Na semana passada fechou o Centro Comercial Abecassis — as barrracas de feira azuis na Palhavã. Os das notícias, de memória sempre curta, chamaram-lhe «mercado azul» sem alguma vez lhe conhecerem aquela justíssima alcunha de homenagem ao jeitoso presidente da câmara Abacaxi, que foi capaz de tal obra provisória como melhoramento de vulto à demolição dos pavilhões anteriormente provisórios do Martim Moniz. — O provisório feito definitivo pela ordinária sucessão de barracas de chapa a pavilhões de lusalite ao serviço do comércio tradicional, portanto.
Por outro lado o Abacaxi também pode (deve) ser lembrado como o edil do definitivo (tanto quanto o cimento armado o dá a entender) tornado provisório: pela inspirada demolição do Teatro Monumental e; pela artística canteirização da Rua do Carmo que tanto jeito veio a dar aos bombeiros quando os gaioleiros pombalinos desataram arder.
Das vítreas Amoreiras que raparam o Chiado de fregueses, como da lapidar esperteza na Rua do Carmo, o Abacaxi bem merece lousa sepulcral com letras flamejantes a dizer: aqui jaz o coveiro do Chiado; que terra lhe seja ardente.
Rua do Carmo, Lisboa, 198...
Horácio de Novais, in Bibliotheca d'Arte da F.C.G.
Caro Amigo: lembro-me muito bem! Quem tirar hoje uma fotografia desde o mesmo ângulo e comparar com esta, vai pensar que se trata de outro país... E é mesmo!
ResponderEliminarAbraço.
Por provisório feito definitivo, lembro-me do viaduto de Alcântara, mandado fazer pelo grande Presidente de Câmara de Lisboa Santos e Castro!!!
ResponderEliminarEsse deve ter o recorde!
Fomos grafitados, para não dizer pior.
ResponderEliminarCumpts.
É verdade, do tempo do Santos e pontes, o homem dos viadutos. Provisório mais definitivo do que esse em Alcântara não me lembra agora.
ResponderEliminarCumpts.
É a primeira coisa que me lembro quando falam no incêndio do Chiado. Os malditos canteiros...
ResponderEliminarUm melhoramento indispensável como há tantos.
ResponderEliminarCumpts.