Despontou o sol, é largo o azul do céu. Nem a fealdade da fauna que passa me parece já incomodar.
Chamam a Paris a cidade-luz, mas Lisboa é que é. Bem cantava Camões fàcilmente das outras és princesa. E também tem a Senhora da Luz, que dá nome ao lugar da Luz. E o «estádio» da dita, como lhe chamam. É o campo da bola, do Benfica.
A propósito do dito «estádio», o Zèzinho, mocinho entusiasta do «Bêm-fica» (os pais eram alentejanos) cuidava puerilmente que era da luz, porque tinha uns holofotes de iluminação grandiosos.
Ainda de estádios, i.é, campos da bola a que chamam «estádios», uma sobrinhita também cuida que Alvalade é o sitio do campo do Sportem, não o sítio que conhecemos de Alvalade, onde há uma praça com o Santo António. Também este topónimo me parece desandou dês do tempo da Rainha Santa até os nossos dias, cujo padrão na Rua do Arco do Cego assinala a paz que levou ela a cabo na iminência do recontro entre as hostes de el-rei D. Dinis e do filho, o infante D. Pedro. Seria mais por ali o campo de Alvalade onde se quási deu a batalha.
Lugares que mudam de sítio e memória curta… Cada vez mais. Até esquecer.

Vista aérea do Campo Grande e dos campos de Alvalade, Lisboa, c. 1953.
Abreu Nunes, in archivo photographico da C.M.L.
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