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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Recauchutagem «A Resistente»

 Eu defendo um corte no salário daquele empregado alarve do triunvirato dos prestamistas (quem saiba um mínimo de português foge de dizer troika). Defendo que lhe cortem o salário e à mulher também, mas, diga eu o que disser, certo é que no assunto não meto prego nem estopa. Assim o não mete ele no que um patrão resolva pagar a um empregado neste país (nem mete o governo, já agora, desde que se pague salário igual ou maior do que o decretado mínimo nacional). O sr. Mexia da companhia da electricidade é — bem vedes — um rico exemplo disto que digo (de os estranhos não meterem bedelho sobre quanto um patrão paga ou deixa de pagar). Muito embora não me cheire, nem ninguém creia, que fosse o caso deste sr. Mexia a motivar a descabida sentença ao esbirro estrangeiro.
 Pois se todavia se não calou ele deviam tê-lo calado ou mandado calar, mas disparates deste jaez ganham todos os dias foros de coisa importante porque a ressonante mioleira amorfa da imprensa nos sai pior que a encomenda. E se toda esta indigente miséria ganha foro agora aqui é porque quando o insulto soez à inteligência da gente emparelha com malquerença, não se perde nada a bengalada. O bárbaro que dê a provar a mèzinha à sua tribo primeiro, que talvez também precise, e ao depois torne cá com a propaganda do empobrecimento se ainda puder.
 


Recauchutagem «A Resistente», Lisboa (M.Novais, s.d.)
Recauchutagem «A Resistente», Lisboa, [s.d.].
Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

5 comentários:

  1. Alves Pereira18/11/11 22:09

    Que se poderá dizer mais??? O meu caro Bic disse (quase) tudo o que me vai na alma...
    Vivemos uma época estupidificante, porque gerada (e gerida) por seres inferiores e invejosos que mais não enxergam que o seu próprio proveito, e medíocre, que não admite que haja alguém que o não seja...assim , de repente, somos confrontados com o desassombro da estupidez de todos os quadrantes e com pessoal de 5ª ou 7ª linha com alguém disse ... que desditosa época a nossa... até quando? fica a pergunta.
    Tenha-se em mente que a mediocridade tudo vence, se se não tiver cuidado.
    Cumpts

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  2. Alves Pereira18/11/11 22:25

    ...Defendo que lhe cortem o salário e à mulher também...
    o meu caro Bic , desculpará que lhe diga, mas, por vezes, parece um optimista incorrigível: tem a certeza que o dito tem mesmo disso? Não aposte que pode perder.
    Cumpts.

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  3. Bic Laranja21/11/11 22:11

    Referi a mulher para ser extensivo a respeitosa família do tratante o bem que nos ele deseja.
    Cumpts.

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  4. Bic Laranja21/11/11 22:13

    Infausta vitória essa. Tristes tempos, bem verdade.
    Cumpts.

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  5. eh, eh! afinal estávamos no mesmo comprimento de onda.
    Cumpts.:)

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