| início |

sábado, 2 de maio de 2020

Baptizar, baptismo, baptista, baptistério, fadista e calista

«A Bem da Língua Portuguesa», n.°s 8-9, Junho-Julho de 1950.
«A Bem da Língua Portuguesa», n.°s 8-9, Junho-Julho de 1950.

23 comentários:

  1. Anónimo2/5/20 18:46

    Ainda bem que voltou ao tema do mau português falado e escrito. Vem mesmo a calhar.

    Os tratos de polé que sofre a nossa língua por obra e graça daqueles que a querem abastardar, teve início a partir do dia em que puseram os pés em Portugal no pós 25 de Abril de 74.

    Senhores jornalistas, comentadores, políticos, etc., por amor de Deus deixem-se de estrangeirismos. É feio e desnecessário, além de desrespeitar o nosso idioma que é rico na sua imensa diversidade.

    Por favor deixem-se de repetír à exaustão o substantivo "detalhe" em lugar do portuguesíssimo "PORMENOR". "Detalhe" é um vocábulo comum à língua espanhola, brasileira, italiana, francesa, inglesa e norte-americana. E estes povos usam-no porque não possuem um sinónimo substituto. O português tem tradução para todas línguas estrangeiras e no caso em análise a tradução para 'detalhe' é PORMENOR.

    Resumindo: senhores jornalistas, políticos, comentadores, escritores, historiadores, etc., no discurso falado e escrito não digam/escrevam 'detalhe' e sim PORMENOR. Obrigada.
    Maria

    ResponderEliminar
  2. Anónimo3/5/20 02:29

    Palavra que já não me lembrava:)

    O exemplo do "p" mudo no nome próprio "Baptista", que serve para abrir a vogal anterior, é excelente. Há muito possuidor deste apelido que escreve o nome sem o "p", o que acho mal, mas quem o faz lá saberá o motivo. Quanto a mim são modernices.

    As e os jornalistas das televisões deviam ler ou escrever 100 vezes numa folha este precioso ensinamento, assim ao lerem/dizerem as notícias evitariam fechar as vogais que devem abrir (e abrir as que devem fechar) e tal acontece por essas vogais precederem uma consoante. Isto significa que estamos perante uma sílaba tónica que não necessita levar sinal gráfico.
    Maria

    ResponderEliminar
  3. Mas não! Já os ouço é dizer «adôção» e «adutar». E ao Babuche também, mas este só falou como deve ser quando quando ainda andava de fraldas.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  4. Anónimo3/5/20 15:18

    Não se sabe, se de baptismo ou comercial, temos o 'famoso' rapaz alfaiate Battista, que todos os dias veste um híbrido que «gosto de andar bem arranjado»
    Encontramos com a grafia Battista na Córsega.


    ResponderEliminar
  5. Anónimo4/5/20 02:00

    Mas eles e elas dizem 'adôção' e 'adutar' por uma de duas razões: ou as notícias impressas que lhes dão para as mãos já vêm mal redigidas e os/as jornalistas repetem os erros por julgarem estar tudo correctamente escrito; ou os que assim falam aprenderam as regras gramaticais através de professores, de certeza quase todos comunas, que se regem/regiam pelas normas estabelecidas no AO90.

    E os pseudo linguístas que lhe deram origem, como sabemos, só se limitaram a dar continuidade aos ditames dos revolucionários feitos à pressa, que tudo quanto quiseram desde o dia em que pisaram solo português foi, dentre outros crimes sem perdão, destruir a maravilhosa língua portuguesa.
    Maria

    ResponderEliminar
  6. É o retorno da escrita sobre a oralidade. Desde que ceifaram os cc e os pp há dez anos que era previsível. Não querem crer. Até os brasileiros, que martelam melhor as vogais átonas, dizem à-dô-ção há décadas por terem ceifado de lá a consoante.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  7. Anónimo4/5/20 15:47

    De certeza, até chegaram à Conferência Episcopal Portuguesa que no seu Comunicado, de 2 de Maio, escreve batismo em vez de baptismo.

    ResponderEliminar
  8. Atenção, a primeira sílaba é átona. Apenas o timbre do 'a' é aberto. E precisamente de ser átona e carecer de modulação especial á e não â o deve o 'p' etimológico estar lá para marcá-lo. Gonçalves Vianna dixit.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  9. De há muito que as mitras se prestam a todos os fretes. E agora bem lhe comem as papas na cabeça. Mas não entremos por aí.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  10. Anónimo4/5/20 16:43

    Referia-me ao apelido 'Battista' fazer ou não parte do nome do rapaz. Pode ser que seja uma marca comercial.
    É um facto que a origem é o latim baptistae, mas noutras línguas latinas aparecem bautista (galego, espanhol), battezzatore (italiano) e battista na Córsega.
    Julgo que por cá foi a reforma de 1945 que mudou a grafia para baptista usada no AO de 1943.

    ResponderEliminar
  11. O «p» latino ora é assimilado por ditongação à silaba precedente (Bautista, que também é forma portuguesa arcaica), ora é assimilado à sílaba seguinte como no italiano o corso, como refere, e cuido que o sardo &c.
    A fronteira dum caso e doutro vejo-a grosso modo pelas Baleares.
    O fenómeno de ditongação de dígrafos 'cc' 'ct' e 'pt' latinos é vulgaríssimo na formação do português:
    Em muitos casos a reintrodução dos 'cc' e 'pp' por via erudita apagou as formas antigas na escrita e trouxe nova dicção. A aversão dos falares à sucessão consonântica, que ditara a ditongação daqueles dígrafos num caso ou a assimilação à sílaba seguinte noutros, tornou a fazer-se sentir no caso do Português com uma vocalização forte da vogal precedente como em á-to, aspé'to, Bá-tista, &c., cujas formas mais antigas foram auto (esta subsiste), aspeito, Bautista…
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  12. O problema do português é que sem o «encosto» da consoante etimológica, a vocalização aberta desaparece. O fenómeno surge claríssimo quando lemos «receção» por «recepção» e na mente formamos o som de «recessão»; bem assim o ex. apresentado de «Batista» ressoar como «calista» ou «fadista».

    ResponderEliminar
  13. O Formulário Ortográfico de 1943 só valeu no Brasil porque não considerava o caso da prosódia portuguesa justamente nos casos como o de Baptista. Além de conter profusas incoerências em famílias de palavras como caráter/caracteres, Egito/egípcio, jato/jactância, teto/tectónico e assim por diante.
    Asneirada logo vista e atalhada em 1945 por ambas Academias, mas que vicejou estrondosamente em 1990 a ponto de se tornar oficial e até científica.
    Sic transit gloria mundi.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  14. De alfaiate e de Battista, o mais elegante é do João.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  15. Anónimo5/5/20 02:22

    Que marabvilha de pinturas. Todos os retratos são pequenas/grandes obras de Arte. Pelo menos para mim.

    Poderei acrescentar ao debate que os dois "tt" nos substantivos próprios e comuns italianos serviam/servem para abrir a vogal precedente. No estudo e elaboração da língua portuguesa os nossos linguístas optaram (e bem) pelo "pt" para obter a mesma fonética. A nossa sintaxe exigia-o.

    Já reparou que os jornalistas, políticos, escritores, comentadores, etc. no discurso falado e escrito não empregam o Modo Conjuntivo dos verbos nas frases que o exigem? Soa pèssimamente a quem os nouve. Será este modo coxo de falar português consequência da adopção por estas personagens semi-incultas do tenebroso AO90? Deve ser.
    Maria

    ResponderEliminar
  16. Modo conjuntivo. Que é lá isso?! 🤔
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  17. Anónimo5/5/20 12:28

    Sobre o conjuntivo, há aquela da professora perguntar à aluna o presente do conjuntivo o verbo matar e a aluna... não sair da segunda pessoa.

    ResponderEliminar
  18. vamos lá agora, que não saía a aluna da 1.ª.
    Se soubesse conjugar.

    ResponderEliminar
  19. Anónimo5/5/20 17:18

    "Que é lá isso"?! Eis vários verbos no mesmo modo, tempo e pessoas. PRESENTE DO CONJUNTIVO: QUE EU PROCURE; QUE TU DECIDAS; QUE ELE DIGA; QUE NÓS INVESTIGUEMOS; QUE VÓS FAÇAIS; QUE ELES REPRESENTEM.
    Qual é a novidade?
    ;)Maria


    ResponderEliminar
  20. Pois, mas parece que já esqueceu. E a gramática normativa é uma ditadura que deve ser democratizada, nem que seja à bazuca.
    Cumpts.

    ResponderEliminar
  21. A. Monteiro Nunes11/5/20 12:23

    Há palavra portuguesa para pormenor, que é tão estrangeiro (espanhol) como detalhe (francês): use-se minúcia ou minudência.

    ResponderEliminar
  22. Sim. Miudeza também. Tratei-a aqui.
    Cumpts.

    ResponderEliminar