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domingo, 20 de novembro de 2011

Da segunda autoridade do Estado português

 A sr.ª presidente da Assembleia enche hoje com uma fastidiosa entrevista o «Público» (*). Li-a só por alto porque o Altíssimo me não dotou da necessária paciência para tal extensão de ideias chochas.
 É federalista europeia assumida, a figura; passa de afirmar o primado do político sobre o económico no governo dos povos para, linhas adiante, defender a unificação fiscal e propor um governo económico uno para a Europa. «Cabe aos políticos desafiar os conceitos e os modelos», diz, ao mesmo tempo que proclama a necessidade de partidos europeus activos.
 — Desafiar modelos com... partidos?!... 
 Para a Assembleia da nação que lhe paga a aposentadoria solta-se-lhe eufemìsticamente um filosófico deixar andar — «ninguém conte comigo para catequizar deputados» —, confiante na «auto-responsabilização» de gente já educada nos melhores princípios éticos, pois.
 É esta a nata portuguesa na alta representação da nação. Não admira, pois, que as parangonas da entrevista hajam recaído nos convites recebidos das confrarias maçónica e da Opus Dei pela sr.ª presidente. Com tamanhos talentos havia de lá ser deixarem-na de convidar...

Tutoria da Infância, Lisboa (M. Novais, s.d.)
Tutoria da infância, Lisboa, [s.d.].
Estúdio de Mário de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..




(*) Bárbara Reis e São Almeida, «Assunção Esteves: Fui convidada pela Maçonaria e pela Opus Dei, mas não fui para nenhuma», in Público, 20/XI/2011, pp. 12-14.

4 comentários:

  1. Attenti al Gatti20/11/11 22:08

    De modo geral, os antecessores da senhora perceberam perfeitamente que aquilo era um cargo de psiché. Estavam alí, com o naperonzinho por baixo e pronto. E a dita senhora, passado este empolgamento de ser a primeira mulher a ocupar tais funções, certamente também se remeterá a uma presença discreta. E é o melhor que tem a fazer, mais a mais sabendo que foi a segunda escolha, em circunstâncias que ilustram bem a mediocridade partidocrática a que este país, coitado, está sugeito.
    A.v.o.

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  2. zedatarada21/11/11 15:54

    sugeito???
    Isto deve ser já o "acordo" a funcionar.

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  3. Bic Laranja21/11/11 20:52

    Um mono que sai pelo preço dum «bibelot» e sem leiloeiro que o rife. Pagam os do costume.
    Mas diz vossemecê muito bem.
    Cumpts.

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  4. Bic Laranja21/11/11 22:17

    «Lapsus calami», por certo.
    Cumpts.

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