| início |

sábado, 25 de maio de 2024

O marcelismo desta gente

M.ª Helena Prieto, «A porta de Marfim», Lisboa, Verbo, 1992; J. V. Serrão, «Correspondência com Marcello Caetano 1974-80», 2.ª ed., Bertrand, Venda Nova, 1995; Marcelo Caetano, «Páginas Inoportunas», Bertrand, Lisboa, [1958]



 Só vi o título. Os da «Sábado» — uma revistazeca brasileira que se publica em Portugal à sexta ou à quinta, nem sei… — descobriram esta semana a «Porta de Marfim». Mas não sei se leram. Resolveram, em todo caso, fazer a quadrilhice de que só são capazes: reles e, requentada, pois cuido já ter lido em tempos nesta espécie de imprensa intriga parecida sobre o mesmo.


 Não devem ter lido a «Porta de Marfim», como digo, porque, jornalistas quadrilheiras de nomeada que são, não escolheram para chamada de capa a quadrilhice mais natural e actual que lá vem (na «Porta de Marfim») e, já agora, de melhor nível, até porque aparece sòmente como subtil ironia a coroar outro assunto, que era o da missiva e principal no espírito do Prof. Marcello Caetano.



« É certo que, à parte as de 1969, não consegui fazer eleições que se impusessem pelos seus resultados, porque os adversários as boicotavam e nos deixavam sozinhos em campo. As oposições não eram ao Governo, mas à Constituição e ao regime, e todos os esforços que fiz para criar uma força política que dentro da órbita constitucional competisse com a A.N.P. (grupo de deputados liberais, SEDES, de que fui o único fundador...) tudo isso esbarrou com a incompreensão e espírito contestário dos meus próprios amigos. Agora têm o que merecem... Mas participam, partilham... Das anedotas que o Marcelinho R. de S. conta perfidamente na «Gente» [coluna social do Expresso]. Estão felizes.»


(Carta do prof. Marcello Caetano à prof.ª M.ª Helena Prieto em 9 de Maio de 1978, in A Porta de Marfim, Lisboa, Verbo, 1992, p. 108; o sublinhado em normando é meu.)



 Se por ventura até leram, não perceberam nada.


 De toda a maneira também eu não li o artiguelho das quadrilheiras da «Sábado», que mais não são que um sucedâneo da quadrilheira-mór de Cascais-Belém. Depois, só a imagem a compor o ramalhete diz logo tudo da intenção sórdida do que escrevem.


Sábado, 23/V/24
Sábado, 23/V/24


 

9 comentários:

  1. Figueiredo26/5/24 13:39

    Perceber, perceberam, só que não lhes interessa, o ilegítimo, criminoso, corrupto, e antidemocrático regime liberal/maçónico imposto pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974, está a perder o domínio da narrativa e esse artigo publicado na revista é a prova disso mesmo, do desespero em que se encontram.

    No entanto até é bom, porque faz com que os Portugueses comecem por si próprios a ler aquilo que o Presidente do Conselho, Marcello Caetano, escreveu.

    ResponderEliminar
  2. Não sei que diga. Passam o tempo a denegrir o Estado Novo. Se é má fé, crendice religiosa, simples burrice ou tudo misturado, certo é que podiam tentar ser menos broncos. Mas que fazer, não são capazes de mais.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  3. Figueiredo, e você a dar-lhe.
    A Constituição de 1976 não tinha de ir a votos por ter sido feita por os eleitos em eleições gerais. A de 1933 teve aprovação em plebiscito por ter sido feita por quem não tinha sido eleito para o efeito.
    Esse ponto de vista do golpe de estado em 25 de Abril de 1974 feito pela pelo regime liberal/maçónico e a OTAN é um ponte de viste daqueles que levaram um grande "baile" por não ter havido tumultos e mortos nas ruas.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  4. Figueiredo27/5/24 11:21

    Você não está a perceber, e fá-lo por ignorância ou então é mal intencionado(a), a Constituição de 1976 é ilegítima, não foi votada pelos Portugueses, surge como imposição após o golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974, ao contrário da Constituição de 1933 que nasce após a Revolução Nacional do 28 de Maio de 1926 e foi devidamente sufragada pelos Portugueses.

    O que o(a) deixa em pânico é a verdade, o facto da Constituição de 1933 e o Estado Novo terem sido legitimados pelos Portugueses através do voto, na sequência de uma Revolução sem sangue a 28 de Maio de 1926.

    Se não houve «...tumultos e mortos nas ruas...» como refere, agradeça a Marcello Caetano e aos Militares, o primeiro por não ter dado ordem para bombardear os militares traidores à Pátria e vassalos da OTAN que executavam o golpe de Estado, e aos segundos por terem respeitado a cadeia de comando e não agiram por iniciativa própria.

    O seu problema – para além da verdade – é conviver mal com a democracia e tem uma ideia deturpada da mesma, é na sua óptica um sistema de iluminados, os «...eleitos...» como refere, que decidem redigir uma constituição e nem sequer a submetem ao voto do Povo para que seja sufragada e com isso legitimada; até na República Bolivariana da Venezuela (RBV) a Constituição desse País foi votada pelos Venezuelanos.

    ResponderEliminar
  5. Figueiredo, a Constituição de 1976 foi feita por quem o povo elegeu nas eleições realizadas para o efeito em 25 de Abril de 1975, as Eleições para a Constituinte.
    Esqueça essa da OTAN, assim como a ordem e bombardeamento se não havia ninguém para cumprir a ordem.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  6. Figueiredo27/5/24 12:37

    Uma constituição após ser redigida tem de ser submetida ao sufrágio dos cidadãos, os Portugueses elegeram um grupo de indivíduos a quem delegaram funções para redigir uma constituição, o que é diferente.

    Em democracia vota-se, leva-se ao escrutínio popular, que depois irá legitimar ou não o que é proposto.

    Você não tem argumentos, é mentiroso(a), faz revisionismo histórico, em desespero para fazer valer a sua narrativa que não corresponde à realidade, lembre-se que a Constituição de 1976 nasce de um golpe de Estado levado a cabo pela OTAN em 25 de Abril de 1974, nem sequer foi votada, é ilegítima, ao contrário da Constituição de 1933 e o Estado Novo que foi devidamente sufragada pelos Portugueses e legitimado, ambos fruto da Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926 e do voto.

    ResponderEliminar
  7. Figueiredo, seja você o verdadeiro que quiser ser.
    O 28 de Maio de 1926 foi uma revolução e o 25 de Abril de 1974 foi um golpe de estado da OTAN que nada teve de revolucionário.
    E prontus, como diria o outro, vá chamar mentiroso ao D. Pedro e não respeite seja o que for incluindo recebimentos de valores monetários por ser tudo ilegal.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  8. Figueiredo27/5/24 15:52

    Está a ver como você não tem argumentos.

    ResponderEliminar
  9. O único argumento que posso ter é que tudo o que é feito em Portugal é ilegal.
    E estamos todos lixados por causa dos acordos assinados com o estrangeiro.
    A não ser que alguém diga 'não seja ridículo'.

    ResponderEliminar