os dicionários portugueses até aos anos 70 — a julgar dos dois que aqui tenho (Lello Prático Ilustrado, 1976 e a 5.ª ed. da Porto Editora, 1974), não incluem. E o Dicionário Etimológico de José Pedro Machado (4.ª ed., Horizonte, 1987) dá-lhe entrada, dizendo sòmente — s. De idioma africano — que mais confirma o descaso.
O caso é que os franceses (pelo menos o Barouh, que, talvez, era o francês mais brasileiro de França) lhe fizeram caso. À francesa, pois: Saravah.
Com isto também lhe eu faço agora caso, porque gosto de saber a origem das coisas e assim, por origens, também fui procurar o original do Vinícius que — tem graça — se nem chama Saravá ou Saravah. Chama-se Samba da Bênção, é de 1963, dum disco Vinicius & Odette Lara.
Desconhecia.
E com isto, pois, ao ouvir o Samba da Bênção na voz de Vinícius, lembrei-me duma coisa que se diz (ou dizia, porque hoje…), frase bonita e muitíssimo bem calhada, de o sotaque brasileiro ser português com açúcar.
Ora pois se não era:
Vinícius de Moraes, Samba da Bênção
(Vinícius & Odette Lara, 1963)
Era, é verdade, mas hoje (e o Vinícius de Moraes nasceu em 1913…) não me parece. — Açúcar a mais!… Acabou por enjoar…
Num dicionário etimológico li:
ResponderEliminarSaravá
É a interjeição umbandista equivalente a salve! Saravá era como os escravos africanos pronunciavam a palavra salvar.
Boas Festas
Cumpts.
Num dicionário etimológico encontrei:
ResponderEliminarSaravá
É a interjeição umbandista equivalente a salve! Saravá era como os escravos africanos pronunciavam a palavra salvar, com influência da fonética do banto, sua língua nativa.
Boas Festas
Cumpts.
Essa ênfase nos escravos, também a li na «vikipeida»… Imprescindível, com o adjectivo «africanos», sem o qual não vai. Como as oportunidades, que não existem sem janela, ou a vergonha sem o «na cara».
ResponderEliminarEstá na cara, pois, já que andamos por coisas do Brasil!…
Desculpe o à-parte, mas não se acha nada hoje sem esse cheiro de santidade (s)anti-racista, (s)anti-colonial, santi-, santi- e sempre anti, para expiar não sei que pecados passados. E ver o mundo como vai hoje…
O caso é que «escravos», referido ao Brasil, não carece de mais adejectivos. Sabe-se do que se fala e da sua origem. E africanos seria por si bastante, porque nem todos os africanos eram escravos. Nada nos diz que os forros ou os pretos dos quilombos não tivessem a mesma idiossincrasia de linguagem com o português. Antes pelo contrário.
Enfim! É missa desta por todo o lado e tanto cheiro de santidade já cheira mal.
Pois bem, a interjeição «saravá» parece que tem na base o português «salvar» e está ligada ao culto religioso dos africanos no Brasil. O Aulete está certo. O José Pedro Machado nem tanto. O Vinícius projectou o termo. Os lexicógrafos portugueses só recentemente o incorporaram nos dicionários.
Cumpts.
Realmente, nunca ninguém explicou, ou ainda não li, porque razão os escravos são necessariamente africanos.
ResponderEliminarEntão na América havia tantos índios para quê a necessidade de escravos africanos?
Parece que moda até é mais não se dizer escravo.
Cumpts.
Os gentios do Brasil não suportavam o trabalho, por mais leve que fosse (e não era). Morriam dele ou só de serem presos ou retidos. Era de sua natureza e cedo se levantaram as vozes dos missionários católicos contra escravizá-los.
ResponderEliminarOs africanos eram mais robustos, morriam menos da dureza do trabalho nos engenhos e desde antes da antiguidade bíblica que a escravidão é um negócio. Ainda agora…
A razão de os escravos do Brasil e do Novo Mundo haverem de necessàriamente ser ditos africanos é como subir para cima ou descer para baixo. Pleonasmo de estupidez rematada que bem aproveitada dá belos semões e missa cantada a evangelizar gente distraída. São vozes outra vez de missionários, novos missionários, já nada católicos.
Boas festas e Feliz Natal!
E por falta de rebustez assim se safaram milhões de índios da escravatura.
ResponderEliminarE por muita rebustez ficou na memória 'o trabalho é bom pro preto'.
Cumpts.
Também havemos o «mouro de trabalho» e num caso como noutro é sabida a lei do menor esforço.
ResponderEliminarCumpts.
Não se safaram milhões de índios da escravatura porque milhões morreram devido às doenças levados pelos Europeus para a América. Neste caso, não foi tanto a falta de robustez, mas sim a falta de imunidade.
ResponderEliminarO mesmo com a sífilis na torna-viagem.
ResponderEliminarFeliz Natal
Na Guiné vi "fazer" uma escada utilizado o tronco de uma pequena árvore cortando os ramos deixando só os cotos que serviam de degraus.
ResponderEliminarE também vi o mesmo na Irlanda.
Cumpts
Os índios nunca serviram de escravos, doutra forma as plantações de algodão na América do Norte não teria sido feitas por africanos.
ResponderEliminarA ideia de levar africanos para a América foi devido ao mau negócio de levar europeus para as plantações de tabaco. Tinha que se lhes pagar, não se davam com o clima e por fim ainda lhes roubavam o negócio.
Levando africanos que eram comprados como escravos, aguentavam o clima, não tinham que lhes pagar pelo trabalho feito e nunca lhes passavam pela cabeça roubar as plantações.
Boa habilidade.
ResponderEliminarCumpts.