![Adriano Moreira, O Novíssimo Príncipe: Análise da Revolução, 4.ª ed., [Lisboa], Gauge, 1986](https://ireland.apollo.olxcdn.com/v1/files/npxw4eopw5wr2-PT/image;s=1000x700)
« As barreiras que foram eficazes para a detenção da vaga destruidora que ameaçou sovietizar a vida nacional, [o 25 de Novembro, leia-se] são agora o objecto do assédio dissolvente.
« A revolução industrial, quando levou à substituição das autoridades tradicionais do poder político [Antigo Regime], não se dispensou de implantar sólidas autoridades na sociedade civil que asseguravam a sustentação dos valores individuais: na família, na empresa, na universidade, no sindicato, o governo privado existia e não temia as ameaças do Estado.
« O totalitarismo, de todos os sinais [i.é, de esquerda ou de direita], sempre teve consciência disso, e por isso também nunca evitou, contra essas autoridades [particulares, ou privadas, como se hoje só diz], a batalha indispensável para se assegurar do monopólio das decisões [leia-se, do poder]. Os lamentos conservadores, que se ouvem [ou que, hoje, são abafados] por todo o mundo, contra a revolta dos jovens [hoje chamam-lhe activistas; jovens é só já eufemismo para esconder que são pretos], omitem sempre dizer que foi o extremismo dos seus governos totalitários [ou socialistas, mas vemos hoje, é tudo o mesmo], acompanhado pelos soviéticos [e, finalmente, depois da queda do muro de Berlim, de pendor mais ou menos disfarçadamente marxista cultural], que estabeleceu o precedente da destruição da autoridade familiar e o desaparecimento desse processo legítimo de integração social das gerações. Foram tais governos [democráticos, mais ou menos socialistas, social-democráticos, e até democratas-cristãos] quem organizou […] »
Adriano Moreira, O Novíssimo Príncipe: Análise da Revolução, 4.ª ed., [Lisboa], Gauge, 1986, pp. 179-180.
O Adriano Moreira soou-me sempre ambíguo. O prof. Marcello Caetano nas suas Memórias de Salazar refere-o rapaz esperto embora não muito brilhante quando conta da trapalhada em que se meteu ao acusar o Ministro da Guerra no caso do Gen. Botelho Godinho (4.ª ed., p. 460 e ss.) Mas lá que era esperto, sem dúvida. Tanto que se sustentou ao depois do grande acidente nacional sem rótulo de fascista nem perda de estatuto, até pelo contrário (maçonaria?).
Neste excerto é só vago, ou meio cifrado, que dá no mesmo. Daqui os meus àpartes entre parêntesis rectos, para o eu melhor entender. Mas o Moreira, astuto como todos os espertelhões, entrevia já tudo o que se hoje tornou notório. (A 1.ª ed. Novíssimo Príncipe é de Fev. de 77.) É por demais óbvio o que diz, ante o que vejo hoje, quarenta e tal anos depois. Cuido, por conseguinte, que o que aponho não desvirtua o que o figurão disse.
No fundo só dizia que os comunistas — abertamente enquanto o muro de Berlim não caiu e; ao depois da queda, o marxismo cultural que se manhosamente infiltrou nos governos da Cristandade — minavam a sociedade civil, caminho dum totalitarismo democrático à maneira soviética. O que o Moreira não media ainda e só poucos iluminados o saberiam, era que do bolchevismo (derrotado?) ao marxismo cultural seria toda uma civilização feita tábua rasa pela perversão total de valores: inversão do bem pelo mal; da gente pelos bichos; dos valores pelo niilismo; da família pela perversão sexual; da vida pela morte (aborto, eutanásia) e; finalmente, com o extermínio do Homem branco e a sua civilização na sua própria terra, como vai bem de ver, e em marcha acelerada.
Parece-me bem assim, pois, que o 25 de Novembro foi no fim para nada. Bem podem andar para aí a cada ano com a ilusão de que foi uma grande coisa e com a converseta de que foi ele que valeu e não o Dabril. Tudo um engano! A percepção então de se atalhar a um totalitarismo internacionalista revela-se, agora, bem errada. Não se atalhou a nada e os internacionalistas (comunistas, socialistas, social-democratas e idiotas úteis, passe tanta redundância) recauchutaram-se depressa com novo rótulo, da globalização. Serve ele para mascarar totalitarismo, mas paradoxalmente o novo rótulo traz em si muito mais explícita a noção de regime ou sistema fechado do que a decorrente dos pretéritos rótulos internacionalismo, comunismo &c.
Ora a noção dum sistema fechado é de que se nele contém tudo e fora dele nada existe. Mais fechado nada se consegue conceber, nem uma prisão ou num campo de concentração, porquanto nesses há porta de entrada e (temos visto) maneira fugir. No totalitarismo da globalização vai tudo dentro.
Portanto…