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sexta-feira, 31 de maio de 2024

No tempo da linha de África

Escala da linha de África em Kano com a tripulação à sombra da asa do Super Constellation CS-TLB «Infante Dom Henrique», Nigéria, 1960. Armando Silva Paes, in Airport-Data.com
Tripulação à sombra da asa do Super Constellation CS-TLB «Infante D. Henrique» da T.A.P. numa escala da linha de África, Kano, 1960.
Armando Silva Paes, in Airport-Data.com.

No tempo dos bagageiros (ou seriam já operadores de rampa?)

Op. de carga do B747 CS-TJA «Portugal» da T.A.P., Aeroporto da Portela (M. Ant.º, 1979]
Op. de carga do B747 CS-TJA «Portugal» da T.A.P., Portela, 1979.
Marco Ant.º, in Amigos da T.A.P. no Livro das Fuças.

terça-feira, 28 de maio de 2024

Quando ouço de Super Constellations

Super Constellation 5T-TAK, Portela de Sacavém, c. 1969. A. n/ id., in Museu da T.A.P.
Super Constellation 5T-TAK [ex-D-ALEC], Portela de Sacavém, c. 1969.
A. n/ id., in Museu da T.A.P.


 O L-1049G Super Constellation D-ALEC foi entregue à Lufthansa em Março de 1956. A versão de cabine veio a ser modificada para 86 lugares em 1963 para uso do avião em voos domésticos e turísticos.
 Em Março de 68 foi vendido à Hank Warton (North American Trading Co.), sendo-lhe atribuída uma matrícula fictícia 5T-TAK, da Mauritânia, com que foi usado na ponte aérea do Biafra. Para o mesmo fim, de Julho a Setembro desse ano de 68, deram-lhe a matrícula N8025, outra matrícula fictícia.
 Fez o seu último voo para Portugal, em Setembro de 68, ficando então abandonado no aeroporto da Portela até ao início de 1981, quando foi finalmente retalhado para a sucata.
 (A estas voltas não é estranho o envolvimento de Portugal, a partir de S. Tomé, na guerra do Biafra… — e noto também como era extensa a projecção da acção geopolítica de Portugal antes de 1974…)
 O Cte. Silva Pereira, aposentado da T.A.P. e fundador do seu museu, conseguiu aproveitar-lhe a secção de nariz e o trem de proa para o Museu da T.A.P. na ocasião do desmantelamento.
 Os instrumentos do «cockpit» em falta foram recuperados doutros Super Constellations abatidos à frota da Dominicana de Aviación para completar o restauro, que veio a ser exposto no Museu da T.A.P. desde aí (ou desde a inauguração do museu, em 85).




Fonte: Ralph Petersen,  «Connies» sobreviventes; 5T-TAK, c/n 4640.

sábado, 25 de maio de 2024

O marcelismo desta gente

M.ª Helena Prieto, «A porta de Marfim», Lisboa, Verbo, 1992; J. V. Serrão, «Correspondência com Marcello Caetano 1974-80», 2.ª ed., Bertrand, Venda Nova, 1995; Marcelo Caetano, «Páginas Inoportunas», Bertrand, Lisboa, [1958]



 Só vi o título. Os da «Sábado» — uma revistazeca brasileira que se publica em Portugal à sexta ou à quinta, nem sei… — descobriram esta semana a «Porta de Marfim». Mas não sei se leram. Resolveram, em todo caso, fazer a quadrilhice de que só são capazes: reles e, requentada, pois cuido já ter lido em tempos nesta espécie de imprensa intriga parecida sobre o mesmo.


 Não devem ter lido a «Porta de Marfim», como digo, porque, jornalistas quadrilheiras de nomeada que são, não escolheram para chamada de capa a quadrilhice mais natural e actual que lá vem (na «Porta de Marfim») e, já agora, de melhor nível, até porque aparece sòmente como subtil ironia a coroar outro assunto, que era o da missiva e principal no espírito do Prof. Marcello Caetano.



« É certo que, à parte as de 1969, não consegui fazer eleições que se impusessem pelos seus resultados, porque os adversários as boicotavam e nos deixavam sozinhos em campo. As oposições não eram ao Governo, mas à Constituição e ao regime, e todos os esforços que fiz para criar uma força política que dentro da órbita constitucional competisse com a A.N.P. (grupo de deputados liberais, SEDES, de que fui o único fundador...) tudo isso esbarrou com a incompreensão e espírito contestário dos meus próprios amigos. Agora têm o que merecem... Mas participam, partilham... Das anedotas que o Marcelinho R. de S. conta perfidamente na «Gente» [coluna social do Expresso]. Estão felizes.»


(Carta do prof. Marcello Caetano à prof.ª M.ª Helena Prieto em 9 de Maio de 1978, in A Porta de Marfim, Lisboa, Verbo, 1992, p. 108; o sublinhado em normando é meu.)



 Se por ventura até leram, não perceberam nada.


 De toda a maneira também eu não li o artiguelho das quadrilheiras da «Sábado», que mais não são que um sucedâneo da quadrilheira-mór de Cascais-Belém. Depois, só a imagem a compor o ramalhete diz logo tudo da intenção sórdida do que escrevem.


Sábado, 23/V/24
Sábado, 23/V/24


 

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Espanador e pano do chão

 Rua da Escola Agrícola acima, uns metros à vante de mim ia uma… Mulher, não. Senhora muito menos. Ia uma gaja, de preto: mini saia em godés, curtinha, comprida só o essencial; numa perna uma meia preta até acima do joelho; na outra nem nada. Perna grossa e aquele andar com os joelhos para dentro, a bater. Ia com um tipo, mas nele não reparei grande coisa…
 Já antes reparara que havia algumas moças de roupa lustrosa e luzida pela rua a passar.
 Ao depois que lhe isto contei, lembrou-me a minha senhora daquela amaricana, pois é!… Uma tal Taylor Swiffer.
 Por causa dela diz que até cortaram o trânsito. 


Taylor Swiffer; espanador mais pano do chão (Swiffer Portugal: Confissões de Limpeza da Maria e do João, in Youtube, 2021
Espanador mais pano do chão adaptado de Swiffer Portugal, Yutubo, 2021.

Avenida das tendas…

 No tempo em que o Banco de Portugal acampou por lá…
 Cinquenta anos, pouco mais ou menos, e o trânsito faz-se tal qual: uma faixa para cima; uma faixa para baixo.
 Conquistas de Abril sempre?!…


Av. Almirante Reis ao B.º da Colónias, Lisboa, 197… A. n/ id., in Colecção da Fundação Portimagem.
Av. Almirante Reis ao B.º da Colónias, Lisboa, 197…
A. n/ id., in Colecção da Fundação Portimagem.

domingo, 19 de maio de 2024

O eléctrico do Poço do Bispo

«Eléctrico do Poço do Bispo», Terreiro do Paço, [1947-50]. A. n/ id., in Museu da Carris.
Eléctrico do Poço do Bispo, Terreiro do Paço, 1947-50.
A. n/ id., in Museu da Carris.

Apocalipse climático na raia do Minho e com esterco agarrado

Dantes havia umas cortinas de fitas…


«Clima e estrume…», in Público, 19/V/24
«Clima e estrume», in Público, 19/V/24.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Aeroporto de Santa Engrácia


A questão é simples, as estações aeroportuárias devem ser nomeadas como as ferroviárias: a estação do Rossio, o aeroporto da Portela de Sacavém...
José Pimentel Teixeira, «O aeroporto Luís de Camões», in Delito de Opinião, 15/V/24.


~~ // ~~



 O aeroporto de Alcochete foi anunciado. De Alcochete, mas vai chamar-se do Camões — ou de «Luís de Camões», pouco importa. O que importa é o anúncio, porque aeroporto não há. Por isso vai de compor o anúncio com o baptizo; um rodriguinho precioso para já, a ajudar ao gargarejo. A primeira pedra, ao depois quando for, dará corta-fitas oficial e protocolar lápida bem lavrada para a posteridade (se não for em vidro com moldura eurocaixilho e uns dizeres, que se venha a partir). O aeroporto ver-se-á no fim. Quando e se for.  


 Pois por agora é isto: gargarejos dum novo aeroporto de Lisboa (em lugar fora de Lisboa, tão definitivo quanto o provisório o permita) e sempre com pesporrência de perdigotos: de que o anúncio agora é o anunciado pelo Pedro Nuno dos Santos antes de ser desautorizado pelo chefe, por, justamente, anunciá-lo impante de vaidade, salvo na parte em que seria baptizado do Camões e; de que o anúncio agora é do mesmo que fôra anunciado em 1972 no consulado do Prof. Marcello Caetano, inclusive na parte em que o baptizo seria de sua graça pelo nome do Vate. Haverá muita mais léria, mas não cura dela agora a minha apressada pena. Digo só que das duas conversetas que surgiram e que arrolei aí atrás mais não curei de saber. Mas na história do anúncio de 72 e de vir já nesse tempo aventado o nome de Camões, pode bem ele ser: nesse ano de 72 comemoraram-se os 400 anos da edição d' «Os Lusíadas»…


 E, bem: 1972. Estamos em 2024. Anúncios, baptizos, parangonas, manchetes, poesia… Aeroporto? — Auguro pior que as obras de Santa Engrácia.
 Ora, pois, cá está! Se carecesse de nome além do do lugar que serve, havia de ser bem esse.


~~ // ~~


Carlos Calixto, «O aeroporto de Lisboa, primeira “gare” da Europa», in «Vida Mundial Ilustrada», n.º 95, 11/III/1943.
Carlos Calixto, «O aeroporto de Lisboa, primeira "gare" da Europa», in Vida Mundial Ilustrada, n.º 95, 11/III/1943.

terça-feira, 14 de maio de 2024

No tempo do Super Constellation

Assistentes de Bordo Ivone e Teresa Inácio a par dum Super Constellation da T.A.P., Aeroporto da Portela, c. 1957. A. n/ id., in Museu da T.A.P.
Assistentes Ivone e Teresa Inácio a par dum Super Constellation da T.A.P., Aeroporto da Portela, c. 1957.
A. n/ id., in Museu da T.A.P.

domingo, 12 de maio de 2024

Serenata de Coimbra


Edmundo Bettencourt — Saudades de Coimbra
(Gravação de 1930 no Teatro Taborda, Lisboa, ed. em disco de 78 r.p.m. em 1936, in RDZ — Radiodifusão Zonofone, 14/III/18.)

sábado, 11 de maio de 2024

O Dia da Espiga!

 Foi na quinta-feira. É sempre. O que era e já não é, é a tradição antiga:



[…]  O Dia da Espiga!.... Quando eu andava na escola primária, só havia aulas de manhã. À tarde levávamos um farnel e íamos com a professora apanhar a espiga. A espiga era um raminho que levava: papoilas, um bocadinho de ramo de oliveira, espigas de trigo, malmequeres amarelos e malmequeres brancos. Depois fazíamos um raminho com um pedaço de cordel que ficaria pendurado em casa durante um ano. E assim se ía substituindo o ramo, ano após ano. Cada componente tinha um significado: papoilas — saúde, vida; espigas — pão, fartura; oliveira — paz, harmonia; malmequeres amarelos — dinheiro, ouro; malmequeres brancos — dinheiro, prata. Esta tradição é muito antiga. Segundo sei chegou a ser feriado. Depois, para acabar o dia em cheio, fazíamos um piquenique. Durante muitos anos apanhei a espiga, mas hoje já ninguém se lembra.



 Porém, o mote que deu introdução à memória destas coisas que já se ninguém lembra era a…



Adelina Fernandes a cantar uma canção de revista [Cabaz de Morangos], com uma voz bem timbrada e alegre. Lembro-me muito bem desta canção, cantada pela minha mãe.





Adelina Fernandes — O Dia da Espiga (da revista «Cabaz de Morangos»), 1926.
Gravação de 1926 no Teatro de S. Luiz, in RDZ — Radiodifusão Zonofone, 9/V/24.


 Da tradição antiga ficou dito nas citações acima. Da tradição moderna, é como vai agora…


 São as citações o comentário da Sr.ª D.ª Eduarda Gaspar à publicação do antifascizóide Sr. Vaquinhas, um oprimido da censura ainda agora, hoje, em cinquentenária libardade. — Há ironias do cara… ças!… — Mas, não remonta a revista Cabaz de Morangos a Setembro de 1926, o ano da Revolução Nacional?!… (Antes da seguinte…) — Pois a culpa há-de ser de Salazar, do salazarismo, do fascismo ou, do que seja!…  E assim, lá vem o tal sr. Vaquinhas a dizer da cançoneta que teve como propósito principal a propagação dos ideais nazistas do Integralismo Lusitano, nos quais a Ditadura Militar e o Estado Novo iriam assentar as suas bases ideológicas.
 
Ideais nazis do Integralismo Lusitano?!… — Que raio de ideia!…
 Há um ano e tal, é curioso, dizia ele da mesmíssima cantiga sòmente, e já não era pouco (embora fosse mero papaguear…), que teve como propósito principal exaltar o lirismo rural e fazer as delícias da ditadura militar.
 
Ora que de exaltar o lirismo rural que fazia (dizem…) as delícias da Ditadura Nacional de 1926, à propaganda dos ideais nazistas &c. é um salto que nem lembraria ao diabo! — Mas, bem! Há doidos para tudo! Até no Dia da Espiga que é a quinta-feira da Ascenção bem ao modo português.


 Tornando à cantiga da espiga, a outra gravação é a que se segue:


 



Justina de Magalhães — Canção da Espiga (da revista «Cabaz de Morangos»), 1926.
Gravação de 1926 no Clube da Estefânia, in RDZ — Radiodifusão Zonofone, 9/VIII/22.


 Da tradição ao disparate, sobra a música, que é de Alves Coelho, e os versos, que são de Silva Tavares, simples canção de revista à portuguesa.



Oioai
Esta vida é uma cantiga
E este dia de alegria
Vale um ano de aflição


Oioai
Porque este Dia de Espiga
É o arauto do dia
Em que o trigo há-de dar pão


Jorra o vinho dos pichéis
Para os lábios das moçoilas,
Mais vermelhas que papoilas
Côas larachas dos Manéis


Há merendas pelos prados,
Gargalhadas pelo ar
E à beirinha dos valados,
Ouve a gente murmurar:


Maria, são teus olhos azeitonas!
Cachopa, são teus lábios qual cereja!
E os teus seios, cachos de uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja!...


Tomam todos os caminhos
um sabor de romaria,
e até mesmo os pobrezinhos
fingem de ter alegria...


E, na volta, já sentindo
que foi tudo um sonho em vão,
inda há ecos, repetindo
pelo espaço esta canção:


Maria, são teus olhos azeitonas!
Cachopa, são teus lábios qual cereja!
E os teus seios, cachos de uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja!...


sexta-feira, 10 de maio de 2024

Fotografia para rima óbvia

Encerro dos toiros, Vila Franca de Xira, 195…(A. n/ id — © Editions Lumière et Beauté, in Col. Fundação Portimagem)
Aguadeiras (Vindima no vale do Douro), Portugal, 195…
A. n/ id — © Editions Lumière et Beauté, in Colecção da Fundação Portimagem.


 





Deſcalça vai pera a fonte,
   Leonor pella verdura,

   Vay fermoſa, & naõ ſegura.


Leva na cabeça o pote,
   O teſto nas maõs de prata,
   Cinta de fina eſcarlata,
   Sainho de chamalote:
   Traz a vaſquinha de cote,
   Mais branca que a neve pura,
   Vai fermoſa, & naõ ſegura.
Deſcobre a touca a garganta,
   Cabellos de ouro entrançado
   Fita de cor de encarnado,
   Tão linda, que o mundo eſpanta:
   Chove nella graça tanta,
   Que dà graça à fermoſura,
   Vai fermoſa, & naõ ſegura.


Rimas de Luis de Camoẽs, Princepe dos Poetas Portugueses; Primeira, Segunda, e Terceira Parte. — Lisboa : na Officina de Antonio Craesbeeck de Mello, Impressor da Casa Real, 1666-1669, t. 3.º, f. 59 [i.é, 99].


quinta-feira, 9 de maio de 2024

Vila Franca e fandango


Encerro dos toiros, Vila Franca de Xira, 195…(A. n/ id — © Editions Lumière et Beauté, in Col. Fundação Portimagem)
Encerro dos toiros, Vila Franca de Xira, 195…
A. n/ id — © Editions Lumière et Beauté, in Colecção da Fundação Portimagem.


 





(Fandango do Ribatejo, Cafe Accordion Orchestra, 1996.)

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Fabricado em Portugal




Amália — Que Deus me Perdoe
(Frederico Valério, Silva Tavares)




Amália Rodrigues «Que Deus Me Perdoe», Acompanhamento por Guitarra e Orquestra dir. por Frederico Valério. Melodia (37.003), 1952 — EP 78 rpm



Se a minha alma fechada
Se pudesse mostrar,
E o que eu sofro calada
Se pudesse contar,
Toda a gente veria
Quanto sou desgraçada
Quanto finjo alegria
Quanto choro a cantar...


Que Deus me perdoe
Se é crime ou pecado
Mas eu sou assim
E fugindo ao fado,
Fugia de mim.


Cantando dou brado
E nada me dói
Se é pois um pecado
Ter amor ao fado
Que Deus me perdoe.


Quando canto não penso
No que a vida é de má,
Nem sequer me pertenço,
Nem o mal se me dá.


Chego a crer na verdade
E a sonhar — sonho imenso —
Que tudo é felicidade
E tristeza não há.



 

terça-feira, 7 de maio de 2024

Cardoso's Barber

 O barbeiro do bairro morreu de repente… — Died suddenly, calha que se diga.
 E… Bem, pois!… Deu lugar a isto…


 


Bairro da Venda Nova, ex-Portugal — © MMXXIV
Bairro da Venda Nova, Portugal — © MMXXIV

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Meti-me a encadernador

«Metido a encadernador», Lisboa — ©️2024


 


 Meti-me a encadernador.


 Do Adriano Moreira tinha aqui dois iguais da 4.ª ed. do Novíssimo Príncipe. São ambos da senhora. Um, comprou-o ela, estudou-o, sublinhou-o e, diz-me por graça, não sabe se percebeu alguma coisa. Eu ando a lê-lo (leio e arrumo) e digo mais: não há nada para entender além da vagueza e meias tintas do A. Um certo encher nos capítulos finais, à margem do vago vaguear no tema, que mai-lo mostra; quando não, ficava um opúsculo. A pp. 70-80, tenho ideia, saíram-lhe umas afirmações mais peremptórias a destoar. Curiosas páginas …


 Deste, pois, do Adriano Moreira, são dois exemplares iguais (mais ou menos): um como digo, comprou-o a senhora; o outro, dum lote de sobras do editor que o catedrático Moreira autografou e generosamente ofereceu aos alunos, entre eles a senhora.


 O caso tem graça. A senhora guardou-o como objecto de culto, por autografado, sem muito o abrir, até porque o já lera, bem entendido. Sucedeu que ao arejá-lo — eu, ao exemplar autografado — vi que a páginas tantas o impressor falhou: havia páginas em branco ou meias impressas. Exactamente as páginas que referi atrás. O autógrafo, portanto, encarecia um livro com defeitos grosseiros de impressão. Falha do impressor ao dá-los ao A.? Descaso do A. ao oferecê-los, se acaso sabia?…


 Foi por isto que me meti a encadernador; como havíamos dois livros, desmanchei-os, troquei os cadernos mal impressos no volume autografado e cosi-os de novo. Correu bem. Ficou-nos assim um exemplar autografado e sem falhas tipográficas, e outro com umas folhas extra impressas com o texto que faltava. Ambos catitas, encadernadinhos com as respectivas de capas brochura.


 


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 Com o feito ganhei entusiasmo; pus-me a ver dalgum outro livro que tivesse cá e estivesse a precisar de arranjo. Deparei-me com o catálogo da exposição colonial do Porto de 1934, muito desconjuntado.


 Foi-me oferecido. Quem mo ofereceu obteve-o com certo espólio menosprezado pelos os herdeiros do dono, que o não quiseram; o primeiro dono prezou-o; não se desfez dele em vida.


 A Hemeroteca diz que é raridade bibliográfica. Possui um exemplar digitalizado, disponível em linha.


 Pelo registo bibliográfico (cota DR5012203, consultado em, 28/III/24 às 18h30), tem-no emprestado pelo prazo de 30 dias, com data de devolução de… 20/VI/2024? — Estranho! — São mais de 80 dias até lá (contados à data da consulta). Chego a pensar se é mau trabalho atávico, incúria mais ou menos dolosa ou alguma conspiração segundo as teorias antifascistas em voga. (*)


 Acha-se o dito catálogo em alfarrabistas. Entre eles e leiloeiras aparece ao preço de 9 a 60 contos de réis. Sessenta contos parece-me exagero, mas no caso é exemplar encadernado. Uma meia inglesa com a pele todavia a descascar-se…


 Do meu catálogo, envelhecido, a desconjuntar-se, com o papel muito ressequido, ao desmanchá-lo as dobras dos cadernos esfarelavam-se. Para o salvar tive de reforçar muitas das folhas, especialmente as exteriores dos cadernos. Cosido, reforçadas as dobras dos cadernos, encadernado de novo, talvez se conserve ainda uns aninhos.


 


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 Entreguei-os agora à douradora para gravação da lombada.


 




(*) À data da publicação deste texto já o catálogo se acha devolvido à hemeroteca.