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sábado, 30 de novembro de 2024

Da trampolinice

 Em tempos referia-me irònicamente a coisas destas como cursus honorum, um instituto da Roma antiga. O caso é que Roma traditoribus non premiae ou Roma não paga a traidores — o latim torna-se já desadequado. Usemos linguagem vulgar, pois:
 Eis o trampolineiro.


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« A única forma de sermos verdadeiramente patrióticos, de assegurarmos a soberania, é construir uma Europa comum.»
Costa assume [a] liderança do Conselho Europeu», Expresso / Lusa, 29/XI/24.)


 


De bacalhau graúdo e de bacalhoa crescida

De bacalhaus e bacalhoas, ou de nem saber copiar (M.ª Dolores Amaral, Carlos Venâncio et al., «Quinta da «Bacalhoa» [sic], na Estrada de Sacavém em 1941 [sic], in Livro das Fuças
M.ª Dolores Amaral, Carlos Venâncio et al., «Quinta da Bacalhoa [sic], na Estrada de Sacavém em 1941 [sic]», in Livro das Fuças.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Identificação de serventias numa imagem de 1951

Avenidas 28 de Maio, Cinco de Outubro e dos Estados Unidos da América, Lisboa, 1951. Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.



  • Avenida 28 de Maio, no primeiro troço.

  • Avenida Cinco de Outubro, a transversal onde vira o automóvel, onde vão [conversam] as varinas.

  • Av. dos Estados Unidos da América para lá da Cinco de Outubro e mais além de Entre campos.


 Isto para quem queira ficar a saber.
 Quem não quiser pode tirar a quarta classe pelo Facebook e ficar-se com as vistas curtas dumas quaisquer Forças Armadas entreguistas.


 


 A fotografia é de Judah Benoliel, de 1951, à guarda (e com ferrete) do archivo photographico da C.M.L.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Só m… treta

 Esta gente gosta é de triângulos. A decoração em volta é bem a representação das ideias que lhes povoam as cacholas: um pavor. De concreto, nem o pinheirinho de Natal vale de nada, desacompanhado que está do Presépio.


 


Montenegro 1.º ministro, Portugal (Miguel Lopes / brasiLusa, MMXXIV)


  Com a pompa que se vê veio hoje com trombetas e charamelas, de súbito, este mandarete de turno falar à nação nacinha que lhe ainda entende o linguajar (consta que há para cima de um milhão de «portugueses» que só falam sabe-se lá o quê) para dizer umas larachas de propaganda oca. Que Portugal é muito seguro — versão oficial do vulgar me®️diático evangélico «a insegurança é só uma sensação»; sensação que se sente, decerto, mas que na realidade não… Vejo agora o nu das nutícias que desataram a aparecer: do afã da polícia, da guarda, da judiciária e até da A.S.A.E., da A.I.MA., da Autoridade Tributária, eu sei lá, na caça à droga, a passadores, a traficantes negreiros, a invasores ilegais (se forem legais não faz mal)…


 Se é um país seguro, porquê tanto afã?


 Mais que não percebo é, com tanto afã, por que raio passa aquela dúzia, dúzia e meia de marroquinos todo o santo dia na esplanada daquele café ali em baixo ou o que fazem eles na naqueloutra esquina ao depois de o café fechar às dez, onze da noite. De há meses que andam para ali.


 Mas, confesso, também não esperei para ver se ouvia os mandaretes nem os chefes da polícia explicá-lo. Ao fim de meio minuto já me não cheirava a propaganda nem o respectivo cenário e mudei para o canal da bola. Não sem de caminho, no zap, ouvir noutro canal a outro sacristão noticieiro que o Presidente do Cabo Verde recebeu discreta (mas oficialmente) o Presidente da República Portuguesa na [no enclave da] Cova da Moura.


 


(A fotografia é dum Miguel Lopes da brasiLusa, in Sapo.)

terça-feira, 26 de novembro de 2024

É o caso

 Se me dessem um Ferrari para eu ir guiar nas corridas da Fórmula 1,  certo e natural seria que eu lá fosse e perdesse logo por 5-1. Eu não sou nenhum Fangio!…


 


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(R.A.C. British Grand Prix 51, in Stats F1 Imgur.)

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

A primeira anedota que aprendi

A primeira anedota que aprendi.


Estava um senhor a vender amendoins à porta da igreja:
— AMENDOINS! AMENDOINS!
As pessoas passavam para ir à missa, não faziam caso. Ninguém comprava amendoins.
E o homem:
— AMENDOINS! AMENDOINS!
Quando a missa começou, já não vinha mais gente. O vendedor de amendoins entrou na igreja e estava o Rev.º Padre.
— Em nome do Pai, do Filho e do Espírto Santo.
O povo respondeu:
— Ámen!
E o homem:
— … DOINS!


*   *   *


Quando é de vender amendoins, por mais améns, não há milagres.


 


«Pacote de amendoins» (resenha cor-de-rosa), «Flash», 25/XI/24


(«Pacote de amendoins», resenha cor-de-rosa adaptada da Flash, 25/XI/24.)

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Concerto do domingo de manhã ao serão


G.F. Händel — Música Aquática (HMV 348-350)
Georg Kallweit (maestro, violino),
Academia de Música Antiga de Berlim, na Sala de Concertos de Amesterdão, concerto do domingo de manhã, em 10 de Janeiro de 2016.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Do vinte-e-cinco preferencial ao outro, para nada


Adriano Moreira, O Novíssimo Príncipe: Análise da Revolução, 4.ª ed., [Lisboa], Gauge, 1986


« As barreiras que foram eficazes para a detenção da vaga destruidora que ameaçou sovietizar a vida nacional, [o 25 de Novembro, leia-se] são agora o objecto do assédio dissolvente.


 « A revolução industrial, quando levou à substituição das autoridades tradicionais do poder político [Antigo Regime], não se dispensou de implantar sólidas autoridades na sociedade civil que asseguravam a sustentação dos valores individuais: na família, na empresa, na universidade, no sindicato, o governo privado existia e não temia as ameaças do Estado.


« O totalitarismo, de todos os sinais [i.é, de esquerda ou de direita], sempre teve consciência disso, e por isso também nunca evitou, contra essas autoridades [particulares, ou privadas, como se hoje só diz], a batalha indispensável para se assegurar do monopólio das decisões [leia-se, do poder]. Os lamentos conservadores, que se ouvem [ou que, hoje, são abafados] por todo o mundo, contra a revolta dos jovens [hoje chamam-lhe activistas; jovens é só já eufemismo para esconder que são pretos], omitem sempre dizer que foi o extremismo dos seus governos totalitários [ou socialistas, mas vemos hoje, é tudo o mesmo], acompanhado pelos soviéticos [e, finalmente, depois da queda do muro de Berlim, de pendor mais ou menos disfarçadamente marxista cultural], que estabeleceu o precedente da destruição da autoridade familiar e o desaparecimento desse processo legítimo de integração social das gerações. Foram tais governos [democráticos, mais ou menos socialistas, social-democráticos, e até democratas-cristãos] quem organizou […] »


Adriano Moreira, O Novíssimo Príncipe: Análise da Revolução, 4.ª ed., [Lisboa], Gauge, 1986, pp. 179-180.



 O Adriano Moreira soou-me sempre ambíguo. O prof. Marcello Caetano nas suas Memórias de Salazar refere-o rapaz esperto embora não muito brilhante quando conta da trapalhada em que se meteu ao acusar o Ministro da Guerra no caso do Gen. Botelho Godinho (4.ª ed., p. 460 e ss.) Mas lá que era esperto, sem dúvida. Tanto que se sustentou ao depois do grande acidente nacional sem rótulo de fascista nem perda de estatuto, até pelo contrário (maçonaria?).


 Neste excerto é só vago, ou meio cifrado, que dá no mesmo. Daqui os meus àpartes entre parêntesis rectos, para o eu melhor entender. Mas o Moreira, astuto como todos os espertelhões, entrevia já tudo o que se hoje tornou notório. (A 1.ª ed. Novíssimo Príncipe é de Fev. de 77.) É por demais óbvio o que diz, ante o que vejo hoje, quarenta e tal anos depois. Cuido, por conseguinte, que o que aponho não desvirtua o que o figurão disse. 


 No fundo só dizia que os comunistas — abertamente enquanto o muro de Berlim não caiu e; ao depois da queda, o marxismo cultural que se manhosamente infiltrou nos governos da Cristandade — minavam a sociedade civil, caminho dum totalitarismo democrático à maneira soviética. O que o Moreira não media ainda e só poucos iluminados o saberiam, era que do bolchevismo (derrotado?) ao marxismo cultural seria toda uma civilização feita tábua rasa pela perversão total de valores: inversão do bem pelo mal; da gente pelos bichos; dos valores pelo niilismo; da família pela perversão sexual; da vida pela morte (aborto, eutanásia) e; finalmente, com o extermínio do Homem  branco e a sua civilização na sua própria terra, como vai bem de ver, e em marcha acelerada.


 Parece-me bem assim, pois, que o 25 de Novembro foi no fim para nada. Bem podem andar para aí a cada ano com a ilusão de que foi uma grande coisa e com a converseta de que foi ele que valeu e não o Dabril. Tudo um engano! A percepção então de se atalhar a um totalitarismo internacionalista revela-se, agora, bem errada. Não se atalhou a nada e os internacionalistas (comunistas, socialistas, social-democratas e idiotas úteis, passe tanta redundância) recauchutaram-se depressa com novo rótulo, da globalização. Serve ele para mascarar totalitarismo, mas paradoxalmente o novo rótulo traz em si muito mais explícita a noção de regime ou sistema fechado do que a decorrente dos pretéritos rótulos internacionalismo, comunismo &c.


 Ora a noção dum sistema fechado é de que se nele contém tudo e fora dele nada existe. Mais fechado nada se consegue conceber, nem uma prisão ou num campo de concentração, porquanto nesses há porta de entrada e (temos visto) maneira fugir. No totalitarismo da globalização vai tudo dentro.


 Portanto…

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

A esquerda


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« A esquerda extremou-se a ponto de literalmente se esquecer de como são as pessoas comuns. E razoavelmente sãs. Afastada dos seus princípios, enclausurada em delírios académicos, separada do mundo do trabalho e radicalmente mergulhada nos cultos da vitimização e da censura, a esquerda tornou-se uma caricatura de si mesma, ou da caricatura que sempre fora. Não é à toa que muitos espécimes que soluçam no TikTok parecem de facto cartoons.


« Boa parte da esquerda actual é um desfile de esquisitices e de esquisitóides, adultos imberbes e frágeis, histéricos e sensíveis, sem sequer o vigor antidemocrático que avisava a malta para guinchar insanidades e vandalizar avenidas. Uma mera manifestação anti-semita ou um circo «climático» esgota-lhes a energia. Uma vitória de Trump põe-nos em contacto com linhas de prevenção do suicídio. Ou, nas situações terminais, a colorir bonecos da Hello Kitty e seguir fancaria de «auto-ajuda». A estratégia woke, substituta da luta de classes e pensada para a esquerda reinar sobre uma sociedade infantilizada, acabou a infantilizar a esquerda e a repugnar o resto da sociedade.»


Alberto Gonçalves, «As lágrimas e os legos da esquerda moderna», Observador, 16/XI/24.


domingo, 17 de novembro de 2024

De Ars Amatoria…

A Arte de Amar / OVÍDIO . — 2.ª ed. . — Mem Martins : Europa-América, 1998. — 121 p.; 18cm. — Livros de Bolso Europa-América, 84


 Uma leitura que arrastei por anos. Sem proveito, pois esquecia o que já lêra. Pegava-lhe, largava-o, e esquecia-o. Pegava-lhe, largava-o e esquecia-o. Por anos. Pelo meio as numerosas referências da época do A. foram ficando nesse grande mistério que são, nos nossos dias, os deuses da mitologia greco-latina e os heróis de Homero. — A trabalheira de parar a cada instante para esclarecê-las no dicionário, na enciclopédia; preguiça, empecilho à leitura, já de si pouco empenhada… Era o que devia ter feito, mas não havendo necessidade de estudo… Para abreviar valeu o breve resumo da mitologia que vem no prefácio. Quando valeu. — Assim, fui indo pelo livrinho uma migalha aqui, mais uma ao depois, quando ia calhando, muito, muito a descaso, por anos, como digo. A par disto, seguir às cegas quanto às referências aos deuses e figuras do classicismo, foi uma leitura perdida.


 Paciência!


 Mas também… Leitura serôdia para leitor ainda mais serôdio?!…


 Sobrou-me todavia, no fim, a ideia de que Ovídio era um gozão, mais do que um leviano, e muito mais do que um conselheiro do amor:


« Ultimamente, os meus sentimentos tinham-se preso a uma mulher que não correspondeu aos meus sentimentos. Doente como Podalírio, curava-me com os meus próprios remédios, e, confesso-o, fui um mau médico. O que me deu alívio foi ver com os meus próprios olhos os defeitos da minha amiga; fiz isto com frequência e senti-me bem. «Como são feias as pernas da minha amiga!», disse. Na realidade não tinham nunca sido feias. «Que mal feitos são os braços!», mas, para dizer a verdade, eram muito belos. «Como é pequena!», e, afinal, era alta. «Nunca se farta de pedir presentes.» Este, sim, foi o motivo que me fez tomar-lhe raiva.»

E para se dela livrar…


« Há ainda mais […] Observa, tanto quanto possível, pelo lado mau as qualidades da tua amante […] Se for gorducha, diz-lhe que é um pote; se for morena chama-lhe preta. Se for esbelta, acusa-a de magreza; podes chamar desavergonhada à que é sincera e hipócrita à que é honesta. Além disso, se a tua amiga é pouco prendada, insiste para que ela ponha à prova o que não sabe fazer. Pede-lhe que cante, se não tem voz; leva-a ao baile, mesmo que só saiba mexer os pés. Tem uma linguagem inculta? Mantém com ela grandes conversas. Se não sabe tocar lira, mete-lhe uma nas mãos. Se anda cansada, convida-a a passear. Não deixes que use um corpete para disfarçar que é avantajada de peitos. Se tem dentes feios conta-lhe alguma coisa que a faça rir. Chora com facilidade? Conta-lhe coisas que a façam chorar.»

 Um brincalhão, hem! Ainda por cima judeu com as namoradas.


 Tirei-o, pois, finalmente há dias do fundo da mesinha de cabeceira onde jouve esquecido por não sei quanto tempo. Passeei-o comigo nalgumas cirandas por aqui, por ali para acabá-lo de ler e, confesso, temi por aí algum embaraço em no abrindo na esplanada ou no jardim. — Que pensará quem está ou passa ao ver este maduro, lendo o título «A Arte de Amar»?… — Foi o que pensei.


 




A Arte de Amar / OVÍDIO . — 2.ª ed. — Mem Martins : Europa-América, 1998. — 121 p.; 18cm. — Livros de Bolso Europa-América, 84. Com Afrodite e Pan [Pã] invertidos na capa.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Do que vai e vem à rede (ou vice-versa)

 Há coisas engraçadas que vêm à rede quando andamos, não necessàriamente à pesca, na rede. Uma delas é esta bela imagem dum Skymaster da T.A.P. cujo original é a p/b, mas de que eu publiquei aqui e aqui uma fototipia animada que me deu ideia de em certa altura colorir com ajuda dum algoritmo facultado ele também — cá está — na rede.


 Tudo de borla.


 Claro que o resultado do algoritmo à borliú para colorir imagens em preto e branco não foi famoso, mas em cima dele, os retoques de photoshop que lhe precisei dar lá resultaram.


 


Embarque de passageiros no DC-4 Skymaster CS-TSD dos T.A.P., Portela, c. 1950 (Fototipia animada, esp. do C.te Amado da Cunha. Col. do Sr. Ant.º Fernandes)
T.A.P. — Transportes Aéreos Portugueses, DC-4 Skymaster CS-TSD, Aeroporto da Portela, c. 1950.
Fototipia animada de A. n/ id. Espólio do C.te Amado da Cunha. Col. do Sr. Ant.º Fernandes.


 


 O mais engraçado é achá-la agora a decorar a caixa dum dos modelos que certa loja de aeromodelismo — a única empresa licenciada pela TAP Air Portugal para produção de modelos em todas as escalas — tem à venda.
Douglas DC-4 Transportes Aéreos Portugueses CS-TSD (Sky Shop, s.d.)
  Mas, bem: se a T.A.P. licenciou, pois, licenciado esteja.

sábado, 9 de novembro de 2024

Imagem do jornalismo de referência

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Da capa do saco de plástico papel, 8/XI/24.

Noticiário de 5.ª escolha

Alterações climáticas em quinto lugar (Eco, 8/XI/24)
«Alterações climáticas em quinto lugar»  Eco, 8/XI/24.


 


 Corro a notícia (notícia?) e fico sem saber quais as primeiras quatro. Catequese, portanto. De 5.ª categoria.

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Bucólicas e madrigais


Madredeus, O Pastor, A Cantiga do Campo, 
O Navio, A Vaca de Fogo
(Concerto na Sala Otto Zutz, Barcelona, 1993.)

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Balada da Rita

 Isto é filme… fraquinho. Mas dá saudade. Dá saudade porque é nosso. Somos nós. Éramos… Ainda…



Sérgio Godinho, Lia Gama, Balada da Rita
(Tema do Kilas, o Mau da Fita, 1980.)

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Fantasmagoria municipal

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Notícias da globalização em Portugal

 Vi só por alto.
 Parece que o Trump ganhou 4-1 e que o Manchester City lá foi Kamala aviada.
 No meio disto também o Amendoim foi ao ar, mas isso já sabia. Resta ver como há-de cair.


Rubem Amorim jogado ao ar pelos jogadores, Estádio José Alvalade (R. Antunes / Lusa, in Sapo)
Amendoim ao ar, Estádio Alvalade, 2024.
Rodrigo Antunes, in Lusa, apud Sapo.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

De abrir o sol, da memória curta, recordações avulso

 Despontou o sol, é largo o azul do céu. Nem a fealdade da fauna que passa me parece já incomodar.
 Chamam a Paris a cidade-luz, mas Lisboa é que é. Bem cantava Camões fàcilmente das outras és princesa. E também tem a Senhora da Luz, que dá nome ao lugar da Luz. E o «estádio» da dita, como lhe chamam. É o campo da bola, do Benfica.
 A propósito do dito «estádio», o Zèzinho, mocinho entusiasta do «Bêm-fica» (os pais eram alentejanos) cuidava puerilmente que era da luz, porque tinha uns holofotes de iluminação grandiosos.
 Ainda de estádios, i.é, campos da bola a que chamam «estádios», uma sobrinhita também cuida que Alvalade é o sitio do campo do Sportem, não o sítio que conhecemos de Alvalade, onde há uma praça com o Santo António. Também este topónimo me parece desandou dês do tempo da Rainha Santa até os nossos dias, cujo padrão na Rua do Arco do Cego assinala a paz que levou ela a cabo na iminência do recontro entre as hostes de el-rei D. Dinis e do filho, o infante D. Pedro. Seria mais por ali o campo de Alvalade onde se quási deu a batalha.


 Lugares que mudam de sítio e memória curta… Cada vez mais. Até esquecer.


Vista aérea do Campo Grande e Alvalade, Lisboa (A. Nunes, c. 1953)
Vista aérea do Campo Grande e dos campos de Alvalade, Lisboa, c. 1953.
Abreu Nunes, in archivo photographico da C.M.L.