Há dias ouvi um jurista dizer que dantes os contratos se faziam para cumprir, hoje para serem renegociados. Isto a propósito de automóveis do governo.
Garagem Imperial, Arroios, [anos 40-50].
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Garagem Imperial
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Folclore ISO 9000
O fado agora é património da Humanidade? Dantes não era...?
(Hylario in Alberto Pimentel, A triste canção do Sul (subsídios para a história do fado), Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, 1904. Carimbo da Internete)
domingo, 27 de novembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
Deu nas notícias às 8h00
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Aquilo
Obra do escultor Leopoldo de Almeida inaugurada em 24 de Novembro de 1970 e apeada num desses cunhais da História. A estátua nunca a vi no seu sítio. Nem nunca a vi fora dele. Algumas vezes, em pequeno, me lembro de ter perguntado o que era aquilo (o pórtico): uma construção daquele tamanho a que não descortinava propósito — uma parede monumental que servia de urinol; mas que coisa sem sentido! A resposta obtive-a sempre: que «era (tinha sido) ao presidente Carmona». Ser (ter sido) «ao presidente Carmona» era-me indiferente; não fazia a vaga ideia de quem fora. Nem se fizesse me tal resolveria a estranheza do pórtico em vazio. Por isso perguntava repetidas vezes o que era aquilo. Ser «ao presidente Carmona» não era resposta porque aquilo era complexo e eu, em pequeno, não no entendia: aquilo era um monumento ao lado errado da História. O que restava dela. Quando o acabaram de demolir foi porque finalmente o perceberam.
Em 24 de Novembro de 1970 chovia, hoje não…

«Pela Pátria una e indivisível», Campo Grande, 1970.
Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
(Revisto em 21/XII/13 e em 3/VI/20.)
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Como se diz «acordo ortográfico» em inglês?
(«Nova lei gera controvérsia entre comunidade Internet», Sapo Tek Notícias, 17/XI/2011.)
domingo, 20 de novembro de 2011
Da segunda autoridade do Estado português
A sr.ª presidente da Assembleia enche hoje com uma fastidiosa entrevista o «Público» (*). Li-a só por alto porque o Altíssimo me não dotou da necessária paciência para tal extensão de ideias chochas.
É federalista europeia assumida, a figura; passa de afirmar o primado do político sobre o económico no governo dos povos para, linhas adiante, defender a unificação fiscal e propor um governo económico uno para a Europa. «Cabe aos políticos desafiar os conceitos e os modelos», diz, ao mesmo tempo que proclama a necessidade de partidos europeus activos.
— Desafiar modelos com... partidos?!...
Para a Assembleia da nação que lhe paga a aposentadoria solta-se-lhe eufemìsticamente um filosófico deixar andar — «ninguém conte comigo para catequizar deputados» —, confiante na «auto-responsabilização» de gente já educada nos melhores princípios éticos, pois.
É esta a nata portuguesa na alta representação da nação. Não admira, pois, que as parangonas da entrevista hajam recaído nos convites recebidos das confrarias maçónica e da Opus Dei pela sr.ª presidente. Com tamanhos talentos havia de lá ser deixarem-na de convidar...
Tutoria da infância, Lisboa, [s.d.].
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
(*) Bárbara Reis e São Almeida, «Assunção Esteves: Fui convidada pela Maçonaria e pela Opus Dei, mas não fui para nenhuma», in Público, 20/XI/2011, pp. 12-14.
A base única do acordo ortográfico
Uma Teresa Domingos tradutora da Traduprime empenhou-se muito em decepar «detectives» nas legendas do Castle, mas o modo como se aprimorou em acentuar o ditongo em «super-heróis» prova o que se já sabia. A grafia macaca‑casteleira fez-se apenas para mutilar as consoantes etimológicas que o Brasil abomina, nada mais.
Fr. Luís do Monte Carmelo, Compendio de Orthografia &c, Lisboa, 1767.
Arco do Marquês de Alegrete
sábado, 19 de novembro de 2011
Alto do Cabo Ruivo
Ouvidoria
«Ontem foram ouvidas em tribunal diversas escutas...» («Paulo Penedos revela ter enganado Godinho», Público, 19/XI/2011, p. 11).
«Escuta», acto de ouvir (Priberam) ou coisa ouvida (semântica nova*). Ontem foram ouvidas em tribunal diversas coisas ouvidas...
Guarda-fios, Lisboa, [s.d.].
In Fundação Portuguesa das Comunicações.
* Mesmo é dizer de jornalista.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Tutoria da infância
Um deputadozinho prolixo propôs pequeno almoço gratuito nas escolas para assim os meninos «terem acesso a essa plataforma de alimentação». Quere dizer, manjedoira.
Tutoria da infância, Lisboa, [s.d.].
Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Recauchutagem «A Resistente»
Eu defendo um corte no salário daquele empregado alarve do triunvirato dos prestamistas (quem saiba um mínimo de português foge de dizer troika). Defendo que lhe cortem o salário e à mulher também, mas, diga eu o que disser, certo é que no assunto não meto prego nem estopa. Assim o não mete ele no que um patrão resolva pagar a um empregado neste país (nem mete o governo, já agora, desde que se pague salário igual ou maior do que o decretado mínimo nacional). O sr. Mexia da companhia da electricidade é — bem vedes — um rico exemplo disto que digo (de os estranhos não meterem bedelho sobre quanto um patrão paga ou deixa de pagar). Muito embora não me cheire, nem ninguém creia, que fosse o caso deste sr. Mexia a motivar a descabida sentença ao esbirro estrangeiro.
Pois se todavia se não calou ele deviam tê-lo calado ou mandado calar, mas disparates deste jaez ganham todos os dias foros de coisa importante porque a ressonante mioleira amorfa da imprensa nos sai pior que a encomenda. E se toda esta indigente miséria ganha foro agora aqui é porque quando o insulto soez à inteligência da gente emparelha com malquerença, não se perde nada a bengalada. O bárbaro que dê a provar a mèzinha à sua tribo primeiro, que talvez também precise, e ao depois torne cá com a propaganda do empobrecimento se ainda puder.
Recauchutagem «A Resistente», Lisboa, [s.d.].
Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Tempo da aviação heróica
Lançamento à água de hidroavião português, Doca do Bom Sucesso, 1928.
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Rio Tejo, 1927
Hidroavião Junkers D-1230, Praia do Bom Sucesso, 1927.
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
O imperador Frederico III não bebia
Manoel Bernardez, Nova floresta ou silva de vários apophthegmas e ditos sentenciosos
espirituaes e moraes..., t. 1º, Lisboa, Of. de Valentim da Costa Deslandes, 1706, p.17.
Sobre o uso do vinho em mulheres podem ler-se as considerações do Autor nas pp. ss.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Proclama-se muito disparate em Portugal
Diz que ontem houve um ministro que proclamou o fim da crise em 2012.
Santa Maria de Avioso, Portugal, s.d..
Fotografia amàvelmente cedida pelo sr. Alves Pereira.
domingo, 13 de novembro de 2011
Vista sobre Areeiro
Contou-me o meu irmão que a primeira vez que viu o Areeiro, pelos meados dos anos 60, ficou deslumbrado. Parece-me que se tresmalhou para ali com uma tropa de mini-aventureiros. Nunca vira nada como aquela praça e aquilo impressionava. Cuido que não fosse para menos.
Confessso que me não recordo das minhas primeiras impressões da Praça do Areeiro. Estou a tentar recordar-me; deve ter sido numa daquelas idas ao Nutripolo que rocei primeiramente o lugar mas daí não forjei uma memória que sobrevivesse como a primeira. Costumava a minha mãe atalhar caminho para o apeadeiro marginando a praça pela Rua Alves Torgo; poderá tal ter-me fintado uma primeira impressão forte dos arranha-céus pelo esbatido do semi-arrabalde donde me fora primeiramente dado vê-los? Ou terá sido de ter crescido com televisão e com imagens vulgares de cidades cujos arranha-céus de longe ultrapassavam a dúzia de andares do Areeiro?
De toda a maneira, e isto no neu tempo, o Areeiro ainda era um limite muito marcado da cidade; não já para Norte, como no tempo de a minha mãe contar que Lisboa terminava no Areeiro, mas para Nascente isso era notório. E vê-se...
Panorâmica de Alvalade [sobre o Areeiro], Lisboa, 196...
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Nota: numa Vista Aérea do Areeiro publicada aqui no blogo em 6 de Agosto pode o benévolo leitor apreciar uma ampla perspectiva desde o lado oposto; muito mais ampla agora do que então por ter eu obtido no arquivo municipal uma fotografia de muito maior resolução; se lhe interessam estas novidades antigas, não deixe o benévolo leitor de clicar lá na fotografia.
Mercado geral dos gados
Numa dessas colecções de como era Lisboa que circulam aí por via electrónica diz que esta aqui é uma coisa que não é noutro lugar qualquer. O que vedes é o ramal da linha de cintura para o mercado geral dos gados em Entre Campos. Assentava por sobre a Av. 5 de Outubro pouco mais ou menos ante a nova Av. de Álvaro Pais (aquela onde puseram um prédio ondulado branco). Quem subisse a 5 de Outubro, para vencer os barrancos da linha de cintura e do ramal, fazia um desvio após a Av. António Serpa por um viadutozinho à esquerda (onde há hoje um parque estacionamento a seguir a uma rica casa modernista). Assim chegava ao troço final da Cinco de Outubro que se vê adiante decorado de arvoredo tenro e altos postes telefónicos, como rua arrabaldina.
No mercado geral dos gados veio a pôr-se a Feira Popular; ainda agora, já depois de fechada, veio a demolir-se este corpo de edifícios que se vêem para cá da cúpula.
Ao longe reluzem as fachadas da Av. 28 de Maio com sol de Abril. De 1944.
Ramal da linha férrea de cintura para o mercado geral dos gados, Lisboa, 1944.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.
sábado, 12 de novembro de 2011
Rua das Amoreiras
Por S. João dos Bem Casados e um nadinha além.
Fotografias de Eduardo Portugal, 1944.
Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Da propriedade das distinções
Na quinta-feira o «Público» anunciava o 7.º vol. da colecção dos Arquitectos Portugueses. Nas gordas vinha que o arq.º João Ribeiro distingue-se não só pelas construções de raiz que tem projectado, mas também pelos edifícios que tem requalificado. — Ora! Por que mais haveria de distinguir-se um arquitecto? Só por publicidade infundada...
Ilustrando o panegírico ao arquitecto havia no jornal a fotografia dum paralelepípedo em aço e vidro alevantado no castelo de Montemor-o-Velho com o epíteto A Casa de Chá; obra distinta do senhor João Ribeiro, presumo. Se A Casa de Chá é construção de raiz ou se é requalificação do castelo de Montemor-o-Velho não sei. Há um mês visitei o castelo e vi A Casa de Chá vazia e fechada — não sei se por ter ido num sábado à tarde...
Mais que não sei é se tal trabalho é coisa que no tempo presente distinga este arquitecto doutros (encartados ou não) dados à Arquitectura. Que diga quem no possa.
A Casa de Chá em Montemor-o-Velho, 2011 (?).
Sérgio Azenha, in Público, 11/11/2011.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Quentes e boas (1.ª ed., 2.ª reimpr.)
Carlos do Carmo - O Homem das Castanhas
Bairro Alto, Lisboa, 1969.
Fotografia de Eduardo Gageiro, in Lisboa no Cais da Memória: 1957-1974, p. 73.
(Originalmente publicado no dia de São Martinho de 2006.)
domingo, 6 de novembro de 2011
O cego de Landim
« Dizia elle [o cego] que viera encontrar em Portugal especies de ladrões fleugmaticos e frios, que não topara nos climas quentes; e que o larapio luso-brasileiro era francamente analphabeto e lerdo, ao passo que o ladrão, extreme e puramente luso, era, por via de regra, além perverso, bacharel formado.»
Camillo Castello Branco, «O cego de Landim», Novellas do Minho, v. I, 2.ª ed., Lisboa, Parceria A.M. Pereira, 1903, p. 164.
![]()
(1.ª ed. d' «O Cego de Landim» in Mercado Livre.)
Visita geral
« O presidente da República, Cavaco Silva, que considerou recentemente que a retirada dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e pensionistas constituía uma violação básica da equidade fiscal, foi anteontem [trasanteontem] recebido em Sintra pelo presidente da C.M.S., Fernando Seara, do P.S.D., que vive há muito tempo com um pé em Sintra e outro na Federação Portuguesa de Futebol — eleito com o lema Dedicação total — e pelo presidente da Mesa da Assembleia Municipal, Ângelo Correia, também do P.S.D., que defende que os direitos adquiridos são uma burla e que só existem enquanto a economia for sólida — mas que considera que a sua subvenção vitalícia é intocável.
« Frase da Visita:
(...) Sabemos todos que temos em Vossa Excelência um porto de abrigo e uma muralha segura. E isso é muito importante para que este momento seja encarado com a serenidade possível pelos cidadãos. É, pois, Vossa Excelência o guardião das expectativas de muitos de nós. Guardião contra aventuras insensatas ou medidas cegas e injustas. (...)
«Fernando Seara, dirigindo-se ao Presidente Cavaco Silva.»
In Rio das Maçãs, 5/11/2011.
Fotografia: Vista geral de Sintra, s.d.. Estúdio de Mário de Novais: 1933-1983, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Olimpieu
Afrodite e Pan
(Afrodite e Pan [Pã], Museu Arqueológico Nacional de Atenas, 2007.)
Aquela doutora Meireles, uma que tem voz de locutora da Europa, disse que o Papandreu é um anão. Que pensou mais na sua (dele) carreira helénica do que na sua (dela) olímpica Europa. Até a voz lhe tremia, coitada, quando a ouvi às seis na telefonia. Ora, o nacional abafo dos luso-enquistados no Olimpo europeu há-de agasalhar-lhe oligarquicamente as sinecuras. Não se afronte ela com o fauno.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
50% era pouco
O trovador
A senhora não passa sem música. Hoje pôs o álbum dos «Crowded House» que passou consigo uma temporada além Quebeque. Estava ali a tocar a cantiga «Fall At Your Feet» e eu aqui, quiçá inspirado, deu-me para ver o teledisco no Tubo. A senhora olhou de passagem. Procurou-me quem era.
— É o cantor da música, o Neil Finn. Não o conhecias?
— Não.
Ficou a ver.
— O poema é romântico.
— Ele é um trovador.
Neil Finn, Fall at Your Feet.
(Crowded House, 1991.)
Dos «espirituosos»
Ordinariamente, chamam-se á franceza —espirituosos— uns sugeitos dotados de genio motejador, applaudidos com a gargalhada, e aborrecidos áquelles mesmos que os applaudem. São os caricaturistas da graciosidade.
O «espirituoso», á moderna, abrange os variados officios que, antes da nacionalisação d'aquelle extrangeirismo, pertenciam parcialmente aos seguintes personagens, uns de caza, outros importados: Chocarreiro — tregeiteador — arlequim — palhaço — proxinella — polichinello — maninêllo — truão —jogral — goliardo — histrião — farcista — farçola — végete — bobo — pierrot — momo — bufão — folião, etc.
Esta riqueza de synonimia denota que o bobo medieval bracejou na peninsula iberica vergonteas e enxertias em tanta copia que foi preciso dar nome ás especies. Ora, o «espirituoso» tem de todas. (*)
E agora a de engravatado angariador de trocos em nome de bancos. Que nome haverá para isso?
(Imagem: Marketing Online.)
(*) Camillo Castello Branco, «Gracejos que matam», Novellas do Minho, v. I, 2.ª ed., Lisboa, Parceria A.M. Pereira, 1903, p. 9.
