quinta-feira, 31 de maio de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
Chapa 10
Òbviamente o marco de pedra marca onde se crava a chapa do km 10 da E.N. 209. Por isso é de pedra — que é mais perene; é para se saber sempre onde cravar a nova chapa do km 10 quando a chapa do km 10 lerpar.
E.N. 209 - km 10, E.N. 209 - km 10, [S. Pedro das Covas ?], [2012].
Fotografia amàvelmente cedida pelo sr. José A. A. Pereira.
Chapa 13
Òbviamente o marco de pedra indica onde cravar a chapa do km 13 da E.N. 209. Por isso é de pedra — que é mais perene; é para se saber sempre onde cravar a nova chapa do km 13 quando a chapa do km 13 lerpar.
E.N. 209 - km 13, E.N. 209 - km 13, S. Pedro das Covas (prox.), [2012].
Fotografia amàvelmente cedida pelo sr. José A. A. Pereira.
sábado, 26 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Do «bem haja»
É moda agora dizer-se por aí «bem haja». É uma maneira afável de bem querer. Todavia usa-se muito por «obrigado» e não são sinónimos. Com «obrigado» fica-se grato e penhorado a quem nos faz favor; com «bem haja» deseja-se bem sem mais dever de retribuição. Sem humildade, portanto.
Tenho ideia que certas locuções em voga, amiúde tão disparatadas ou usadas irreflectidamente, são pistas inestimáveis sobre o caminho que a civilização leva. Como as pedras que falam ao arqueólogo. Preciso é saber escutá-las.
Obrigado, benévolo leitor!
Fotografia: Grupo Verde Gaio, anos 40.
Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
terça-feira, 22 de maio de 2012
Diz que aprendeu na escola?...
« [...] Cavaco Silva, salientou hoje a sua participação na ratificação do Acordo Ortográfico em Portugal, mas confessou que em casa ainda escreve como aprendeu na escola (Sol, 22/V/12).»
Duvido que alguma vez houvesse diferença da escrita de burros que ratificou e a que «aprendeu» na escola. A culpa não foi do ensino. Enfim!...
Imagem...
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Das prioridades
Anteontem em Alvalade atalhou-se-me deante um cortejo de cicloturistas. Muitos. Pela Av. da Igreja, do Campo Grande para S. João de Brito. Com batedores da polícia a deante e a fechar o cortejo.
Os senhores do polìticamente correcto, do estilo de vida saudável e do pão sem sal, os do ambiental e do sustentável – enfim, esses todos que enxameiam rádios, televisões e vegetam nas repartições e nas câmaras com frases feitas coladas ao bestunto – saibam, pois, que é estúpido parar o trânsito na Avenida de Roma para carrear um cortejo de cicloturistas pela Av. da Igreja porque há uma pista para «ases» do pedal em toda a Av.do Brasil, do Campo Grande ao Relógio. O candeeiro da imagem não é impedimento pois há muito que, infalìvelmente, foi tirado do caminho. E a ciclovia não está em tosco, foi acabada; está fina e recomenda-se, pois, a par com os «ases» do pedal, esta sorte de floreados urbanos é das mais altas prioridades da câmara municipal; ao invés da calçada dos passeios e do asfalto das ruas, que só interessam aos poucos peões e automobilistas que há na cidade.
Avenida do Brasil, Lisboa, 2009.
domingo, 20 de maio de 2012
Delírios
Notou o Vasco Pulido que, descontando o primeiro ministro, o governo do Holanda de França conta exactamente 17 mulheres e 17 homens: «Um cálculo simples demonstra que em 5 anos de mandato estes 34 zeladores do povo podem com facilidade (e alguma aplicação) produzir 113,3 filhos.»
Somado ao delírio da paridade há o delírio das pastas do governo. O Vasco Pulido delirou ontem valentemente com todos estes delírios em voga.
Público, 19/V/12.
sábado, 19 de maio de 2012
Dos marcos
« Na grande maioria dos casos, a informação constante nos lados perpendiculares à estrada migrou para a face paralela à berma, resultando num estranho contorcionismo do marco. Claramente, não há interesse em que durem e a palavra de ordem é gastar dinheiro parecendo que se poupa. Não se fazem novos marcos de pedra nem se grava as novas inscrições porque sai caro, mas pintam-se milhares de marcos regularmente com indicações que diferem das antigas quase só pela posição que ocupam.»
Afonso Loureiro, «Os miliares, os quilométricos e os descartáveis», in Aerograma, 22/III/2012.
Rapsódia boémia
Nos anos 70 a R.T.P. tinha uma colecçãozinha pequenina de telediscos que punha no ar quando a emissão lhe dava alguma dor de barriga. Fintavam assim os telespectadores e aquele envergonhado cartaz de Pedimos desculpa por esta interrupção. O programa segue dentros de momentos. O teledisco que me lembro de ver mais vezes, davam-no repetidamente, era a Rapsódia Boémia dos Queen. Ele havia outros. Em me lembrando deles talvez os cá junte. O da Rapsódia Boémia era mais ou menos assim: -- Mamma. Mamma... Mamma... -- O Animal é que sabe.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Dia de St.ª Internete
Diz hoje que é dia mundial da Internete. Dantes os dias eram de santos, agora a santidade anda para aí virada. Nem este calendário de mudar a folhinha que aqui tenho na secretária traz já o santo. -- De que santo o dia é hoje?
Na telefonia lambuzam-se destas inanidades. Compõem-nas com floreados meditativos arrancados a bípedes sem penas. Esta manhã os da rádio estimulavam assim o intelecto desses transeuntes: -- E se acabasse a Internete?
Bem vê o leitor o drama cultural…

(O boneco é da Terra dos Sonhos ou lá como se chama.)
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Lugar da Portela
Uma perspectiva para Poente do lugar da Portela. A estrada adiante, a da Portela, vinha do lugar do Pote de Água (onde subsistem troços) e trazia a este lugar, da Portela, naturalmente. Mais à esquerda era a ermida do lugar, não sei de que invocação; a fotografia não a apanha. A casa em primeiro plano (à direita, com toponímia no cunhais) é a de há dias. A perspectiva lá era para o quadrante Norte. O lugarejo não era bonito, nem sei se teria alguma história. Dele não resta nada. Ainda estou para sobrepor mapas para ver quanto dele assentava na praça do Aeroporto.
O lugar da Portela de Sacavém, não vos equivoqueis, é onde fica o aeroporto da dita. Não lá em cascos de rolha, já fora de portas, onde levantaram uma urbanização medonha e para onde trasladaram um nome que não lhe pertence por... Nem sei dizer por que bizarria.
Estrada da Portela no entroncamento com a Estrada de Sacavém, Lugar da Portela de Sacavém, [1938].
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
terça-feira, 15 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Pouco mais ou menos... Onde?
Esta manhã seguia adiante de mim uma relíquia automóvel pouco mais o menos do tempo deste. Cuido que era um Citroën 7 cv, com emblema do Automóvel Club.
Com a diferença de que seguíamos os dois para lá, íamos no lugar da imagem, pouco mais ou menos...
Fotografia de Eduardo Portugal, in A.F.C.M.L..
O dejecto ortográfico: resenha de factos
Hoje deu-me para isto – ir ao portal da Assembleia da República consultar a legislação a favor e as petições contra o Acordo Ortográfico. Queria saber quem andava a «mandar» no Acordo.
Da anterior legislatura surge-me sempre o deputado Feliciano Barreiras Duarte, um homem do Bombarral, à cabeça das instruções para arquivar os processos (495/X/3 e 511/X/3). Aparece-nos na net/A.R. e Facebook como «consultor jurídico» e «professor universitário». Na Lusófona, tem uma Licenciatura em Direito, pela Universidade Autónoma (1997). As outras inteligências de quem dependem as decisões, nesta legislatura (XII) serão, além de Nuno Crato, Francisco José Viegas e o próprio Primeiro Ministro. Sobre o Acordo, numa entrevista à Única (3 Set. 2011), pronuncia-se o Matemático Nuno Crato: «É um facto. Como disse, salvo erro, o Ministro dos negócios Estrangeiros, neste momento não é uma questão de opinião.». Um facto com «c», que poderia ter deixado algumas expectativas além do esforço visível de passar pelo intervalo da chuva, e sacudir a dita do capote. Os salpicos terão caído na gabardine «double-face» do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. Este, enquanto director de O Independente (1988-1995), apoiou todas as campanhas nele feitas contra as tentativas de implantação do Acordo; surge agora (como Sócrates, José António Pinto Ribeiro e Gabriela Canavilhas) a considerar a língua portuguesa como uma «commodity» e factor de união com o Brasil.
As próximas petições irão provavelmente parar às mãos de Francisco José Viegas, licenciado em Estudos Portugueses e que se apresenta como editor de profissão. O que disser será ratificado pelo seu superior hierárquico, Pedro Passos Coelho, ele próprio semi-licenciado em matemática, e com o grau completo em Economia pela Universidade Lusíada (2001).
No texto do acordo propriamente dito, as regras são agora ditadas por um portal da Língua Portuguesa – em particular um grupo de investigação do I.L.T.E.C. — Léxico e Modelização Computacional – financiado pela F.C.T., chefiado pela Professora Margarita Correia, portuguesa de origem Venezuelana, com doutoramento em Letras e Linguística. Será a alternativa encontrada ao que a lei do dito A.O.90 exige: «a publicação de um Vocabulário Ortográfico Unificado da Língua Portuguesa, elaborado pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras, com a colaboração das competentes instituições dos países-parceiros do Acordo, o qual constituirá um instrumento de consulta e de resolução de dúvidas, que a aplicação de qualquer Acordo sempre levanta.» (aqui o historial todo para quem tiver paciência). Também dos países-parceiros Angola e Moçambique ainda não o ratificaram.
Espera-se pois que o Acordo acabe em facto consumado, à patada, sem os instrumentos considerados necessários até pelos «acordistas» – caminhando a asneira incólume às opiniões dos grandes especialistas da nossa língua (portugueses e brasileiros), de relatórios académicos sérios e bem fundamentados, de múltiplas petições com muitas mil assinaturas.
Parafraseando o linguista António Emiliano e o cineasta e autor António de Macedo – a quem anda a aproveitar o crime?
Helena Barbas, Á espera do fa(c)to consumado, 27/I/12.
É a tropa deste gabarito que andamos entregues.
domingo, 13 de maio de 2012
Dos modernaços do Restelo
Há inúmera gente que papagueia muito porque, em si, sabe muito pouco. Um chavão recorrente (e o mais estúpido) dos acorditas é chamar velho do Restelo a quem defende a ortografia em vigor, a do acordo de 1945 que o Brasil rompeu. Houve alguém que perguntou a um daqueles: -- «Então os que estão contra esta algaraviada de acordo são velhos do Restelo? E você é o quê?»
Um modernaço do Restelo. De 1911/12.
Illustração Portugueza, n.º 310, 29/I/1912.
sábado, 12 de maio de 2012
Clipping
Há tarefas tão secretas que nem há palavras para as dizer. Recortar notícias de jornal com uma tesoura, por exemplo; prender os recortes com um grampo ou numa mola. A palavra secreta para dizer grampo é «clips». A maneira cifrada de juntar ou enviar recortes de imprensa é «clipping». Assim ninguém sabe do que se trata.
Frederico Algernon Trotteville, o famoso Gordo da colecção «Mistério», é quem bem sabia destas técnicas de inculcas
(Imagem d' uma certa bibliotheca digital Lourenço Diniz.)
sexta-feira, 11 de maio de 2012
E.N. 105-1
Manda-me um generoso correspondente esta do ramal nacional 105-1 dizendo como sei que gosta dos marcos dos km 0, aqui lhe deixo um para seu prazer (espero eu, pelo menos foi essa a ideia); já andei à cata de mais, mas estes marrecos parece que se comprazem em arrancar os velhos e deliciosos marcos quilométricos e substituí-los por outros de lata que, a breve trecho, aparecem todos torcidos ou...desaparecem.
Quem há-de de comprazer-se com este agora, estou certo, é o confrade Manuel do H Gasolim Ultramarino que tem uma curiosíssima weberneta de cromos -- sabíeis? -- com inúmeros marcos do plano rodoviário de 1945.
Alguma preferência pelos marcos zero advém da sua maior raridade, pois o crescimento urbano engoliu fatalmente muitos deles -- recorda-me de imediato o da E.N. 249, às Portas de Benfica, que levou sumiço na faustosa obra da C.R.I.L..
No caso aqui, permanece o quilómetro certo no lugar exacto. Com marco errado, porém. Como na Nacional 385 no termo de Mourão, o marco 0 do ramal nacional 105-1 pertencia-lhe ser miriamétrico.
E.N. 105-1, Ermesinde (prox.), [2012].
Fotografia gentilmente cedida pelo sr. J.A.A.P..
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Para arquivar em «pastéis de nata»
(«Público», 10/V/12.)
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Enculcas e escuytas
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Palhavã (velódromo)
Pastelaria Berna
sábado, 5 de maio de 2012
José Sobral e tudo...
José Sobral de Almada Negreiros poeta do Orpheu, narciso do Egipto, actor, pintor bailarino, e tudo. Estou cá a cismar se «e tudo» pode conter aquele photógrapho compondo o ramalhete empoleirado numa escada. Ele parece... Ou não?...
Almada Negreiros por Stuart de Carvalhais.
(Imagem do álbum de Paulo Vasco.)
sexta-feira, 4 de maio de 2012
La Folie
C'est moi, c'est La Folie
Qui vient de dérober la Lyre d'Apollon
Rameau, Platée (La Folie)
Mireille Delunsch, François Le Roux, Musiciens du Louvre, 2002.
MOMUS.
Mais une nouvelle harmonie
Annonce apparemment Terpsichore, ou Thalie.
LA FOLIE.
Vous vous trompez, Momus, non, non.
MOMUS.
Que vois-je ? O ciel !
LA FOLIE.
C'est moi, c'est La Folie
Qui vient de dérober la Lyre d'Apollon.
MOMUS & LE CHOEUR.
Honneur, honneur à la Folie,
Qui tient la Lyre d'Apollon.
Qui tient la Lyre, la lyre,
Qui tient la Lyre d'Apollon.
Qui tient la Lyre, la lyre,
Qui tient la Lyre d'Apollon.
LA FOLIE.
Formons les plus brillants concerts ;
Quand Jupiter porte les fers
De l'incomparable Platée,
Je veux que les transports de son âme enchantée,
S'expriment par mes chants divers.
Admirez tous mon art célèbre.
Je fais d'un image funèbre,
Une allégresse par mes chants.
Essayons du brillant. Donnons
Dans la saillie.
Aux langueurs d'Apollon, Daphné se refusa :
L'Amour sur son tombeau,
Éteignit son flambeau,
La métamorphosa.
C'est ainsi que l'Amour de tout temps s'est vengé :
Que l'Amour est cruel, quand il est outragé !
Aux langueurs d'Apollon, Daphné se refusa :
L'Amour sur son tombeau,
Éteignit son flambeau,
La métamorphosa.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Duas dos jornais
- Ao que me eu referia ontem e porque rasurei a consciência dos pategos que afluiram ao Pingo no 1.º de Maio. Basta ler o sublinhado.
- O artigo completo do do Sr. Tenente-Coronel Brandão Ferreira de que falei há dias.
Boa leitura.
A.N.T.T., O Século, Joshua Benoliel, lote 8, cx. 6, neg. 3.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Verbete atrasado
Já cá pus isto certa vez. Testando hoje uns projectores vali-me deste filmezinho para regular a qualidade da projecção. Ao almoço ia com ela no ouvido e pu-la a dar no vídeo-transístor (vulgo iPad). A senhora comentou-me que era belíssimo. O que era? É a Passacaglia de Armida do Lully (LWV 71). É belíssimo, de feito.
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(Lugar da Portela, 30/IV/2012 às vinte para as cinco da tahrde.)
Mercado do 1.º de Maio
Bem podem os porta-vozes da luta berrar que Maio está na rua ou que Maio é festa. A rua afunila para o Pingo e a festa é porque toda a gente tem o seu preço. O dos pategos que se aviam no Pingo é uma nota de 100 €. Com 50% de desconto. No Natal já se hão-de comprar [ou vender] por menos.
Adaptado de Bartoon (Luís Afonso, «Público», 2/V/2012).
