A questão é simples, as estações aeroportuárias devem ser nomeadas como as ferroviárias: a estação do Rossio, o aeroporto da Portela de Sacavém...
José Pimentel Teixeira, «O aeroporto Luís de Camões», in Delito de Opinião, 15/V/24.~~ // ~~
O aeroporto de Alcochete foi anunciado. De Alcochete, mas vai chamar-se do Camões — ou de «Luís de Camões», pouco importa. O que importa é o anúncio, porque aeroporto não há. Por isso vai de compor o anúncio com o baptizo; um rodriguinho precioso para já, a ajudar ao gargarejo. A primeira pedra, ao depois quando for, dará corta-fitas oficial e protocolar lápida bem lavrada para a posteridade (se não for em vidro com moldura eurocaixilho e uns dizeres, que se venha a partir). O aeroporto ver-se-á no fim. Quando e se for.
Pois por agora é isto: gargarejos dum novo aeroporto de Lisboa (em lugar fora de Lisboa, tão definitivo quanto o provisório o permita) e sempre com pesporrência de perdigotos: de que o anúncio agora é o anunciado pelo Pedro Nuno dos Santos antes de ser desautorizado pelo chefe, por, justamente, anunciá-lo impante de vaidade, salvo na parte em que seria baptizado do Camões e; de que o anúncio agora é do mesmo que fôra anunciado em 1972 no consulado do Prof. Marcello Caetano, inclusive na parte em que o baptizo seria de sua graça pelo nome do Vate. Haverá muita mais léria, mas não cura dela agora a minha apressada pena. Digo só que das duas conversetas que surgiram e que arrolei aí atrás mais não curei de saber. Mas na história do anúncio de 72 e de vir já nesse tempo aventado o nome de Camões, pode bem ele ser: nesse ano de 72 comemoraram-se os 400 anos da edição d' «Os Lusíadas»…
E, bem: 1972. Estamos em 2024. Anúncios, baptizos, parangonas, manchetes, poesia… Aeroporto? — Auguro pior que as obras de Santa Engrácia.
Ora, pois, cá está! Se carecesse de nome além do do lugar que serve, havia de ser bem esse.
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Carlos Calixto, «O aeroporto de Lisboa, primeira "gare" da Europa», in Vida Mundial Ilustrada, n.º 95, 11/III/1943.
País de ridículos...
ResponderEliminarAo aeroporto novo juntam-lhe uma ponte nova e uma linha de TGV, cujo desvio para Alcochete vai fazer com que o trem novo demore mais tempo a chegar a Lisboa que o actual alfa-pendular.
A factura final cifra-se em mais de 10 mil milhões de euros (10.000.000.000 €), por enquanto, e os perdigoteiros aindam zurram que não vai custar nada aos cãotribuintes!!!
RI DÍ CU LOS, nem mais.
Isso, se fizerem o anunciado aeroporto.
ResponderEliminarQuando começam?
Cumpts.
Vai ser, se for, interessante, os estrangeiros que escrevem e dizem Lisbon, como é que vão dizer Camões.
ResponderEliminarTalvez escrever Camoes e dizer Cámóés.
Cumprts.
Há muito que os bifes escrevem Camoens.
ResponderEliminarMas está bom de ver:
ResponderEliminarNas calendas da Grécia, caro Bic!
Mas está bom de ver:
ResponderEliminarNas calendas da Grécia, caro Bic!
Desta vez com assinatura... Peço desculpa pelo lapso.
Antes mesmo de ter um tijolo em pé (ou deitado), ainda hão-de aparecer os dos costume a dizer que já há derrapagem no orçamento.
ResponderEliminarCumprimentos.
Os do costume já vieram se queixar com o impacto ambiental do Camões.
ResponderEliminarE a Ota, já não serve?
Porventura, quem tinha terrenos junto da OTA, não tinha os amigos certos. A escolha deve ter sido feita de acordo com quem vai lucrar mais na a valorização da área envolvente. De caminho, matam-se mais uns valentes milhares de aves em zona protegida. Agora abundam, mas que daqui a uma década, nem vê-los.
ResponderEliminarAprenderam cedo com quem sabia e não esqueceram. Nem fizeram reformas ortográficas.
ResponderEliminarCumpts.
Deve andar por aí a habilidade. Estes que agora estão precisavam de meter a mão no pote. Andavam à séca havia um rôr de tempo e, antes que caiam da corda bamba, daqui a pressa.
ResponderEliminarO enfeite do poeta zarolho é para distrair, mas valha-lhes a ironia, pois são de Olhão.
Mas nós aqui somos de Faro…
Cumpts.
ResponderEliminarMuito bom!
Certamente! É como a democracia; é boa para os gregos.
ResponderEliminarCumpts.
Em 1613 andavam por cá os castelhanos e não havia ões para ninguém.
ResponderEliminarHavia, havia. Iam daqui até á Índia.
ResponderEliminarCumpts.
Pois, nesse aspecto tem razão. O til sinal de nasalização aparece na gramática de João de Barros sec.XVI.
ResponderEliminarCumpts.