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sábado, 31 de outubro de 2015

O carnaval amaricano como novo castiço (*)

  À parte alguns topónimos cujo significado se perdeu (**), intriga-me a falta de substrato autóctone pré-romano no nosso falar português. Quinhentos anos de romanização foram tão eficazes em delir o que havia antes nesta terra que mais parecem ter assentado sobre uma tábua rasa. Ora mesmo salvaguardando as diferenças nem os canibais do Brasil foram em tal período tão completamente aculturados; a sua linguagem, a marca mais enraizada da cultura dos povos, persiste. Pois a romanização nas Hespanhas, salvos os Vascões, foi temporã e pràticamente total. Cuido que tal fenómeno se não pudesse ter dado sem voluntarismo dos autóctones. Os ibéricos hão-de ter-se empenhado em romanizar-se; não que fossem vazios culturalmente — não há povos assim — mas porque desprezaram os seus modos em favor dos dos novos senhores, até (e principalmente) no falar, esquecendo quase tudo o que eram.
  Bom, esta maneira de se a gente despir do que é para se tornar estrangeira configura algo pior que o vazio cultural: é o vaziozinho da fraqueza mental dos indivíduos que colectivamente e por mor de seus melhores se afirmaram como um povo valoroso, mas que mal guiados prestes se deixam tomar por estrangeiros. A romanização fez-se, pois, assim: com autóctones vaziozinhos intelectualmente, sequiosos a absorver o que primeiro se lhes apresentava. Hoje, nesta terra, ainda é pior.

Haloween




(*) Reedição revista de Halloween há uma ano. Para o ano e seguintes há mais.
(**) Uma reflexão lateral: Iberus (=> Ebro) é o nome latino do rio que se estendeu à terra por onde corria: Ibéria. Acontece amiúde. -- Cuido que vem de Avieno que o rio Tejo se chamara primitivamente Lysos, ou Lusos. E o Guadiana era o Anas. Vamos lá se com dois nomes de rios ibéricos — Lysos/Lusos et Anas — não formaram os romanos o nome duma província mais longínqua na Ibéria: Lusitânia.

Devoção única

Numa terra sem organização, sem planeamento nem orçamento, montar enfeites de Natal em Outubro diz bem do que a rege.


São Jorge de Arroios, Lisboa — © 2015
São Jorge de Arroios, Lisboa — © 2015

Feudo esquerdóide (ponto da situação)

 Ora bem, as legislativas foram em 4; o gnomo de jardim proclamou o fim do governo em 12; a imagem é de 20, mas uma semana antes já eu a lá catara. Bate certo: uma semaninha depois das eleições lá estava a força da esperança; foi só o tempo da tipografia... 

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Alameda em 20/X/2015, Lisboa  — © 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Av. da República, 55

  Àquele notável comissário de «swaps» ao governo e de bens nacionais aos «swaps» quando secretário de Estado foi ontem cometida a venda do Novo Banco. Tem graça este borboletear porquanto as mariposas «andem» aí, preciosas com coisas que não lembrariam...


  Na Av. da República, 55 há umas casas devolutas, entaipadas ao rés do chão, escaveiradas em todos os andares, desprezadas e abandonadas à ruína pelo(s) senhorio(s) há um ror de anos. Vá lá preceber-se...
  Há ano e meio, pouco mais ou menos, desocuparam os intrusos e emparedaram 2.ª vez a porta de entrada que aqueles haviam desentaipado para se fazerem clandestinamente a umas assoalhadas na Av. da República. Fizeram-no (o emparedamento)  por intimação do município, mas entretanto do buraco que tornou a ser aberto pelos «okupas» não se fez mais caso.
  Há meses gente despeitada (e diz que esbulhada) pelo Novo Banco desabafou ali no sempre «inspirado» estilo da arte urbana. Ora quem tenha memória da célebre frase [com Vossa licença] «Bibi é rabo» grafiteiramente chapada no n.º 48 da Alameda de Dom Afonso Henriques em Lisboa, lembrar-se-á que durou ela ali pelos anos 80 e em boa parte dos 90 até que uma alma caridosa a de lá limpou. Foi pena porque se perdeu um raro exemplar rupestre de incalculável valor do que o município e a própria civilização com aplauso geral vieram, e muito bem, a classificar e a promover como «arte urbana».
  Como uma desgraça nunca vem só e, ao contrário das inclucas de Abril, a liberdade é contingente, o progressivo neobanquês aí está e, na viradeira que o deu, vemos agora o livre grafitismo a escrutínio; vamos lá que — dirão alguns — arte urbana é uma coisa, rabiscos panfletários lesivos do bom-nome particular ou colectivo da fidalguia do burgo é outra — o Correio da Manhã aí está que o diga... — Vai daí o zelo em abafar o estrebuchar arte-urbanístico menor doutros lesados nada fidalgos e do obliterante e definitivo passar ao esquecimento de qualquer memória futura do caso; o que não deixa vestígio nunca existiu, não é verdade?!…

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Av. da República,55, Lisboa, 17/9/2015.

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Av. da República,55, Lisboa, 2/10/2015.

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Av. da República,55, Lisboa, 27/10/2015.

P.S.:  faltou zelo, dir-me-ão os mais atentos, em emparedar o buraco dos «okupas». — Nada é ao acaso. Não temos aí migrantes na calha?...


P.P.S.: e com os migrantes na calha, restaurar o prédio a preceito em lugar de o só emparedar nem seria caridade solidariedadezinha de mais...

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Enigma photographico

Um benévolo leitor pediu enigmas photographicos. De momento não tenho nada senão este. Um meio enigma. Faz parte duma sequência panorâmica rodada de São Sebastião a Campolide no espólio de Eduardo Portugal, no archivo photographico da C.M.L. Não tem data; deve ser anterior ao séc. XX. Este fragmento aponta ao Monsanto. Identifica-se ali a torre do colégio de Campolide. Talvez um confronto com os mapas de Filipe Folque ou do levantamento da planta de Lisboa de 1904-1911 possa ilustrar mais a imagem.


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Panorâmica do alto de S. Sebastião ao Monsanto, Lisboa, [s.d.].
Espólio de Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.

Sanatório de Sant' Ana com tempo farrusco

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Sanatorio de Sant' Ana, Parede, [s.d.]
In archivo photographico da C.M.L.

Boletim de saúde

  A raça da O.M.S. estragou-me já o chouriço que tinha da [na] ucharia. Comi onte' à tarde um pedacito dele com um naco de pão e fiquei mal disposto.
 Esta manhã melhorzinho, graças a Deus.


 Rocio com Hospital [Real de] Todos os Santos, Lisboa, séc. XVI.
Rocio com Hospital [Real de] Todos os Santos, Lisboa, séc. XVI.
Reprodução photographica de José Arthur Leitão Barcia, in archivo photographico ca C.M.L.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ideias fixas boiando na espuma dos dias

  A evangelista oficiosa sobre desmandos da P.I.D.E., Irene Pimentel, tem croniqueta à semana na emissora nacional («O fio da meada», Antena 1). Hoje, para não variar, foi sobre o tema que lhe mais ofusca mente: a P.I.D.E.
 Lembrou ela o lamentável esquecimento geral dos 70 anos redondos da sua criação; referiu a antecessora P.V.D.E. sem deixar de dizer que Defesa do Estado era eufemismo para se poderem prender opositores ao regime (e opositores ao regime, digo eu, é eufemismo para comunistas). Mas não se atrasou aos tempos da I.ª República na sua história de polícias políticas, como não se esqueceu de recordar a jusante a D.G.S.; tudo muito contidinho ao Estado Novo...
  Contou, pois, uma história da P.I.D.E. em prosa estudada e bela entoação, povoando-a emocionada de nazis, fascistas, tortura, prisão preventiva (?!...), informadores (morigerou bufos, quiçá, por módico de compostura), intercepção postal, escutas (?!!...), espancamentos, mais torturas com exemplos explicativos e, no caso do Ultramar, serviço de informações (vá lá!...) nas colónias em guerra contra os movimentos de libertação africana. — Dou de barato a insinuação pouco velada de parecer terem sido as colónias à guerra aos movimentos de libertação e não o contrário; registo sòmente movimentos de libertação...
  Do Ultramar estende à Espanha o odioso de últimos (últimos?!) regimes ditatoriais. Portugal metropolitano, ilhas adjacentes e Ultramar ficava-lhe curtinho nas mangas; já o império soviético, Cuba, China &c. &c. faça-lhes bainha à altura do cós porque o rabo, necessàriamente, vem à mostra. — E chega ao clímax da extinção da polícia política no próprio 25 de Abril. — Tem graça esta precisão no próprio 25 de Abril porquanto outros evangelizadores de nomeada difundem nas mesmas tubas radiofónicas que a P.I.D.E. (i.é, a D.G.S.) prendeu e interrogou pessoas em 25 de Abril de 1974 (Jacinto Godinho et al., R.T.P., 25/IV/2014). Deve ter sido mesmo em cima da hora do fecho...
  O sermão tinha — além do alívio excrementício das coriscantes obsessões que lhe sarnam a mente, evidentemente — o fito da colagem à agitprop radiante (a que estrondeia na rádio e radiotelevisão) do momento: pôs Irene Pimentel, portanto, como corolário espirituoso da catequese pideana, dedicatória assaz dedicada aos â-tivistas (é assim que lhe sai, imaginai porquê...) angolanos presos e ao Luaty em particular. Falha-lhe nesta obsessão revolucionária em que se revolve a coçar-se sem freio, a lógica mais elementar: os activistas a quem dedica a arenga da luta libertadora esperneiam contra a opressão dum dos tais movimentos de libertação a quem o santo dia 25 de Abril deu tão liberalmente Angola...


 


(Desmentidos pela perseguição em defesa do Estado revolucionário no Cais do Olhar.)

Depois da chuva

... Está (estava) Lisboa esta manhã com uma luz formidável.

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Restauradores, Lisboa, c. 1960.
Horácio de Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G..

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Enchidos O.M.S.™

 Depois de apocalìpticamente salvar o Homem da gripe dos porcos e seus sucedâneos, a O.M.S. alarmou o Mundo hoje com o papão do cancro na vulgar sandes de fiambre, no ardente chouriço assado, no escorrente cachorro quente (ai o P.A.N.!) na despachada salsicha no pão, ou em geral na carne vermelha. -- Devem os humanos à roda do Mundo esperar antes a carne ficar verde para a depois comer?...
 Talvez deva a humanidade entretanto alambazar-se de peixe antes que lembre à O.M.S. declará-lo tóxico pelo papão ecológico.
 Ou talvez devamos bovinamente desatar desde já a pastar como vacas leiteiras [leia-se, contribuintes] ou, com sorte, a sorver caldo verde (sem chouriço) em malgas ISO 9000 até que a O.M.S. nos salve definitivamente duma fatal mutação por transgénicos.
 E talvez no fim, com a videca tão assèpticamente nutrida, nos haja definitivamente a O.M.S. de certificar para morrermos todos cheiinhos de saúde.


 



(Fumeiro do Rádio Clube do Monsanto.)

Sem hora de Inverno...




Decreto-Lei n.º 47 233


 Considerando as numerosas representações que têm sido dirigidas ao Governo no sentido de se estabelecer uma hora única durante todo o ano, pondo termo à distinção entre «hora de Inverno» e «hora de Verão».
 Considerando que realmente essa dualidade é causa de graves perturbações. especialmente nos domínios dos transportes e telecomunicações internacionais;
 Considerando que os países com que temos mais frequentes contactos nestes domínios já adoptaram a solução de uma hora única, coincidente com a nossa «hora de Verão».
 Ouvida a Comissão Permanente da Hora;
 Usando da faculdade conferida pela 1.ª parte do n.º 2.º do artigo 109.º da Constituição, o Governo decreta e eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:


 Artigo 1.º No Continente e ilhas adjacentes a hora legal passa a ser durante todo o ano, a que até aqui era observada só desde o primeiro domingo de Abril até ao primeiro domingo de Outubro, nos termos do artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 37 048, de 7 de Setembro de 1948.


 Art. 2.º O presente decreto-lei entra imediatamente em vigor.


 Publique-se e cumpra-se como nele se contém.


 Paços do Governo da República, 1 de Outubro de 1966. — AMÉRICO DEUS RODRIGUES THOMAZ — António de Oliveira Salazar — António Jorge Martins da Mota Veiga — Manuel Gomes de Araújo — Alfredo Rodrigues dos Santos Júnior — João de Matos Antunes Varela — Joaquim da Luz Cunha — Fernando Quintanilha Mendonça Dias — Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira — Eduardo de Arantes e Oliveira — Joaquim Moreira da Silva Cunha — Inocêncio Galvão Teles — Carlos Gomes da Silva Ribeiro — José João Gonçalves de Proença — Francisco Pereira Neto de Carvalho.



Cumpriu-se até 26 de Setembro de 1976.

domingo, 25 de outubro de 2015

Já anoiteceu

 O único que me mitiga o semestral desprazer da hora de Inverno é uma horita a mais no fim da semana. — Fraco negócio.

Alameda, Lisboa (H. Novais, c. 1960)
Alameda de Dom Afonso Henriques,
Lisboa, c. 1960.

Horácio de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.

Da miséria jornalística

  Um canal de notícias que gasta incontáveis horas a emitir gargarejo futeboleiro sem bola que se veja consegue a proeza jornalística de pôr no ar um noticiário no intervalo dum Benfica – Sporting sem dar a notícia do resultado.


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Adenda em tempo:


 E segue o maravilhoso jornalismo; foram a correr para o portão do campo a pôr o microfone ante qualquer cão e gato que venha a passar. Se a ideia era ouvir o povo, parabéns, já dele soou democracia...

Pessoas ou coisas? (Que futuro para a «História da Literatura»?)

Ant.º José Saraiva, Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa, 13.ª ed., Porto, 1985


 
 Numa entrevista ao Jornal de Letras em 1990 (*), António José Saraiva e Óscar Lopes divergem sobre a continuação por terceiros da «História da Literatura Portuguesa». Óscar Lopes propunha que, dentro do espírito da obra escolhessem, pessoas que a continuassem e actualizassem. António José Saraiva discordava: um livro é dum autor; mudando o autor o livro é já outro.


 O entrevistador, a contento de Óscar Lopes, dá o exemplo do «Manual de Direito Administrativo» do prof. Marcello Caetano, continuado por Freitas do Amaral, no que é secundado por aquele com exemplos em História da Literatura francesa e inglesa de Lamazian e Lanson, cuja transmissão a continuadores funcionou.


 E argumenta Óscar Lopes:



 — Este livro representa um trabalho de cerca de 37 anos. Acho que o esforço destes anos todos de trabalho traz uma acumulação de dados que podem ser reinterpretados, mas que seria mais adequado entregar-se essa tarefa a pessoas que garantissem a continuidade do trabalho […] Eu até já tenho nomes para os meus (passe o termo) sucessores.
 A.J.S. — Isso é completamente contra a minha ética. Eu não concebo que um livro seja continuado por outra pessoa com o nome dela. Parece-me que, contra as tuas ideias, estás a ter uma atitude capitalista... É o capital que prevalece.
 O.L. — Não me parece que tenha nada a ver com isso.
 A.J.S. — O capitalismo nasceu da possibilidade de acrescentar alguma coisa ao que já existia. Isso é capitalismo…
 O.L. — Em primeiro lugar eu não rejeito o capitalismo em geral…
 A.J.S. — … Ah, bem! (ri-se)
 O.L. — … Há muita coisa que se aproveita, designadamente no aspecto cultural…
 A.J.S. — … eu rejeito, porque o capitalismo significa a superioridade das coisas sobre as pessoas, e a actividade está nas pessoas… […]



 Óscar Lopes segue por diante mais longamente expondo o seu ponto de vista de que «coisas» no sentido de artefactos são uma realidade, obra intelectual é outra (música, pintura, planos de engenharia, arquitectura, livros…)



 A.J.S. — Tu admites que a obra de Mozart seja continuada por outro autor?
 O.L. — Não, mas repara […]


 J.L. — Bom, voltando ao futuro da vossa «História da Literatura».


 A.J.S. — Eu acredito é que quando morrer deixará de existir unidade entre a alma e o corpo, aquilo a que se chama personalidade.
 O.L. — Eu só acredito noutro mundo que seja feito a partir deste em que vivemos.
 A.J.S. — Este livro é este livro, é uno…
 O.L. — … Tu pareces que acreditas no casamento de duas almas…
 A.J.S. — … O que eu poderia aceitar era o seguinte: 2.º volume, por fulano de tal e fulanos de tal…
 O.L. — … Um aditamento…
 A.J.S. — … Um aditamento.
 O.L. — Palavra de rei não volta a trás.
 A.J.S. — Aqui o Óscar Lopes é uma personalidade astuta.
 O.L. — Eu acho-me tão ingénuo! 
 A.J.S. — Ingénuo sou eu…



 Que saiba, ninguém enxertou a «História da Literatura Portuguesa» até hoje. Felizmente!




(*) «António José Saraiva e Óscar Lopes: uma história na literatura», entrevista de José Carlos de Vasconcelos, in Jornal de Letras, 17/IV/1990, apud M.ª José Saraiva (pesquisa), Crónicas de António José Saraiva, Quidnovi, Matosinhos, 2004, pp. 943-955.

sábado, 24 de outubro de 2015

AXN crioulo

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 Não chegava a (com licença!) cagada ortográfica de governos e deputados portugueses. Paga uma pessoa televisão por cabo neste país para isto.


 Portugal terminou há muito e já só fede.


 


(Imagens de «Regras da Casa», filme de 1999, de Lasse Hallström, transmitido hoje, 24 de Outubro de 2015 no canal AXN White.)

Gente de dó

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Alguns ali faltaram hoje ao centro de dia.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Não é censura, é democracia velada

 A eleição dum parlamentar imortalizado pelo paralamento de se 'tar cagando para o segredo de justiça teve, naturalmente, direito a reportagem no regimental noticiário nacional. Vi às 9h00 da noute na S.I.C. Notícias uma muito, muito bem montada:



  • primeiro dão a fala de S. nova Exc.ª o presidente eleito da assembleia que diz — não sei se melhores, se piores do que a frase que o imortalizou — coisas;

  • depois botam a conversa contrariada dum do P.S.D. a dizer coisas;

  • a seguir um do C.D.S. mais inflamado dizendo coisas;

  • um esquerdóide...

  • um comunista...


 E chega.
  ...
  Não faltou dar a converseta dalguém? (O gajo do cão não conta.)


O mérito não se apura pelo número de votos (António Costa do P.S. na Assembleia, 23/X/2015).
Filme de S.T. no tubo; transcrição parcial aqui...

Próximo decreto: estatuir a Guarda Fiscal

Regresso ao futuro — © Portugal 2015


 

Não se esqueçam de incluir as latrinas

Monumento nacional


 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Ponte Luiz I com sinaleiro

STCP Lancia Trolleybus 34, Porto (M. Rhodes, 1983)
Ponte Luiz I
, Porto, 1983.

Mike Rhodes, in Flickr.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Dos fracos...

 O grande Afonso de Albuquerque, homem valente e destemido que o medo não conhecia, conquistou Ormuz e fez o seu rei vassalo de el-rei de Portugal. Quando o rei da Pérsia ali mandou o seu embaixador a cobrar o habitual tributo ao rei de Ormuz, este mandou-o entender-se com o representante do novo suserano. Não sei se o embaixador da Pérsia tinha algum nome parvo como Valdis Dombrovoskis, mas, certo é que o grande Afonso de AIbuquerque o recebeu com cortesias de protocolo. Porém, em sabendo ao que vinha, logo mandou apresentar-lhe um monte de armas dizendo:
 — Esta é a moeda com que el-rei de Portugal paga os seus tributos.


 Isto não é lenda.



Ilustração: Carlos Alberto, História de Portugal, 13ª ed., Agência Portuguesa de Revistas, [s.l.], 1968.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

R.F.E.

 Sabe o que é o R.F.E.?


 Regime de Fruta Escolar, cujas regras cá no burgo são instituídas complementarmente ao regime de fruta escolar europeu (R.F.E.E.?), por portaria conjunta dos ministérios da Agricultura, Saúde e Educação. O regime desta fruta (ou a fruta deste regime — dá no mesmo), mete ainda hortaliças, inclusive transformadas (genèticamente!?), não descurando mencionar expressamente as bananas (!) e derivados (!!). Fico por saber se o regime de fruta escolar regulará luso-complementarmente (eia avante, soberania!) marmelos ou outra qualquer marmelada, hortícola ou &c., em que a U.E. parece pródiga, como... o padrão da curvatura dos pepinos.


 Vai uma banana?



 


(Revisto. Um bocadinho.)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Amanhã não...

... Mas depois de amanhã dão sol.


 


Terreiro do Paço, Lisboa, c.1970
Terreiro do Paço, Lisboa, c. 1970 [1972].


(Fotografia de não sei quem, achada não sei onde Jean-Henri Manara)

domingo, 18 de outubro de 2015

Tempo de chuva

Cais das Colunas, Lisboa (S. Silva, c. 1970)
Cais das Colunas, Lisboa, c. 1970.
Sena da Silva, apud Portugal Velho.

sábado, 17 de outubro de 2015

Estrada de Sintra, km 0,2

E.N. 249, Venda Nova, 193…
Estrada Nacional 249, Venda Nova, 194…

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O gajo que leve chapéu

33A/33, Alto do Pina (P. Nunes, 2015)
33A/33, Alto do Pina, 2015.
Pedro Nunes/Lusa brasílica, in D.N.

Animação cultural

« Uma vez que a data limite acabou de expirar, esperamos receber sem mais demoras o plano orçamental de Portugal num cenário de políticas inalteradas e, a devido tempo, o projecto completo de Orçamento de Estado do novo governo», afirma esta sexta-feira uma porta-voz da Comissão.  [...]  Embora Bruxelas conheça a actual situação política portuguesa, «instou Portugal a submeter um plano orçamental num cenário de políticas inalteradas, em cumprimento dos requerimentos legais».  Ou seja, a Comissão Europeia quer [...]



 O mandarete que aí vegeta em fim de turno recebeu reprimenda lá de fora em forma de ultimato. Parece ele que anda meio rebelde; pois não passa de amanuense amuado que deu em mandriar porque, além de protocolarmente servir de capacho aos da Ouropa, viu-se agora extraturno como palhacito às mãos doutro trampolineiro igual a si.


 No tempo do Grande Afonso de Albuquerque a resposta àqueles bem sei qual seria. A mesma nação de gente há umas décadas, nem resposta daria. Mas o que os azares da fortuna nos reservaram para esta sexta-feira foi isto.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Do noticiário de actualidades

 Se o anúncio do luzido dispondo-se a garrir salões foi a notícia do cão que mordeu um homem, o anúncio agora dos dois pardos que se não perfilam para embaciar o que nunca anunciaram garrir é como dar notícia de cães que não morderam homem nenhum.


Portugal, 1900-1919.
Foto: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Traseiras do Júlio de Matos

Campos de Alvalade (Júlio de Matos), Lisboa (E. Portugal, 194...)

Plácida vista do manicómio antes de se os alienados afidalgarem por castas e se alaparem no poder.
Photographia, salvo erro, de Eduardo Portugal, com patrocínio do archivo photographico da C.M.L., para calcar para o fundo o quadratura Circoelho.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Olhai lá o meu taxímetro, 'tá bem!

Jorge Coelho, SIC-N, 13/10/15

-- Só falo na quadratura do círculo. Não falo fora disso, 'tá bem! (Jorge Coelho, S.I.C., 13/X/15.)

Trova do tempo que passa

Mandaretes com cara de apeados do mando, Rato (© 2015)

 A prioridade do combate à pobreza infantil, ou a sua falta, entre outras assim, trouxe-me esta faustosa visão do Poder. Democrático.
 Ao vivo e em directo, do Rato...
 Seguiu-se o Cristiano Ronaldo, ora bem! E só ao depois o outro.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Ciências fundamentais: formação avançada

Vai de pagar formação avançada a cientistas ultramarinos

 O Ultramar não podia ser nosso, mas, podemos sempre fazer umas vaquinhas por cá para continuarmos a sustentá-lo em forma(ção) avançada.
 Perfilemo-nos!



Lá vamos, cantando e rindo
Levados, levados, sim
Pela voz de som tremendo
Das tubas, clamor sem fim.
Lá vamos, que o sonho é lindo!
&c. &c.


🎼 ♬ ♪ ♫


domingo, 11 de outubro de 2015

sábado, 10 de outubro de 2015

Anseios de jornalista

«Mas não era saudável para o país [um governo estribado nos comunistas]?»


 


«Mas não era saudável para o país [um governo estribado nos comunistas]?» (M.ª João Ruela, Telejornal, S.I.C., 10/X/15, 21h01)


(M.ª João Ruela, Telejornal, S.I.C., 10/X/15, 21h01.)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Nada novo debaixo do Sol

 O cata-vento candidato é a notícia do cão que mordeu um homem.


 


Pitonisa, Belém (fotomontagem da globalização a partir da «Bairrada Digital» e d' «O Diabo».)


(Alegoria de «fim da globalização» a Belém, a partir da «Bairrada Digital» e d' «O Diabo».)

Locutores trôpegos e fariseus de opinião

 Tanta paneleirice com a ladainha igualitária d' os portugueses e as portuguesas havia só de dar no que deu.


«E.R.C. abre processo contra RTP devido a notícia sobre novos deputados», Económico, 8/X/15.

Mediocridade


 — Não acha picante o falso ardor com que certas personalidades e  órgãos da democracia defendem o comunismo? Como se o comunismo não fosse um dos maiores inimigos da democracia...
 — Claro está, concorda Salazar. Quem defenda o comunismo, ou quem pretenda converter-se a essas ideias, tem de renunciar, se a sua atitude é sincera, à defesa da liberdade... Liberdade e Comunismo são duas ideias antagonicas...
 Acrescento:
 — Contradição tão assombrosa, afinal, como se essas personalidades e órgãos começassem, de repente a defender a Ditadura...
 E Salazar, que se entusiasma, que quasi gesticula, depois de já ter sorrido, depois de já ter rido, depois de já me ter provado que tem reacções visiveis diante de certas ideias, como qualquer português sensivel.
 — Retorica, mentalidade de comicio, processos eleiçoeiros, que nos inferiorizam, que são os maiores obstaculos para uma obra desempoeirada, renovadora e sã. Poinsard, que fez um inquerito à vida portuguesa há vinte e tantos anos, a convite do sr. D. Manuel, viu-nos como somos, à luz duma boa observação. Fazendo justiça às nossas qualidades, acreditando no nosso futuro, êle impressionou-se principalmente com o nosso provincianismo, com a nossa mediocridade na industria, no comercio, na agricultura, na vida política, no jornalismo, na arte e na literatura de então. Muito se tem andado desde êsse momento, mas é preciso não parar, é preciso lutar continuadamente contra a falta de elevação nas ideias e nas atitudes, contra essa mediocridade de processos, que atinge, por vezes, as inteligencias mais altas e os valores mais sérios...
 — Não acredita, portanto — pergunto eu, em busca da frase final da conversa de hoje — na sinceridade de certas promessas, nas declarações avançadas, extremistas, de certos homens públicos?
 E Salazar rindo com gôsto, com exuberancia, como os seus compatriotas não fazem uma ideia:
 — Olhe... Porque não diz a êsses estadistas, tão amigos do povo, tão amigos da igualdade, que regulem a sua vida particular, a sua vida íntima, pelas ideias que defendem? Talvez lho prometam, e até com boa-fé, mas daí à realidade...
 E ditas estas palavras, as últimas da tarde, o dr. Salazar, despedindo-se de mim, entrou para a sua casa na rua do Funchal, essa casa que não seria mais simples e mais modesta se êle fôsse um comunista praticante, que vale mais para o povo, no seu exemplo raro do que todas as palavras ao vento, do que todas as promessas...


António Ferro, Salazar, o Homem e a sua Obra, Empresa Nacional de Publicidade, 1933, pp. 68-70.



A. Ferro, «Salazar, o Homem e a sua Obra», E.P.N., 1933 (in Coisas)
(Imagem adaptada de Coisas.)


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Outubro de 73

Rua Garrett, Lisboa (A. Pastor, 1973)
Rua Garrett, Chiado, 1973.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Ainda a Rua do Carmo

Casa Geraldes; Casa Fanny, Sapataria Select, &c., Rua do Carmo (J. Benoliel, 1957)
Rua do Carmo,
Lisboa, 1957.
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.

O prèdiozinho da casa Fanny

Rua do Carmo, Lisboa (J. Benoliel, 1957)

 Curiosa sobrevivência dum r/c, 1.º e trapeiras — o prédio da Casa Fanny — em 1957. Photographia numa de Judah Benoliel numa manhã de Inverno, do passadiço do elevador de Santa Justa.
 No archivo photographico da Câmara de Lisboa.

P.S. ás cinco para as duas da tarde: roupa estendida numa janela a secar... Na Rua do Carmo...

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Dos nenucos

A senhora dos nenucos, não se mede pelo estilo (mas até nisso), é dotada da mais fina ironia.




(Agradeço o vídeo ao meu bom amigo, sr. J.B.)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Rossio de manhãzinha

Rossio com luz matinal, Lisboa (H. Novais, 194...)
Rossio com luz matinal [frag.], Lisboa, 194...
Horácio de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.


 


(Revisto.)

O Abacaxi

 Na semana passada fechou o Centro Comercial Abecassis — as barrracas de feira azuis na Palhavã. Os das notícias, de memória sempre curta, chamaram-lhe «mercado azul» sem alguma vez lhe conhecerem aquela justíssima alcunha de homenagem ao jeitoso presidente da câmara Abacaxi, que foi capaz de tal obra provisória como melhoramento de vulto à demolição dos pavilhões anteriormente provisórios do Martim Moniz. — O provisório feito definitivo pela ordinária sucessão de barracas de chapa a pavilhões de lusalite ao serviço do comércio tradicional, portanto.


 Por outro lado o Abacaxi também pode (deve) ser lembrado como o edil do definitivo (tanto quanto o cimento armado o dá a entender) tornado provisório: pela inspirada demolição do Teatro Monumental e; pela artística canteirização da Rua do Carmo que tanto jeito veio a dar aos bombeiros quando os gaioleiros pombalinos desataram arder.


  Das vítreas Amoreiras que raparam o Chiado de fregueses, como da lapidar esperteza na Rua do Carmo, o Abacaxi bem merece lousa sepulcral com letras flamejantes a dizer: aqui jaz o coveiro do Chiado; que terra lhe seja ardente.


Rua do Carmo, Lisboa (H. Novais, 198...)
Rua do Carmo, Lisboa, 198...
Horácio de Novais, in Bibliotheca d'Arte da F.C.G.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Da teta

 Continua a dar...


 


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Vaca leiteira, Portugal, 1890-1910. Fotos: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

domingo, 4 de outubro de 2015

Dia de feira II

 Quem não tem que dizer fala do tempo. Há o tempo e o tempo; tempo para fazer discursos. Quem tem tempo faz discursos. Podem ser sobre o tempo ou sobre o tempo para fazer discursos. É toda uma philosophie... O jornalismo dará a notícia. E o discurso.



Saloios na feira de gado, Campo Grande, 1890-1910.
Ch.- Flaviens, in George Eastman House.

Dia de feira

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Concurso de gado, Portugal, 1890-1910. Fotos: Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House.

sábado, 3 de outubro de 2015

Futebolix

Estádio de Alvalade (M. Novais, <em>post</em> 1956)
Estádio de José Alvalade, Lisboa, post 1956.
Mario de Novaes, in Bibliotheca d'Arte da F.C.G.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Corporação infernal

 Qual o ganho dos taxistas em infernizarem a vida aos demais automobilistas (e os ouvidos ao transeunte)? Só concitam má vontade contra si.

Táxis, Lisboa (M. Novais, c.1965)
Táxi, Pr. de Londres, c. 1965.
M. Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.